O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende abrir espaço para indicações dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na composição ministerial de seu quarto mandato.
A intenção é conversar diretamente com os dois dirigentes sobre a participação de eventuais indicados ao governo, fora da cota proposta ao Republicanos, de Motta, e União Brasil, de Alcolumbre.
Lula já convidou Motta e Alcolumbre para acompanhá-lo na viagem à Turquia e às Filipinas, na próxima semana, mas ainda aguarda confirmação.
A negociação ocorre em paralelo às conversas conduzidas pelo presidente do PT, Edinho Silva, com dirigentes partidários.
Como mostrou a CNN, Lula pretende exigir compromissos de apoio parlamentar em troca de espaços na Esplanada, evitando repetir o modelo de 2023, quando indicações negociadas no Congresso nem sempre refletiam votos ao governo.
A mudança na estratégia de Lula ocorre após derrotas no Congresso mesmo com a participação de partidos do centro no governo.
Em junho de 2025, a Câmara derrubou o aumento do IOF por 383 votos a 98, com apoio expressivo de União Brasil, PP, Republicanos, MDB e PSD.
Em outubro, esses partidos voltaram a contrariar o Planalto na votação que inviabilizou uma medida provisória de arrecadação.
No terceiro mandato, Alcolumbre manteve influência sobre indicações ligadas ao União Brasil, partido que ocupou os ministérios da Integração e Desenvolvimento Regional, Comunicações e Turismo, que depois foi destinado ao Republicanos, com um nome ligado a Hugo Motta. O Republicanos já ocupava o ministério de Portos e Aeroportos, comandado por Silvio Costa Filho.
O desenho do novo governo ainda dependerá dos acordos com os partidos e da definição das prioridades do próximo mandato.
Além da reforma ministerial, Lula negocia com Alcolumbre a indicação ao Supremo Tribunal Federal. O presidente também terá de contar com a Câmara e o Senado para aprovar o Orçamento de 2027 e avançar com a agenda legislativa do novo governo.



