Volume de fretes do setor cresceu 31,1% frente ao trimestre anterior.
O agronegócio respondeu por 47,3% dos fretes rodoviários publicados na plataforma Frete.com no terceiro trimestre de 2026. Apesar da retração de 27,1% em relação ao mesmo período de 2025, o setor apresentou recuperação de 31,1% na comparação com o segundo trimestre deste ano, impulsionado principalmente pelo transporte de milho e fertilizantes.
Os dados fazem parte do relatório Frete Insights, elaborado com base no Índice Frete.com de Preços (IFP), que acompanha os valores e o volume de fretes publicados na plataforma.
Entre julho e setembro, os fretes relacionados ao milho cresceram 165,3% em relação ao trimestre anterior, enquanto os de fertilizantes avançaram 108,2%. Em contrapartida, o volume de fretes de soja caiu 40% na mesma comparação, refletindo o encerramento da principal janela de escoamento da safra.
O movimento evidencia a influência da sazonalidade agrícola sobre a demanda por transporte rodoviário, com a movimentação de diferentes produtos alterando o ritmo das operações ao longo do ano.
Frete sobe 13% em um ano, mas recua no trimestre
O preço médio do frete rodoviário no Brasil chegou a R$ 0,396 por tonelada por quilômetro rodado no terceiro trimestre de 2026, alta de 13% em relação ao mesmo período de 2025, quando o indicador estava em R$ 0,350. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, porém, houve queda de 5,2%.
O volume total de fretes publicados na plataforma também apresentou movimentos distintos conforme o período analisado. O indicador recuou 18% na comparação anual, mas cresceu 19% em relação ao trimestre anterior.
Segundo o levantamento, o preço médio do diesel S-10 alcançou R$ 7,01 por litro no terceiro trimestre, ante R$ 6,09 no mesmo período do ano passado, aumento de 15,1%. A alta do combustível superou a variação anual do frete, pressionando as margens dos transportadores.
Na comparação trimestral, enquanto o diesel apresentou queda de 0,6%, o preço médio do frete recuou 5,2%, indicando redução da remuneração por transporte em um cenário de custos operacionais ainda elevados.
Graneleiros registram alta de 15,2%
Na análise por tipo de carroceria, todas as categorias apresentaram aumento de preços na comparação anual. Os veículos do tipo caçamba lideraram a alta, com avanço de 21,5% e preço médio de R$ 0,322 por tonelada por quilômetro.
Os graneleiros, relevantes para o transporte de produtos agrícolas, registraram valorização de 15,2%, alcançando R$ 0,349 por tonelada por quilômetro. Já as carrocerias utilizadas no transporte de produtos industrializados tiveram as maiores quedas na comparação trimestral: o baú recuou 7,3%, para R$ 0,612 por tonelada por quilômetro, e o sider caiu 7,6%, para R$ 0,512.
Sudeste concentra 43% dos fretes publicados
Regionalmente, todas as regiões brasileiras registraram queda no volume de fretes publicados em relação ao terceiro trimestre de 2025. A retração foi mais acentuada no Sul, com 36%, e no Norte, com 33%. Centro-Oeste e Nordeste apresentaram recuo de 19% cada.
O Sudeste teve a menor redução anual, de 4,4%, e ampliou sua participação no volume total monitorado, passando de 37% para 43%.
Na comparação com o segundo trimestre de 2026, o volume de fretes cresceu 28% no Sul e no Nordeste, 20% no Sudeste e 10% no Centro-Oeste. O Norte foi a única região a apresentar queda, de 13%.
São Paulo, Minas Gerais e Goiás concentraram, juntos, 51% dos fretes publicados na plataforma, com participações de 21,83%, 18,13% e 11,04%, respectivamente. Goiás ocupou a terceira posição, à frente do Paraná, enquanto Mato Grosso ficou em quinto lugar, com 7,94%.
Minas Gerais tem maior demanda por caminhões
O indicador de Carga por Caminhão apontou Minas Gerais como o estado com maior intensidade de demanda em relação à frota disponível no terceiro trimestre, com média de 5,58 solicitações por motorista. São Paulo registrou 5,06, seguido por Goiás, com 4,84.
Entre os corredores de carga, a rota entre Unaí e Araguari, em Minas Gerais, apresentou a maior densidade de demanda, com 9,16 solicitações por veículo.
O relatório destaca que as médias estaduais não representam necessariamente as condições de todas as rotas. Corredores com maior disponibilidade de caminhões podem apresentar tarifas em queda, mesmo em estados com demanda geral elevada.
Os resultados reforçam a importância da sazonalidade das safras, dos custos dos combustíveis e do equilíbrio entre oferta e demanda por veículos na formação dos preços do transporte rodoviário, especialmente para o escoamento da produção agropecuária brasileira.



