América Latina impulsiona resultado do segmento agro da Bayer no trimestre

O segmento agro da gigante alemã Bayer registrou vendas de 4,9 bilhões de euros no segundo trimestre de 2026, alta de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

O desempenho foi impulsionado pelo crescimento de 2,6% no volume comercializado e por um aumento de 0,9% nos preços, enquanto os efeitos de câmbio e de mudanças no portfólio limitaram a expansão.

Segundo a companhia, o crescimento foi puxado principalmente pelo desempenho dos herbicidas à base de glifosato, além dos negócios de sementes e biotecnologia para soja, sementes de algodão e inseticidas. Em contrapartida, as vendas de sementes e biotecnologia para milho apresentaram leve recuo após um primeiro trimestre mais forte.

Na América Latina, as vendas cresceram 6,4% no trimestre, totalizando 965 milhões de euros.

No acumulado de 2026, as vendas globais do segmento avançaram 0,8%, alcançando 12,4 bilhões de euros. De acordo com a Bayer, o resultado foi favorecido pelo crescimento do negócio de sementes e biotecnologia para soja, impulsionado pela resolução de um acordo de licenciamento com a Corteva e pelo retorno do registro da tecnologia dicamba, além do desempenho positivo em sementes e biotecnologia para milho. Em sentido contrário, os negócios de herbicidas e fungicidas registraram queda em meio à continuidade de um ambiente de mercado desafiador.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do segmento somou 861 milhões de euros no segundo trimestre. Um ano antes, a companhia registrou um resultado negativo de 564 milhões de euros. No acumulado do ano, o Ebitda alcançou 3,9 bilhões de euros, crescimento de 146,5%.

Por categoria

Entre os principais destaques por categoria, a Bayer informou que o negócio de sementes e biotecnologia para milho apresentou leve queda nas vendas, com o crescimento na Europa, Oriente Médio e África e na Ásia-Pacífico compensando apenas parcialmente os menores volumes na América do Norte, em razão da concentração de vendas no primeiro trimestre.

Nos herbicidas, os produtos à base de glifosato registraram crescimento de dois dígitos, impulsionados pelo aumento de volumes e de preços, especialmente na Europa, Oriente Médio e África. Já os herbicidas não à base de glifosato tiveram queda nas vendas, principalmente em função da redução de preços na América do Norte diante da pressão de produtos genéricos.

O negócio de fungicidas apresentou recuo moderado, atribuído às condições climáticas adversas e à concorrência de genéricos na Europa, Oriente Médio e África. Em contrapartida, houve crescimento expressivo de volumes na Ásia-Pacífico e na América do Norte.

As vendas de sementes e biotecnologia para soja avançaram de forma significativa, beneficiadas na América do Norte pela recuperação de preços após o retorno do registro da tecnologia dicamba nos Estados Unidos e pelo desempenho dos produtos. Na América Latina, o crescimento foi impulsionado pelo aumento dos volumes comercializados.

O negócio de inseticidas registrou crescimento apoiado principalmente pelo aumento de volumes e preços na Europa, Oriente Médio e África e na Ásia-Pacífico. Em sementes de hortaliças, as vendas recuaram devido aos menores volumes na América Latina, efeito parcialmente compensado pelo desempenho na Europa, Oriente Médio e África. Já o negócio de sementes de algodão cresceu em razão do aumento de volumes e preços na América do Norte, também relacionado ao retorno do registro da tecnologia dicamba. Na unidade de outros negócios, o destaque foi a canola, com aumento de vendas impulsionado por maiores volumes.

Destaques do trimestre

A Bayer destacou a parceria com a britânica BP para comercializar a oleaginosa camelina, destinada à produção de biocombustíveis. 

A empresa também assinou um acordo de licenciamento com a francesa RAGT, fornecedora de sementes de trigo na Europa. O acordo prevê acesso a germoplasma de trigo adaptado às condições europeias e integra a estratégia da Bayer de lançar sementes híbridas de trigo na Europa e na América do Norte no início da próxima década. A empresa estima que esse negócio poderá gerar receita anual de até 1 bilhão de euros em meados da década de 2040.

Na área jurídica, a Bayer destacou decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, proferida em junho, no caso Durnell envolvendo o herbicida Roundup, de glifosato. A decisão reconheceu que a legislação federal sobre pesticidas prevalece sobre ações estaduais baseadas em alegações de falha de advertência quando a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos já tiver se manifestado sobre a segurança do produto. Segundo a companhia, a decisão tende a reduzir o volume de ações relacionadas ao Roundup.

Em julho, a Bayer anunciou também a consolidação de seu negócio de glifosato nos Estados Unidos na empresa Ruveon. A nova estrutura será responsável pelas operações relacionadas ao produto no país, incluindo definição de preços, estratégias comerciais, produção e logística. 

Resultado do grupo

No consolidado, o grupo Bayer registrou prejuízo líquido de 439 milhões de euros no segundo trimestre, ante prejuízo de 506 milhões de euros no mesmo período de 2025. A receita de vendas alcançou 10,8 bilhões de euros, alta de 1,2% na comparação anual, enquanto o Ebitda cresceu 1,9%, para 2,1 bilhões de euros.

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