A Penitenciária de Paranaíba concluiu a instalação de alambrados no perímetro externo da unidade e iniciou a implantação de telamento sobre os pavilhões, ampliando as medidas de segurança e prevenção adotadas pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).
As intervenções têm como objetivo criar uma barreira de proteção próxima à muralha da unidade, dificultando o arremesso de materiais ilícitos por terceiros a partir da área externa, além de reduzir as possibilidades de utilização de drones para o transporte irregular de objetos ao interior dos pavilhões.
Com a instalação dos alambrados em todo o entorno do prédio da penitenciária e o início da implantação das telas de proteção, a unidade passa a contar com uma estrutura adicional de controle e vigilância. A medida contribui para dificultar a entrada de drogas, aparelhos celulares e outros materiais proibidos que possam comprometer a segurança, a disciplina e a rotina operacional do estabelecimento penal.
Segundo a direção do presídio, a iniciativa integra um conjunto de ações voltadas ao aprimoramento da estrutura de segurança da unidade e ao fortalecimento do trabalho desenvolvido pelos policiais penais. “Essa é uma iniciativa que fortalece o controle interno da unidade e proporciona mais segurança tanto para os servidores quanto para a população carcerária, dificultando práticas ilícitas que possam comprometer a rotina operacional do estabelecimento penal”, destacou o diretor André França.
O uso de drones para o envio de materiais proibidos em estabelecimentos penais tem se tornado um desafio para os sistemas penitenciários em todo o país. Nesse cenário, a adoção de barreiras físicas, aliada às ações de vigilância, inteligência e monitoramento, representa uma importante ferramenta preventiva para coibir tentativas de acesso irregular ao interior das unidades.
A Agepen tem investido continuamente em melhorias estruturais e operacionais nas unidades penais de Mato Grosso do Sul, com foco no aprimoramento da segurança institucional, na valorização do trabalho dos policiais penais e na manutenção da ordem e da disciplina no sistema penitenciário estadual.
A decisão sobre os juros norte-americanos, que deve ser divulgada nesta quarta-feira (17), mobiliza a atenção do mercado global não apenas pelo patamar das taxas, mas pela estreia de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve (Fed). A expectativa é de uma mudança na condução da política monetária dos Estados Unidos: sai a dependência excessiva de dados passados, entra uma postura mais ortodoxa, atenta a sinais de mercado em tempo real e com maior rigor no controle inflacionário.
O grande desafio da “Era Warsh” será equilibrar a persistência da inflação americana com as pressões políticas da Casa Branca, além de navegar os impactos econômicos do superciclo da inteligência artificial.
Warsh não é um estranho ao poder. Ex-membro do conselho do Fed, ele construiu sua credibilidade em passagens pelo mercado financeiro, atuando como sócio e assessor da Duquesne Family Office, do investidor Stanley Druckenmiller, e na academia, como pesquisador do Hoover Institution (Universidade de Stanford).
Além de sua bagagem técnica, o novo chairman transita com fluidez pelo núcleo financeiro do Partido Republicano. Nomeado por Donald Trump e confirmado pelo Senado, Warsh é casado com a herdeira Jane Lauder, filha de Ronald Lauder, um bilionário megadoador de campanhas conservadoras e aliado de longa data do presidente, com quem estudou na Wharton School.
Apesar dessa teia de conexões que pavimentou sua indicação, o mercado projeta que a sua gestão será testada no momento em que a sua visão de um Banco Central austero colidir com o histórico de Trump de exigir publicamente cortes agressivos nas taxas de juros.
Inteligência artificial e juros: a tese de Warsh
Um ponto central para entender a nova presidência é a visão de Warsh sobre a tecnologia. Gestores como Shinichiro Fukui, da Stratton Capital, empresa americana com base em Nova York, apontam que o novo presidente do Fed observa o “superciclo de inteligência artificial” como um motor de ganho de produtividade, o que poderia justificar a política de redução de juros.
Na visão de Warsh, os bilhões investidos pelas empresas de tecnologia em data centers e infraestrutura tendem a reduzir o custo unitário do trabalho e gerar ganhos massivos de eficiência, explica Fukui. Esse cenário criaria uma desinflação estrutural na economia americana, o que, no longo prazo, permitiria um patamar de juros mais baixo — sem que o Fed precise sacrificar sua ortodoxia no curto prazo.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, as expectativas para a gestão de Warsh são de uma condução mais ortodoxa. “Embora não haja expectativa de mudanças abruptas na trajetória dos juros, investidores acreditam que sua gestão tenderia a ser menos tolerante com pressões inflacionárias persistentes e mais cautelosa na hora de iniciar ou acelerar cortes de juros”, avalia Lima.
