A Rússia informou nesta segunda-feira (3) que está reforçando a proteção de embarcações na região do Mar de Azov e do Mar Negro, além de desenvolver rotas alternativas para o transporte de cargas. A medida ocorre após uma forte escalada dos ataques marítimos realizados por ambos os lados na guerra da Ucrânia.
O Ministério dos Transportes da Rússia afirmou que, em resposta à “situação tensa no Mar de Azov causada por ataques hostis de drones contra embarcações marítimas”, criou uma força-tarefa para identificar novas rotas logísticas e transferir parte do fluxo de cargas para outros modais de transporte.
“Várias empresas de operação portuária já manifestaram disposição para movimentar volumes adicionais de carga e acelerar os embarques em seus terminais, dentro dos limites de sua capacidade operacional”, informou o ministério em comunicado.
Em conjunto com o Ministério da Defesa, “medidas adicionais estão sendo implementadas para garantir a segurança da navegação e proteger as embarcações na região do Mar de Azov e do Mar Negro”.
A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, e a Ucrânia, também uma importante exportadora agrícola, intensificaram nas últimas semanas os ataques contra instalações de exportação agrícola e navios comerciais na região do Mar Negro, movimento que elevou os preços do trigo nos mercados internacionais.
Na sexta-feira, a principal entidade representativa do setor de grãos da Rússia alertou que os ataques de drones ucranianos contra navios e portos russos podem interromper, em um futuro próximo, as exportações de grãos pelo Mar Negro, pressionando ainda mais os preços e agravando a insegurança alimentar na África e no Oriente Médio.
Nas últimas semanas, a maior associação de produtores rurais da Ucrânia, a UAC, também advertiu que os ataques russos contra embarcações próximas ao porto de Odesa estão restringindo as exportações ucranianas em um período crucial da colheita e podem afetar o abastecimento global de alimentos.