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BC corta Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (29) cortar a Selic, taxa básica de juro, em 0,25 ponto percentual (p.p.) para 14,25% ao ano, em sua quarta reunião de 2026. Foi a terceira queda seguida da taxa e a decisão foi unânime.

O Copom iniciou um ciclo de afrouxamento monetário moderado em março, após manter a Selic em 15% durante o segundo semestre de 2025.

A decisão foi em linha com o esperado, uma vez que a aposta majoritária do mercado era de que o Comitê reduzisse a Selic em 0,25 ponto percentual.

Na reunião anterior, em abril, por unanimidade, o Copom cortou os juros em 0,25 ponto percentual, sendo na ocasião a segunda vez seguida que o comitê reduziu os juros, mas o corte ocorreu em ritmo menor. Como justificativa, foram apontadas as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e as expectativas para inflação em alta por período mais prolongado.

Veja abaixo o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central após reunião de política monetária:

O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,7% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

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O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.

Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados.

O período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.

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Na avaliação do Comitê, o grau de restrição acumulado pela política monetária permite diferentes trajetórias de taxas de juros compatíveis com a convergência da inflação para a meta. Os modelos de projeção, utilizando essas trajetórias da taxa básica entre seus condicionantes, estão sujeitos a incertezas acima das usuais na conjuntura atual. Essas incertezas se somam ao cenário de choques de oferta, o que fundamenta a graduação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços.

Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos.

O Comitê julgou apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25% a.a.

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No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.



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Brasil abre mercado para frutas congeladas para China e sementes no Panamá

O governo brasileiro anunciou, nesta quarta-feira (17), a abertura de novos mercados para produtos agropecuários na China e no Panamá.

As autoridades chinesas autorizaram a importação de polpas de frutas e frutas congeladas do Brasil. De acordo com o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), as exportações agropecuárias brasileiras para a China superaram US$ 55 bilhões em 2025, com destaque para proteínas animais, produtos do complexo soja e produtos florestais.

No Panamá, o Brasil recebeu autorização para exportar sementes de coco e de café. O país importou cerca de US$ 100 milhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, principalmente produtos florestais, café, cereais, farinhas e preparações.

Com os novos anúncios, o agronegócio brasileiro soma 642 aberturas de mercado desde o início de 2023. As negociações foram conduzidas pelo Ministério da Agricultura  e pelo MRE (Ministério das Relações Exteriores).

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Nos próximos 3 anos, Infra S.A vai se tornar independente do Tesouro, diz ministro


O ministro dos Transportes, George Santoro, disse nesta quarta-feira, 17, que há um compromisso de tornar a Infra S.A uma empresa pública não dependente do Tesouro Nacional nos próximos três anos.

“É um combinado que fizemos com a Diretoria, com o Conselho de Administração, com a governança e membros independentes do Conselho de Administração. A Infra vai conseguir ter receita própria suficiente para cumprir suas despesas”, declarou.

Ele falou do tema durante a Bienal das Rodovias 2026, evento realizado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) entre esta quarta-feira e a quinta-feira, em Brasília (DF).

A empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes trabalha na operação e expansão da malha ferroviária federal e desenvolve projetos de estruturação para concessões rodoviárias.

“A Infra S.A está passando por um grande processo de transformação. Quando entramos no governo, havia um patrimônio líquido negativo. Tinha alguns bilhões negativos. Em uma empresa privada, isso seria falência. Esse ano, a Infra virou o balanço. Pela primeira vez nos últimos anos houve patrimônio líquido positivo”, declarou o ministro.

Segundo o Ministério dos Transportes, a Infra S.A é uma das três maiores estruturadoras de projetos de infraestrutura no mundo, só ficando atrás do Banco Mundial e do Banco de Desenvolvimento da Ásia. Um decreto do governo federal, de 2025, criou regras para que empresas estatais dependentes ampliem fontes próprias de financiamento.

