Trigo sobe quase 3% em Chicago com foco na demanda e safra dos EUA

Os contratos futuros de trigo encerraram a sessão desta quarta-feira (17) em forte alta na Bolsa de Chicago. O vencimento para setembro avançou 2,81% e fechou cotado a US$ 6,21 por bushel.

A recuperação ocorre após o mercado atingir a mínima de dois meses em meados de junho. Os investidores seguem atentos ao andamento da colheita no Hemisfério Norte e aos dados de área plantada nos Estados Unidos, que serão divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no fim deste mês.

Apesar da pressão exercida pela queda dos preços do petróleo, após o avanço das negociações para encerrar o conflito entre Israel e Irã, operadores avaliam que custos menores de energia podem estimular a demanda internacional pelo cereal.

No campo, as condições climáticas continuam favorecendo as lavouras norte-americanas. Chuvas generalizadas e temperaturas elevadas em áreas produtoras reforçam as expectativas de uma ampla oferta global. Segundo o USDA, 55% das lavouras de trigo de primavera estavam classificadas entre boas e excelentes condições, três pontos percentuais acima da semana anterior.

Já o trigo de inverno, afetado pela seca em parte do ciclo, apresentou leve melhora nas avaliações, enquanto a colheita avança em ritmo superior ao esperado pelo mercado.

Milho

Já o contrato futuro de milho encerrou a sessão em alta na Bolsa de Chicago. O vencimento para dezembro avançou 1,41% e fechou cotado a US$ 4,48 por bushel.

Segundo a consultoria Granar, parte da valorização foi impulsionada por operações de cobertura de posições por investidores após as recentes quedas do mercado, além da persistente falta de umidade em algumas áreas das Grandes Planícies norte-americanas.

Apesar da recuperação do dia, o cereal acumula três semanas consecutivas de desvalorização, refletindo as expectativas de ampla oferta nos Estados Unidos.

As atenções também permanecem voltadas para o Oriente Médio e para os desdobramentos das negociações envolvendo os Estados Unidos e Irã. O comportamento dos preços do petróleo é acompanhado de perto pelo mercado, devido aos possíveis impactos sobre o setor de biocombustíveis.

Nesse contexto, os agentes acompanham ainda a tramitação da proposta que autoriza a comercialização da gasolina E15 durante todo o ano nos Estados Unidos. A medida, já aprovada pela Câmara dos Representantes, aguarda análise do Senado e pode ampliar a demanda por etanol à base de milho no país.

Soja

A soja encerrou o dia com leve alta na Bolsa de Chicago, com o contrato para entrega em novembro avançando 0,24% e fechou cotado a US$ 11,49 por bushel.

Segundo a Agrinvest, o mercado foi sustentado por especulações sobre novas compras da China para embarques em outubro, período que coincide com a entrada da safra norte-americana no mercado. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a venda de 372 mil toneladas para destinos não revelados, reforçando as expectativas de demanda pela nova safra.

Nos derivados, o farelo de soja seguiu dando suporte às cotações, favorecido pela perspectiva de maior demanda internacional. Já o óleo de soja permaneceu pressionado pela forte queda dos preços do petróleo.

A consultoria destaca que o mercado não vê surpresa em novas aquisições chinesas, considerando que os compromissos de compra para a próxima temporada já somam cerca de 25 milhões de toneladas. Além disso, a aprovação da redução de tarifas pela União Europeia contribui para fortalecer as perspectivas de demanda para o farelo de soja.

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