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Portugal vai às urnas neste domingo em meio a possível avanço da extrema direita


Um número recorde de 11 candidatos disputa a eleição presidencial de Portugal neste domingo, 18, com um líder populista pronto para possivelmente levar mais um avanço político para os partidos de extrema direita em ascensão na Europa.

O grande número de candidatos torna improvável que algum deles consiga mais de 50% dos votos para vencer no primeiro turno. Nesse cenário, os dois mais votados disputarão um segundo turno no próximo mês.

Quase 11 milhões de pessoas estão aptas a votar, e a maioria dos resultados é esperada para o fim do dia. O vencedor substituirá o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que chega ao limite de dois mandatos de cinco anos.

As urnas abriram às 8h da manhã, no horário local, num dia predominantemente ensolarado em todo o país, e estão previstas para fechar 12 horas depois.

Principais candidatos

Entre os favoritos, segundo pesquisas recentes, está André Ventura, líder do partido populista Chega. A escalada do apoio público ao Chega fez da legenda a segunda maior do Parlamento português no ano passado, apenas seis anos após sua fundação.

Um dos principais alvos de Ventura tem sido o que ele chama de imigração excessiva, à medida que trabalhadores estrangeiros se tornaram mais visíveis em Portugal nos últimos anos. “Portugal é nosso”, diz ele.

Durante a campanha eleitoral, Ventura espalhou outdoors em todo o país dizendo: “Isto não é Bangladesh” e “Os imigrantes não devem ter direito a viver da assistência social”.

Outros candidatos bem posicionados são dos dois principais partidos que se alternaram no poder ao longo do último meio século: Luís Marques Mendes, do Partido Social Democrata (centro-direita), atualmente no governo, e António José Seguro, do Partido Socialista (centro-esquerda).

Também se espera uma disputa forte do contra-almirante reformado Henrique Gouveia e Melo, que concorre como independente e ganhou reconhecimento do público por supervisionar a rápida implementação das vacinas contra a covid-19 durante a pandemia.

Apenas uma mulher está entre os candidatos. Portugal nunca teve uma mulher ou uma pessoa não branca como chefe de Estado.

Desafios para o próximo presidente

Em maio passado, Portugal realizou sua terceira eleição geral em três anos, em seu pior período de instabilidade política em décadas. Estabilizar o cenário será um dos principais desafios do próximo presidente.

Ventura, o líder populista, tentou transformar a imigração em um tema de campanha, mas os eleitores parecem mais preocupados com a crise imobiliária e o custo de vida.

Uma lei que permite a eutanásia e o suicídio assistido por médicos, aprovada pelo Parlamento em 2022, mas travada por questionamentos constitucionais, deve chegar à mesa do presidente para sanção.

O que está em jogo

Em Portugal, o presidente é em grande medida uma figura simbólica, sem poder executivo. Em geral, o chefe de Estado busca se manter acima das disputas políticas, mediando conflitos e reduzindo tensões.

Ainda assim, o presidente é uma voz influente e possui algumas ferramentas poderosas, podendo vetar leis aprovadas pelo Parlamento, embora o veto possa ser derrubado. O chefe de Estado também possui o que, no jargão político português, é chamado de “bomba atômica”: a prerrogativa de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas.

Os acontecimentos políticos em Portugal têm pouco impacto sobre o rumo geral da União Europeia. O país tem uma das menores economias do bloco, e suas Forças Armadas são de porte modesto.

O que vem a seguir

Um segundo turno entre os dois mais votados deste domingo será realizado em 8 de fevereiro. A disputa definirá quem cumprirá um mandato de cinco anos no “Palácio Rosa” do presidente, em Lisboa.

Estadão Conteúdo



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O futuro do agronegócio brasileiro e latino-americano: expansão com adaptação às novas regras internacionais


Por Renata Bueno, ex-parlamentar italiana, advogada internacional e empreendedora

Como brasileira de origem e ex-parlamentar italiana, acompanho de perto as dinâmicas do comércio internacional, em especial no setor agropecuário, verdadeiro motor econômico do Brasil e de grande parte da América Latina. Minha atuação no Parlamento Italiano, representando a comunidade sul-americana, permitiu-me compreender as complexidades das negociações entre grandes blocos econômicos, como a União Europeia (UE) e o Mercosul.