A perspectiva é que estatais hoje dependentes do Tesouro Nacional conquistem autossuficiência financeira e sejam custeadas unicamente com recursos da sua própria operação, sem necessidade de repasse de recursos públicos.



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Trigo sobe quase 3% em Chicago com foco na demanda e safra dos EUA

Os contratos futuros de trigo encerraram a sessão desta quarta-feira (17) em forte alta na Bolsa de Chicago. O vencimento para setembro avançou 2,81% e fechou cotado a US$ 6,21 por bushel.

A recuperação ocorre após o mercado atingir a mínima de dois meses em meados de junho. Os investidores seguem atentos ao andamento da colheita no Hemisfério Norte e aos dados de área plantada nos Estados Unidos, que serão divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no fim deste mês.

Apesar da pressão exercida pela queda dos preços do petróleo, após o avanço das negociações para encerrar o conflito entre Israel e Irã, operadores avaliam que custos menores de energia podem estimular a demanda internacional pelo cereal.

No campo, as condições climáticas continuam favorecendo as lavouras norte-americanas. Chuvas generalizadas e temperaturas elevadas em áreas produtoras reforçam as expectativas de uma ampla oferta global. Segundo o USDA, 55% das lavouras de trigo de primavera estavam classificadas entre boas e excelentes condições, três pontos percentuais acima da semana anterior.

Já o trigo de inverno, afetado pela seca em parte do ciclo, apresentou leve melhora nas avaliações, enquanto a colheita avança em ritmo superior ao esperado pelo mercado.

Milho

Já o contrato futuro de milho encerrou a sessão em alta na Bolsa de Chicago. O vencimento para dezembro avançou 1,41% e fechou cotado a US$ 4,48 por bushel.

Segundo a consultoria Granar, parte da valorização foi impulsionada por operações de cobertura de posições por investidores após as recentes quedas do mercado, além da persistente falta de umidade em algumas áreas das Grandes Planícies norte-americanas.

Apesar da recuperação do dia, o cereal acumula três semanas consecutivas de desvalorização, refletindo as expectativas de ampla oferta nos Estados Unidos.

As atenções também permanecem voltadas para o Oriente Médio e para os desdobramentos das negociações envolvendo os Estados Unidos e Irã. O comportamento dos preços do petróleo é acompanhado de perto pelo mercado, devido aos possíveis impactos sobre o setor de biocombustíveis.

Nesse contexto, os agentes acompanham ainda a tramitação da proposta que autoriza a comercialização da gasolina E15 durante todo o ano nos Estados Unidos. A medida, já aprovada pela Câmara dos Representantes, aguarda análise do Senado e pode ampliar a demanda por etanol à base de milho no país.

Soja

A soja encerrou o dia com leve alta na Bolsa de Chicago, com o contrato para entrega em novembro avançando 0,24% e fechou cotado a US$ 11,49 por bushel.

Segundo a Agrinvest, o mercado foi sustentado por especulações sobre novas compras da China para embarques em outubro, período que coincide com a entrada da safra norte-americana no mercado. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a venda de 372 mil toneladas para destinos não revelados, reforçando as expectativas de demanda pela nova safra.

Nos derivados, o farelo de soja seguiu dando suporte às cotações, favorecido pela perspectiva de maior demanda internacional. Já o óleo de soja permaneceu pressionado pela forte queda dos preços do petróleo.

A consultoria destaca que o mercado não vê surpresa em novas aquisições chinesas, considerando que os compromissos de compra para a próxima temporada já somam cerca de 25 milhões de toneladas. Além disso, a aprovação da redução de tarifas pela União Europeia contribui para fortalecer as perspectivas de demanda para o farelo de soja.

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Secretaria de Educação convoca nutricionistas de quatro municípios de Mato Grosso do Sul – Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul


Os candidatos convocados são dos municípios de Aquidauana, Campo Grande, Dourados e Naviraí.

