O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, foi aconselhado por quatro pessoas próximas a reconhecer o resultado do segundo turno e ligar para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo relatos feitos à CNN, essa sugestão partiu do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e da advogada Maria Claudia Bucchianeri.
Flávio, no entanto, resolveu dar preferência a outro grupo, considerado mais radical, que defendia contestar imediatamente o resultado e argumentar que a vitória de Lula não era legítima. No fim, ele próprio tomou sua decisão.
Toda a discussão se deu em uma casa no Lago Sul de Brasília, onde Flávio acompanhava a apuração das urnas, entre 21h08 (quando Lula tornou-se matematicamente reeleito) e 22h40 (horário de seu pronunciamento).
O “grupo dos quatro” — Tarcísio, Marinho, Tereza e Bucchianeri — sustentava que Flávio sairia maior de uma declaração reconhecendo a derrota e dando parabéns a Lula, mas ressalvando que a jornada de votação havia sido tumultuada e pediria esclarecimentos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Seria, de certa forma, algo semelhante ao processo vivido em 2014. Naquele ano, Aécio Neves (PSDB) ligou para Dilma Rousseff (PT) e cumprimentou a presidente reeleita por sua vitória, desejando sucesso no novo mandato. Posteriormente, pediu uma auditoria do resultado das urnas.
Na avaliação do quarteto, seria possível e legítimo mobilizar o aparato jurídico da campanha e do PL para mover ações no TSE questionando, por exemplo, o abuso de poder econômico do governo em medidas econômicas em benefício da candidatura de Lula e Geraldo Alckmin, pedindo até mesmo a cassação da chapa mais adiante.
Por isso, segundo fontes, houve a defesa de um reconhecimento com ressalvas, mas suficiente para tirar qualquer rótulo de não aceitar o resultado das urnas.