Hoje, na condição de advogada especializada em direito internacional, observo o agronegócio regional em um momento decisivo: ao mesmo tempo em que mantém uma trajetória sólida de expansão, enfrenta a necessidade urgente de adaptação a novas regras, cotas e exigências regulatórias impostas por acordos comerciais e por mercados estratégicos, como a União Europeia e a China. Este artigo analisa esse cenário, destacando oportunidades, riscos e caminhos possíveis para um crescimento sustentável.

Expansão contínua na América Latina

O agronegócio brasileiro e latino-americano tem demonstrado notável resiliência nas últimas décadas. Inovações tecnológicas, vastas áreas agricultáveis e a crescente demanda global por commodities, como: soja, carne bovina, açúcar e etanol, sustentam o protagonismo da região no comércio internacional.

Em 2025, o Brasil alcançou um recorde histórico de exportações agropecuárias, superando US$ 169 bilhões, com a China consolidada como principal destino. Esse desempenho não é isolado. Países como Argentina, Paraguai e Uruguai, integrantes do Mercosul, também registram crescimento consistente, impulsionado por investimentos estrangeiros, modernização logística e ganhos de produtividade.

Apesar de desafios relevantes, como as mudanças climáticas, a volatilidade dos preços internacionais e os custos de produção, as projeções indicam continuidade do crescimento. A América Latina responde por parcela expressiva da produção mundial de alimentos e, diante do aumento da população global, a demanda tende a se intensificar. Ainda assim, essa expansão não pode mais ocorrer de forma irrestrita. Mercados maduros e altamente regulados, como a União Europeia e a China, vêm impondo barreiras normativas cada vez mais rigorosas, obrigando o setor a evoluir.

O acordo União Europeia-Mercosul

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo de associação entre a União Europeia e o Mercosul avançou de forma decisiva em janeiro de 2026, com a aprovação, pelo Conselho Europeu, da assinatura do pacto abrangente de parceria e comércio. Trata-se de um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, prevendo a eliminação de tarifas em mais de 90% das linhas tarifárias.

Para o agronegócio latino-americano, o acordo representa a ampliação do acesso ao mercado europeu, com potencial de crescimento expressivo das exportações ao longo das próximas décadas. Estimativas indicam que o intercâmbio comercial poderá aumentar em bilhões de euros até 2040.

Entretanto, o pacto também estabelece limites claros. Produtos considerados sensíveis pela UE, como: carne bovina, aves, açúcar e etanol, estarão sujeitos a cotas específicas. No caso da carne bovina, por exemplo, a cota adicional prevista é de 99 mil toneladas métricas. Uma vez ultrapassados esses volumes, as tarifas atuais voltam a ser aplicadas. A União Europeia liberalizará cerca de 82% das importações agrícolas provenientes do Mercosul, enquanto o bloco sul-americano eliminará tarifas sobre aproximadamente 93% das exportações europeias.

Essas salvaguardas refletem a forte pressão política exercida por agricultores europeus, que têm promovido manifestações em cidades como Paris, Bruxelas e Varsóvia, temendo a concorrência de produtos latino-americanos.

Para se manter competitivo nesse novo contexto, o agronegócio da região precisará investir fortemente em conformidade regulatória. Exigências relacionadas à sustentabilidade, ao combate ao desmatamento, ao uso de defensivos agrícolas e ao bem-estar animal tornam-se centrais. Regulamentos como o European Union Deforestation Regulation (EUDR) impõem sistemas rigorosos de rastreabilidade e certificação. Embora isso represente aumento de custos, também abre espaço para a valorização de produtos sustentáveis e de maior valor agregado no mercado europeu.

Crescimento com limites e a necessidade de diversificação

A China segue sendo o principal destino das exportações agropecuárias da América Latina e um pilar fundamental da expansão do setor. Nos últimos anos, os investimentos chineses na região alcançaram cifras bilionárias, concentrando-se na aquisição de ativos estratégicos, infraestrutura logística e acordos bilaterais de fornecimento.

O Brasil, por exemplo, exportou mais de US$ 60 bilhões em produtos agrícolas para a China em 2023, representando mais da metade de seu comércio total com o país asiático. Contudo, esse relacionamento também vem sendo marcado por medidas protecionistas crescentes.

Recentemente, Pequim impôs cotas de importação para a carne bovina, limitando o Brasil a pouco mais de 1,1 milhão de toneladas em 2026, com a aplicação de uma tarifa adicional elevada sobre volumes excedentes. A medida, que afeta igualmente exportadores como Austrália e Estados Unidos, busca proteger os produtores domésticos chineses e pode gerar perdas bilionárias para o setor brasileiro.

