Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro do trigo para entrega em dezembro encerrou a sessão desta quarta-feira (19) com alta de 2,39%, cotado a US$ 6,97 por bushel, em um cenário de maior preocupação com os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o escoamento da produção.
Segundo a Royal Rural, os efeitos do conflito passaram a atingir diretamente as embarcações utilizadas no transporte de grãos. Pelo menos cinco navios graneleiros foram atacados nas proximidades de Novorossiysk e Tuapse, regiões estratégicas para as exportações russas pelo Mar Negro.
As interrupções no fluxo de exportações da região continuam dando sustentação às cotações. Os ataques recentes têm atingido tanto a infraestrutura portuária quanto navios, em um momento importante para o comércio de trigo, já que os embarques do Mar Negro costumam ganhar força após a colheita.
De acordo com a Barchart, o movimento de alta foi observado nas três principais bolsas de trigo dos Estados Unidos. Em Chicago, os contratos de trigo de inverno apresentavam ganhos de 14 a 15 centavos de dólar por bushel. Em Kansas City, os futuros de trigo avançavam entre 16 e 17 centavos nos vencimentos seguintes.
Em Minneapolis, onde são negociados contratos de trigo de primavera, as altas chegavam a 17 a 18 centavos de dólar por bushel. O avanço generalizado reforça a reação do mercado diante das preocupações com a oferta e com possíveis dificuldades logísticas no Mar Negro.
Soja
O contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou o dia com alta de 1,68% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 12,37 por bushel.
A valorização foi sustentada principalmente pelos resultados abaixo do esperado do Pro Farmer Crop Tour para as lavouras de milho e soja nos Estados Unidos. Segundo a Royal Rural, os dados aumentaram as dúvidas sobre o potencial produtivo da safra norte-americana.
Em Indiana, o levantamento estimou produtividade do milho em 183,54 bushels por acre e contabilizou 1.318,64 vagens por área para a soja. Em Nebraska, a estimativa ficou em 163,61 bushels por acre para o milho e 1.219,62 vagens para a soja. Os números ficaram abaixo dos registrados no ano passado e reforçaram as preocupações após resultados mais fracos também em Ohio e South Dakota.
Além dos fundamentos agrícolas, o mercado recebeu suporte do cenário financeiro. O Tesouro dos Estados Unidos anunciou que pretende ampliar de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões as recompras de determinados títulos de longo prazo.
A medida contribuiu para a queda dos juros norte-americanos e para o enfraquecimento do dólar, combinação que favorece as commodities negociadas em dólar e melhora o ambiente para os contratos agrícolas em Chicago.
A continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia também permanece no radar dos investidores, diante dos possíveis impactos sobre o comércio global de commodities e os fluxos de exportação.
Milho
O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou a sessão com queda de 2,05% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,98 por bushel, em um movimento de baixa apesar das preocupações com a produtividade das lavouras nos Estados Unidos e com a oferta global.
Segundo a Granar, as estimativas de produtividade abaixo do normal divulgadas por integrantes da ProFarmer ajudaram a sustentar os preços ao longo do pregão. As projeções apontam impactos provocados pela falta de água nas Grandes Planícies Centrais e pelo excesso de umidade nas regiões produtoras de milho e soja no leste dos Estados Unidos.
As condições climáticas também permanecem no radar para a safra 2026/2027 da União Europeia, que apresenta perspectivas desfavoráveis. O cenário aumenta as preocupações com a oferta internacional de milho.
Outro fator de atenção é a Ucrânia. Os ataques russos contra estruturas de infraestrutura portuária no Mar Negro e no rio Danúbio aumentam as incertezas sobre o ritmo das exportações ucranianas e podem afetar o fluxo global da commodity.



