Agro não é vermelho nem azul; agro é pilar da economia, 25% do PIB, diz ministro da Agricultura

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BRASÍLIA – O ministro da Agricultura, André de Paula, defende conciliação nacional após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa conciliação passa pelo agronegócio, aponta. Nas eleições deste ano, parte do setor aderiu à candidatura da oposição do senador Flávio Bolsonaro (PL), o qual contou com apoio público da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e venceu nos municípios mais ricos do agro.

“O agro não é vermelho nem azul; não é governo e nem oposição. O agro é hoje o pilar central da economia nacional, um quarto do Produto Interno Bruto (PIB). Esse é o momento de desmontar o palanque, esquecer as divergências no campo político e procurar encontrar aquilo que nos une, que é a vontade de ver um agro cada vez mais forte”, disse De Paula em entrevista exclusiva Estadão/Broadcast.

Agro não é vermelho e nem azul; agro é pilar da economia, 25% do PIB, diz ministro da Agricultura Foto: Wilton Junior/Estadão

Para o ministro, é hora de virar a página das eleições. “Em uma democracia estamos fadados a nos entender. O processo eleitoral está vencido, os desafios são enormes, são presentes e serão vencidos se tivermos a capacidade de construir uma grande conciliação, inclusive no agro”, avaliou o ministro.

Segundo De Paula, Lula manterá no quarto mandato, o compromisso de apoiar e fortalecer o agronegócio. “O líder permanece. O mais importante é o claro compromisso que o presidente Lula tem de seguir apoiando o agro e fortalecendo o agro. Os ministros, os partidos, os governos passam. O que fica é o agro, o que fica é o setor que a gente quer ver cada vez mais forte”, justificou.

Para De Paula, o governo terá o desafio de governar com um Congresso no qual não possui maioria. “Essa experiência adquirida por Lula ao longo de tantos anos, o fato de que agora ele não tem nenhuma pretensão eleitoral, pode, de fato, usar essa experiência para fazer um governo de conciliação e de unidade nacional. O desafio é muito grande pela adversidade no Congresso Nacional, mas desafios foram feitos para serem vencidos”, afirmou De Paula.

Para ele, o caminho adversário ao da eleição de Lula era o da concessão de um “cheque em branco” para um político sem compromisso democrático e que poderia fazer o que quisesse com um Congresso aliado.

De Paula destacou o reconhecimento de Lula, em seu primeiro discurso, de que um Congresso de perfil majoritariamente conservador foi eleito pela população brasileira. “Esse foi o Congresso escolhido pelo povo e com esse Congresso vamos trabalhar e nos aliar, porque temos um compromisso com o Brasil”, justificou.

O ministro defendeu a conciliação e a reconstrução de pontes a partir de agora. Segundo De Paula, o “palanque eleitoral” já está desmontado. “É hora de juntar todos que tenham essa grandeza de querer trabalhar. No nosso setor, de forma muito especial, para que o agro continue se fortalecendo e avançando, a gente precisa construir essa unidade. Esse é o desafio do presente momento”, apontou.

Essa “reconstrução de pontes” tanto com o agronegócio quanto com o Congresso passa ainda pela bancada do agro, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), maior e mais influente bancada do Congresso.

“A minha expectativa é que isso ocorra não apenas no agro, mas que ocorra sobretudo no agro, pela importância que o agro tem. Tenho certeza absoluta de que vai haver boa vontade para que a gente construa isso e não vai faltar, da parte do governo do presidente Lula, sinais no sentido de construir essa conciliação e de estabelecer pontes que permitam que a gente possa virar essa página do processo eleitoral”, acrescentou.

Na análise do ministro, a FPA continuará mantendo papel de protagonismo para o fortalecimento do setor agropecuário. “Vamos trabalhar para encontrar rapidamente os pontos de convergência que nos unem na defesa do agro”, pontuou. Na reta final do primeiro turno e no segundo turno, a FPA declarou apoio à candidatura de oposição do senador Flávio Bolsonaro (PL).

“Apesar de, no processo eleitoral, a bancada ter tomado sua posição, o que é natural, reconheço que muitos dos avanços que ocorreram se deram pelo trabalho da bancada do agro e pelo trabalho que fomos capazes de fazer juntos, com sugestões, críticas e correção de rumos. Tenho convicção de que isso vai seguir ocorrendo, porque maior do que as questões de ordem partidária está claro o compromisso que a bancada tem com o agro brasileiro”, avaliou.

Para o ministro, apesar do desafio que o governo terá na relação com o Congresso e das perspectivas econômicas complexas, o quarto mandato será o melhor governo de Lula. “O presidente tem convicção disso. Ele é muito maduro e tem experiência para construir isso”, afirmou.

De Paula destacou, ainda, o momento positivo no comércio internacional, com exportação recorde de produtos agropecuários no acumulado deste ano (2026). “A política externa do presidente Lula prioriza interesses comerciais do País em detrimento de qualquer eventual divergência com outros países. É inegável que avanços importantes para o agro ocorreram sob a liderança de Lula”, afirmou. De Paula disse que o objetivo é realizar ajustes diários na gestão a fim de obter melhores resultados para o setor.

Quanto ao seu futuro no Ministério da Agricultura, que comanda desde abril, De Paula afirmou que a decisão cabe a Lula. “Este é um assunto que diz respeito apenas ao presidente da República. Essa é uma construção política que o presidente Lula fará, na qual vai levar em conta muitos fatores que são decorrentes de um novo quadro político que se apresenta e uma construção que se aproxime dos interesses do País”, afirmou.

Para ele, mais importante que o nome do ministro que estará à frente da pasta são o compromisso e a sensibilidade de Lula com o setor.

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