Diante desse cenário, torna-se indispensável uma estratégia de diversificação. Ampliar mercados, investir no processamento local para agregar valor aos produtos e atender às exigências chinesas de qualidade e rastreabilidade são passos essenciais para reduzir a dependência excessiva de um único parceiro comercial.

Adaptação como chave para o sucesso sustentável

O agronegócio brasileiro e latino-americano reúne condições únicas para manter uma trajetória de expansão e liderança global no abastecimento de alimentos. Sua competitividade, aliada à capacidade de inovação, é inegável. Contudo, os acordos comerciais e as novas políticas regulatórias internacionais impõem um novo paradigma: crescer com responsabilidade, previsibilidade e sustentabilidade.

Como ex-parlamentar, defendo que governos e setor produtivo atuem de forma coordenada, investindo em diplomacia econômica, tecnologia, sustentabilidade e segurança jurídica. A adaptação não deve ser vista apenas como um custo, mas como uma oportunidade estratégica para consolidar a imagem da região como fornecedora confiável, moderna e alinhada às exigências do século XXI.

O futuro do agronegócio latino-americano é promissor, mas ele exigirá decisões rápidas, planejamento de longo prazo e compromisso efetivo com padrões internacionais. Somente assim a região poderá preservar e ampliar sua posição de liderança no cenário global.

Renata Bueno é uma parlamentar ítalo-brasileira nascida em 1979 em Brasília, DF, Brasil. Conhecida por seu envolvimento na política e na defesa dos direitos dos descendentes de italianos no Brasil. Renata Bueno foi eleita deputada federal em 2010, sendo a primeira mulher eleita pelo Partido Socialista Italiano (PSI) fora da Itália. Sua atuação política tem sido focada em temas relacionados à cidadania italiana, imigração, e fortalecimento dos laços entre Brasil e Itália. Ela é presidente da Associação pela Cidadania Italiana no Brasil e tem trabalhado para facilitar o processo de reconhecimento da cidadania italiana para descendentes de italianos no país. Além de parlamentar, Renata é advogada e empresária, com o Instituto Cidadania Italiana e Mozzarellart.



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Três pessoas morrem após queda de helicóptero no Rio de Janeiro


Um helicóptero caiu na tarde deste sábado (17) em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A aeronave transportava três pessoas, que não resistiram aos ferimentos e morreram no local.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, o helicóptero caiu em uma área de mata, nas proximidades da Avenida Levy Neves, esquina com a Rua Tasso da Silveira. As equipes de resgate foram acionadas para atender a ocorrência e constataram os óbitos.

Até o momento, não há detalhes sobre as causas da queda nem sobre a identidade das vítimas.



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Milei: Assinatura de acordo Mercosul-UE não constitui ponto de chegada, mas de partida


 O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou neste sábado, 17, que a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia não é um “ponto de chegada”, mas um “ponto de partida”. Segundo o chefe de Estado, o pacto é de “um feito de grande transcendência política e econômica”, “possivelmente a maior conquista” do Mercosul desde sua criação “e resultado de uma decisão estratégica que Argentina contribuiu a impulsionar em sua presidência no ano passado”.

Milei defendeu também que é “fundamental que na etapa de implementação se preserve o espírito do negociado”. “A incorporação de mecanismos que restrinjam esse acesso, como salvaguardas ou medidas equivalentes, reduzirá significativamente o impacto econômico do acordo e atentará contra o objetivo essencial do mesmo. Temos que velar em nossos parlamentos para que isso não ocorra”, registrou.

O presidente da Argentina sustentou também que o “fechamento e protecionismo, amparado pela retórica em lugar dos resultados, são as causas do estancamento econômico”. Segundo ele, a liberdade e a interação internacional são caminho para Argentina e Mercosul mais prósperos.

Milei ainda aproveitou o discurso para elogiar a ação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Venezuela. “Valorizamos a decisão e a determinação”, indicou após se referir ao ex-presidente capturado Nicolás Maduro como narcoterrorista e ditador A ponderação ocorreu após o presidente sustentar que o “movimento em direção a liberdade e comércio é a base de qualquer integração genuína”. Segundo ele, quando há erosão de instituições o resultado é o isolamento, empobrecimento e perda de liberdade. “A situação da Venezuela é amostra disso”, indicou.