A SED (Secretaria de Estado de Educação) divulgou, nesta quarta-feira (17), no DOE (Diário Oficial Eletrônico) n.12.187, o Edital n.14/2026 – SAD/SED/NUTRI/2025, de convocação dos candidatos relacionados no Anexo único, para apresentação de documentos e comprovação de requisitos para a contratação.

O Processo Seletivo Simplificado, destinado à seleção de pessoal a ser contratado por tempo determinado para a função de Nutricionista, visa atender necessidade temporária de excepcional interesse público existente nas escolas da Rede Estadual de Ensino.

No anexo I consta a lista do endereço para apresentação de documentos e comprovação de requisitos para a contratação, devendo o candidato comparecer no munícipio no qual está convocado. Já no anexo II consta a relação dos candidatos convocados para contratação.

Procedimentos

A contratação, de caráter eliminatório, consistirá na realização dos seguintes procedimentos, todos de natureza obrigatória:

a) Procedimento 1: preenchimento do pré-cadastro dos dados pessoais do candidato convocado e remessa online de documentos;

b) Procedimento 2: apresentação presencial dos originais dos documentos, comprovação dos requisitos exigidos para a contratação do cargo/função, de acordo com o estabelecido no Item 9 do Edital n. 1/2025 – SAD/SED/NUTRI/2025, de 10 de junho de 2025.

Pré-cadastro

Para realização do Procedimento 1, o candidato deve preencher o pré-cadastro dos dados pessoais e remessa online de documentos acessando o Portal do Servidor, por meio do endereço eletrônico www.portaldoservidor.ms.gov.br , a partir das 14h do dia 17 de junho de 2026, qualquer dúvida entrar em contato no telefone (67) 33182393.

Apresentação presencial

Após a efetivação do pré-cadastro, para a realização do Procedimento 2 – Apresentação Presencial, de caráter obrigatório, o candidato convocado deverá apresentar-se, no local, data e horário especificados no Anexo Único do Edital, munido das Vias Originais dos documentos, para conferência e efetivação da comprovação de requisitos.

O período de contratação será de até 1 (um) ano, podendo ser prorrogado ou rescindido a qualquer tempo, na forma da Lei Estadual n. 4.135 de 15 de dezembro de 2011, e suas alterações.

Adersino Junior, Comunicação SED
Fotos: Cid Nogueira/SED



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Fed mantém juros, mas tom duro e revisão da inflação elevam cautela no mercado


A decisão do Federal Reserve (Fed) de manter a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% veio em linha com o esperado, mas o conjunto da comunicação, com novas projeções econômicas e mudança de tom, foi interpretado como mais duro (hawkish) do que o antecipado pelos investidores.

O destaque ficou com a revisão altista da inflação. Segundo o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), os preços seguem acima da meta de 2% e devem permanecer pressionados por mais tempo, refletindo, entre outros fatores, choques de oferta no setor de energia. A projeção para o índice cheio saltou para 3,6% neste ano, ante 2,7% anteriormente, enquanto o núcleo avançou de 2,7% para 3,3%.

A decisão de manter os juros foi unânime, mas o chamado “dot plot” revelou um comitê dividido sobre os próximos passos: metade dos dirigentes prevê ao menos uma alta adicional até o fim de 2026, enquanto a outra metade aposta na manutenção das taxas. Para 2027, também há expectativa relevante de elevação em relação ao patamar atual.

Na leitura de Andressa Durão, economista do ASA, a combinação de manutenção da taxa com projeções mais restritivas reforça o caráter hawkish da decisão. “A mediana das projeções veio indicando uma alta este ano, enquanto as estimativas de inflação foram significativamente revisadas para cima e permanecem acima da meta até 2028”, afirma.

“O comitê surpreendeu com um tom mais duro, tanto no comunicado quanto nas projeções”, reforça Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, que destaca que o comunicado trouxe ênfase clara no compromisso com a estabilidade de preços.

