As 100 Maiores Empresas do Agronegócio Faturam R$ 2,1 Trilhões em 2025

As 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro alcançaram faturamento conjunto de R$ 2,1 trilhões em 2025, um crescimento de 13,45% em relação ao ano anterior, segundo a sétima edição do levantamento Forbes Agro100, publicado em 2026. O resultado representa uma expansão real de 8,8%, descontada a inflação de 4,26% no período. Mesmo em um ambiente de juros elevados, disputas comerciais e riscos climáticos, as companhias ampliaram suas receitas e registraram o segundo maior faturamento da série histórica da pesquisa, atrás apenas de 2022, quando o valor chegou a R$ 2,23 trilhões.

A pesquisa mostra que o agro tem prosperado apesar de um cenário adverso, é o que mostra o levantamento da Forbes Brasil, que reúne companhias classificadas em sete segmentos da cadeia produtiva. Na comparação entre as mesmas empresas, a receita avançou de R$ 1,86 trilhão, em 2024, para R$ 2,1 trilhões no ano seguinte. O desempenho ocorreu em um período marcado pela elevação das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos e pela retomada das tarifas comerciais americanas, que atingiram diferentes produtos brasileiros, incluindo commodities agrícolas e proteína animal. A lista das 100 empresas estão no APP da Revista Forbes, disponível para Android na Google Play Store e iOS na App Store.

Entre os sete setores analisados, seis registraram crescimento de faturamento superior à inflação. O maior avanço percentual ocorreu em comércio e tradings, com alta de 23,51%, segmento que reúne parte das companhias responsáveis pela comercialização de grãos e pela conexão da produção brasileira com o mercado internacional. Na proteína animal, a receita cresceu 16,37%, enquanto a agroenergia, que abrange etanol de cana, etanol de milho e outros biocombustíveis, registrou expansão de 13,37%. Em alimentos e bebidas, o aumento foi de 7,2%.

A exceção ficou com a indústria de celulose, pressionada pela redução das cotações internacionais. No início de 2025, os preços chegaram a ficar abaixo de US$ 500 por tonelada, patamar considerado crítico para a sustentabilidade financeira do segmento. A diferença entre os resultados setoriais mostra como empresas de uma mesma cadeia econômica enfrentam condições distintas de mercado, relacionadas ao comportamento dos preços, ao custo dos insumos e à demanda por seus produtos.

O desempenho financeiro das companhias também antecedeu uma nova pressão sobre os custos de produção. Em 2026, a elevação dos preços internacionais do petróleo passou a atingir combustíveis e fertilizantes, insumos que interferem nas margens de agricultores e indústrias. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a projeção é de aumento de 9,8% nos gastos com insumos na safra 2026/27, com alta de pelo menos 15% nos fertilizantes. O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em suas lavouras, o que amplia a exposição às oscilações do mercado externo.

As condições de financiamento e produção também passaram a influenciar os planos de investimento. Uma pesquisa da consultoria McKinsey, divulgada em setembro de 2026, ouviu 5,5 mil agricultores em dez países e identificou uma redução de 24 pontos percentuais na intenção de ampliar investimentos, em comparação com 2024. No Brasil, a queda foi de 25 pontos percentuais. Entre os entrevistados no mundo, 35% afirmaram que reduziriam primeiro os gastos com nutrientes, enquanto 36% condicionaram novas compras de equipamentos à recuperação da lucratividade.

Nesse ambiente, a adoção de tecnologia ganhou espaço nas estratégias empresariais. Uma pesquisa realizada pela Forbes Brasil com companhias participantes do Agro100 mostrou que 92,7% das respondentes investiram em alguma aplicação de inteligência artificial, tanto nas atividades administrativas quanto nos processos produtivos. As iniciativas envolvem gestão, análise de dados e operações no campo, em um movimento de incorporação de ferramentas digitais aos sistemas de produção e às decisões comerciais.

A disseminação dessas soluções também aparece na pesquisa internacional da McKinsey. Metade dos produtores entrevistados utiliza pelo menos uma tecnologia desenvolvida por agtechs, quatro pontos percentuais acima do registrado em 2024. A inteligência artificial generativa, incluída pela primeira vez no levantamento, já é utilizada por 17% dos agricultores, embora apenas 4% paguem por alguma solução. Entre seus usuários, o planejamento das atividades aparece como principal aplicação, citado por 43%, seguido pelo manejo das lavouras, com 33%.

A continuidade dos investimentos em tecnologia, no entanto, dependerá das condições financeiras dos produtores e das empresas nos próximos anos. Na pesquisa da McKinsey, 72% dos agricultores entrevistados afirmaram que a inteligência artificial terá impacto em suas atividades dentro de três a cinco anos, período em que o setor também precisará administrar o aumento dos custos de produção e as incertezas climáticas.

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