O mercado de trigo encerrou a sessão desta terça-feira (14) em forte alta na Bolsa de Chicago, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Mar Negro e pelas preocupações com a produção agrícola na Europa. O contrato para entrega em setembro avançou 1,53%, encerrando o dia cotado a US$ 6,45 por bushel.
Segundo a Agrinvest, o mercado reagiu ao aumento das incertezas na região do Mar Negro e ao cenário para as safras de trigo e milho na União Europeia. Nos Estados Unidos, o relatório de acompanhamento das lavouras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostrou leve melhora na classificação das áreas de trigo de primavera em condições boas e excelentes, mas também registrou aumento de três pontos percentuais nas áreas avaliadas como ruins e muito ruins.
A AgResource destaca que o plano da Rússia de redirecionar as exportações de grãos para escapar dos ataques ucranianos a embarcações no Mar de Azov e no Estreito de Kerch enfrenta desafios logísticos significativos. Segundo a consultoria, a estratégia exige maior uso de caminhões e ferrovias, o que eleva os custos de transporte em um momento de oferta limitada de gasolina e diesel no mercado doméstico.
Além disso, a empresa ressalta que os prêmios dos seguros marítimos no Mar Negro seguem em alta e que os ataques entre Rússia e Ucrânia à infraestrutura portuária devem continuar, mantendo o risco para o fluxo de exportações de grãos da região, um dos principais polos fornecedores do mercado mundial.
Milho
O milho encerrou o pregão em queda na Bolsa de Chicago, com o contrato para dezembro com baixa de 0,59% e fechando cotado a US$ 4,60 por bushel.
De acordo com o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) de acompanhamento das lavouras, 34% da safra já atingiu o estágio de espigamento até 12 de julho, acima da média dos últimos cinco anos, de 30%. Além disso, 6% das áreas entraram na fase de grão leitoso, também ligeiramente acima da média histórica.
As condições das lavouras seguem favoráveis, com 68% da safra classificada como boa ou excelente, 24% em condição regular e apenas 8% entre ruim e muito ruim.
Apesar do cenário positivo, o mercado mantém atenção ao clima. Isso porque a cultura entra agora em uma das fases mais sensíveis do desenvolvimento, quando episódios de calor intenso ou chuvas irregulares podem afetar o potencial produtivo. Assim, embora a qualidade das lavouras permaneça elevada, a evolução das condições climáticas nas próximas semanas continuará sendo um dos principais fatores para a formação dos preços.
Soja
Os contratos futuros da soja encerraram a sessão em leve baixa na Bolsa de Chicago, em um movimento de realização de lucros após os ganhos registrados na semana passada. Além do ajuste técnico, o mercado repercutiu a atualização das condições das lavouras nos Estados Unidos e a revisão para cima da safra brasileira pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
O contrato futuro para entrega em novembro fechou o dia negociado em US$ 11,91 por bushel e com queda de 0,31% na Bolsa de Chicago.
Segundo a Agrinvest, os investidores aproveitaram para reduzir posições após a recente valorização dos preços. Ao mesmo tempo, os dados divulgados pelo USDA mostraram melhora nas condições das lavouras. O índice de áreas classificadas como boas ou excelentes passou de 64% para 65% em uma semana, resultado acima das expectativas do mercado. Apesar da melhora, o percentual ainda permanece cinco pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
No Brasil, a Conab elevou sua estimativa para a produção de soja da safra 2025/26 para 180,568 milhões de toneladas, ante 180,253 milhões de toneladas projetadas em junho, reforçando a expectativa de uma safra recorde.
Entre os derivados, a Agrinvest destacou o comportamento distinto do farelo de soja, que foi o único integrante do complexo a operar em alta durante o dia. No mercado físico norte-americano, a demanda da indústria manteve os preços da soja estáveis na região do Meio-Oeste, enquanto as cotações nos silos seguiram pressionadas.
No mercado de óleo de soja, as atenções estão voltadas para o relatório mensal da Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (NOPA). A expectativa é de que o esmagamento tenha alcançado 203,989 milhões de bushels em junho, indicando recuperação no ritmo diário de processamento após a desaceleração observada em maio.