Os mercados reagiram imediatamente, com o dólar e os juros dos Treasuries avançando na sequência, e impactando na Bolsa brasileira. “As novas projeções indicam juros mais elevados por mais tempo, o que aumenta a atratividade dos ativos americanos e pressiona moedas emergentes”, explica Leonel Oliveira Matos, da Stonex. O dólar voltou a operar acima de R$ 5, e o índice DXY superou os 100 pontos.

Mudanças na comunicação

Além do conteúdo econômico, a reunião marcou mudanças relevantes na comunicação institucional do Fed sob Kevin Warsh. Em sua primeira decisão à frente do banco central americano, o novo presidente adotou um comunicado mais curto e simplificado, sem indicações explícitas sobre os próximos passos da política monetária.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avalia que a ausência de indicações futuras foi deliberada. “Warsh entende que esse instrumento não é adequado para o momento atual”, afirma. O presidente também optou por não divulgar suas próprias projeções de juros, postura coerente com convicções de longa data sobre comunicação colegiada e, possivelmente, uma forma de evitar ruídos com a Casa Branca.

Warsh também anunciou a criação de cinco forças-tarefa independentes para revisar aspectos centrais da atuação do Fed: comunicação, uso de dados, mercado de trabalho, produtividade e o regime de metas de inflação. As propostas podem alterar o formato do Sumário de Projeções Econômicas, redesenhando indicadores como o dot plot.

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“O comitê deixou claro que a inflação deve permanecer acima do desejado por mais tempo, o que exige uma política monetária mais restritiva”, afirma Camilo Cavalcanti, gestor da Oby Capital.

Apesar do tom restritivo, Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da Stratton Capital, aponta um contraponto a ser monitorado: com o conflito no Oriente Médio dando sinais de arrefecimento, um dos principais vetores de pressão inflacionária pode perder força nas próximas reuniões. Segundo Flores, o arrefecimento do conflito pode remover esse vetor de pressão já na próxima reunião do Fed, prevista para daqui a cerca de um mês e meio. “Isso pode tirar pressão inflacionária e gerar alguma surpresa à frente”, afirma.

Para os mercados emergentes, incluindo o Brasil, o recado segue desafiador: juros elevados nos Estados Unidos tendem a reduzir o fluxo de capital e pressionar ativos locais, além de reforçar a valorização do dólar.

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Quase metade das autoridades monetárias do Fed prevê aumento de juros em 2026


17 Jun (Reuters) – Quase metade dos formuladores de política monetária do Federal Reserve perdeu a confiança de que simplesmente manter os custos dos empréstimos estáveis será suficiente para reduzir a inflação de volta à meta de 2%, diante do aumento do preço do petróleo após a guerra no Irã.

Nove dos 19 membros do comitê de política monetária do banco central dos EUA acreditam agora que será necessário aumentar a taxa básica de juros do Fed ainda este ano, de acordo com projeções publicadas nesta quarta-feira, quando o Fed anunciou sua decisão de manter a taxa básica na faixa atual de 3,50% a 3,75%. Nenhum deles compartilhava dessa opinião há apenas três meses, quando o Fed publicou suas últimas projeções.

Seis desses nove, ou quase um terço do comitê, acreditam que será necessário mais de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa este ano, mostram as projeções.

Oito acreditam que as taxas devem permanecer inalteradas, e apenas um considerou que um único corte nas taxas seria adequado. Um membro do comitê, cujo nome não foi divulgado, não apresentou sua visão sobre a trajetória dos juros.

Essas visões, refletidas no chamado “gráfico de pontos” do Fed — que representa as visões individuais dos formuladores de política monetária sobre a trajetória das taxas de juros –, ilustram a rapidez com que o debate dentro do banco central mudou de um foco no tempo em que os juros deveriam ser mantidos estáveis antes de serem reduzidos para uma preocupação crescente — e, para alguns, uma convicção — de que o Fed precisará aumentar as taxas para impedir que as pressões dos preços mais altos dos combustíveis se espalhem mais amplamente para a inflação subjacente.

