Entidades representativas do setor cafeeiro brasileiro comemoraram a decisão do governo dos Estados Unidos de isentar todos os cafés do Brasil da nova tarifa de 25% sobre produtos importados. No entanto, elas destacaram que ainda há preocupação com uma segunda investigação em andamento, que pode resultar em uma cobrança adicional sobre o café brasileiro.
Em comunicado conjunto, a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), a Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) e o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) afirmaram que a atuação conjunta com a americana NCA (National Coffee Association), com apoio de importadores norte-americanos, contribuiu para a decisão.
Segundo as entidades, o resultado representa duas conquistas para o setor: a manutenção dos cafés que já haviam sido indicados para a lista de exceção no âmbito da investigação da Seção 301 do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, em português) e a inclusão do café solúvel não aromatizado entre os produtos isentos da tarifa.
Com a medida, o café verde e os produtos industrializados brasileiros, incluindo o café solúvel e seus subprodutos, ficam fora da possibilidade de cobrança da tarifa de 25% para entrada no mercado norte-americano.
“Entendemos que essa decisão protege as exportações brasileiras de café – na ordem de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano aos EUA, maior consumidor e importador mundial – e reforça a força do Brasil como maior produtor e exportador global, estabelecido como parceiro insubstituível aos norte-americanos”, afirmaram as entidades no comunicado.
Apesar da isenção anunciada, Abic, Abics e Cecafé destacaram que permanece em andamento uma segunda investigação do USTR, também baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. De acordo com as instituições, esse processo pode resultar em uma nova tarifa sobre o café brasileiro, estimada em 12,5%.
“Seguiremos em permanente trabalho de representação da sustentabilidade, da qualidade e da competitividade dos cafés do Brasil em todo o mundo, de maneira que os interesses de todos os atores da cadeia produtiva sejam defendidos e contemplados”, afirmaram.



