Polícia prende suspeito de participar de pichação da Embaixada dos EUA em Brasília


A Polícia Militar do Distrito Federal prendeu um indivíduo supostamente envolvido na pichação de um muro da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, nesta quinta-feira (13).

Segundo a PM, a pessoa foi levada à 1ª Delegacia de Polícia. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) assumiu a autoria do ato de vandalismo.

A pichação diz: “os EUA fazem guerra e lucram com a morte“. Há também o mesmo escrito em inglês, dizendo: “the USA makes war and profits from death“.

Imagens ainda mostram objetos que parecem ser simulacros de uma cartola, em referência à vestimenta do ‘Tio Sam’, figura emblemática de campanhas de guerra dos EUA, modelos de ossos artificiais, e é possível ver uma marca de queimadura na parede, junto a restos de pano que se assemelham à bandeira dos Estados Unidos. Uma faixa também é vista no chão. Nela, pode-se ver o escrito: “Indústria da guerra dos EUA: mortes, fome e destruição da natureza“.

A ocorrência foi registrada na região da representação diplomática americana, no Setor de Embaixadas Sul, na capital federal. Até o momento, nenhum suspeito foi identificado.

Procurada pela Jovem Pan, a Embaixada dos Estados Unidos afirmou que está “ciente dos atos de vandalismo em nossas dependências. Tais atos são inaceitáveis, e estamos trabalhando com as autoridades locais. Os EUA continuam comprometidos em dialogar com o povo brasileiro e em garantir a segurança de nossos funcionários e instalações. As atividades consulares seguem normalmente”.

MST assume autoria

Segundo o MST, a ação foi realizada pela Juventude Sem Terra e pelo Levante Popular da Juventude como uma manifestação contra o que classificou como “indústria da guerra” e “imperialismo dos EUA”.

A confirmação da autoria ocorreu por meio de uma publicação nas redes sociais do MST. Na mensagem, o grupo afirmou que a intervenção teve como objetivo fazer uma crítica à atuação dos Estados Unidos e terminou com uma declaração em defesa da mobilização da juventude pelo socialismo.

O ato ocorreu antes das 8h e deixou pichações nos muros da representação diplomática.

Parte do material foi queimada. Também foram encontrados objetos artesanais semelhantes a ossos, produzidos com fita crepe, e um chapéu de papelão que faz referência ao Tio Sam, personagem que simboliza os Estados Unidos.

Os participantes estavam com os rostos pintados e deixaram o local antes da chegada da Polícia Militar do Distrito Federal, que realizou buscas na região. A embaixada conta ainda com diversas câmeras de segurança, que podem ter registrado a movimentação durante a ação.

Após o vandalismo, a Polícia Civil realizou o trabalho pericial na área externa da representação diplomática. Com o fim da perícia, equipes de manutenção iniciaram a limpeza e já repintaram o trecho do muro que havia sido pichado.

Tensão diplomática

O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Em 15 de julho, o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando, entre outros pontos, práticas comerciais consideradas prejudiciais aos EUA e falhas no combate ao desmatamento. A medida entrou em vigor no dia 22 e levou o governo Lula a acionar formalmente Washington na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 27 de julho.

A crise também chegou à área diplomática. Os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao impasse sobre a indicação do republicano Daniel Perez para comandar a embaixada americana em Brasília. O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément — autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o posto — e criticou Washington por ter tornado a indicação pública antes desse aval.



Veja a Matéria Completa

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.