Isso também representa um desafio para o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que foi escolhido para o cargo pelo presidente Donald Trump com a expectativa de que reduzisse as taxas de juros, uma opção que se torna menos viável à medida que o amplo apoio a tal medida vai diminuindo.

Os preços globais do petróleo caíram drasticamente desde a semana passada, quando o Irã e os EUA anunciaram um acordo para pôr fim ao conflito e restabelecer o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Mas não está claro com que rapidez o transporte marítimo e as exportações poderão se recuperar após a assinatura do acordo, especialmente considerando os danos que as instalações de energia sofreram durante os três meses de guerra.

Os formuladores de política monetária do Fed normalmente têm a opção de revisar suas projeções do “dot plot” até pouco antes da publicação; portanto, as perspectivas devem refletir os desdobramentos mais recentes no Oriente Médio.

A inflação vem se mantendo acima da meta de 2% do Fed há mais de cinco anos.

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As projeções publicadas na quarta-feira mostram que os membros do comitê se tornaram mais pessimistas em relação à inflação desde março, refletindo o forte aumento da inflação desde o início da guerra.

A inflação medida pelo índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE) é agora estimada em 3,6% até o final do ano, com base na mediana das previsões dos formuladores de política monetária. Em março, eles esperavam uma inflação do PCE de 2,7% no final do ano.

A inflação do PCE básico, que exclui os preços voláteis do petróleo e dos alimentos, deve atingir 3,3%, em comparação com os 2,7% previstos anteriormente.

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A taxa de desemprego está agora projetada em 4,3% até o final do ano, igualando o valor real registrado em maio e inferior aos 4,4% que os formuladores de política monetária esperavam em março. A previsão sugere uma confiança crescente de que o mercado de trabalho não está enfraquecendo nem precisa de apoio por meio de cortes nas taxas de juros, como alguns formuladores de política temiam no início deste ano.

O crescimento do PIB está estimado em 2,2% este ano, um resultado pior do que os 2,4% previstos em março.



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Penitenciária de Paranaíba amplia segurança com instalação de alambrados e telas de proteção nos pavilhões


A Penitenciária de Paranaíba concluiu a instalação de alambrados no perímetro externo da unidade e iniciou a implantação de telamento sobre os pavilhões, ampliando as medidas de segurança e prevenção adotadas pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).

As intervenções têm como objetivo criar uma barreira de proteção próxima à muralha da unidade, dificultando o arremesso de materiais ilícitos por terceiros a partir da área externa, além de reduzir as possibilidades de utilização de drones para o transporte irregular de objetos ao interior dos pavilhões.

Com a instalação dos alambrados em todo o entorno do prédio da penitenciária e o início da implantação das telas de proteção, a unidade passa a contar com uma estrutura adicional de controle e vigilância. A medida contribui para dificultar a entrada de drogas, aparelhos celulares e outros materiais proibidos que possam comprometer a segurança, a disciplina e a rotina operacional do estabelecimento penal.

Segundo a direção do presídio, a iniciativa integra um conjunto de ações voltadas ao aprimoramento da estrutura de segurança da unidade e ao fortalecimento do trabalho desenvolvido pelos policiais penais. “Essa é uma iniciativa que fortalece o controle interno da unidade e proporciona mais segurança tanto para os servidores quanto para a população carcerária, dificultando práticas ilícitas que possam comprometer a rotina operacional do estabelecimento penal”, destacou o diretor André França.

O uso de drones para o envio de materiais proibidos em estabelecimentos penais tem se tornado um desafio para os sistemas penitenciários em todo o país. Nesse cenário, a adoção de barreiras físicas, aliada às ações de vigilância, inteligência e monitoramento, representa uma importante ferramenta preventiva para coibir tentativas de acesso irregular ao interior das unidades.