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Possível fim do “espelho retrovisor” e dot plot
A principal marca intelectual de Warsh, expressa em seus artigos nos últimos anos, é a dura crítica à forma como o Fed toma decisões e à expansão desenfreada de seu balanço patrimonial, diz Fukui.
Para ele, o órgão atualmente decide os juros olhando pelo “espelho retrovisor”, ou seja, ancorando-se excessivamente em modelos defasados e dados de inflação do passado. Em vez disso, ele defende a leitura de sinais de mercado em tempo real, monitorando ativos como commodities, ouro e as curvas de yields dos títulos do Tesouro.
Na prática, analistas esperam o possível fim do forward guidance (orientação futura) tradicional e do “Dot Plot”, o gráfico de pontos onde os diretores sinalizam suas previsões de juros a longo prazo. Warsh avalia que essas ferramentas engessam o Banco Central e geram ruídos desnecessários na comunicação.
Para o Brasil e outros mercados emergentes, essa mudança de estilo impõe desafios severos. Segundo Fábio Murad, sócio da Ipê Avaliações, e Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a menor tolerância de Warsh com pressões inflacionárias reforça a percepção de que os juros americanos permanecerão restritivos por mais tempo, sustentando a força do dólar globalmente.
O risco central, no entanto, é o aumento da volatilidade. Sem o “Dot Plot” para guiar as expectativas de forma suave, o mercado viverá de solavancos a cada novo dado econômico divulgado nos EUA. Essa imprevisibilidade importada exigirá que o Banco Central do Brasil (Copom) embuta um prêmio de risco maior na taxa Selic para blindar o real e evitar a fuga de capitais, limitando o espaço para afrouxamento monetário por aqui.
Para a reunião inaugural de Warsh, relatórios do Bank of America (BofA) indicam a manutenção das taxas de juros, mas projetam alterações vitais no comunicado oficial.
O BofA espera a remoção completa da diretriz de afrouxamento monetário das orientações futuras, chancelando a nova postura cautelosa. Para os investidores locais, o cenário reforça a necessidade de diversificação global e exposição controlada a ativos dolarizados.
Mas, desta vez, os técnicos pontuaram que o valor real pode ser ainda maior devido a uma série de “pontos cegos” e passivos incluídos no texto aprovado pelo Senado.
Entre os argumentos estão: a fonte de recursos, cujo custo é a Taxa Selic, que embora não impacte o superávit primário, gera custo em juros para a União; juros da proposta mais spread de em média 4,0% ao ano; e a imprecisão no valor de determinadas dívidas.
Para calcular o impacto da medida, a equipe econômica considerou recursos livres das instituições financeiras e do Fundo Social, ambos remunerados com base na Selic e sujeitos à equalização de juros.
Rebatendo o argumento dos técnicos do Congresso, a Fazenda pontua que a projeção também incorpora uma trajetória de queda da taxa básica de juros ao longo dos próximos anos, partindo de 13,5% em 2027 e chegando a 9% entre 2033 e 2039.
A taxa Selic estimada pela Fazenda é de:
13,5% em 2027
11,0% em 2028
10,0% em 2029 e 2030
9,5% em 2031 e 2032
9,0% de 2033 a 2039.
As simulações também consideram juros de 3,5% ao ano para agricultores familiares, 5,5% para médios produtores e 7,5% — aprovados no projeto e diferentes dos números ofertados pela pasta, que variavam entre 6% e 12% — para os demais produtores e cooperativas, além de um spread de 4% ao ano para as instituições financeiras.
“Com base no volume de recursos para a nova linha de crédito de R$ 200 bilhões e as premissas acima, o custo total para a União, com impacto no superávit primário pela equalização de juros e pelos encargos, pode chegar a R$ 139,8 bilhões nos 13 anos, sendo R$ 22,4 bilhões em 2027”, diz a nota.
Segundo a nota da Fazenda, a principal divergência entre os dois grupos está no tamanho da carteira considerada passível de enquadramento e no custo da equalização dos financiamentos.
Enquanto os defensores do projeto trabalham com um potencial próximo de R$ 100 bilhões em operações elegíveis para renegociação, a Fazenda afirma ter considerado até R$ 200 bilhões em dívidas passíveis de enquadramento na nova linha de crédito.
