O governador do Piauí, Rafael Fonteles, defendeu como premissa, em um livro publicado em 2025, o equilíbrio fiscal nas contas públicas. Foi em Diretrizes de Longo Prazo de Desenvolvimento do Estado do Piauí, no qual destacou a “Estabilidade Duradoura (Institucional e Fiscal)” como uma das três premissas para seu governo.
“Acreditamos que a estabilidade política e econômica é fundamental para a prosperidade de um povo e de um lugar. Com estabilidade duradoura, os investimentos crescem e as políticas públicas funcionam verdadeiramente. (…) Igualmente importante é a estabilidade fiscal. Sem equilíbrio fiscal, as tensões socioeconômicas se elevam e o processo de desenvolvimento torna-se totalmente comprometido. Além disso, é a estabilidade fiscal que garante capacidade de investimento, elemento fundamental para as políticas públicas, para melhorar a infraestrutura e para atrair investimentos privados. Destacamos que a estabilidade institucional ajuda na estabilidade fiscal e vice-versa. E quanto mais duradoura for essa estabilidade, mais prosperidade alcançaremos”, escreveu Fonteles.
O resultado foi colhido, segundo quem acompanha de perto as contas do estado: o Piauí não tem dívida, é um dos estados que mais investiram no país e tem capacidade de pagamento.
As outras duas premissas colocadas no livro foram “Superchoque educacional e tecnológico” e “Abertura econômica (com participação ativa do Estado)”.
Fonteles ascendeu ao segundo turno como um dos preferidos do presidente Lula para assumir a Fazenda, após ser reeleito governador do Piauí no primeiro turno e se tornar um dos coordenadores da campanha à reeleição de Lula no segundo turno.
Ele retornou ao seu estado nesta segunda-feira para tratar da transição em seu governo. Segundo seus interlocutores, ainda não houve qualquer tratativa sobre uma eventual ida sua para o governo Lula 4. Se convidado por Lula, porém, seus aliados apostam que ele aceitará, dentro de uma visão de que poderia ajudar ainda mais seu estado estando em Brasília. Além disso, seu vice-governador integra seu grupo político e participa da gestão desde o início.
O grupo que está no governo do Piauí se conhece desde a juventude e tem em Fonteles seu expoente. Filho do ex-deputado federal Nazareno Fonteles, um dos fundadores do PT no estado, que hospedava Lula em sua casa nas visitas do petista ao Piauí nos anos 1980, Rafael é apontado dentro do PT como alguém fora da curva. Teve uma vida escolar de excelência, ficando em primeiro lugar geral no vestibular para o curso superior de Matemática, concluído em dois dos quatro anos previstos. Fez mestrado no Instituto de Matemática Aplicada, foi convidado para fazer doutorado fora do país, mas tornou-se empresário de uma rede de escolas em seu estado natal.
Seu primeiro cargo público foi como secretário da Fazenda de Wellington Dias, onde ficou por sete anos. No período, foi presidente do Confaz e do Consefaz e se cacifou para suceder o então governador.
Eleito em 2022, seus apoiadores apontam que criou um método de gestão com foco em transformar planos de governo em planos de gestão, com compromissos, metas e reuniões de monitoramento.
Focou em Saúde (acesso a médicos por aplicativo), Segurança (ampliação do efetivo, do número de prisões e da recuperação de celulares), Educação (escolas de tempo integral; o Piauí hoje ocupa o segundo lugar no Ideb nacional), Governo e Comunicação.



