Agroindústria acumula retração de 0,1% no acumulado do ano, diz FGV Agro

A produção da agroindústria brasileira caiu 2,8% em volume em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado, interrompendo dois meses consecutivos de crescimento. Com o resultado, o setor passou a acumular retração de 0,1% nos cinco primeiros meses do ano, segundo o Índice de Produção Agroindustrial, elaborado pela FGV Agro com base na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Segundo a FGV Agro, a retração observada em maio foi disseminada entre os principais segmentos da agroindústria. O documento destaca que o desempenho dos próximos meses permitirá avaliar se o resultado representa um evento pontual ou uma mudança na trajetória observada ao longo dos últimos meses.

Apenas os setores de biocombustíveis, com alta de 9,6%, e de fumo, com avanço de 0,8%, apresentaram crescimento.

O segmento de produtos alimentícios e bebidas registrou queda de 3,5% frente a maio de 2025. Dentro desse grupo, a produção de alimentos caiu 3,7%, enquanto a de bebidas recuou 2,6%.

Entre os alimentos, o maior recuo ocorreu nos produtos de origem vegetal, cuja produção encolheu 6,9% em relação a maio do ano passado. Segundo a FGV Agro, o resultado refletiu a menor fabricação de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz, trigo e, principalmente, açúcar refinado. A maior produção de café amenizou parcialmente a retração do segmento. 

Já os alimentos de origem animal registraram queda de 1,5%, influenciada pelo menor abate de bovinos, aves, suínos e pescados.

No setor de bebidas, a produção de bebidas alcoólicas caiu 4,2%, enquanto a de bebidas não alcoólicas recuou 1%.

Nos produtos não alimentícios, a produção recuou 1,8% em maio na comparação anual. As maiores quedas foram registradas em produtos têxteis, com 5,6%, insumos agropecuários, queda de 4,5% e produtos florestais, retração de 3,5%. 

A FGV Agro atribui a queda dos insumos agropecuários principalmente à menor produção de intermediários para fertilizantes, tratores, máquinas, adubos e fertilizantes. O estudo observa que o desempenho negativo já vinha sendo registrado antes do conflito entre Irã e Israel, embora o cenário geopolítico possa ter agravado as dificuldades enfrentadas pelo setor.

No caso dos produtos florestais, a retração foi associada à menor produção de celulose e madeira. O relatório destaca ainda que as exportações brasileiras de celulose caíram 23,1% em maio na comparação anual, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Acumulado do ano

Com o desempenho de maio, a agroindústria passou de uma alta acumulada de 0,7% até abril para retração de 0,1% no acumulado de janeiro a maio. Segundo a FGV Agro, enquanto a agroindústria entrou em terreno negativo, a indústria de transformação como um todo manteve crescimento acumulado de 0,2% no período.

Apesar da queda do índice geral, os produtos alimentícios e bebidas ainda acumulam expansão de 1,3% em 2026. Já os produtos não alimentícios registram retração acumulada de 1,9% nos cinco primeiros meses do ano.

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