PIB do agronegócio no primeiro trimestre recua 2%, segundo Cepea/CNA

O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária recuou 2% no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) divulgados nesta quinta-feira (6).

Essa queda representa uma redução de R$ 66,1 bilhões para o setor, puxada pela desvalorização de 3,62% (R$ 74,6 bilhões) do ramo agrícola, enquanto a pecuária apresentou um crescimento marginal, de 0,7% (R$ 8,6 bilhões).

Segundo o índice, que engloba toda a cadeia agropecuária, o PIB do setor foi estimado em R$ 3,13 trilhões, sendo R$ 1,88 trilhão no ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão no pecuário.

Nos primeiros meses do ano, os setores com maior queda foram o segmento primário (-4,15%), seguido por insumos (-2,15%), agroserviços (-1,25%) e agroindústria (-1,03%).

O Cepea destacou que o resultado foi influenciado pela expectativa de redução do valor da produção em 2026, decorrente principalmente da queda dos preços, que superou os ganhos projetados de produção em diversas atividades agrícolas e pecuárias.

A queda mais drástica foi no segmento primário agrícola (5,72%), apesar da expectativa de aumento na produção de commodities importantes, como cana-de-açúcar, café e soja. Segundo os pesquisadores, a queda do PIB do setor foi motivada pelo recuo dos preços, que “mais do que compensaram o avanço produtivo”.

Por outro lado, a agroindústria e os agroserviços no ramo da agropecuária tiveram um retrospecto positivo no período, com crescimento de 1,93% e 1,86%, respectivamente.

“Os agroserviços foram influenciados pelos desempenhos dos segmentos a montante, sustentados pela maior demanda por transporte, comércio e demais serviços associados ao aumento esperado da produção pecuária”, explicam os pesquisadores.

Diferença com o IBGE

Em maio, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 230,4 bilhões, números significativamente menores do que os do Cepea.

A diferença entre os dois índices se dá pela abrangência de cada um. Enquanto o IBGE se restringe apenas ao setor primário, o Cepea leva em consideração toda a cadeia, estendendo-a para o ramo de serviços (logística, transporte, armazenagem e crédito) e indústria (usinas de açúcar, laticínios e abate de carnes).

Sob supervisão de Kaique Cangirana*  

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