Segundo a equipe econômica, esse valor foi definido a partir de um universo conhecido de R$ 247 bilhões em operações já identificadas no sistema financeiro.
Desse total, R$ 120 bilhões correspondem a operações de crédito rural consideradas estressadas, incluindo contratos inadimplentes e renegociados.
Outros R$ 47 bilhões estão relacionados à MP (Medida Provisória) 1314/2025 e mais R$ 80 bilhões referem-se a parcelas de financiamentos de investimento com vencimento entre julho de 2026 e dezembro de 2027.
Mesmo assim, a Fazenda afirma que parte relevante das operações potencialmente alcançadas pelo projeto sequer pôde ser mensurada.
Entre os passivos não contabilizados estão CPRs (Cédulas de Produto Rural), empréstimos utilizados para liquidar operações rurais anteriores, operações envolvendo cooperativas, fianças honradas com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e dos fundos constitucionais, além de descontos incluídos pelo Senado para contratos antigos do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) e do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte).
“Não foi possível levantar o valor das dívidas referentes a CPRs emitidas por produtores rurais em favor de instituições financeiras, cooperativas de produção, fornecedores de insumos ou compradores de produção”, informou o ministério.
Por esse motivo, a equipe econômica sustenta que o volume total de operações potencialmente enquadráveis pode superar R$ 300 bilhões.
“Apesar do valor total das dívidas enquadráveis poder superar R$ 300 bilhões, como nem todos os produtores rurais detentores dessas dívidas vão se enquadrar no critério de perdas acima de 30% da renda da atividade financiada em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, foi considerado até R$ 200 bilhões como dívidas passíveis de enquadramento na nova linha de crédito”, afirmou a pasta.
A divergência ajuda a explicar a distância entre os cálculos apresentados pelo governo e pelos formuladores da proposta.
O argumento dos defensores do projeto se baseia nos filtros incluídos durante as negociações com a própria equipe econômica que, segundo eles, reduzem significativamente o alcance do programa.
De acordo com os técnicos do Congresso, apenas uma parcela da carteira problemática conseguiria atender simultaneamente às exigências previstas no texto, como a comprovação de perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025 e redução mínima de 30% da renda esperada.
Outro ponto de discordância envolve o custo financeiro dos recursos utilizados para viabilizar a renegociação.
Os defensores da proposta argumentam que parte das operações poderá utilizar fontes que não exigem equalização direta do Tesouro Nacional, reduzindo o impacto fiscal do programa.
A Fazenda, por outro lado, afirma que mesmo recursos oriundos do Fundo Social possuem custo para a União.
“Recursos do FS (Fundo Social) têm custo da Taxa Selic, que embora não impacte o superávit primário, gera custo em juros para a União”, destacou o ministério.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,5% em abril na comparação com março, descontada a sazonalidade. O resultado veio ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,6%, mas reafirma a resiliência da economia brasileira em um ambiente de juros restritivos. Na comparação com abril de 2025, o indicador subiu 0,9%.
Com o desempenho de abril, o IBC-Br acumula expansão de 1,6% nos últimos 12 meses e de 1,3% no ano.
A expansão foi puxada pela Indústria, que cresceu 0,4%, e pelo setor de Serviços, com alta de 0,3%. O setor agropecuário ficou estável (0%) e o IBC-Br Ex-agro avançou 0,4%.
Variação do IBC-Br (%)
Mês/mês
Tri/tri
Mês/mês ano anterior
Tri/tri ano anterior
Acumulado ano
Acumulado 12 meses
IBC-Br
0,5
1,2
0,9
1,4
1,3
1,6
Agro
0
1,4
0,6
-0,3
-0,1
3,2
Indústria
0,4
1,4
1,3
1
0,6
0,8
Serviços
0,3
0,7
1,2
2,1
2,1
2,1
Impostos
0,3
1,5
1
1,7
0,9
0,6
IBC-Br Ex-agro
0,4
1
1,2
1,8
1,6
1,6
Fonte: Banco Central
Terceiro avanço em quatro meses
Rafael Perez, economista da Suno Research, apontou que o resultado, embora abaixo das expectativas, representa a terceira alta dos últimos quatro meses, acumulando expansão de 1,6% em 12 meses. “Os dados de atividade de abril reforçam nossa leitura de que a economia segue resiliente neste início de segundo trimestre”, afirma.
