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PEC do fim da escala 6×1 é debatida no plenário da Câmara


O plenário da Câmara dos Deputados analisa, na noite desta quarta-feira (27/5), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 — em que o trabalhador folga apenas uma vez na semana. A expectativa é de que a proposta seja votada ainda nesta noite.

Para ser aprovada, a PEC precisa do apoio de três quintos dos deputados no plenário — ou seja, 308 votos. A proposta precisa passar ainda por dois turnos de votação. As duas votações devem ocorrer ainda nesta quarta-feira.

Mais cedo, a proposta foi aprovada na comissão especial por 34 votos a favor e quatro contrários.

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A proposta reduz o atual teto constitucional de jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e institui dois dias de folga, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Ao todo, serão 14 meses de transição: duas horas serão adotadas 60 dias após a promulgação e as outras duas um ano depois.

Destaques retirados

Ao todo, foram apresentados sete destaques (pedidos de análise em separado de trechos específicos do relatório de Leo Prates). Porém, seis foram retirados pelos autores após negociação. Está em análise um destaque do Partido Liberal, sobre a transição de 60 dias. O líder, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse “não deixar o povo ser enganado. Queremos transição imediata”.

Na terça-feira, Sóstenes havia dito que a bancada passará a defender a escala 4×3. A cúpula da Câmara pretendia aprovar o texto do deputado baiano sem alteração na comissão, a fim de evitar ruídos.

Trata-se de uma proposta prioritária para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na véspera do período eleitoral. A discussão foi travada e atrasada em uma semana por falta de acordo sobre a transição. O acordo foi costurado no início da semana por Motta e Lula.

Entre os pontos acordados pelos dois, estão a transição total de 14 meses e exceções, como a quem ganha mais de R$ 22 mil. Esse grupo não vai se sujeitar às regras de escala e jornada, desde que não supere o teto de 40 horas. Isso não se aplica a funcionários públicos e funcionários de estatais. Lula e Motta também acordaram medidas de apoio para os Microempreendedores Individuais (MEIs).



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o que deve mudar para empregadores e trabalhadores domésticos


A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a adoção de dois dias de descanso semanal pode mudar a rotina de mais de 1,3 milhão de trabalhadores domésticos com carteira assinada no país.

Embora a proposta ainda esteja em discussão no Congresso Nacional, especialistas avaliam que a medida — como está prevista no texto já apresentado na Câmara dos Deputados e que entrou em votação nesta quarta-feira na Comissão Especial da Casa que trata do fim da escala 6×1 — exigirá reorganização da jornada, revisão contratual e adaptações operacionais por parte dos empregadores.

Hoje, segundo a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), o Brasil tem mais de oito milhões de trabalhadores domésticos, considerando funções como cuidadores, babás, faxineiros, cozinheiros, arrumadeiras, governantas, motoristas e jardineiros. Desse total, apenas cerca de 1,3 milhão estão formalizados no eSocial, o que representa menos de 20% da categoria.

A maior parte dos vínculos formais é de trabalhadores que cumprem jornadas iguais ou superiores a 40 horas semanais, muitas vezes distribuídas em seis dias. Na prática, a mudança significaria a substituição da jornada tradicional de segunda-feira a sábado pelo modelo 5×2, com dois dias de descanso semanal, um deles preferencialmente no domingo, sem redução salarial.

Empregadores terão de reorganizar rotina e custos

Mario Avelino, presidente do Instituto Doméstica Legal, afirma que o impacto será maior para contratos que ainda operam no modelo de trabalho de segunda-feira a sábado. Segundo ele, empregadores terão basicamente duas alternativas: redistribuir a carga horária em cinco dias, ampliando a jornada diária, ou manter a jornada atual e arcar com horas extras para compensar o sexto dia.

— O maior impacto será para os empregadores que ainda utilizam o sábado como dia regular de trabalho. Eles precisarão reorganizar a jornada semanal ou absorver um aumento de custo — diz.

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A principal mudança financeira está justamente no cálculo das horas extras. Hoje, para quem trabalha 44 horas semanais, a hora extra começa a ser contabilizada a partir da 45ª hora. Com a redução para 40 horas, o adicional passaria a incidir a partir da 41ª hora.

