A estabilidade no Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos deu indícios de arrefecimento da inflação e fortaleceu as perspectivas do mercado de que o Federal Reserve (Fed) deverá manter a taxa de juros em pausa em sua próxima reunião. O indicador frustrou a expectativa de analistas, que projetavam uma alta de 0,1%, e vem depois de uma queda de 0,1% registrada no mês de junho.
No acumulado de 12 meses, o PPI desacelerou para 4,7%, ficando abaixo da mediana de mercado, de 4,9%, e apresentando um recuo frente ao resultado de 5,5% do mês anterior.
O núcleo do indicador, que exclui as variações voláteis de alimentos e energia, avançou 0,2% em julho, uma marca inferior aos 0,3% esperados pelo mercado. A leitura anual do núcleo ficou em 4,2%, alinhada com as projeções.
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Recuos e avanços no indicador
A estagnação do índice principal contou com o recuo de 0,7% no setor de bens, o que refletiu um tombo de 3,1% nos preços de energia, pressionado por uma forte queda de 5,7% na gasolina. O grupo de alimentos também exerceu pressão de baixa, com retração de 0,9%.
O setor de serviços, por sua vez, demonstrou desaceleração, passando de 0,5% em junho para 0,2% em julho. A dinâmica dos serviços foi impactada por um salto de 6,5% na categoria de gestão de carteiras, movimento parcialmente compensado pela redução de 1,8% nos custos de transporte de cargas por caminhão.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o indicador ligeiramente abaixo das expectativas do mercado “dá certo conforto de que a inflação segue na direção esperada pelo Fed”. A análise do economista indica que o ambiente macroeconômico atual diminui a pressão por um aperto monetário imediato.
De acordo com Kayo, esse cenário reforça no mercado a aposta de que uma eventual alta de juros não deve ocorrer na próxima reunião, em setembro, ficando para outubro ou dezembro, a depender dos dados.
A análise do Goldman Sachs destacou que os preços centrais ao produtor apresentaram um comportamento misto. Enquanto o núcleo tradicional veio um pouco abaixo do consenso, a métrica do PPI que exclui alimentos, energia e serviços comerciais aumentou 0,4%, superando as estimativas. Contudo, a instituição ressaltou que os componentes do PPI relevantes para o PCE (índice de despesas de consumo pessoal) reportaram, no saldo líquido, uma força menor do que a projetada pelo banco.
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Baseando-se nos desdobramentos dos relatórios do PPI e do índice de preços ao consumidor (CPI), o Goldman Sachs estima que o núcleo do PCE tenha avançado 0,20% no mês de julho, o que corresponde a uma taxa anual de 3,24%. O relatório do banco sinaliza que mais da metade desse incremento esperado (11 pontos-base) provém do componente de aconselhamento de investimentos e gestão de portfólios, impulsionado pelos ganhos recentes verificados nas cotações de ações.
No âmbito da atividade econômica e do mercado de trabalho, o Goldman Sachs também avaliou os dados de pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA. Na semana encerrada em 8 de agosto, o volume avançou em 9 mil, alcançando 209 mil solicitações, um número considerado um pouco acima das expectativas.



