O dólar terminou a última sessão da semana com leve oscilação positiva, perto da estabilidade, nesta sexta-feira (16/1), em um dia no qual os investidores repercutiram a chamada “prévia” do PIB no Brasil e declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos).
Dólar
- A moeda norte-americana fechou a sessão em alta de 0,08%, cotada a R$ 5,373.
- Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,395. A mínima foi de R$ 5,365.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,62%, cotado a R$ 5,368.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 2,12% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), fechou em queda no pregão.
- Ao final da sessão, o indicador registrou perdas de 0,46%, aos 164,7 mil pontos.
- No dia anterior, o Ibovespa fechou o pregão com ganhos de 0,26%, aos 165.568,32 pontos, nova máxima histórica de fechamento.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,32% no ano.
“Prévia” do PIB surpreende e diminui aposta em corte de juros
O principal destaque da agenda econômica doméstica, nesta sexta, foi a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O indicador mostrou que a economia brasileira avançou 0,7% em novembro, na comparação com o mês anterior. Em outubro, na comparação com setembro, houve retração de 0,2%. No trimestre, houve alta de 0,2%.
Para chegar ao resultado, o Banco Central (BC) fez um ajuste sazonal (cálculo que remove as flutuações sazonais de uma série temporal para comparar períodos diferentes). No mês, o IBC-Br por setores produtivos teve crescimento de 0,8% na indústria, e serviços avançaram 0,6%. Já a agropecuária encolheu 0,3%.
Em relação a novembro do ano passado, o IBC-Br teve alta de 1,2%. Em 12 meses, o indicador do BC apresentou aumento de 2,4%. No ano, a chamada “prévia do PIB” registrou expansão de 2,4%. Todas essas variações foram calculadas sem ajustes sazonais.
O resultado surpreendeu o mercado e veio acima da média das projeções dos analistas, que esperavam uma alta de 0,3% do IBC-Br em novembro. Com a atividade econômica resiliente, aumentou a percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC adie o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros (a Selic), atualmente em 15% ao ano.
O indicador é considerado uma “prévia” do Produto Interno Bruto. O IBC-Br incorpora estimativas de crescimento para os setores agropecuário, industrial e de serviços. O cálculo é feito com ajuste sazonal, o que permite comparar períodos diferentes.
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país, a Selic. O PIB, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país.
Economistas vem alertando para a desaceleração da economia brasileira neste ano devido aos juros altos e ao atual patamar da inflação. Os analistas do mercado financeiro ouvidos semanalmente pelo BC, no Relatório Focus, projetam que o PIB crescerá 1,8% em 2026. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) espera um crescimento do PIB na casa dos 1,6% em 2026, mesmo patamar previsto pelo BC.
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulga a estatística oficial do PIB, publicou no último dia 4 de dezembro que o PIB do terceiro trimestre, encerrado em setembro, foi de 0,1%. O resultado representa uma desaceleração em relação ao trimestre anterior (abril, maio e junho), quando o índice ficou em 0,4%.
O PIB de 2025 será conhecido apenas quando for fechado o resultado do quatro trimestre do ano passado (outubro, novembro e dezembro).
Juros nos EUA também seguem no radar
No front externo, os investidores acompanharam declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), em busca de possíveis “pistas” para a trajetória da taxa básica de juros na maior economia do mundo.
Nesta sexta, a diretora do Fed Michelle Bowman fez um discurso sobre política monetária. Também falou o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, a respeito das perspectivas econômicas dos EUA.
Em publicação nas redes sociais, a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, afirmou que a autoridade monetária precisa “olhar além dos dados” para calibrar a taxa de juros em suas futuras decisões.
“Tudo somado, seremos capazes de responder a mudanças em perspectivas econômicas e dependentes de projeções para garantir uma política monetária apropriada no futuro”, escreveu Daly no X (antigo Twitter).
Segundo a dirigente do Fed, os indicadores econômicos são “essenciais”, mas “são as pessoas que nos dizem o que estão planejando e como isso moldará nosso futuro”.
Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.
A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
Análise
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar permaneceu estável em relação ao real “em mais um dia de pressão na curva de juros norte-americana, em um contexto de reprecificação das expectativas para a política monetária dos EUA”.
“O pano de fundo foi reforçado pela disputa pela presidência do Fed: Kevin Warsh aparece com cerca de 60% de probabilidade de indicação, enquanto Kevin Hassett recuou para cerca de 15%, após já ter figurado próximo de 85%”, observa Shahini.
“A leitura de um Fed potencialmente mais independente de pressões políticas sustentou deu suporte ao dólar globalmente, com o DXY avançando na semana. No cenário externo, porém, o avanço da moeda foi parcialmente limitado pelo alívio geopolítico nas tensões entre EUA e Irã”, explica. “Localmente, o movimento do dólar no pregão de hoje é contido dado o ainda elevado diferencial de juros entre Brasil e EUA, assim como o fato de, na semana, o Ibovespa ter quebrado seu recorde de fechamento, o que deu fôlego adicional aos ativos brasileiros.”
Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado do IBC-Br, em conjunto com o dado de inflação divulgado na semana passada, “praticamente elimina a possibilidade de um corte da Selic em janeiro”. “Ainda assim, acreditamos que as condições para o início da flexibilização da política monetária estão dadas, o que deve ocorrer a partir da reunião de março”, afirma.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, avalia que “o forte desempenho apresentado pelo IBC-Br se mostra suficiente para evitar uma possível estagnação do PIB no último trimestre do ano, possibilidade aventada quando da divulgação da última leitura do indicador”.
“Quando somado aos dados sólidos do mercado de trabalho, a sinalização positiva advinda do nível de atividade sugere a possibilidade de manutenção do hiato do produto no campo positivo por tempo adicional, criando um ambiente propício para o início do ciclo de queda dos juros apenas em março, além de reduzir a importância relativa do debate sobre o início deste processo e sinalizar maior importância sobre a discussão de sua magnitude”, completa Pizzani.