Além da redução da jornada, haveria alteração no divisor usado para calcular o valor da hora trabalhada. Segundo Rafael Galle, advogado especialista em Direito do Trabalho e sócio-fundador do GMP G&C Advogados Associados, a mudança elevaria automaticamente o custo da hora normal e, consequentemente, da hora extra.

— Reduzir a jornada de 44 para 40 horas significa alterar o divisor matemático utilizado para encontrar o valor do salário-hora, que passará de 220 para 200. Como consequência direta, qualquer hora extra prestada custará mais ao empregador doméstico — afirma.

Na prática, isso significa que o salário mensal permaneceria o mesmo, mas seria dividido por menos horas, elevando o valor unitário da hora trabalhada.

Plataforma eSocial também exigirá adaptações

Uma das principais dúvidas envolve como a mudança seria operacionalizada no eSocial, plataforma que centraliza o registro de vínculos, jornada, remuneração, recolhimento previdenciário e encargos trabalhistas da categoria.

Como a maior parte dos contratos formais hoje está cadastrada com jornada de 44 horas semanais, a eventual aprovação da PEC exigiria uma ampla atualização cadastral. Isso significaria rever, contrato por contrato, a carga horária informada, a distribuição diária das horas e a configuração dos descansos semanais remunerados.

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Segundo Rafael Galle, não seria prudente presumir uma atualização automática da plataforma.

— O empregador precisará alterar manualmente a jornada e a distribuição das horas no cadastro do vínculo, além de redefinir os dias específicos de descanso remunerado. Não é prudente esperar uma migração automática — afirma.

Na prática, isso exigiria do empregador acessar o sistema para atualizar o cadastro funcional, ajustar a nova escala semanal e formalizar um aditivo contratual refletindo a redução da jornada sem alteração do salário nominal.

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Mario Avelino também afirma que a mudança exigirá atenção redobrada das famílias para evitar inconsistências no sistema. Segundo ele, erros na parametrização podem gerar recolhimentos incorretos, passivos trabalhistas e divergências no histórico funcional da empregada.

A Fenatrad, por sua vez, avalia que o sistema precisará acompanhar a mudança legal para garantir segurança jurídica e transparência. A entidade sustenta que a adaptação tecnológica não pode servir como justificativa para retardar a implementação de direitos.

Os próprios dados do eSocial ajudam a dimensionar o desafio. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 818.347 vínculos formais estão registrados exatamente em 44 horas semanais (dado de dezembro de 2025). Ou seja, uma mudança no teto legal exigiria readequação imediata de quase dois terços de todos os contratos domésticos formais existentes hoje no país.

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A Fenatrad defende que, se aprovada, a mudança deve alcançar automaticamente as domésticas com carteira assinada, sem necessidade de regras específicas para a categoria.

“Não há necessidade de regulamentação específica para o setor, pois a categoria busca os mesmos direitos dos demais trabalhadores, sem prejuízo salarial”, afirmou a entidade.

Ainda segundo a instituição, uma das principais preocupações levantadas pela categoria diz respeito à fiscalização. Como o ambiente de trabalho é muita das vezes a residência do empregador, o cumprimento efetivo da jornada legal sempre enfrentou obstáculos.

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“Existe uma preocupação latente sobre como garantir que esses direitos sejam respeitados dentro do ambiente doméstico, que é um espaço privado”, destacou a federação.

Por fim, a entidade defende a criação de mecanismos específicos de proteção e fiscalização, além do fortalecimento da negociação coletiva no setor.

Aplicação automática divide especialistas

Apesar de parte das entidades defender aplicação automática ao trabalho doméstico, há divergências jurídicas sobre a necessidade de regulamentação complementar.

Para a Fenatrad, a mudança deve alcançar imediatamente a categoria, sem necessidade de legislação específica. Já Rafael Galle pondera que o trabalho doméstico tem regras próprias previstas na Lei Complementar 150, o que exigiria adequações formais.

— A pacificação da rotina dependerá inexoravelmente de ajustes contratuais. O empregador não pode presumir os novos dias de descanso sem a devida formalização documental — afirma ele.

