Uma organização criminosa suspeita de aplicar o chamado golpe do falso advogado foi desarticulada nesta sexta-feira (6), durante uma operação conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Distrito Federal. A ação contou com o apoio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado e da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira de Mato Grosso do Sul.
As investigações apontaram a participação de sete pessoas no esquema, entre elas detentos que atuavam a partir da Penitenciária Estadual de Dourados. De acordo com a Polícia Civil, o grupo aplicava fraudes em vítimas de diferentes regiões do país utilizando informações reais de processos judiciais.
Segundo o delegado Eduardo Dal Fabbro, responsável pela investigação no Distrito Federal, além dos presos foi identificada a participação de uma advogada regularmente inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil, suspeita de exercer papel importante na movimentação e dissimulação dos valores obtidos com os crimes.
A apuração inicial identificou ao menos uma vítima confirmada. Trata-se de uma pessoa idosa que realizou uma transferência bancária após ser convencida pelos criminosos. Uma segunda tentativa de pagamento só não foi concluída porque a fraude foi descoberta antes da transferência.
Conforme a investigação, os detentos obtinham informações detalhadas sobre processos judiciais em andamento e utilizavam esses dados para abordar as vítimas por meio de aplicativos de mensagens. Durante o contato, os golpistas utilizavam a fotografia do advogado verdadeiro vinculado ao processo e se passavam por profissionais da área jurídica.
Na abordagem, os criminosos informavam que um valor teria sido liberado pela Justiça e que seria necessário realizar um pagamento para acelerar a suposta liberação do dinheiro. Em alguns casos, os golpistas afirmavam que iriam protocolar uma petição para viabilizar o recebimento do valor.
Em seguida, a vítima era orientada a fornecer uma chave PIX. Depois disso, outro integrante da organização entrava em contato se apresentando falsamente como autoridade judicial, alegando estar responsável pelos procedimentos para liberar o dinheiro.
Segundo o delegado, a estratégia funcionava porque os criminosos utilizavam informações verdadeiras do processo, como valores, nomes das partes e andamento judicial, o que aumentava a credibilidade do contato.
Durante a operação, diversos aparelhos celulares foram apreendidos dentro da penitenciária em Dourados. O material será submetido a perícia técnica para identificar outras possíveis vítimas e dimensionar a extensão do esquema criminoso.
Os investigados foram indiciados pelos crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a 26 anos de prisão.
A Polícia Civil alerta que advogados não solicitam transferências bancárias, depósitos ou pagamentos via PIX para liberar valores judiciais. A orientação é desconfiar de mensagens urgentes recebidas por telefone ou aplicativos de mensagens e evitar fornecer dados bancários, senhas ou informações pessoais sem confirmação prévia por canais oficiais.
Denúncias relacionadas a crimes cibernéticos podem ser feitas pelo telefone 197, canal disponibilizado pela Polícia Civil para registro de informações e apoio às investigações.





