Consumo sustenta alta moderada do PIB no 1º tri, mas juros e serviços acendem alerta


A economia brasileira deve confirmar um resultado positivo no primeiro trimestre de 2026. As projeções do mercado indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) apresentará um avanço de até 1,1% frente ao trimestre anterior, sustentado fundamentalmente pelo aquecimento do mercado de trabalho e pela resiliência do consumo das famílias.

Apesar do otimismo no curto prazo, o cenário embute desafios estruturais severos. O agronegócio, que historicamente atua como alavanca, deve apresentar um ritmo de expansão inferior ao do ano passado.

Além disso, as estimativas para o fechamento de 2026 refletem os impactos inibidores de uma política monetária restritiva e uma evidente perda de tração no setor de serviços.

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Consumo deve ser motor da demanda

O consumo das famílias será um dos motores do crescimento no primeiro trimestre. O desempenho positivo é atribuído ao mercado de trabalho aquecido, com baixa taxa de desemprego e ganhos de renda real, além de estímulos governamentais como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, que começou a vigorar neste ano.

Segundo Rodolfo Margato, economista da XP, a projeção é de um avanço de 0,8% no trimestre (e 1,6% na comparação anual). O Santander, por meio do economista Gabriel Couto, corrobora a tese de que os ganhos de renda e os impulsos fiscais dão sustentação à atividade, especialmente no consumo de bens.

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Sinais dessa expansão já foram captados por indicadores antecedentes. Claudio Considera, pesquisador associado do FGV/Ibre, aponta que o Monitor do PIB, divulgado na semana passada, registrou expansão de 0,7% no consumo das famílias na margem, refletindo também o reajuste do salário mínimo.

Mas, a alta do endividamento e inadimplência acendem um alerta sobre este consumo.  Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, adverte que o consumo está no limite do seu potencial devido ao alto comprometimento da renda das famílias com o serviço de dívidas.

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Juros altos freiam investimentos

Se a demanda puxa o PIB para cima, a qualidade desse crescimento preocupa. A expansão não está sendo acompanhada por um aumento robusto na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o termômetro dos investimentos produtivos, alerta Leal.

A XP estima uma recuperação pontual de 2,2% nos investimentos no 1T26, mas as perspectivas anuais são anêmicas: avanço de apenas 0,7%. Para Margato, a taxa de investimento deve recuar da faixa de 18% para 17% do PIB, asfixiada por juros reais próximos a 9%, que encarecem o crédito para projetos de longo prazo.

Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçam que o custo de capital trava os aportes em infraestrutura e na construção civil.

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O alívio pontual para as empresas vêm do mercado de câmbio. A estabilidade do dólar tem mitigado a volatilidade, reduzindo custos de insumos e tecnologia importada, favorecendo a aquisição de bens de capital.

Agro, Indústria e Serviços

Pelo lado da oferta, a composição setorial apresenta resultados mistos. O cenário geopolítico, marcado por conflitos no Oriente Médio, elevou a cotação do petróleo, favorecendo o Brasil como exportador líquido. Na análise de José Alfaix, economista da Rio Bravo, e Gabriel Couto, economista do Santander, a indústria extrativa (minério e petróleo) deve figurar no primeiro trimestre como líder de desempenho.

Para o agronegócio, a contribuição será mais modesta. A G5 Partners prevê expansão de 3,9% para o setor, bem abaixo do registrado no mesmo trimestre do ano passado, que teve impacto relevante de produtividade na supersafra de grãos.

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Serviços, que respondem por 60% do consumo das famílias, devem avançar 0,3%, segundo projeção da G5 Partners. Dados do IBC-Br já sinalizavam frustração nas expectativas. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta perda de tração em segmentos cruciais, como transportes e serviços profissionais.



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