O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, aposta em atrair o voto silencioso e o eleitor envergonhado para fazer frente ao “barulho” da mobilização de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, tanto nas ruas quanto nas redes sociais.
A dois dias da eleição, Flávio vai seguir explorando o antipetismo e rejeição ao presidente Lula, além de se colocando como o candidato da “mudança”, na tentativa de conquistar o voto de última hora. O objetivo é evitar que a campanha petista consiga atrair indecisos, incluindo até mesmo voto de eleitores de direita, que não se identifica com o bolsonarimo.
“Agora é hora de força total. Fala com todo mundo, chama sua família, seus amigos, peça voto. Leve gente pra votar com você. O seu voto é secreto. Ninguém pode saber em quem você votou. Não deixe ninguém ameaçar você. Na urna, você é o dono do seu destino”, apela Flávio em seu último programa eleitoral, que vai ao ar nesta sexta-feira (23).
Após terminar atrás de Flávio no primeiro turno, a campanha de Lula mudou o núcleo duro, reviu a estratégia e conseguiu mobilizar apoiadores em manifestações. Nas redes sociais, conseguiu, pela primeira vez, fazer frente à atuação da direita.
O canal do WhatsApp Exército de Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Rede), tem mais de 8,5 milhões de pessoas, que são orientadas a fazer publicações nas redes. Já o canal Tropa de Lula reúne 2,5 milhões de apoiadores. A campanha bolsonarista, por sua vez, apresentou ações ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na tentativa de barrar o canal liderado por Janones.
Nos primeiros dias após o primeiro turno, Flávio se concentrou em fechar apoios e demorou a retomar as atividades nas ruas, enquanto já começavam os atos pró-Lula.
A capacidade de mobilização impressionou o time bolsonarista, que reagiu intensificando a presença de Flávio nas manifestações organizadas pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O Bloquinho de Nikolas, realizado inicialmente em Minas Gerais, foi rebatizado de “Bloquinho 22” ao entrar na campanha presidencial e passou a percorrer diversos estados.
No sábado (24), Flávio participará do Bloquinho de Nikolas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
A preocupação no entorno de Flávio, relatada sob reserva, é que o sentimento de virada possa ter impacto na reta final.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) mostra Flávio e Lula empatados com 50% dos votos válidos. Em relação à rodada anterior da sondagem, divulgada na semana passada, o senador oscilou um ponto percentual para baixo, enquanto Lula oscilou um ponto para cima.
O levantamento também mostrou um empate técnico nos índices de rejeição. Flávio é rejeitado por 46% dos entrevistados, enquanto Lula, por 45%.
As movimentações ocorreram dentro da margem de erro da pesquisa. O índice dos eleitores que não votariam de jeito nenhum em Flávio passou de 44% para 46%. Já a rejeição a Lula oscilou de 46% para 45%.
Como mostrou a CNN, os números de rejeição acenderam o alerta na campanha de Flávio, embora seus aliados considerem que Lula chegou ao teto das intenções de voto.
A orientação é manter a militância mobilizada nas redes e nas ruas e redobrar os cuidados para evitar deslizes nesta reta final. Outro foco é atuar para rebater o que classificam como “disseminação de notícias falsas” do time de Lula.
Na última semana da eleição, a campanha do PT intensificou a ofensiva contra Flávio com cobranças pela abertura dos sigilos bancário e telefônico do senador e questionamentos sobre sua trajetória e relações políticas, incluindo o pedido de recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
No entorno do senador, a preocupação com a rejeição já vinha motivando recomendações para que Flávio baixasse o tom dos ataques ao presidente Lula no debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23).
Como mostrou a CNN, aliados mais comedidos aconselharam o candidato a ser “menos Pablo Marçal” no confronto e deixar que o petista parta para o ataque. A avaliação é que uma postura excessivamente agressiva pode afastar eleitores indecisos e desagradar aqueles que já declaram voto no senador, mas ainda sem convicção.