Com o avanço, o indicador acaba “renovando o nível mais elevado já registrado em sua série histórica”, afirma Yihao Lin, economista da Genial Investimentos
Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, da XP, apontam que o avanço no IBC-Br foi generalizado, ainda que moderado.
Na análise por setores, Perez atribui o desempenho em serviços à retomada do consumo das famílias, que tem sido o principal vetor de sustentação da demanda doméstica neste ano. Já na indústria, ele destaca o setor extrativo, especialmente as atividades ligadas à produção de petróleo e gás, impulsionadas pela guerra, que vêm compensando a fraqueza observada na indústria de transformação. Na agropecuária, Perez sinaliza que a acomodação já era esperada, tendo em vista que o crescimento da produção costuma ficar concentrado nos primeiros meses do ano.
Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o dado vem alinhado às pesquisas mensais dos setores feitas pelo IBGE, como a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). “Os resultados apontaram para um crescimento baseado na melhora da demanda externa por commodities energéticas, com foco no petróleo, e da dinamização de segmentos específicos voltados para este tipo de produção, como a indústria extrativa e parte do setor de serviços”, analisa Pizzani.
Segundo o economista, segmentos mais expostos aos ciclos econômicos, como a indústria de bens duráveis e os segmentos do comércio voltados à intermediação destes mesmos itens, apresentaram desempenho avaliado como “alinhado ao atual ciclo da economia”, com juros restritivos. “O dado do IBC-Br divulgado hoje é mais um na esteira de resultados que apontam para um processo de desaceleração gradual da atividade econômica, que havia iniciado o ano apresentando resultados excepcionalmente fortes em seu primeiro bimestre”, diz.
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Revisões alteram a fotografia do trimestre
A divulgação do Banco Central trouxe revisões importantes na série histórica, mostrando que a economia operou com menor tração no início do ano do que o inicialmente medido. A retração de março, antes divulgada como 0,67%, foi ajustada para uma queda mais suave, em torno de 0,18% a 0,2%.
Segundo Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, ajustes em janeiro (para +0,8%) e fevereiro (para +0,4%) reforçam a percepção de que “o ponto de partida da atividade econômica no início do ano foi marginalmente mais forte”.
Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord), também destaca que essas revisões suavizam a percepção de desaceleração abrupta.
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Consumo alto versus juros restritivos
O dado aponta, mais uma vez, que a economia vive uma disputa de forças opostas. De um lado, a atividade é sustentada pelo mercado de trabalho aquecido e por pesados estímulos governamentais. Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, economistas da XP, avaliam que a renda real mantém trajetória de crescimento devido ao aumento das transferências fiscais, estimando que as medidas de estímulo adicionem até 150 pontos-base ao PIB em 2026.
Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica do Goldman Sachs, corrobora o cenário de demanda forte, destacando que a renda real bruta disponível das famílias acelerou para um ritmo de 6,3% em relação ao ano anterior em março-abril, um dado “forte”, segundo Ramos.
Por outro lado, o aperto monetário freia lentamente o ímpeto. Lin, da Genial Investimentos, aponta o “descasamento entre as políticas monetária e fiscal” como o principal fator desse desempenho paradoxal. Matheus Pizzani, economista do PicPay, alerta ainda para os impactos de choques externos: a eclosão do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo devem “corroer parcela importante da renda das famílias” por via da inflação.
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Gabriel Foglieni, parceiro e gestor de investimentos da Eleva Invest, afirma que, com a inflação ainda pressionada, o Banco Central deve manter os juros em patamar elevado. “E são justamente esses juros altos que continuam segurando o ritmo da atividade. Um ciclo que ainda não encontrou seu ponto de virada”, afirma.
Projeções e Selic
Com a inflação pressionada, o mercado não vê espaço para cortes agressivos na Selic. Pablo Spyer avalia que o Copom deve promover um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,25%, “mas com um discurso bastante cauteloso”, deixando a porta aberta para uma pausa devido às incertezas globais. A Genial Investimentos avalia que, devido ao cenário adverso, a diretoria “deveria interromper o ciclo nesta reunião” após o corte, mantendo a Selic em 14,25% até o fim do ano.
Valdir Piran Jr. CEO da Intra Asset, aponta que, para o Banco Central, esse movimento pode ser visto como um sinal positivo “na medida em que reduz parte das pressões de demanda”. No entanto, o dado dificilmente será suficiente, isoladamente, para alterar de forma relevante a condução da política monetária.