Estadão Conteúdo



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O Carnaval da Bahia e o racismo que patrocina uns e invisibiliza outros


Por Zé Américo Silva*

O Carnaval da Bahia é vendido ao mundo como a maior celebração popular do planeta, símbolo de alegria, diversidade e identidade cultural. Mas por trás da festa, dos trios elétricos e da estética que encanta turistas, existe uma contradição profunda, histórica e vergonhosa: o racismo estrutural que define quem recebe patrocínio, quem ocupa os espaços de poder e quem segue sendo apenas força de trabalho invisível.

Os blocos afros — pilares da identidade cultural do carnaval baiano — enfrentam, ano após ano, enorme dificuldade para captar recursos junto à iniciativa privada. Falta patrocínio, falta apoio institucional, falta reconhecimento econômico. Ao mesmo tempo, camarotes milionários, voltados quase exclusivamente para turistas e elites econômicas, concentram volumosos investimentos de grandes marcas nacionais e multinacionais.

A contradição salta aos olhos. Nos camarotes patrocinados, majoritariamente brancos se divertem. Do lado de fora — e também dentro deles — homens e mulheres negros trabalham: fazem a segurança, servem bebidas, cozinham, limpam, fazem manutenção e lavam sanitários. A cena se repete como um retrato fiel da desigualdade racial brasileira. É o carnaval como metáfora do país.

Isso não é acaso. É racismo estrutural operando com naturalidade, travestido de “estratégia de marketing”, “retorno de marca” ou “perfil de público”. Quando empresas escolhem investir milhões em espaços elitizados e ignorar manifestações culturais que representam a alma do povo baiano, elas fazem uma escolha política — ainda que tentem negá-la.

Mais recentemente, essa realidade foi denunciada publicamente por Vovô do Ilê, presidente do Ilê Aiyê – Associação Cultural, primeiro bloco afro do Brasil, ativista histórico do movimento negro e referência na luta pela valorização da cultura afro-brasileira, membro do Conselho da República. Seu alerta não é novo, mas segue atual: os blocos afros sobrevivem à base da resistência, do voluntarismo e do amor à cultura, enquanto o mercado fecha portas, impõe barreiras e trata essas manifestações como periféricas.

É preciso dizer com todas as letras: sem a cultura africana, o carnaval da Bahia não existiria como o conhecemos. O samba-reggae, os tambores, os ritmos, as danças, a estética, a corporeidade, a religiosidade e até a organização dos desfiles têm origem direta nas tradições africanas e afro-brasileiras.

A própria popularidade internacional do carnaval baiano nasce dessa herança.

No entanto, essa mesma cultura que gera bilhões em turismo, mídia espontânea e consumo é empurrada para a margem quando se trata de investimento e reconhecimento financeiro. As empresas exploram o imaginário negro para vender produtos, mas se recusam a financiar os sujeitos e instituições que mantêm essa cultura viva.

Mais grave ainda é a ausência de uma política pública robusta, contínua e estrutural que faça jus à importância dos blocos afros. O apoio governamental, quando existe, é pontual, insuficiente e frequentemente tratado como favor — e não como dever do Estado. Cultura afro não pode ser vista como “segmento”; ela é base fundante da identidade baiana.

Não se trata de caridade empresarial, mas de responsabilidade social, econômica e histórica. Patrocinar blocos afros é investir em identidade, pertencimento, educação cultural e reparação simbólica. É reconhecer que o lucro do carnaval não pode continuar sendo apropriado por poucos enquanto a cultura que o sustenta permanece precarizada.

Denunciar esse modelo é urgente. Gritar sobre isso é necessário. O silêncio apenas perpetua a desigualdade. O carnaval da Bahia não pode continuar reproduzindo, em pleno século XXI, a lógica da senzala modernizada, onde uns festejam e outros apenas servem.

Valorizar os blocos afros não é apenas uma questão cultural — é um ato de justiça histórica. Sem eles, o carnaval perde sua alma. E uma festa sem alma pode até dar lucro, mas jamais representará o povo que a criou.

