O PL (Partido Liberal) busca autopreservação com declarações públicas para afastar as suspeitas levantadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre as eleições em que saiu derrotado.
A sigla se movimenta, de forma pragmática, para virar a página e redirecionar a rota para a disputa de espaço dentro do Congresso Nacional, onde saiu fortalecida com a eleição de 121 deputados e com uma bancada no Senado que pode chegar a 30 senadores em 2027.
Com isso, a ala ligada a Valdemar Costa Neto da sigla tem buscado contornar a ala radical e pode, na avaliação sob reserva de integrantes, acabar isolando Flávio Bolsonaro. O presidente do PL criticou publicamente a carta de teor golpista em que Flávio se autotitulava “presidente eleito” e que depois foi corrigida para o senador se declarar “líder do Brasil”.
Valdemar disse que não gostou da carta e Flávio não tinha gostado da posição do presidente da sigla de, na segunda-feira (26), soltar uma nota reconhecendo o resultado da eleição.
Mesmo o coordenador de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), não tem aderido ao discurso golpista. Líder da oposição no Senado, o parlamentar nega que haja provas de fraude nas eleições.
Os dois políticos também se uniram no tom de “surpresa” ao comentar a fuga de Flávio e negaram que tivessem conhecimento prévio sobre os planos.
Fontes do PL atribuem os posicionamentos a uma necessidade de preservação do sistema e afirmam, em referência a Valdemar, que quem tem conta de campanha para fechar não pode concordar com os posicionamentos de Flávio.
A carta de Flávio foi mal recebida até entre aliados muito próximos. Alguns relatam perplexidade e criticam a influência do jornalista Paulo Figueiredo sobre o clã Bolsonaro. Outros avaliam que o senador ultrapassou a linha do aceitável com o conteúdo e a sucessão de versões.