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Gustavo Assis, CEO da Asset, avalia que “em tese”, isso abre espaço para um Copom “mais confortável” no corte de juros, já que um crescimento mais moderado ajuda na convergência da inflação para a meta.
Para o fechamento do ano, as perspectivas de crescimento permanecem sólidas, apesar da desaceleração projetada para o segundo semestre.
O Goldman Sachs aponta alta de 0,6% no PIB do segundo trimestre e crescimento de 1,8% em 2026. A Suno Research projeta avanço de 0,6% no segundo trimestre e de 2,0% no ano.
A XP Investimentos estima alta de 0,5% no 2º trimestre e 2,0% em 2026, mesmos indicadores da Genial Investimentos. Para maio, a XP já projeta uma estimativa preliminar de avanço de 0,6% no IBC-Br na comparação mensal. O PicPay está mais pessimista, estimando crescimento de 0,4% no 2º trimestre e 1,7% no consolidado de 2026.
Escola pública do interior mostra que inovação não é privilégio dos grandes centros
Há escolas que falam sobre o futuro enquanto outras constroem. É o caso da Escola Estadual Dom Bosco, em Corumbá, que oferece oportunidades de aprendizagem com as melhores tecnologias educacionais disponíveis na atualidade. Com robótica, inteligência artificial, Arduino, LEGO Education e uma carreta escola equipada com 18 notebooks, a escola amplia ainda mais as possibilidades de quem estuda no coração do Pantanal.
Essa conquista foi celebrada com a cerimônia de inauguração do Espaço Maker ‘Pe. Didimo de Campos Filho’ e a chegada da Carreta Escola do Senac, na presença de autoridades, gestores, professores, estudantes e parceiros num momento que marca uma virada na trajetória dos mais de 1.600 estudantes atendidos pela unidade.
O Espaço Maker foi planejado para integrar ciência, tecnologia, engenharia e matemática, o chamado STEM, com atividades de robótica, programação, eletrônica, automação e inteligência artificial. O ambiente conta com computadores, recursos multimídia, materiais de prototipagem, arenas para treinamento de equipes de robótica e plataformas como LEGO Education, Arduino e Conecta Edutec.
Um detalhe que merece destaque, o espaço também dispõe de kits de Robótica para Inclusão, destinados a estudantes público-alvo da Educação Especial — porque inovação que exclui não é inovação.
Crianças das escola corumbaense tem acesso às melhores práticas educacionais da atualidade
IA para proteger o Pantanal
Entre os projetos desenvolvidos na escola, um chama atenção pelo propósito. O SAVIA (Sistema de Alerta e Vigilância Inteligente Ambiental) desenvolvido por estudantes do Ensino Médio Integrado ao Ensino Técnico em Informática para Internet.
O projeto usa sensores, automação e inteligência artificial para auxiliar na prevenção de atropelamentos de animais silvestres e na detecção precoce de incêndios florestais no Pantanal.
A iniciativa chegou à semifinal do programa ‘Solve for Tomorrow Brasil’ e foi contemplada pelo Pictec (Programa de Iniciação Cientifica e Tecnológica) da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia), ambos de Mato Grosso do Sul.
O SAVIA é uma conquista que prova o quanto a ciência feita por estudantes da escola pública pode e deve ter alcance nacional.
A carreta que amplia horizontes
Além do Espaço Maker, a Dom Bosco passou a contar com a Carreta Escola do Senac, uma unidade móvel moderna equipada com 18 notebooks, telas de projeção, sistema de sonorização, internet via satélite e ambiente climatizado. A parceria com o Senac amplia significativamente a capacidade de atendimento das atividades tecnológicas e de formação profissional da escola.
Equipe que integra a Carreta do Senac
Mais de 30 estudantes já participam das atividades do Clube de Robótica, desenvolvendo projetos e se preparando para competições como a OBR (Olimpíada Brasileira de Robótica). São jovens que aprendem fazendo e que já mostram que o Pantanal também é território de inovação.
A Dom Bosco se torna um dos principais polos de ciência, tecnologia e iniciação científica da região pantaneira, revelando uma educação pública de qualidade onde há planejamento e dedicação.
Um reconhecimento especial é dedicado aos professores Felipe de Oliveira e Bruno Silva, além do diretor-adjunto Elvécio Zequeto, educadores atuantes na orientação dos estudantes para o desenvolvimento do sistema de inteligência artificial para proteger o Pantanal, um dos maiores desafios do nosso tempo.
Para o diretor Fernando Cruz, a chegada da Carrega Escola do Senac representa a materialização de um compromisso coletivo para que os estudantes de Corumbá possam competir com qualquer estudante do país.