Isso incluiria a celebração de aditivos contratuais para adequar a nova jornada e preservar o salário nominal já pactuado.

Debate sobre informalidade

Para Avelino, o encarecimento do custo da mão de obra pode levar algumas famílias a reduzir jornadas, substituir mensalistas por diaristas ou até migrar para a informalidade.

— O aumento do custo da hora trabalhada pode fazer com que parte dos empregadores domésticos opte por reduzir jornadas, substituir contratos mensais por diaristas ou, em alguns casos, até migrar para relações informais — disse.

Já a Fenatrad sustenta que a formalização depende mais de fiscalização e conscientização do que da carga horária. A entidade afirma que tem recebido consultas frequentes de trabalhadoras interessadas em entender os efeitos da proposta, especialmente sobre mecanismos de fiscalização dentro das residências.

“Existe preocupação sobre como garantir que esses direitos sejam respeitados dentro do ambiente doméstico, que é um espaço privado”, afirmou a federação.

Trabalhadoras veem avanço em qualidade de vida

Para a Fenatrad, a medida é um passo importante na equiparação de direitos de uma categoria historicamente submetida a condições mais precárias de trabalho e fiscalização limitada.

A federação afirma que os trabalhadores domésticos são uma das categorias mais impactadas pela escala 6×1, justamente porque muitas acumulam longas jornadas no emprego com a responsabilidade pelos cuidados em suas próprias casas.

“A diminuição da jornada proporcionará uma melhor qualidade de vida, com mais tempo para descanso, lazer, cuidado com a saúde física e mental e dedicação à família”, afirmou.

A entidade também destaca que a mudança teria impacto significativo sobre trabalhadores submetidos a jornadas estendidas, inclusive aqueles que atuam como cuidadores em escalas prolongadas. Nesses casos, mesmo nos períodos formalmente destinados ao descanso, o profissional frequentemente permanece em estado de alerta para atender às necessidades da pessoa assistida.

Para a federação, a adoção de dois dias consecutivos de descanso seria fundamental para garantir recuperação e reduzir o desgaste físico e mental, algo especialmente importante em uma atividade marcada por esforço contínuo, deslocamentos e acúmulo de funções.



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Copa 2026 deve impulsionar demanda por proteínas em 10% no Brasil

A Copa do Mundo de 2026 deve impulsionar de forma significativa a demanda por proteínas no Brasil, conforme o levantamento divulgado pela Scanntech. A expectativa aponta que o fluxo médio deve ter um incremento acima de 10% na demanda por carnes durante os dias de jogos da seleção brasileira.

De acordo com Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS (Associação Paulista de Supermercados), o período da Copa representa um dos momentos mais estratégicos para o varejo alimentar no país. “Os grandes eventos esportivos influenciam diretamente o comportamento de compra do consumidor brasileiro. Existe um aumento muito forte nas confraternizações e isso se traduz em maior demanda por proteínas, principalmente carne bovina, além de itens ligados ao churrasco e alimentos práticos para consumo em grupo”, afirma.

Queiroz destaca ainda que o setor supermercadista já trabalha antecipadamente para evitar rupturas de estoque durante a competição. “A preparação do varejo envolve reforço operacional, aumento de estoque e negociações antecipadas com a indústria justamente porque existe expectativa de crescimento importante nas vendas durante a Copa do Mundo”, completa.

Só para se ter uma ideia, o estudo da Scanntech na Copa do Mundo de 2022 o aumento no fluxo de consumidores chegou a 8,3% acima da linha de base no chamado D-1, o dia anterior aos jogos. Em cenários de forte apelo cultural, como sextas-feiras antes de partidas aos sábados, o crescimento atingiu 18,8%.

