BRASÍLIA, 3 Jun (Reuters) – O Banco Central enxerga pressões de demanda em indicadores de inflação no Brasil, que refletem uma alta na renda das famílias, estímulo ao consumo via concessões de crédito, economia resiliente e desemprego baixo, disse nesta quarta-feira o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.
Em participação virtual no evento Fórum de Lisboa, Galípolo afirmou que choques de oferta como o provocado pela guerra no Irã tendem a elevar níveis de preços, ampliando a sensação de desconforto das famílias, embora o Brasil tenha se mostrado mais bem posicionado do que seus pares para enfrentar esse cenário.
“As pessoas estão menos focadas ou têm menos na cabeça qual é o IPCA, qual é o IGP, qual é o núcleo de inflação, mas sabem muito bem quanto está custando o leite, quanto está custando da carne”, disse.
Ao afirmar que o BC vê efeitos dos choques de oferta nos preços, Galípolo disse que a autarquia analisa núcleos de inflação que expurgam esses efeitos. Ele citou como exemplo o setor de serviços, que tem inflação rodando em “patamar bastante incompatível” com a meta de 3%.
“A gente enxerga essas pressões de demanda ali dentro dos indicadores de inflação”, afirmou.
Em relação ao câmbio, o presidente do BC afirmou que o cenário com curva de juros futuros bem-comportada nos Estados Unidos e dólar desvalorizado “colabora bastante para a economia brasileira”.
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(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)