“O Espaço Maker e a Carreta do Senac chegaram para que nossos estudantes não precisem buscar outro espaço para encontrar o futuro porque ele já está aqui, dentro da Dom Bosco”, ressalta o diretor Fernando.
Gilberto Junior, Comunicação SED Fotos: Reprodução
O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) desacelerou em quatro das sete capitais pesquisadas na segunda quadrissemana de junho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta (17). O índice caiu para 0,57%, resultado abaixo do registrado na última divulgação de 0,64%, na passagem da primeira para a segunda quadrissemana de junho.
A desaceleração mais significativa entre as capitais ocorreu no Rio de Janeiro (0,74% para 0,63%). Em seguida, aparecem Salvador (0,82% para 0,56%), Recife (0,83% para 0,44%) e São Paulo (0,66% para 0,57%).
Houve, por outro lado, aceleração em Porto Alegre (0,66% para 0,75%), Brasília (0,24% para 0,32%) e Belo Horizonte (0,52% para 0,54%).
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve alta de 0,5% em relação a março, mostraram dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (17).
O número ficou um pouco abaixo do esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters era de avanço de 0,60% sobre o mês anterior.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 0,9%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,6%, de acordo com números não dessazonalizados.
A FMC e a Corteva anunciaram a assinatura de um acordo estratégico de fornecimento e licenciamento para atuação conjunta nos mercados de milho e soja da América do Norte e da América do Sul. A parceria prevê a ampliação do acesso à tecnologia de um herbicida desenvolvido pela FMC por meio de produtos que serão comercializados separadamente por cada empresa.
Pelos termos do acordo, a FMC manterá a propriedade intelectual da tecnologia e será responsável pelo fornecimento do ingrediente ativo à Corteva. As duas companhias irão desenvolver e comercializar suas próprias formulações destinadas às culturas de milho e soja nos mercados abrangidos pela parceria.
O contrato tem duração prevista para a próxima década. Como parte do acordo, a Corteva realizará um pagamento inicial antecipado de US$ 200 milhões referente ao fornecimento futuro de produtos pela FMC.
A FMC informou que continuará desenvolvendo aplicações da tecnologia para outras culturas e mercados fora do escopo do acordo. Já a Corteva destacou que a colaboração integra sua estratégia de estabelecer parcerias voltadas ao fortalecimento de sua atuação no segmento de controle de plantas daninhas.
As primeiras vendas comerciais dos produtos resultantes da parceria são previstas para ocorrer até o final da década, condicionadas às aprovações regulatórias necessárias nos países envolvidos.
Os valores adicionais e demais detalhes financeiros do acordo não foram divulgados pelas empresas.
Autoridades chinesas lançaram nesta quarta-feira (17) medidas para promover o uso do yuan globalmente, no mais recente esforço para construir uma infraestrutura financeira mais resiliente e proteger a economia do país de choques externos.
O presidente do Banco Popular da China (PBoC), Pan Gongsheng, anunciou o estabelecimento de um novo mecanismo de recompra para permitir que autoridades monetárias estrangeiras, incluindo fundos soberanos, obtenham liquidez em yuan do banco central chinês, usando títulos como garantia.
Pan também revelou que a China lançará um programa piloto para negociação de câmbio de yuan offshore na Zona de Livre Comércio de Xangai, ao discursar para executivos financeiros na cidade. A iniciativa tem o objetivo de transformar Xangai em um centro global para alocação de ativos e gerenciamento de risco denominados em yuan.
Sobre o controle da política monetária chinesa pelo banco central, Pan disse que o PBoC tomará várias medidas para aprimorar o mecanismo de regulação das taxas de juros de curto prazo.
As iniciativas sugerem que as autoridades chinesas podem estar se voltando para o uso da taxa overnight do banco central como o principal referencial de política monetária, assim como a maioria dos países. O principal referencial do PBoC é atualmente a taxa de recompra reversa de sete dias.
Pan disse ainda que a autoridade monetária está formulando ferramentas para fornecer liquidez de emergência a instituições não bancárias durante crises.
O discurso do chefe do PBoC, porém, não sinalizou para a flexibilização da política monetária, embora tenha ocorrido após a divulgação de indicadores fracos da economia chinesa, na véspera. Em maio, ocorreu a primeira queda nos gastos do consumidor chinês em mais de três anos e uma nova redução nos gastos com investimentos. Fonte: Dow Jones Newswires.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Lousas interativas, plataformas digitais, laboratórios e kits de robótica transformam a rotina de professores e estudantes, mostrando que a tecnologia não saiu da escola — ela ganhou propósito pedagógico.