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Instituições criticam avanço da PEC de fim da escala 6×1 na Câmara


A comissão especial da Casa Baixa aprovou nesta quarta-feira (27) a proposta de redução da jornada de trabalho

LEANDRO CHEMALLE/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDOManifestação pelo fim da escala de trabalho 6X1 na Avenida Paulista
Manifestação pelo fim da escala de trabalho 6X1 na Avenida Paulista, região central de São Paulo

A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de fim da escala 6×1. Depois da decisão do colegiado, diversas instituições se manifestaram contrárias ao avanço do projeto.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse considerar “inadequado e inoportuno” a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e aumento da folga semanal para dois dias. A instituição defendeu análise do tema “com equilíbrio, responsabilidade e base técnica, considerando os efeitos sobre trabalhadores, empresas, consumidores e economia brasileira”.

“Uma eventual redução da jornada de trabalho por imposição legal, sem transição adequada e sem ganho equivalente de produtividade, tende a elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços”, declarou a CNI.

A confederação ainda apresentou dados de um estudo próprio. Segundo a projeção, a redução da jornada de trabalho, conforme estipula a PEC, gerará impactos de 6% a 9% em diferentes segmentos da economia, “com reflexos sobre alimentos, serviços e vestuário”.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) afirmou que a “adoção de um limite uniforme de 40 horas pode gerar impactos negativos no emprego, nos pequenos negócios e na capacidade produtiva de setores intensivos em mão de obra”. Para a instituição, a jornada atual de 44 horas é resultado de “um equilíbrio” entre “proteção ao trabalhador e preservação da competitividade econômica”.

Segundo a CNC, o “perfil predominante das empresas” é de micro e de pequeno porte. Assim, na avaliação da confederação, a redução da jornada de trabalho “tende a pressionar margens, reduzir investimentos e afetar a geração e a manutenção de empregos formais“.

A CNC também alertou para “possíveis efeitos concorrenciais indesejados”. “O comércio presencial, já pressionado pela expansão do e-commerce e das plataformas digitais, pode perder ainda mais competitividade caso tenha sua estrutura de custos elevada, acelerando a migração de vendas para modelos digitais e automatizados”, declarou a instituição.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) afirmou que o texto ainda precisa “passar por ajustes estruturais” para contemplar a “livre iniciativa” e o “espaço da negociação coletiva”. Para a federação, a atual proposta “reduz a capacidade de adaptação das empresas às necessidades específicas de cada setor e restringe a liberdade de organização das atividades produtivas“.

Segundo a instituição, a “imposição de novas regras” tende a “gerar insegurança jurídica, conflitos e incertezas interpretativas, além de aumentar a judicialização trabalhista e dificultar a operação das empresas”. A instituição alertou que a redução da jornada de trabalho, sem “ganhos de produtividade”, “tende a elevar estruturalmente o custo do trabalho”.

“Setores como comércio, serviços, turismo, alimentação, logística e saúde, que dependem de escalas flexíveis e de funcionamento contínuo, poderão enfrentar impactos relevantes sobre os custos, organização operacional e manutenção de empregos, sobretudo nas micro e pequenas empresas”, afirmou a FecomercioSP.

A federação disse que o aumento dos custos “tende a ser repassado para toda a sociedade por meio da elevação dos preços”. A instituição defendeu mudanças estruturais da jornada de trabalho “de forma gradual, sustentável e prioritariamente negociada entre empregadores e trabalhadores”.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) disse que a “tramitação da proposta” se deu “sem aprofundamento técnico adequado, diálogo efetivo com o setor produtivo e sob forte influência do ambiente eleitoral”. A instituição defendeu a discussão no Senado depois do pleito para garantir um ambiente “equilibrado e livre de pressões políticas”.

“Mudanças estruturais com potencial de impactar milhões de empregos e toda a economia brasileira não podem ser conduzidas em ritmo acelerado”, argumentou a Fiemg.

A federação relatou também que o período de transição proposto de 14 meses “não é suficiente para que empresas de diferentes portes e setores consigam se adaptar de forma segura e sustentável”. A instituição afirmou que o prazo de 60 dias para a mudança da escala de trabalho é “insuficiente para a adaptação operacional das empresas”.

A Fiemg disse que, segundo estudo próprio, a PEC deve gerar impacto de até 16% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e tem “potencial” para provocar “a perda de cerca de 18 milhões de postos de trabalho no país, além de aumentar o custo de vida e reduzir o poder de compra da população”.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirmou que a proposta “impõe exigências absolutamente inviáveis para empresas privadas” por “estabelecer regras e prazos distintos para a adaptação à nova jornada de trabalho”. A instituição também destacou a “disparidade inédita entre contratos públicos e privados”.

