A disputa pela velocidade máxima ganhou um novo capítulo nos Emirados Árabes Unidos. A Yangwang, marca de luxo da BYD, anunciou que o U9 Xtreme ultrapassou os 500 km/h (cravou 503,17 km/h) na rodovia Sheikh Khalifa Bin Zayed, a E11, na região de Al Dhafra, em Abu Dhabi. O hipercarro elétrico tem 3.019 cv e produção limitada a 30 unidades para todo o mundo.
A Yangwang, que chega ao Brasil até junho do ano que vem, como antecipou com exclusividade à CNN, disse que o resultado foi alcançado em 1º de novembro, com o piloto alemão Marc Basseng ao volante, superando os 496,22 km/h registrados por ele na Alemanha em setembro de 2025.
A conquista rendeu dois títulos do Guinness World Records: maior velocidade atingida por um carro de produção em uma única direção e maior velocidade de um elétrico de produção nas mesmas condições. A Yangwang, do grupo BYD, também diz que o resultado foi reconhecido pela Federação Internacional de Automobilismo, a FIA. A especificação “em uma única direção” delimita a categoria anunciada e deve acompanhar a divulgação do recorde.
Emirados
O cenário escolhido exigiu uma operação especial. Com apoio das autoridades locais, foram fechados dez quilômetros de rodovia, dos quais sete formavam a maior reta disponível para as acelerações. A proximidade com o deserto tornou a limpeza do asfalto parte fundamental da preparação. Depois da varrição, o percurso passou por uma inspeção para retirar possíveis fragmentos de arame deixados pelas próprias escovas.
Nas duas passagens realizadas em 31 de outubro, o carro chegou a 490 km/h. Durante a noite, a equipe trabalhou na preparação térmica da bateria e dos motores, ajustou o ângulo da asa traseira, recalibrou a suspensão e refinou a pressão dos pneus. No dia seguinte, outras duas tentativas levaram ao resultado anunciado de 503.17 km/h.
Para chegar a esse patamar, o U9 Xtreme recebeu mudanças profundas em relação ao U9 convencional que será comercializado no Brasil. São quatro motores elétricos, um para cada roda, capazes de atingir até 30 mil rotações por minuto. O conjunto entrega mais que o dobro dos 1.287 cv do modelo original e permite controlar individualmente a distribuição de torque entre as rodas.
A arquitetura elétrica de 1.200 volts é outro destaque. Associada à bateria Blade de química lítio-ferro-fosfato, ela foi desenvolvida para atender às elevadas exigências de potência e gerenciamento de temperatura. Segundo a Yangwang, mesmo com apenas 20% de carga, a bateria consegue fornecer 1.800 kW de potência.
A suspensão ativa DiSus-X também participa desse trabalho. O sistema ajusta cada roda de forma independente para controlar os movimentos da carroceria e favorecer o contato dos pneus com o asfalto. Os pneus, desenvolvidos em parceria com a Giti, receberam soluções específicas para lidar com as solicitações de aceleração, frenagem e curvas do hipercarro.
Nas curvas, a tecnologia permite reduzir a inclinação lateral e até fazer a carroceria pender para o lado interno, em um movimento semelhante ao de uma motocicleta. A Yangwang informa inclinação de até 2,43 graus sob aceleração lateral de 0,3 g. O objetivo é controlar a postura do carro e melhorar o aproveitamento da aderência disponível.
Além da velocidade máxima, a Yangwang destaca o tempo de 6min59s157 obtido pelo U9 Xtreme no circuito de Nürburgring Nordschleife, na Alemanha. De acordo com a marca, em nota aos jornalistas, o resultado foi alcançado com a mesma especificação utilizada na tentativa de velocidade, reforçando a proposta de reunir desempenho em reta e capacidade de pista.
Exclusivos
São 30 exemplares previstos, o U9 Xtreme terá personalização para cada comprador. A fabricante afirma que parte dos clientes já aprovou as configurações e avança para a contratação e programação da produção. Para a BYD, o modelo funciona também como vitrine tecnológica: coloca a sua marca de luxo na disputa por desempenho extremo, um território de forte valor simbólico para a indústria.
A proposta de fazer os 3.019 cv uma força que possa ser transferida ao asfalto com controle distribui aproximadamente para cada motor elétrico cerca de 755 cv, capaz de atingir 30 mil rotações por minuto. Essa configuração permite à plataforma e4 distribuir o torque individualmente, com ajustes mais de cem vezes por segundo, segundo a fabricante.
A relação entre potência e peso chega aos anunciados 1.217 cv por tonelada. Para suportar as elevadas rotações, os motores utilizam materiais como lâminas de aço-silício de apenas 0,1 milímetro no estator, componente fixo do motor, e alumínio de grau aeroespacial na carcaça. São soluções que mostram como a busca por velocidade depende também de resistência mecânica, eficiência e controle de temperatura.
Arquitetura
Um dos principais avanços está na arquitetura elétrica de 1.200 volts, acima dos 800 volts do U9 convencional. Para uma mesma potência, trabalhar com tensão mais elevada permite reduzir a corrente necessária e as perdas associadas ao aquecimento.
A bateria mantém a tecnologia Blade e a química de lítio-ferro-fosfato, conhecida pela sigla LFP, mas foi preparada para entregar energia em uma intensidade excepcional. A fabricante informa capacidade de descarga de 30C.
Em termos teóricos, essa taxa corresponde à descarga completa em dois minutos caso fosse mantida continuamente. A Yangwang indica que a capacidade de fornecer potência não representa a autonomia do carro em utilização normal.
Mesmo com 20% de carga, o conjunto consegue fornecer 1.800 kW, de acordo com a Yangwang. Na desaceleração, a recuperação de energia pode superar 700 kW. Além de devolver eletricidade à bateria, a regeneração auxilia o trabalho dos freios mecânicos, especialmente nas solicitações de pista.
A produção
Chamado Dawn Moment, o primeiro U9 Xtreme foi apresentado no Salão de Pequim com acabamento que incorporava pó de ouro ultrafino sob várias camadas de verniz. A pintura foi concebida para mudar de aparência conforme a luz, enquanto detalhes em ouro fosco recorrem a técnicas ligadas à tradição chinesa de trabalho com laca.
*O colunista viajou a Dubai a convite da BYD



