O avanço da PEC 8/2025, aprovada na Câmara dos Deputados e encaminhada para apreciação do Senado Federal, levanta discussões sobre quais trabalhadores podem ser mais afetados pelas mudanças. Embora seja assegurado um dia a mais de descanso na semana para os celetistas (regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho), a proposta exige que setores da economia se adaptem ao novo modelo.
A seguir, entenda quem pode se beneficiar com o fim da escala 6×1, o que prevê o texto aprovado e quais são os principais pontos do debate.
O fim da escala 6×1 deve beneficiar profissionais da iniciativa privada que trabalham em regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A medida assegura direitos já conquistados e não prevê cortes salariais.
Celebrada pelo governo e nas redes sociais, no entanto, o texto aprovado não prevê efeitos imediatos para os trabalhadores. Os parlamentares aprovaram a transição gradual de até 12 meses para adaptação das empresas, e redução inicial de duas horas semanais após 60 dias de promulgação da nova jornada.
Há também prazos adicionais para contratos ligados ao poder público e previsão de regras específicas para atividades com operação contínua, turnos e serviços essenciais. Além disso, MEIs deverão cumprir normas próprias, a serem definidas em lei separada.
Embora esperada por 71% dos brasileiros, a proposta esbarra em críticas do setor produtivo. Por exemplo, a estimativa do empresário Flávio Rocha, da Riachuelo, é que o custo de operação no varejo suba de 18% a 20%.
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Por outro lado, análise de Cláudio Pires, sócio-diretor da MAG Investimentos, ao InfoMoney, aponta que as pressões sobre custos e preços nas empresas serão um “choque momentâneo” e irão se dissipar com o tempo.
Uma das pressões é citada em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo a entidade, o custo da hora trabalhada pode aumentar 7,8% com a redução da jornada de trabalho.
Apesar da variação, o Ipea avalia que o novo cenário cria oportunidades de reorganização interna, redução de desperdícios e inovações tecnológicas — fatores que podem aumentar a produtividade.
Como funciona a escala 6×1
Na escala 6×1, o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. É o formato comum de áreas que funcionam ao longo de toda a semana, como comércio, hotéis, hospitais e parte da indústria.
Esse tipo de escala é permitido dentro dos limites previstos na Constituição e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Entre eles, estão carga horária semanal, descanso remunerado e intervalos durante a jornada.
Hoje, o limite constitucional é de até 44 horas semanais. No caso da jornada 6×1, as empresas distribuem essas horas ao longo dos seis dias de trabalho.
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Dependendo da atividade e das regras negociadas por cada categoria, a escala também pode incluir domingos, feriados, turnos alternados e revezamento entre equipes.
Qual a diferença entre escala 6×1 e escala 5×2?
A principal diferença está na divisão entre dias de trabalho e folga.
Na escala 6×1, o profissional trabalha seis dias e descansa um, ao passo que na 5×2, a jornada ocorre em cinco dias da semana, com dois dias de descanso.
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Os dois formatos cumprem o mesmo limite de carga horária semanal previsto na legislação. O que muda é a distribuição das horas ao longo da semana.
Qual é o debate no Congresso sobre a escala 6×1
Entre os principais pontos da PEC aprovada na Câmara, estão:
- redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas;
- garantia de dois dias de descanso por semana;
- transição gradual ao longo de até 12 meses;
- redução inicial de duas horas semanais cerca de 60 dias após a promulgação;
- regras específicas para setores com operação contínua, turnos e serviços essenciais.
O parecer também prevê prazo maior de adaptação para contratos ligados ao poder público e discussão separada sobre regras envolvendo MEIs.
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Pelo texto aprovado na Câmara, a redução da jornada semanal não poderá provocar corte de salários.
Na prática, isso elevaria o valor da hora trabalhada, já que o salário seria mantido com menos horas de expediente ao longo da semana.
O relatório também prevê que empresas e categorias negociem adaptações por meio de acordos coletivos, principalmente em setores que dependem de turnos e funcionamento contínuo.
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O que dizem os empresários sobre fim da escala 6×1?
Entidades empresariais ligadas à indústria, ao comércio e aos serviços afirmam que a redução da jornada semanal exige transição gradual e adaptação operacional das empresas.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), setores que funcionam com mão de obra intensiva podem enfrentar aumento de despesas caso a redução da jornada aconteça sem ganho equivalente de eficiência. Essa também é a preocupação de representantes do comércio e serviços, especialmente com áreas que funcionam em horários estendidos ou aos fins de semana.
O empresariado também alerta para possíveis impactos sobre pequenas e médias empresas. Nesse caso, a margem para reorganizar turnos, ampliar equipes ou absorver custos adicionais rapidamente é menor.
Por outro lado, parte do setor produtivo reconhece a importância do debate sobre jornadas mais flexíveis e qualidade de vida no trabalho. O tema tem ganhado força em vários países nos últimos anos, e deve continuar avançando no Brasil.
O que diz o governo sobre fim da escala 6×1?
O governo federal apoia publicamente a redução da jornada semanal, e também defende que a mudança aconteça de forma gradual, para que as empresas se adaptem e reorganizem escalas de trabalho.
Nos bastidores, a equipe política trabalhou para acelerar a tramitação da PEC e apoiar um texto de consenso capaz de avançar no Congresso. O relatório aprovado na Câmara incorporou regras de transição e exceções para determinados setores e contratos públicos.