“Como uma empresa vai operar com equipes submetidas a regras diferentes dentro do mesmo quadro de funcionários? Teremos trabalhadores sob regimes distintos, dependendo do cliente para o qual trabalham? Isso é impraticável”, questionou o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.

A associação estima ainda que a medida gerará impacto em cerca de 20% na folha de pagamento das empresas e apontou haver “impossibilidade material de atender à exigência”, porque os processos de contratação levam meses e há setores com escassez de mão de obra.

“Se as empresas não conseguirem contratar, o serviço para. Se conseguirem, o custo sobe e acaba sendo repassado. Em todos os cenários, a sociedade paga a conta”, afirmou Solmucci.

Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) e a União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) afirmaram ser “legítimo” o debate sobre “qualidade de vida, bem-estar e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal” e “merece atenção da sociedade”. Entretanto, as instituições ponderaram que a mudança estrutural exige “avaliação técnica aprofundada, diálogo amplo com os setores produtivos e análise responsável de seus impactos sobre o emprego formal, a produtividade, os custos operacionais e a competitividade da economia brasileira”.

A Abab e a Unecs destacaram que diversos setores “dependem de escalas flexíveis” para a “continuidade das operações” e “atendimento permanente à população”. As instituições ainda afirmaram que o avanço da discussão do tema deveria ser fundamentado na preservação do emprego formal, no aumento da produtividade, no respeito às diferenças entre segmentos econômicos e no fortalecimento dos mecanismos de negociação coletiva.





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Produção industrial avança 0,9% e cresce em 11 dos 15 locais pesquisados em fevereiro


Na passagem de janeiro para fevereiro, a produção industrial brasileira cresceu 0,9%, na série livre de influências sazonais,…



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Açúcar recua em Nova York com expectativa de maior oferta no Brasil

Os vencimentos futuros do açúcar encerraram a sessão desta quarta-feira (27) com desvalorização na bolsa de Nova York.

O movimento de queda ganhou força após a Unica (significa União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) elevar a produção no Brasil.

O contrato para entrega em julho registrou queda de 2,75% e fechou cotado em US$ 14,14 por libra-peso. De acordo com o Barchart, os valores atingiram a mínima de um mês nesta sessão.

A Unica reportou que a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil deve ter um avanço na safra 2026/27 de de 55,3% frente ao ano anterior. A estimativa agora é que fique em 2,475 milhões de toneladas.

“A safra deve ser impulsionada por maiores rendimentos, com sacarose por tonelada de cana em 112,58 kg, um aumento de 5,4% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Outro fator que contribuiu para a pressão negativa no mercado foi a queda o petróleo bruto, que atingiu as mínimas de cinco semanas.

Segundo o Barchart, os preços fracos do petróleo bruto pressionam os preços do etanol e podem levar as usinas de açúcar globais a direcionar mais cana-de-açúcar para a produção de açúcar em vez de etanol, aumentando assim a oferta de açúcar.

Café

A desvalorização da moeda brasileira pressionou as cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York.

Nesta sessão, o contrato de julho encerrou o dia com queda de 1,51% e fechou cotado em US$ 2.698 por libra-peso.

De acordo com o Barchart, as negociações recuaram para as mínimas de uma semana e meia. “Esse cenário contribui para as vendas nas exportações do produto brasileiro, já que deixa mais competitivo frente a outros produtores”, informou.

Suco de Laranja

O contrato para entrega em julho registrou desvalorização de 5,65% e precificado em US$ 1.671,00 por tonelada.

Cacau

As expectativas de aumento da safra de cacau na Costa do Marfim e índice dólar impactaram as cotações futuras na Bolsa de Nova York.

O contrato para entrega em julho fechou com baixa de 0,70% e precificado em US$ 4.140 por tonelada.

O Barchart pontuou que os preços do cacau chegaram nas máximas de uma semana e meia na quarta-feira, mas fecharam em baixa após o índice do dólar se recuperar das perdas iniciais e subir, o que estimulou a liquidação de posições compradas em contratos futuros de cacau.

