A fabricante norueguesa de fertilizantes Yara registrou lucro líquido de US$ 545 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 32% em relação aos US$ 413 milhões apurados no mesmo período do ano anterior.
A receita da companhia somou US$ 4,43 bilhões entre abril e junho, contra US$ 3,95 bilhões um ano antes. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou US$ 1,06 bilhão, frente aos US$ 645 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.
No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido da empresa foi de US$ 872 milhões, 23,2% acima dos US$ 708 milhões registrados no mesmo intervalo do ano passado.
A receita totalizou US$ 8,69 bilhões, ante US$ 7,60 bilhões, enquanto o Ebitda atingiu US$ 1,96 bilhão, frente aos US$ 1,21 bilhão do primeiro semestre de 2025.
Apesar da melhora nos resultados financeiros, a produção de fertilizantes diminuiu. No segundo trimestre, o volume produzido caiu de 4,85 milhões para 4,62 milhões de toneladas. No acumulado do semestre, a produção recuou de 9,77 milhões para 9,51 milhões de toneladas.
As entregas de fertilizantes também apresentaram queda. No segundo trimestre, passaram de 6,22 milhões para 5,18 milhões de toneladas. Nos seis primeiros meses do ano, o volume entregue recuou de 11,99 milhões para 11,14 milhões de toneladas.
No Brasil, as entregas somaram 1,34 milhão de toneladas no segundo trimestre, abaixo dos 1,38 milhão de toneladas registrados no mesmo período do ano anterior.
Na divisão Américas, o Ebitda ajustado, excluindo itens especiais, foi de US$ 209 milhões no segundo trimestre, redução de 13% na comparação anual. Segundo a empresa, o resultado refletiu principalmente a queda nas entregas, que recuaram 14% em razão de paradas programadas para manutenção e da menor demanda durante a entressafra.
No acumulado do primeiro semestre, o Ebitda ajustado da operação nas Américas atingiu US$ 438 milhões, alta de 11% em relação ao mesmo período de 2025. A empresa atribuiu o desempenho à melhora das margens, apesar de as entregas terem caído 4%, também em função das manutenções programadas e da demanda sazonalmente menor.
Para os próximos períodos, a Yara afirmou que pretende avançar na nova etapa de seu programa de melhorias operacionais, com meta de elevar o Ebitda em US$ 200 milhões até o fim de 2027 e em outros US$ 150 milhões até o fim de 2030. A companhia informou que os ganhos deverão ser obtidos por meio de maior utilização dos ativos, otimização logística, aproveitamento de oportunidades comerciais e realocação de capital.
A empresa também destacou a aquisição, anunciada em julho, de uma planta de amônia na Costa do Golfo dos Estados Unidos. Segundo a Yara, a operação amplia a diversificação da exposição aos custos de energia, fortalece sua competitividade de longo prazo e aumenta a flexibilidade da produção de amônia.
Em relação ao mercado, a companhia informou que a guerra no Oriente Médio elevou a volatilidade nos mercados globais de energia e fertilizantes. A empresa afirmou que o bloqueio inicial do Estreito de Ormuz impulsionou os preços da ureia no fim da temporada de compras na Europa, enquanto uma licitação de importação realizada pela Índia contribuiu para a alta das cotações e para o adiamento de compras em diversos mercados.
A Yara avalia que parte da redução dos volumes no segundo trimestre decorre de demanda postergada e observa uma retomada das compras em mercados estratégicos desde meados de julho.
A companhia também informou que, com base nas cotações futuras do gás natural de 7 de julho de 2026, estima que seus custos com gás no terceiro e quarto trimestres serão, respectivamente, US$ 75 milhões e US$ 115 milhões superiores aos registrados nos mesmos períodos do ano anterior, considerando volumes estáveis de aquisição.
A Yara afirmou ainda que tem relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado de 0,93 ao final do segundo trimestre e índice de dívida líquida sobre patrimônio líquido de 0,34.



