O mercado do boi gordo registrou uma semana um pouco mais conturbada em termos de negócios. O cenário foi influenciado por especulações de que estão ocorrendo reuniões na China com representantes da agroindústria brasileira devido à presença de Fluazuron acima do permitido em lotes enviados pelo país.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Iglesias, há a possibilidade de retração das compras chinesas no curtíssimo prazo, o que levou o mercado futuro do boi a precificar movimentos de queda nos preços no dia 6 de novembro.
O mercado também acompanha o resultado de uma investigação conduzida pela China sobre salvaguardas, iniciada em dezembro de 2024, para avaliar se as compras junto ao Brasil prejudicam a indústria local. Iglesias alerta que esse processo poderia ter efeito negativo sobre as exportações brasileiras de carne bovina. Diante deste cenário, muitos frigoríficos reduziram ou suspenderam a compra de gado no dia 6.
Ainda assim, o balanço semanal aponta para preços mais altos do boi gordo. Na modalidade a prazo, os preços do boi gordo nas principais praças brasileiras em 6 de novembro estavam assim:
São Paulo (Capital): R$ 330,00 a arroba (+1,24% frente aos R$ 325,00 da semana anterior)
Goiás (Goiânia): R$ 315,00 a arroba (estável)
Minas Gerais (Uberaba): R$ 310,00 a arroba
Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 330,00 a arroba
Mato Grosso (Cuiabá): R$ 310,00 a arroba (+1,64%)
Rondônia (Vilhena): R$ 295,00 a arroba (+1,72%)
Mercado atacadista
O mercado atacadista acompanhou a tendência de alta, refletindo a firmeza nos preços. A perspectiva de continuidade do movimento leva em consideração o ápice do consumo doméstico, impulsionado pela entrada do décimo terceiro salário, confraternizações de final de ano e a criação de postos temporários de emprego.
O quarto traseiro do boi foi cotado a R$ 25,00 o quilo, sem mudanças, enquanto o quarto dianteiro registrou R$ 18,75 o quilo, avanço de 3,02% em relação ao mês anterior (R$ 18,20).
Exportações
As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada renderam US$ 1,775 bilhão em outubro (22 dias úteis), com média diária de US$ 80,706 milhões. O volume total exportado foi de 320,558 mil toneladas, média diária de 14,570 mil toneladas, e o preço médio da tonelada ficou em US$ 5.538,90.
Na comparação com outubro de 2024, houve alta de 40,9% no valor médio diário, ganho de 18,6% na quantidade média diária e avanço de 18,8% no preço médio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.
O Brasil receberá 5 milhões de francos suíços, aproximadamente R$ 33 milhões, da Suíça para o Fundo Amazônia. O anúncio foi feito neste domingo (9) pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, durante o evento “Presença Suíça na COP30”, em Belém.
Criado em 2008, o Fundo Amazônia é uma iniciativa que apoia projetos e ações contra o desmatamento, em defesa do desenvolvimento sustentável e da melhoria das condições de vida da população na Amazônia Legal brasileira. Gerido pelo BNDES, o fundo conta com aportes de doações não reembolsáveis de governos estrangeiros e empresas nacionais.
A iniciativa, retomada em 2023, após ter ficado paralisada durante o governo de Jair Bolsonaro, também apoia o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento no restante do Brasil e em outros países tropicais. Os recursos do fundo já apoiaram 144 projetos, beneficiando mais de 600 organizações comunitárias e cerca de 260 mil pessoas.
As ações buscam ainda fortalecer o manejo florestal, a bioeconomia, a inclusão produtiva, a valorização dos saberes tradicionais e o fortalecimento de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
O anúncio ocorre na véspera da abertura da COP30, em Belém, com a presença de 194 países, além da União Europeia. Nesta segunda-feira (10), têm início as negociações da conferência, que girarão em torno das definições das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês). As NDCs são metas de mitigação, ou seja, compromissos adotados pelos países para redução de emissões de gases de efeito estufa.
O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% suas emissões até 2035, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia. Até o momento 79 países já divulgaram suas NDCs. Eles são responsáveis por 64% das emissões. Os 118 restantes são responsáveis por 36%. A expectativa é que a agenda de mitigação da crise climática avance com ações mais concretas de financiamento dos países em desenvolvimento.
Na primeira declaração desde o início da Conferência de ONU sobre o Clima, em Belém, o presidente Donald Trump foi às redes sociais para criticar o desmatamento causado pela construção de infraestrutura para o evento no Brasil. Em sua plataforma Truth Social, ele afirmou: “Eles devastaram a Floresta Amazônica do Brasil para construir uma rodovia de quatro faixas para ambientalistas. Isso virou um grande escândalo!”.
Na postagem, ele menciona uma reportagem da emissora Fox News, aliada ao governo Trump, que mostrou como a estrada foi construída e como ela obrigou as autoridades a cortarem árvores. Trump, porém, não fez qualquer referência ao fato de que o desmatamento caiu no Brasil nos últimos anos e que foi justamente no governo de seu aliado, Jair Bolsonaro, que as taxas atingiram níveis inéditos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia convidado Trump para Belém. