Impasses bilionários na infraestrutura aguardam definição presidencial | Blogs | CNN Brasil


Uma série de decisões na mineração, no setor elétrico e na infraestrutura de transportes aguarda o vencedor das eleições presidenciais neste domingo (25).

O entendimento do mercado é que questões como o futuro do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, a regulamentação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center) e o modelo de disputa do novo superterminal de contêineres no Porto de Santos (SP) dependem essencialmente de quem for o próximo ocupante do Palácio do Planalto.

Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, mas ainda não houve definição de como o novo conselho governamental criado pela Lei 15.506/26 efetivamente atuará.

A legislação deixa margem para a cobrança de imposto de exportação sobre mineradores que não beneficiarem as matérias-primas no Brasil e para o novo conselho vetar ou condicionar mudanças de controle societário, fusões e aquisições no setor.

Como a CNN Infra antecipou, o núcleo da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) vê negativamente o papel do recém-criado CIMCE e pretende revisá-lo.

Para se ter uma ideia do volume de negócios que pode tramitar pelo conselho, um levantamento da consultoria A&M Infra detectou fusões e aquisições de US$ 8,2 bilhões no setor mineral brasileiro desde janeiro de 2025.

São movimentos como as compras da Serra Verde, única produtora de terras raras do país, pela americana USA Rare Earth, e dos projetos de níquel da Anglo American pela chinesa MMG.

Outra definição fundamental envolve quem poderá usufruir dos incentivos fiscais garantidos pelo Redata.

A lei, também sancionada em setembro, prevê que os data centers precisarão ter fornecimento de energia elétrica de “baixa emissão” de carbono para se habilitar no regime especial.

Esse termo aumentou a guerra de bastidores no setor elétrico. Tudo dependerá do decreto presidencial de regulamentação do Redata.

O Ministério da Fazenda quer limitar o benefício à geração renovável (eólica e solar). O Ministério de Minas e Energia defende a inclusão dos geradores térmicos a gás natural — o combustível fóssil com menos emissões de gases-estufa. A equipe econômica está mais perto de vencer o duelo.

Aliados de Flávio são defensores de uma regulamentação mais ampla, que contemple várias alternativas de suprimento, levando em conta a necessidade dos data centers de consumir eletricidade de forma ininterrupta.

Em entrevista à CNN, o economista e consultor Adriano Pires, coordenador da área de energia do programa de Flávio, deixou claro que sua posição é de defesa do uso do gás natural e outras fontes.

No setor portuário, outra controvérsia: as regras do leilão do Tecon Santos 10, com investimentos previstos acima de R$ 6 bilhões, que ampliará em 50% a capacidade de movimentação de contêineres no maior porto da América Latina — hoje à beira da saturação.

O projeto está sendo discutido desde quando Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, era ministro da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro (PL).

A gestão petista fez o processo andar, mas as regras dividem os principais interessados na disputa: a suíça MSC, a dinamarquesa Maersk, a chinesa Cosco, a filipina ICTSI e a JBS Terminais, entre outros. O leilão estava previsto para 2025, atrasou e não tem mais data.

O MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) e a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) avançaram em um modelo que privilegia novos entrantes, em prol da concorrência entre diferentes operadores em Santos, restringindo a participação dos atuais donos de terminais.

Em nota técnica elaborada em maio, a Casa Civil deu uma nova orientação por um leilão aberto. Foi criado um grupo de trabalho para unificar o entendimento no governo, que até agora não chegou a uma conclusão.

No passado, em ofício ao governo federal, dois auxiliares diretos de Tarcísio defenderam uma modelagem sem restrições à participação de empresas interessadas, em um contraponto à postura do MPor e da Antaq.

A carta era assinada pela secretária Natália Resende (Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) e pelo secretário Rafael Benini (Parcerias em Investimentos).

Natália é uma das assessoras mais próximas do governador e frequentemente mencionada como possível indicação de Tarcísio para ministra na área de infraestrutura em um eventual governo Flávio.



Veja a Matéria Completa

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.