A Agepen tem investido continuamente em melhorias estruturais e operacionais nas unidades penais de Mato Grosso do Sul, com foco no aprimoramento da segurança institucional, na valorização do trabalho dos policiais penais e na manutenção da ordem e da disciplina no sistema penitenciário estadual.

Tatyane Santinoni, Comunicação Agepen



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O que esperar da Era Warsh no Fed e o impacto nos juros e no Brasil


A decisão sobre os juros norte-americanos, que deve ser divulgada nesta quarta-feira (17), mobiliza a atenção do mercado global não apenas pelo patamar das taxas, mas pela estreia de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve (Fed). A expectativa é de uma mudança na condução da política monetária dos Estados Unidos: sai a dependência excessiva de dados passados, entra uma postura mais ortodoxa, atenta a sinais de mercado em tempo real e com maior rigor no controle inflacionário.

O grande desafio da “Era Warsh” será equilibrar a persistência da inflação americana com as pressões políticas da Casa Branca, além de navegar os impactos econômicos do superciclo da inteligência artificial.

Leia também: Acordo EUA-Irã e estreia de Kevin Warsh marcam decisão sobre juros americanos

Um perfil ortodoxo e rede de influência

Warsh não é um estranho ao poder. Ex-membro do conselho do Fed, ele construiu sua credibilidade em passagens pelo mercado financeiro, atuando como sócio e assessor da Duquesne Family Office, do investidor Stanley Druckenmiller, e na academia, como pesquisador do Hoover Institution (Universidade de Stanford).

Além de sua bagagem técnica, o novo chairman transita com fluidez pelo núcleo financeiro do Partido Republicano. Nomeado por Donald Trump e confirmado pelo Senado, Warsh é casado com a herdeira Jane Lauder, filha de Ronald Lauder, um bilionário megadoador de campanhas conservadoras e aliado de longa data do presidente, com quem estudou na Wharton School.

Apesar dessa teia de conexões que pavimentou sua indicação, o mercado projeta que a sua gestão será testada no momento em que a sua visão de um Banco Central austero colidir com o histórico de Trump de exigir publicamente cortes agressivos nas taxas de juros.

Inteligência artificial e juros: a tese de Warsh

Um ponto central para entender a nova presidência é a visão de Warsh sobre a tecnologia. Gestores como Shinichiro Fukui, da Stratton Capital, empresa americana com base em Nova York, apontam que o novo presidente do Fed observa o “superciclo de inteligência artificial” como um motor de ganho de produtividade, o que poderia justificar a política de redução de juros.

Na visão de Warsh, os bilhões investidos pelas empresas de tecnologia em data centers e infraestrutura tendem a reduzir o custo unitário do trabalho e gerar ganhos massivos de eficiência, explica Fukui. Esse cenário criaria uma desinflação estrutural na economia americana, o que, no longo prazo, permitiria um patamar de juros mais baixo — sem que o Fed precise sacrificar sua ortodoxia no curto prazo.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, as expectativas para a gestão de Warsh são de uma condução mais ortodoxa. “Embora não haja expectativa de mudanças abruptas na trajetória dos juros, investidores acreditam que sua gestão tenderia a ser menos tolerante com pressões inflacionárias persistentes e mais cautelosa na hora de iniciar ou acelerar cortes de juros”, avalia Lima. 

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Possível fim do “espelho retrovisor” e dot plot

A principal marca intelectual de Warsh, expressa em seus artigos nos últimos anos, é a dura crítica à forma como o Fed toma decisões e à expansão desenfreada de seu balanço patrimonial, diz Fukui.

Para ele, o órgão atualmente decide os juros olhando pelo “espelho retrovisor”, ou seja, ancorando-se excessivamente em modelos defasados e dados de inflação do passado. Em vez disso, ele defende a leitura de sinais de mercado em tempo real, monitorando ativos como commodities, ouro e as curvas de yields dos títulos do Tesouro.