*Zé Américo Silva é jornalista e publicitário



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Pretendemos dar tramitação mais rápida possível na Câmara ao acordo Mercosul-UE, diz Hugo Motta


O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), comemorou nas redes sociais a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) neste sábado, 17, em Assunção, no Paraguai. “Com esta iniciativa, comprovamos a força da diplomacia, do diálogo e da cooperação, que devem ser sempre os pilares das relações entre os países. Ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, o Acordo abre oportunidades para mais crescimento, mais renda, mais emprego, mais investimentos e mais trocas de novas tecnologias”, escreveu Motta, no X.

O presidente da Câmara afirmou, ainda, que a Casa dará celeridade à tramitação do acordo. “Pretendemos dar ao acordo a tramitação mais rápida possível na Câmara dos Deputados, para que ele possa entrar em vigor o quanto antes e, assim, começar a repartir seus frutos a todos os participantes”, disse Motta.

O acordo entre Mercosul e UE tem a possibilidade de vigência bilateral se aprovado e ratificado pelo Parlamento Europeu e pelo Congresso Nacional.

Estadão Conteúdo



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Presidentes mencionam Venezuela na cerimônia de assinatura do acordo Mercosul-UE


A situação da Venezuela não passou batida no evento na tarde deste sábado, 17, para assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), que cria a maior área de livre-comércio do mundo. Os presidentes da Argentina, Javier Milei, da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Panamá, José Raúl Mulino, citaram o país vizinho durante os discursos que antecederam a firma do pacto entre os blocos econômicos.

Milei foi o primeiro a mencionar o país anteriormente comandado por Nicolás Maduro, capturado pelo governo dos Estados Unidos. O presidente argentino elogiou a ação de Donald Trump. “Valorizamos a decisão e a determinação”, indicou após se referir a Maduro como narcoterrorista e ditador

A ponderação ocorreu após Milei sustentar que o “movimento em direção a liberdade e comércio é a base de qualquer integração regional genuína”. Segundo ele, quando há erosão de instituições o resultado é o “isolamento, o empobrecimento e a perda de liberdade”. “A situação que a Venezuela atravessa é amostra clara e dolorosa disso”, indicou. “Assim, valorizamos a decisão e determinação demonstrada por Trump nas ações demonstradas na Venezuela”, completou.

A situação também foi mencionada por Paz. Em seu discurso, o presidente da Bolívia saudou o povo venezuelano, expressou solidariedade e afirmou: “Tudo na democracia. Nada fora dela”.

Já Mulino, que participou da cerimônia como representante da delegação de países convidados, enfatizou a urgência para que se instale um governo na Venezuela e destacou a importância do país para a região. “É um grande país que contribuiria muito para a região”, acrescentou.

A questão também foi mencionada em coletiva de imprensa realizada após a cerimônia de assinatura. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que “se os direitos humanos são violados na Venezuela, devemos nos levantar para defender os direitos humanos na Venezuela”.

O comentário ocorreu quando Costa foi questionado sobre as novas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a países europeus, como forma de pressionar um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca.

Costa afirmou que hoje não são necessários conflitos entre os países, mas sim cooperação e paz, e disse ser fundamental a defesa do direito internacional.

“Se queremos prosperidade, temos que abrir os mercados e não fechá-los. Temos que criar zonas de integração econômica e não aumentar as tarifas. O que podemos dizer é que a União Europeia será sempre muito firme na defesa do direito internacional, onde quer que seja, e, claro, começando no território dos Estados membros da União Europeia”, afirmou o presidente, que acrescentou estar coordenando uma resposta conjunta a Trump dos Estados membros da UE.

Estadão Conteúdo



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Acordo Mercosul-UE tem ‘amplo compromisso de liberação tarifária’ para indústria e agro


O acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) firmado na tarde deste sábado, 17, estabelece um “amplo compromisso de liberalização tarifária em setores industriais e agrícolas, respeitando as especificidades de cada mercado”, informou o governo brasileiro.

Do lado da UE, serão eliminadas tarifas de importação sobre aproximadamente 95% dos bens, o que representa 92% do valor das importações europeias de bens brasileiros. Já a oferta do Mercosul cobre 91% dos bens e 85% do valor das importações brasileiras de produtos provenientes da UE.

