Os contratos futuros do trigo encerraram o pregão desta quinta-feira (06) em baixa na Bolsa de Chicago. O vencimento setembro recuou 1,71% e fechou cotado a US$ 6,31 por bushel.
Segundo análise da consultoria Granar, o mercado foi pressionado por uma nova rodada de realização de lucros por parte de fundos de investimento, que reduziram posições compradas após os preços atingirem recentemente o maior patamar em dois anos.
Além disso, o avanço da colheita de trigo de inverno no Hemisfério Norte reforçou a pressão sazonal sobre as cotações.
Apesar da queda, o cenário geopolítico segue oferecendo sustentação ao mercado. A consultoria destaca que permanecem as incertezas sobre o comércio global de grãos diante da desaceleração dos embarques da região do Mar Negro. A intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia reduziu a capacidade de exportação dos dois países justamente no período de maior oferta da nova safra.
Com relação a logística, o Kremlin mantém suspenso o trânsito de cargas pelo Mar de Azov e pelo Estreito de Kerch por questões de segurança, enquanto os portos da região de Odessa e outras instalações ucranianas no Mar Negro seguem operando com capacidade reduzida devido aos ataques à infraestrutura.
O relatório semanal de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) teve efeito neutro sobre o mercado. As vendas da safra 2026/27 somaram 296,4 mil toneladas entre 24 e 30 de julho, acima das 285,2 mil toneladas da semana anterior e dentro da expectativa do mercado, que variava entre 200 mil e 500 mil toneladas.
As Filipinas foram o principal destino das compras na semana, com 87,8 mil toneladas. No acumulado da temporada até 30 de julho, os Estados Unidos haviam comercializado 7,22 milhões de toneladas de trigo, volume 29,8% inferior aos 10,28 milhões de toneladas negociados no mesmo período do ciclo anterior.
Milho
O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou o pregão desta quinta-feira na Bolsa de Chicago cotado a US$ 4,62 por bushel, alta de 0,43%.
Segundo a Agrinvest, o milho segue tecnicamente pressionado após as perdas registradas na sessão anterior. No entanto, as cotações encontraram suporte na demanda pelas exportações norte-americanas e em novas vendas do cereal ao México.
A consultoria destaca que o cenário externo continua oferecendo sustentação ao mercado, apesar da pressão técnica de curto prazo. Enquanto isso, o trigo mantém um prêmio de risco diante das dificuldades para o escoamento da produção ucraniana e da continuidade dos ataques a portos e embarcações na região do Mar Negro, fator que segue influenciando o mercado global de grãos.
Soja
O contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou o dia na Bolsa de Chicago cotado a US$ 11,77 por bushel, alta de 0,26%.
Segundo a Agrinvest, o mercado ensaiou uma recuperação após as perdas registradas nos últimos dias. No entanto, o avanço das cotações foi limitado pelas especulações envolvendo o conflito no Oriente Médio e pelas previsões de chuvas favoráveis para as lavouras do Meio-Oeste dos Estados Unidos.
No complexo da soja, o óleo fechou em queda, enquanto o farelo registrou valorização.
No mercado físico, a consultoria destaca que a demanda chinesa pela soja norte-americana segue aquecida, oferecendo sustentação aos preços. No Brasil, porém, os negócios continuam lentos nesta semana, com a maior parte das negociações concentrada no mercado de milho.
De acordo com a Agrinvest, a soja permanece próxima da estabilidade em Chicago, sustentada pelas compras da China e pelos prêmios firmes nos portos brasileiros. Por outro lado, a previsão de chuvas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos reduz os riscos para a safra e limita uma valorização mais expressiva das cotações.