Na prática, analistas esperam o possível fim do forward guidance (orientação futura) tradicional e do “Dot Plot”, o gráfico de pontos onde os diretores sinalizam suas previsões de juros a longo prazo. Warsh avalia que essas ferramentas engessam o Banco Central e geram ruídos desnecessários na comunicação.

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Leia também: Primeira coletiva de imprensa de Warsh no Fed pode revelar estratégia para inflação

Impacto no Brasil: dólar forte e pressão na Selic

Para o Brasil e outros mercados emergentes, essa mudança de estilo impõe desafios severos. Segundo Fábio Murad, sócio da Ipê Avaliações, e Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a menor tolerância de Warsh com pressões inflacionárias reforça a percepção de que os juros americanos permanecerão restritivos por mais tempo, sustentando a força do dólar globalmente.

O risco central, no entanto, é o aumento da volatilidade. Sem o “Dot Plot” para guiar as expectativas de forma suave, o mercado viverá de solavancos a cada novo dado econômico divulgado nos EUA. Essa imprevisibilidade importada exigirá que o Banco Central do Brasil (Copom) embuta um prêmio de risco maior na taxa Selic para blindar o real e evitar a fuga de capitais, limitando o espaço para afrouxamento monetário por aqui.

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Leia também: Dólar cai no ano e Super Quarta pode definir teste abaixo de R$ 5

O que esperar da decisão do Fed

Para a reunião inaugural de Warsh, relatórios do Bank of America (BofA) indicam a manutenção das taxas de juros, mas projetam alterações vitais no comunicado oficial.

O BofA espera a remoção completa da diretriz de afrouxamento monetário das orientações futuras, chancelando a nova postura cautelosa. Para os investidores locais, o cenário reforça a necessidade de diversificação global e exposição controlada a ativos dolarizados.

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Fazenda detalha conta e mantém custo de R$ 140 bi com renegociação do agro

O Ministério da Fazenda detalhou os cálculos que sustentam a estimativa de impacto fiscal do projeto de lei que cria um programa de renegociação de dívidas rurais (PL 5.122/2023). Em nota enviada à reportagem, a equipe econômica manteve o custo para a União, que pode chegar a R$ 139,8 bilhões ao longo dos 13 anos previstos para as operações, sendo R$ 22,4 bilhões já em 2027.

Mas, desta vez, os técnicos pontuaram que o valor real pode ser ainda maior devido a uma série de “pontos cegos” e passivos incluídos no texto aprovado pelo Senado.

Entre os argumentos estão: a fonte de recursos, cujo custo é a Taxa Selic, que embora não impacte o superávit primário, gera custo em juros para a União; juros da proposta mais spread de em média 4,0% ao ano; e a imprecisão no valor de determinadas dívidas.

Para calcular o impacto da medida, a equipe econômica considerou recursos livres das instituições financeiras e do Fundo Social, ambos remunerados com base na Selic e sujeitos à equalização de juros.

Os números foram apresentados após técnicos e parlamentares envolvidos na elaboração da proposta defenderem que o universo efetivamente elegível para renegociação ficaria próximo de R$ 100 bilhões e que o custo inicial da equalização de juros seria de cerca de R$ 5 bilhões.

O grupo também questionava o valor de R$ 140 bilhões de impacto aos cofres públicos calculados pela Fazenda, dizendo que, apesar de entender as premissas que chegaram a este cálculo, o número estaria superestimado. Para eles, o valor ao longo dos 13 anos para subsídio dos juros seria de R$ 65 bilhões.

Rebatendo o argumento dos técnicos do Congresso, a Fazenda pontua que a projeção também incorpora uma trajetória de queda da taxa básica de juros ao longo dos próximos anos, partindo de 13,5% em 2027 e chegando a 9% entre 2033 e 2039.

A taxa Selic estimada pela Fazenda é de:

  • 13,5% em 2027
  • 11,0% em 2028
  • 10,0% em 2029 e 2030
  • 9,5% em 2031 e 2032
  • 9,0% de 2033 a 2039.

