A decisão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de fugir do país com sua família para não responder no Brasil a uma investigação recém-aberta por suspeita de lavagem de dinheiro com bets representou também um drible no inquérito em que o senador é investigado no caso do Banco Master.
A investigação que mira o senador e o amigo e advogado Willer Tomaz não é a única contra Flávio no STF (Supremo Tribunal Federal), mas é a mais recente contra ele. O inquérito foi aberto há menos de duas semanas por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Em julho, o ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro (PL) ao STF, determinou a abertura de um inquérito contra o senador por suspeita de irregularidades no financiamento de Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente.
O senador é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos. O inquérito conta com a colaboração de um delator, o empresário Antonio Carlos Freixo Jr., o Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações, que detalha pagamentos ao fundo Havengate nos Estados Unidos, usado para financiar o filme.
Flávio Bolsonaro perdeu as eleições no domingo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deu início à execução de um plano de fuga que, de acordo com investigadores da Polícia Federal, vinha sendo planejado ao longo das últimas semanas.
A PF acionou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, apontando a possibilidade de risco de fuga do senador. Os investigadores mencionaram a viagem de Willer Tomaz, investigado com o senador, para os Estados Unidos e uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O irmão de Flávio, que vive nos EUA desde o ano passado e perdeu o mandato por determinação da Câmara dos Deputados, disse na sexta-feira (23) que apoiava que o senador saísse do Brasil se perdesse as eleições. Flávio, por sua vez, declarou que não o faria.
Em resposta à PF, Moraes determinou a entrega e cancelamento dos passaportes brasileiros, diplomáticos e de outras nacionalidades e a proibição do senador de deixar o país. Flávio não entregou os passaportes e a PF cancelou os documentos do senador.
Na manhã desta quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro, sua esposa e as duas filhas pousaram em Miami. Na operação para fugir do Brasil, a família passou pela fronteira com Argentina em Foz de Iguaçu às 22h50 de terça-feira (27). Quarenta minutos depois, embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador, onde parou no início da manhã para abastecer. Minutos depois, decolou em direção à Flórida.



