Os preços futuros do açúcar avançaram nesta segunda-feira (10) e alcançaram o maior patamar em dez meses na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em outubro subiu 0,12%, para 16,47 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo análise da StoneX, a valorização observada ao longo da semana indica um possível movimento generalizado de recomposição de posições vendidas, conhecido como short covering, por parte dos fundos.
A avaliação é de que um ou poucos participantes do mercado podem ter interpretado os dados divulgados pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) como um gatilho para a recompra de posições.
A dimensão desse movimento, no entanto, deverá ficar mais clara com a divulgação do relatório do CFTC (Commodity Futures Trading Commission), prevista para a próxima semana, que mostrará a evolução das posições dos fundos no mercado.
Apesar da alta dos contratos futuros, os fundamentos do mercado ainda não indicam um cenário de forte sustentação para os preços. A StoneX destaca que os indicadores do mercado físico continuam mostrando sinais de fraqueza, o que reforça a avaliação de que o movimento recente tem caráter predominantemente especulativo.
Em Santos, o açúcar VHP manteve nesta semana um desconto na faixa de 50 a 60 pontos em relação ao contrato de referência. Além disso, os dados de lineup, que mostram a programação de navios para carregamento nos portos brasileiros, permanecem em níveis considerados fracos.
Ao mesmo tempo, a produção de açúcar vem ganhando força, principalmente no estado de São Paulo. De acordo com a StoneX, a paridade entre a produção de açúcar e a de etanol hidratado tem favorecido a fabricação do adoçante desde meados de junho, contribuindo para o aumento da oferta.
Dessa forma, apesar da recuperação dos preços em Nova York, o mercado segue dividido entre o movimento financeiro dos fundos e fundamentos que ainda apontam para uma oferta elevada no Brasil.
Cacau
As compras de fundos ajudaram a sustentar os preços do cacau em meio às preocupações com possíveis impactos do fenômeno climático El Niño sobre a produção na África Ocidental. Na Bolsa de Nova York, o contrato para entrega em setembro avançou 0,63% e encerrou o pregão negociado a US$ 5.932 por tonelada.
Segundo a Barchart, os preços do cacau chegaram a registrar perdas no início do pregão, mas reverteram o movimento ao longo do dia e terminaram em alta. A perspectiva de condições climáticas adversas associadas ao El Niño aumentou a preocupação dos investidores com a oferta da commodity na principal região produtora mundial.
Ainda segundo o Barchart, a valorização da libra esterlina, que atingiu o maior nível em duas semanas, reduziu a atratividade do cacau negociado na moeda britânica e contribuiu para conter os ganhos no mercado londrino.
Café
O café arábica fechou em queda na Bolsa de Nova York, pressionado pela expectativa de avanço no ritmo da colheita no Brasil. O contrato com vencimento em dezembro recuou 0,63% e encerrou o pregão cotado a US$ 3,13 por libra-peso.
Segundo a Barchart, a previsão de chuvas abaixo da média em importantes regiões produtoras brasileiras favorece a aceleração dos trabalhos de campo e aumenta a expectativa de oferta no mercado, o que pesa sobre os preços.
Dados da Climatempo divulgados nesta segunda-feira mostram que Minas Gerais recebeu 5,8 milímetros de chuva na semana encerrada em 9 de agosto, volume equivalente a 92% da média histórica para o período. O estado é o principal produtor brasileiro de café arábica.
No mercado de estoques, os indicadores seguem apresentando sinais distintos entre as variedades. Para o café robusta, o aumento dos estoques da ICE atua como fator negativo sobre as cotações. Na segunda-feira, os estoques atingiram 4.285 lotes, o maior nível em quatro meses e meio.
Já para o arábica, a redução dos estoques certificados da ICE oferece algum suporte aos preços. Os estoques recuaram para 242.673 sacas, o menor volume em dois anos e meio.
Com isso, o mercado acompanha de um lado a perspectiva de maior disponibilidade de café brasileiro com o avanço da colheita e, de outro, a redução dos estoques de arábica, que limita uma pressão maior sobre as cotações.
Algodão
Os contratos futuros de algodão encerraram em queda na Bolsa de Nova York, com o vencimento para dezembro recuando 0,64%, a 83,86 centavos de dólar por libra-peso.
No mercado físico, a Seam reportou a venda de 246 fardos no leilão realizado em 7 de agosto, com preço médio de 81,82 centavos de dólar por libra-peso.
O índice Cotlook A, referência para o mercado internacional de algodão, avançou 20 pontos em relação ao dia 7 e chegou a 93,70 centavos de dólar por libra-peso.
Já os estoques de algodão certificados pela ICE permaneceram estáveis na sexta-feira, em 84.632 fardos. Na semana passada, o Preço Mundial Ajustado, indicador utilizado como referência para o algodão norte-americano, subiu 163 pontos, para 66,29 centavos de dólar por libra-peso.
Suco de Laranja
O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com desvalorização de 0,49% em que o contrato fechou negociado a US$ 1,41 por libra-peso.