As simulações também consideram juros de 3,5% ao ano para agricultores familiares, 5,5% para médios produtores e 7,5% — aprovados no projeto e diferentes dos números ofertados pela pasta, que variavam entre 6% e 12% — para os demais produtores e cooperativas, além de um spread de 4% ao ano para as instituições financeiras.

“Com base no volume de recursos para a nova linha de crédito de R$ 200 bilhões e as premissas acima, o custo total para a União, com impacto no superávit primário pela equalização de juros e pelos encargos, pode chegar a R$ 139,8 bilhões nos 13 anos, sendo R$ 22,4 bilhões em 2027”, diz a nota.

Segundo a nota da Fazenda, a principal divergência entre os dois grupos está no tamanho da carteira considerada passível de enquadramento e no custo da equalização dos financiamentos.

Enquanto os defensores do projeto trabalham com um potencial próximo de R$ 100 bilhões em operações elegíveis para renegociação, a Fazenda afirma ter considerado até R$ 200 bilhões em dívidas passíveis de enquadramento na nova linha de crédito.

Segundo a equipe econômica, esse valor foi definido a partir de um universo conhecido de R$ 247 bilhões em operações já identificadas no sistema financeiro.

Desse total, R$ 120 bilhões correspondem a operações de crédito rural consideradas estressadas, incluindo contratos inadimplentes e renegociados.

Outros R$ 47 bilhões estão relacionados à MP (Medida Provisória) 1314/2025 e mais R$ 80 bilhões referem-se a parcelas de financiamentos de investimento com vencimento entre julho de 2026 e dezembro de 2027.

Mesmo assim, a Fazenda afirma que parte relevante das operações potencialmente alcançadas pelo projeto sequer pôde ser mensurada.

Entre os passivos não contabilizados estão CPRs (Cédulas de Produto Rural), empréstimos utilizados para liquidar operações rurais anteriores, operações envolvendo cooperativas, fianças honradas com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e dos fundos constitucionais, além de descontos incluídos pelo Senado para contratos antigos do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) e do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte).

“Não foi possível levantar o valor das dívidas referentes a CPRs emitidas por produtores rurais em favor de instituições financeiras, cooperativas de produção, fornecedores de insumos ou compradores de produção”, informou o ministério.

Por esse motivo, a equipe econômica sustenta que o volume total de operações potencialmente enquadráveis pode superar R$ 300 bilhões.

“Apesar do valor total das dívidas enquadráveis poder superar R$ 300 bilhões, como nem todos os produtores rurais detentores dessas dívidas vão se enquadrar no critério de perdas acima de 30% da renda da atividade financiada em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, foi considerado até R$ 200 bilhões como dívidas passíveis de enquadramento na nova linha de crédito”, afirmou a pasta.

A divergência ajuda a explicar a distância entre os cálculos apresentados pelo governo e pelos formuladores da proposta.

O argumento dos defensores do projeto se baseia nos filtros incluídos durante as negociações com a própria equipe econômica que, segundo eles, reduzem significativamente o alcance do programa.

De acordo com os técnicos do Congresso, apenas uma parcela da carteira problemática conseguiria atender simultaneamente às exigências previstas no texto, como a comprovação de perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025 e redução mínima de 30% da renda esperada.

Outro ponto de discordância envolve o custo financeiro dos recursos utilizados para viabilizar a renegociação.

Os defensores da proposta argumentam que parte das operações poderá utilizar fontes que não exigem equalização direta do Tesouro Nacional, reduzindo o impacto fiscal do programa.

A Fazenda, por outro lado, afirma que mesmo recursos oriundos do Fundo Social possuem custo para a União.

“Recursos do FS (Fundo Social) têm custo da Taxa Selic, que embora não impacte o superávit primário, gera custo em juros para a União”, destacou o ministério.

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