O celular ficou guardado na mochila, mas a tecnologia não saiu da sala de aula. Em escolas estaduais de Mato Grosso do Sul, ela aparece agora em lousas interativas, plataformas digitais, laboratórios de informática e robôs montados pelos próprios estudantes. A mudança, que reorganiza a forma como os recursos digitais são usados no ambiente escolar, tem transformado a rotina de professores e alunos da Rede Estadual de Ensino.
A estudante Emily de Oliveira chegou para mais uma aula na Escola Estadual Maria Constância de Barros Machado, em Campo Grande, sem imaginar que a experiência seria diferente. O celular estava guardado, como determina a regra adotada nas unidades escolares. À frente da turma, porém, uma lousa interativa de 75 polegadas conduzia a aula. A professora abriu um mapa, depois exibiu um vídeo, apresentou um gráfico e transformou o conteúdo em uma experiência mais visual, dinâmica e participativa.
A cena ajuda a explicar uma mudança em curso na educação pública estadual. A regulamentação do uso do celular nas escolas, com a orientação de que os aparelhos permaneçam guardados e desligados durante as aulas, salvo em situações excepcionais, não significou a retirada da tecnologia do ambiente escolar. Ao contrário: abriu espaço para uma nova etapa, em que os recursos digitais deixam de disputar a atenção dos estudantes e passam a ser utilizados de forma planejada, coletiva e integrada ao currículo.
Para Emily, aluna do 3º ano do Ensino Médio, a diferença já aparece na forma como as aulas são conduzidas. “Vim de uma escola particular que ainda usava Datashow. Agora, as aulas estão mais interessantes”, afirma.
No início de 2025, quando Mato Grosso do Sul regulamentou o uso do celular nas escolas estaduais, uma pergunta passou a orientar o debate: como aumentar a atenção dos estudantes sem abrir mão das possibilidades da educação digital? A resposta veio com reorganização pedagógica, investimento em infraestrutura e ampliação do acesso a ferramentas tecnológicas dentro da própria escola.
Lousa interativa em sala de aula
No primeiro ano da nova regra, as escolas da Rede Estadual receberam mais de R$ 100 milhões em modernização da infraestrutura tecnológica, com aquisição de equipamentos, ampliação de laboratórios, renovação do parque tecnológico e implantação de plataformas digitais voltadas ao processo de ensino e aprendizagem. Na prática, o celular deixou de ser o centro da experiência em sala de aula, mas a tecnologia ganhou mais presença e mais propósito.
Hoje, o aparelho particular pode complementar atividades fora da escola, apoiar pesquisas e ser utilizado em situações específicas, sempre de forma orientada. Dentro da sala, porém, o protagonismo passou a ser de ferramentas coletivas, supervisionadas e pensadas para o aprendizado, como lousas interativas, laboratórios de informática, plataformas educacionais e kits de robótica.
Um dos pilares desse novo ambiente é a plataforma de protagonismo digital, disponível gratuitamente para os estudantes da Rede Estadual de Ensino. O espaço reúne recursos digitais de aprendizagem alinhados ao currículo e oferece aos professores materiais confiáveis para enriquecer as aulas, ampliando as possibilidades de ensino sem depender do celular de cada aluno.
Para a professora de inglês Luzimar Cristiane, a ferramenta qualifica o uso da tecnologia e ajuda a reduzir desigualdades de acesso. “É um cardápio confiável de conteúdos para enriquecer nossas aulas. Para o estudante, é a garantia de que o acesso à educação digital não depende dos celulares, depende da escola”, destaca.
A mudança também fortalece o papel do professor. Com os novos recursos, o conteúdo pode ser apresentado de diferentes formas, combinando texto, imagem, vídeo, mapas, gráficos, exercícios interativos e atividades práticas. O que antes dependia de equipamentos mais limitados ou de soluções improvisadas passa a fazer parte de um ambiente mais estruturado, em que a tecnologia é usada para ampliar a atenção, estimular a participação e aproximar o estudante do conteúdo.