UE

Do lado europeu, o escopo de liberalização é mais amplo. O pacto firmado nesta tarde conta com cestas de desgravação imediata ou linear, em prazos de quatro, sete, oito, dez e doze anos. As principais concessões do bloco europeu envolvem: carnes (bovina, suína e de aves); açúcar; etanol; arroz; mel; milho e sorgo; suco de laranja; cachaça; queijos, iogurte e manteiga; e frutas

Cerca de 3% dos bens e 5% do valores importado pela UE são de produtos sujeitos a cotas ou tratamentos não tarifários – aplicados especialmente a produtos agrícolas e agroindustriais. Segundo o governo brasileiro, tal dinâmica “reflete o equilíbrio buscado entre a abertura de mercados e a proteção de setores sensíveis para ambas as partes”

Mercosul

A oferta do Mercosul estabelece cestas de produtos submetidos a desgravação imediata ou linear, em prazos de quatro, oito, dez ou quinze anos. Segundo o Executivo, foram negociadas condições especiais, por exemplo, para veículos eletrificados, movidos a hidrogênio e novas tecnologias, com períodos de desgravação de 18, 25 e 30 anos, respectivamente.

Ainda de acordo com o governo, uma “parcela muito reduzida dos bens” está sujeita a cotas ou outros tratamentos não tarifários. Já a lista de exclusões representa aproximadamente 9% dos bens e 8% do valor total das importações.

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Abic: cafés brasileiros terão tarifa zero na Europa, após 5 anos do acordo com UE


A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) comemorou, por meio de nota, a assinatura do Acordo de Livre-Comércio Mercosul-União Europeia (UE), após 26 anos do início das negociações. Para as indústrias do setor, o acordo resultará na eliminação da barreira tarifária média de 7,5 % e 9% para café torrado/torrado e moído, e café solúvel. Após cinco anos da entrada em vigor do acordo, os cafés brasileiros devem adentrar a Europa com tarifa zero.

A retirada tarifária para os cafés industrializados acontecerá de forma gradual e da seguinte maneira, explica a associação: 20% logo na entrada em vigor do acordo; 40% no ano seguinte, 60% no ano 2; 80% no ano 3 e 100% no quarto ano.

“O acordo também traz o reconhecimento de indicações geográficas brasileiras, dentre as quais podemos destacar os cafés do Cerrado Mineiro, Caparaó e Matas de Rondônia. Com isso, teremos maior proteção às nossas denominações de origem e a possibilidade de incremento no valor agregado dos nossos cafés”, diz a Abic. Por não ter sido considerado pelo Bloco Europeu um produto sensível, o café está livre das salvaguardas da União Europeia.

A indústria brasileira de café diz, ainda por meio da nota, que acompanhará de perto e que anseia por uma rápida internalização do Acordo, mediante aprovação pelo Parlamento Europeu e pelo Congresso Nacional Brasileiro.

“O Brasil é o maior produtor de café, responsável por 40% da produção global, e o maior exportador mundial de café, mas, fica com apenas 2,7% da receita global do café no mundo, porque exporta sobretudo café verde, enquanto commodity. Esse acordo é uma grande oportunidade e se alinha diretamente ao projeto da ABIC de aumentar as exportações brasileiras na forma de cafés industrializados com alto valor agregado e, assim, aumentar a justa participação do Brasil na receita total do café ao redor do mundo”, comenta o presidente da ABIC, Pavel Cardoso.

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Acordo Mercosul-UE representa marco histórico, diz nota conjunta ministerial


O Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirmaram em nota conjunta que a assinatura do Acordo de Parceria Mercosul – União Europeia, realizada hoje em Assunção, representa um marco histórico para as relações entre os dois blocos.

“Fruto de mais de 26 anos de negociações, o Acordo criará uma área de livre comércio com cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões. Em termos de população e tamanho das economias envolvidas, trata-se de um dos maiores acordos bilaterais de livre comércio do mundo”, diz o comunicado.

As pastas afirmam ainda que, para além de sua dimensão econômico-comercial, o Acordo reafirma a parceria entre as duas regiões, “alicerçada em valores e interesses comuns – como a defesa da democracia, do multilateralismo e dos direitos humanos”.

A nota destaca ainda que, além do acordo em questão, foram assinados, desde 2023, acordos com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Além disso, estão em negociação, fora da América Latina, acordos com Emirados Árabes Unidos, Canadá e Vietnã, bem como a ampliação do acordo de preferências tarifárias com a Índia.

“Paralelamente, vêm sendo promovidos diálogos comerciais com diversos outros parceiros estratégicos, entre os quais o Japão, com o qual foi recentemente estabelecido um Marco de Parceria Estratégica.”, afirmam os ministérios.

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