Trump assina medida para ampliar importação de carne bovina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26) um decreto que amplia temporariamente a quantidade de carne bovina que pode ser importada com tarifa reduzida e acima da cota atual.

A medida começa a valer em 1º de setembro e terá duração de 90 dias. A nova cota permitirá a entrada de até 100 mil toneladas de proteínas por mês, assim totalizando o volume de 300 mil toneladas nesses três meses para grupo de “Other Countries”, traduzindo outros países.

Segundo comunicado, o produto deverá ser utilizado exclusivamente na produção de carne moída, combinado com carne bovina produzida nos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, a medida deve ampliar a oferta de carne bovina em cerca de 10% em relação às projeções atuais.

De acordo com o Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, destacou que o Brasil não tem uma cota exclusiva para exportar carne bovina aos Estados Unidos. O país está incluído no grupo chamado “Outros Países”, que reúne diferentes fornecedores e compartilha um volume anual de importação.

Até 2025, esse grupo tinha uma cota de 65 mil toneladas por ano. Em 2026, o volume caiu para 52 mil toneladas, depois que os Estados Unidos destinaram parte da cota ao Reino Unido.

A avaliação do analista ainda esclarece que essa medida beneficia o Brasil pois a medida exclui concorrentes como Argentina, Nova Zelândia e Austrália de terem acesso a essa cota adicional.

“O Brasil precisa disputar essas 52 mil toneladas com outros países. Já concorrentes importantes, como Argentina, Austrália e Nova Zelândia, possuem mecanismos próprios de acesso ao mercado americano”, informou à CNN Brasil.

Como a demanda pela carne brasileira é elevada, Isoldi destacou que a cota compartilhada costuma ser preenchida rapidamente e que depois do esgotamento, as exportações ficam sujeitas a tarifas maiores, reduzindo a competitividade do produto brasileiro.

A decisão ocorre em um momento de menor disponibilidade de gado no mercado americano. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) projeta que a produção de carne bovina do país deve cair cerca de 4% em 2026 na comparação com o ano anterior.

O governo americano atribui a redução da oferta a uma combinação de fatores, entre eles a seca em regiões produtoras, menor disponibilidade de pastagens e forragem, incêndios florestais e as restrições à entrada de animais vivos provenientes do México devido à ameaça da mosca-da-bicheira do Novo Mundo.

Além disso, o comunicado da Casa Branca destacou que o fechamento de portos no sul dos Estados Unidos para conter a entrada da praga também afetou o abastecimento de gado para a indústria. De acordo com a Casa Branca, a interrupção resultou na perda de centenas de milhares de toneladas de carne bovina que poderiam ter sido produzidas no país.

Ao mesmo tempo, o consumo de carne bovina permanece elevado nos Estados Unidos. O país é o maior consumidor mundial do produto em volume e ocupa a segunda posição em consumo per capita. Esse cenário aumentou a pressão sobre os preços, principalmente no mercado de carne moída, um dos principais produtos consumidos pelas famílias americanas.

A ampliação temporária da cota busca justamente atender essa parcela da demanda. Segundo a Casa Branca, a medida foi desenhada para competir principalmente com o mercado de animais de descarte e, portanto, teria impacto limitado sobre o mercado de gado terminado nos Estados Unidos.

O decreto também estabelece que a carne importada deverá ser comercializada com um desconto de 25% em relação ao preço de importação vigente. A estratégia, segundo o governo americano, pretende garantir que a redução de custos seja repassada aos consumidores.

A medida, no entanto, não altera os compromissos comerciais relacionados à carne bovina de países que possuem acordos de livre comércio com os Estados Unidos e não se aplica aos países que já possuem cotas específicas para o produto.

A decisão ocorre após outras medidas adotadas pelo governo Trump para tentar conter os preços da carne bovina. Em fevereiro deste ano, o presidente já havia anunciado uma ampliação temporária das importações com o objetivo de aumentar a oferta e reduzir os preços para os consumidores americanos.

Apesar da abertura adicional às importações, a Casa Branca afirma que a prioridade continua sendo a recuperação da pecuária doméstica. O governo destaca que, pela primeira vez desde 2018, o número de bovinos nos Estados Unidos estaria aumentando e que os pecuaristas vêm ampliando a retenção de novilhas, movimento considerado fundamental para a reconstrução do rebanho.

A estratégia, portanto, combina a entrada temporária de carne importada com medidas destinadas a estimular a recomposição do rebanho americano. A expectativa do governo é utilizar as importações como uma solução de curto prazo enquanto os produtores ampliam a oferta doméstica nos próximos anos.

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