Além disso, a estimativa de oferta abundante de cacau deve seguir impactando os preços, já que os estoques de cacau da ICE atingiram o maior nível em quase dois anos, chegando a 2.745.277 sacas na sessão anterior.

Algodão

O algodão com contrato futuro para entrega em dezembro, sendo o mais negociado na sessão, fechou em recuo de 1,42% e precificado em US$ 78,66 por libra-peso.

O mercado acompanha a valorização do dólar, que reduz a competitividade da fibra norte-americana no cenário internacional, enquanto a forte queda do petróleo bruto também adiciona pressão às cotações.

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Galípolo avalia recomendar duas mulheres para vagas no Copom, dizem fontes


BRASÍLIA, 27 Mai (Reuters) – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avalia recomendar duas profissionais mulheres para preencher as vagas abertas no Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado de nove membros responsável pelas decisões de juros, disseram à Reuters três fontes com conhecimento direto do assunto.

Entre as candidatas consideradas para a diretoria de Política Econômica do BC está Cecilia Machado, economista-chefe do banco BOCOM BBM e com PhD em economia pela Universidade Columbia, afirmaram as fontes, sob condição de anonimato devido ao caráter privado das discussões.

Para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro, Marina Copola, diretora da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e especialista em direito econômico e comercial, aparece como principal candidata, acrescentaram.

O colegiado de cinco membros da CVM vinha operando com apenas dois diretores efetivos, incluindo Copola, mas o Senado aprovou na semana passada duas indicações, incluindo um novo presidente, reduzindo o risco de que sua eventual saída prejudique o funcionamento do órgão.

As fontes ressaltaram que ainda não há decisão definitiva, destacando que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva dar a palavra final — ponto que Galípolo tem reiterado em declarações públicas quando questionado sobre o preenchimento das vagas.

O Banco Central não comentou o assunto. A Reuters não conseguiu contato com Machado e Copola.

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Caso o plano avance, a medida marcaria um fato inédito ao elevar para três o número de mulheres no Copom, incluindo a atual diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Correa, cujo mandato vai até 2028.

Dos 142 nomes que já integraram a diretoria colegiada do BC, apenas seis foram mulheres, evidenciando o histórico predomínio masculino na instituição.

DESAFIOS POLÍTICOS

A demora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em preencher as vagas, abertas desde janeiro, contrasta com suas críticas frequentes de que a lei de autonomia do Banco Central de 2021 teria reduzido sua influência sobre um colegiado indicado por seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O BC já tomou três decisões de política monetária neste ano com apenas sete dos nove membros do colegiado, uma situação sem precedentes.

A área de Política Econômica, responsável por fornecer projeções e análises para a decisão de juros, vem sendo conduzida interinamente pelo diretor de Assuntos Internacionais, Paulo Picchetti, enquanto o diretor de Regulação, Gilneu Vivan, também tem respondido pela diretoria de Organização do Sistema Financeiro.

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Fontes disseram anteriormente à Reuters que as vagas podem permanecer abertas por meses diante das tensões entre o governo e o Senado, responsável por aprovar as indicações de Lula.

No mês passado, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, em uma derrota histórica para Lula.

O ambiente legislativo também deve se tornar mais desafiador à medida que o calendário para votação de indicações se estreita com a proximidade das eleições gerais de outubro, que costumam desacelerar a atividade no Congresso.

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Trigo cai em Chicago com pressão de fundos e avanço da colheita nos EUA

Os preços do trigo fecharam em queda na bolsa de Chicago nesta quarta-feira (27), registrando a quinta sessão consecutiva de desvalorização.

O mercado foi pressionado pelas vendas dos fundos de investimento, pela queda do petróleo e pelo avanço da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos.

Na Bolsa de Chicago, o contrato para entrega em julho encerrou o dia com baixa de 2,05%, cotado a US$ 6,2250 por bushel.

O mercado segue reagindo às expectativas de um possível avanço diplomático no Oriente Médio, mesmo diante das incertezas nas negociações.

