A primeira semana de agosto será marcada por dois cenários distintos no Brasil. No início da semana, o predomínio é de tempo firme, baixa umidade relativa do ar e temperaturas elevadas em grande parte das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. Já na segunda metade da semana, a atenção se volta para a Região Sul, onde a previsão indica a formação de um ciclone extratropical entre quinta (6) e sexta-feira (7), com potencial para provocar ventos intensos, principalmente no Rio Grande do Sul.
Nesta segunda-feira (3), segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), as chuvas permanecem concentradas no Sul do país, especialmente no centro-sul do Rio Grande do Sul, além de áreas próximas à divisa entre Santa Catarina, Paraná e Argentina. Nas demais regiões, o destaque continua sendo o tempo seco e os baixos índices de umidade do ar.
Ciclone deve se formar entre quinta e sexta
Segundo o meteorologista e consultor climático Francisco de Assis, a mudança mais significativa da semana deve ocorrer a partir de quinta-feira (6), quando um ciclone extratropical deve se formar entre a Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul. De acordo com o especialista, o sistema deve se deslocar para o Oceano Atlântico no início da sexta-feira (7), mantendo influência sobre o litoral gaúcho.
“Vai se formar um ciclone extratropical pela Argentina com Rio Grande do Sul e Uruguai, na quinta-feira (6). Depois vai deslocar-se para o Oceano Atlântico e pegar o litoral do Rio Grande do Sul no início do dia 7. Ventos fortes de 80 km/h a 90 km/h devem ocorrer em grande parte do Rio Grande do Sul”, explicou Francisco de Assis à CNN.
Ainda segundo o meteorologista, a frente fria associada ao ciclone também deve favorecer uma frente de rajadas, com ventos próximos de 80 km/h entre o sul de Mato Grosso do Sul, o oeste e sul do Paraná e áreas de Santa Catarina.
Sul já registra instabilidades
O avanço do ciclone ocorre após dias de instabilidade na região Sul. Segundo o Inmet, a aproximação de uma frente fria pelo Oceano Atlântico e a atuação de um centro de baixa pressão sobre o Paraguai favoreceram, entre sábado (1º) e esta segunda-feira (3), a ocorrência de chuva, trovoadas, rajadas de vento e possibilidade de granizo, principalmente no Rio Grande do Sul.
No fim de semana, o instituto chegou a emitir avisos de perigo para tempestades, vendavais e ventos costeiros em diferentes áreas da região.
Baixa umidade predomina em boa parte do país
Enquanto o Sul concentra as instabilidades, o restante do país segue sob influência de uma massa de ar seco.
Segundo o Inmet, agosto começou com baixa umidade relativa do ar em diversos estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. Há alertas para índices inferiores a 20% em áreas do Tocantins, sudeste do Pará, oeste da Bahia e sul do Piauí. Em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, os avisos também indicam condições críticas durante as tardes.
O cenário favorece o aumento do risco de queimadas, piora da qualidade do ar e problemas respiratórios, além de exigir maior atenção com hidratação e exposição prolongada ao sol.
Chuva fica restrita a poucas áreas
Na região Norte, a previsão desta segunda-feira concentra as chuvas entre Roraima, norte do Amazonas, litoral do Pará e Amapá, com possibilidade de trovoadas isoladas. Já Rondônia, Tocantins, centro-sul do Pará e parte do Acre permanecem com tempo firme.
No Nordeste, a chuva deve ocorrer principalmente na faixa litorânea, com maior intensidade prevista para o litoral da Bahia. No interior da região, predomina o tempo seco.
No Centro-Oeste, apenas o sul e sudoeste de Mato Grosso do Sul têm previsão de chuva isolada nesta segunda-feira, enquanto o restante da região segue com céu aberto e baixa umidade. No Sudeste, a instabilidade fica restrita ao Espírito Santo, ao leste de Minas Gerais e a trechos do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nas demais áreas, o tempo continua seco, com possibilidade de geada nas áreas serranas do sul de Minas Gerais durante as madrugadas.
Válido lembrar que a intensificação do El Niño deve marcar o clima de agosto no Brasil, com um cenário de contrastes entre as regiões.



