A indústria frigorífica brasileira vai enfrenta um cenário de forte pressão sobre as margens de lucro a partir desse segundo semestre de 2026. Segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), a combinação entre a redução das compras da China, as incertezas em relação ao mercado europeu e o aumento da oferta de carne tem levado a maior parte das empresas a operar no vermelho.
Durante a apresentação do Beef Report, o presidente da entidade afirmou que o setor vive um momento delicado após anos de resultados positivos.
“Hoje, a maioria das indústrias está trabalhando no vermelho. Claro que elas vêm de alguns anos positivos, mas o momento atual é de margens negativas”, afirmou.
De acordo com a Abiec, a redução da demanda internacional diminuiu a concorrência pela carne bovina brasileira, pressionando os preços de exportação. Como consequência, frigoríficos recebem menos pela carne vendida ao exterior, enquanto os custos de produção permanecem elevados.
A entidade explica que a exportação é fundamental para a rentabilidade da indústria. Embora cerca de 70% da produção permaneça no mercado interno, são as vendas externas que permitem melhor remuneração para determinados cortes e ajudam a equilibrar a formação de preços.
Sem esse mercado aquecido, as empresas devem ter dificuldade para manter suas margens nos próximos meses.
Cada frigorífico busca uma estratégia
Segundo a Abiec, não existe uma solução única para enfrentar a crise e cada indústria está organizando as suas operações para reduzir os custos de produção.
Empresas mais capitalizadas conseguem suportar um período maior de margens apertadas, enquanto outras já recorrem a férias coletivas, redução do ritmo de abates, programas de layoff e, em alguns casos, demissões.
A entidade também não descarta um movimento de consolidação do setor, com grupos maiores adquirindo frigoríficos menores que enfrentem dificuldades financeiras.
“O que vemos é uma preocupação generalizada. Cada empresa vai adotar a estratégia que considera mais adequada à sua realidade”, afirmou o presidente da Abiec.
Para o setor, a recuperação das margens dependerá da abertura de novos mercados e da normalização das exportações, especialmente para a China e a União Europeia, que seguem sendo destinos estratégicos para a carne bovina brasileira.