“A percepção de que pode haver um acordo inicial para reduzir as tensões na região contribuiu para a queda do petróleo e ampliou o movimento de liquidação nos contratos futuros de commodities agrícolas”, destacou a Granar.

Além do cenário geopolítico, o início da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos também adicionou pressão às cotações.

Apesar disso, A Granar  reportou que a deterioração das lavouras ainda limita perdas mais intensas, especialmente no mercado de Kansas, referência para o trigo duro de inverno.

No relatório semanal divulgado ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu de 27% para 26% a parcela das lavouras classificadas entre boas e excelentes.

O índice permanece muito abaixo dos 50% registrados no mesmo período do ano passado e também ficou abaixo da expectativa média dos analistas privados, que projetavam 28%.

Soja

Os preços futuros da soja terminaram a sessão desta quarta-feira (27) em um movimento misto na bolsa de Chicago.

O vencimento mais negociado para entrega em julho registrou baixa de 0,06% e cotado em US$ 11,8525 por bushel.

Por outro lado, o contrato para entrega em dezembro também registrou uma movimentação expressiva neste pregão e finalizou o dia em alta de 0,11% e precificado em US$ 11,8150 por bushel.

De acordo com as informações da Granar, o óleo de soja impulsionou os preços da soja para os contratos para o final deste ano.

“Apesar da queda do petróleo, o mercado segue sustentado pela demanda interna, impulsionada pelo maior uso de biodiesel e pelos créditos fiscais 45Z, que reduzem a competitividade das importações”, destacou a Granar.

Milho

O contrato futuro do milho para entrega em julho encerrou a sessão desta quarta-feira com queda de 1,09% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,5250 por bushel.

As cotações seguem pressionadas pelas condições climáticas favoráveis no Meio-Oeste dos Estados Unidos, que aceleram a reta final do plantio diante da previsão de pouca chuva.

A Granar apontou que a desvalorização do petróleo, negociado próximo de US$ 91 por barril, também contribuiu para o movimento negativo, mesmo com o tráfego ainda restrito no Estreito de Ormuz e a ausência de um acordo entre Estados Unidos e Irã.

O mercado também acompanha o projeto de lei que autoriza a venda de E-15 durante todo o ano nos Estados Unidos.

Após aprovação apertada na Câmara dos Representantes, a proposta ainda aguarda análise no Senado, onde a influência do setor petrolífero é considerada forte e são necessários 60% dos votos para a aprovação definitiva.

 

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Estudo do Serasa aponta que novo Desenrola Brasil pode tirar cerca de 7,8 milhões de brasileiros da inadimplência


Levantamento identificou que, somente na base da Serasa, existem 41 milhões de dívidas que se enquadram nos critérios do programa do governo federal

Divulgação/Serasaserasa
Número de consumidores negativados cairia de 83,4 milhões para aproximadamente 75,6 milhões

A Serasa realizou um estudo inédito que projeta impacto potencial de até 9,6%, com cerca de 7,8 milhões de brasileiros podendo deixar a inadimplência até o encerramento do Novo Desenrola Brasil, iniciativa do governo federal para renegociação de dívidas de famílias, estudantes e pequenas empresas, que teve início em maio e vai até agosto. Nesse cenário, o número de consumidores negativados cairia de 83,4 milhões para aproximadamente 75,6 milhões.

“Programas de renegociação tendem a produzir alívio imediato nos indicadores de inadimplência, especialmente ao ampliar o acesso a condições excepcionais de negociação”, afirma Aline Maciel, diretora da Serasa. Segundo a instituição, ao todo, cerca de 24 milhões de consumidores podem ser beneficiados pelas condições especiais de negociação oferecidas pela ação.

O levantamento identificou que, somente na base da Serasa, existem 41 milhões de dívidas que se enquadram nos critérios do programa do governo federal, que contempla pessoas com dívidas acima de R$ 100 com instituições financeiras, atrasadas entre 90 dias e 2 anos, e com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8 105). Os dados mostram que mais da metade da população adulta do País possui algum tipo de dívida negativada, e as instituições financeiras seguem como o principal segmento dos débitos, representando 47,3% do total.





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