A volatilidade no mercado de café está impedindo que as empresas reduzam os preços no varejo para os consumidores, afirmou nesta quarta-feira (8) a torrefadora italiana Lavazza, descrevendo a instabilidade como o novo normal.
Os preços do café subiram acentuadamente em 2024 e atingiram níveis recordes em 2025, após condições climáticas adversas afetarem a oferta. Embora os preços dos grãos tenham apresentado uma tendência geral de queda neste ano, eles dispararam na segunda-feira, à medida que participantes do mercado reavaliaram os riscos associados à expectativa de um evento climático de super El Niño.
“Estamos vivendo um longo período de instabilidade e incerteza”, disse Giuseppe Lavazza, presidente da empresa familiar, a jornalistas na principal loja da Lavazza, em Londres.
“Por enquanto, ainda é cedo para dizer que ‘a tempestade acabou, o mercado vai recuperar a estabilidade e chegou a hora de pensar em uma redução de preços’.”
Segundo Lavazza, a chave para reduzir a volatilidade e diminuir o impacto da especulação no mercado de café será a ocorrência de pelo menos dois anos de boas safras nos principais países produtores, Brasil e Vietnã.
“Ainda não temos certeza de que o mercado esteja construindo a estabilidade que buscamos”, afirmou.
A queda nos preços dos grãos de café leva meses para chegar ao consumidor final, e a continuidade da volatilidade dificulta esse processo.
A demanda dos consumidores permaneceu resiliente, mesmo com a alta dos preços, segundo a Lavazza, que observou uma tendência de os clientes reduzirem o consumo de café, em vez de migrarem para outra marca.
“Quando os preços sobem, naturalmente é preciso aceitar uma pequena redução no consumo”, disse Lavazza. “Talvez você perca alguns consumidores, mas a base principal continua lá.”