A estudante Emily
Essa transformação não está restrita às salas com lousas digitais. Em diferentes municípios, a Educação Digital tem levado estudantes da Rede Estadual a experiências práticas que antes pareciam distantes da realidade da escola pública. Em Dourados, na Escola Estadual Floriano Viegas Machado, o estudante Sidney Matheus Ferraz Sanchez, do 9º ano do Ensino Fundamental, montou seu primeiro robô com apoio de professores e recursos pedagógicos.
O processo começou com peças de encaixe, sensores, motores, baterias e comandos de programação. Ao ver o robô se movimentar pela primeira vez, Sidney percebeu que o conteúdo aprendido em sala podia ganhar forma, movimento e função. “A gente começa montando e acaba criando um robô. Ele passa a se movimentar de acordo com os comandos programados e é como se ganhasse vida”, conta o estudante.
A experiência mostra como a robótica educacional tem transformado a relação dos alunos com disciplinas tradicionais. A matemática, por exemplo, deixa de aparecer apenas no quadro, no caderno e nos exercícios. Ela passa a estar também nos circuitos, nas medidas, nos testes, nos sensores, na lógica de programação, na solução de problemas e no trabalho em equipe. O aprendizado se torna mais concreto porque o estudante participa da construção do resultado.
Desde 2022, kits de robótica e ferramentas de montagem e fabricação vêm sendo incorporados às escolas estaduais como parte das ações de educação digital. Os kits são organizados em maletas com peças, motores, sensores, baterias e computadores programáveis, permitindo que os alunos desenvolvam projetos orientados por professores especialistas em práticas inovadoras. A proposta é estimular raciocínio lógico, criatividade, colaboração, resolução de problemas e contato com áreas estratégicas para o futuro, como tecnologia, engenharia, programação e inovação.
Em Aquidauana, a chegada da robótica também mudou a rotina dos estudantes da Escola Estadual Coronel José Alves Ribeiro. Até o ano passado, os alunos da unidade não tinham contato direto com esse tipo de atividade. Com a expansão dos laboratórios e das oficinas na Rede Estadual, a robótica chegou à escola em abril e, em menos de dois meses, já produziu um resultado considerado marcante para a comunidade escolar: pela primeira vez, estudantes do 5º ano foram inscritos na Olimpíada Brasileira de Robótica, a OBR 2026.
A professora Luzimar
Entre eles está Pietro Miguel da Rocha Ferreira, aluno do 5º ano do Ensino Fundamental. Para ele, o contato com a robótica abriu novas possibilidades de aprendizado e ajudou a derrubar a ideia de que esse tipo de conhecimento pertence apenas a estudantes mais velhos ou a ambientes universitários.
“Antes eu achava que a robótica era matéria de faculdade e, aqui, aprendi que é coisa de quem quer aprender. Agora, o objetivo é continuar criando e desenvolvendo”, afirma Pietro.
As histórias de Emily, Sidney e Pietro mostram diferentes faces de uma mesma transformação. Em Campo Grande, a lousa interativa prende a atenção e torna a aula mais visual. Em Dourados, o robô em movimento ajuda o estudante a compreender programação, lógica e matemática. Em Aquidauana, a chegada da oficina cria novas expectativas e leva alunos dos anos iniciais a participarem de uma olimpíada nacional de robótica.
O ponto comum entre essas experiências é a presença da tecnologia com finalidade pedagógica. O objetivo não é apenas modernizar a escola com novos equipamentos, mas garantir que esses recursos contribuam para melhorar a aprendizagem, ampliar o interesse dos estudantes e apoiar o trabalho dos professores. A tecnologia deixa de ser uma distração individual e passa a ser uma ferramenta coletiva, orientada e integrada ao cotidiano escolar.
Na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul, a restrição ao uso do celular durante as aulas abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre o papel da escola na formação digital dos estudantes. A escola pública passa a assumir a responsabilidade de oferecer acesso, orientar o uso e transformar equipamentos, plataformas e laboratórios em instrumentos reais de aprendizagem.
O pequeno Pietro e seu robô
Com isso, o ambiente escolar se aproxima do mundo em que os estudantes vivem, mas com mais organização, segurança e intencionalidade pedagógica. Em vez de depender do aparelho de cada aluno, a educação digital passa a ser construída como política pública, com investimento, estrutura e acompanhamento.
O celular saiu das mãos durante a aula. Mas a tecnologia permaneceu na escola, maior, mais acessível, mais coletiva e mais conectada ao que realmente importa: ensinar melhor, aprender mais e preparar os estudantes para um futuro cada vez mais digital.
Gilberto Vargas Jr, Comunicação SED Fotos: Gilberto Vargas Jr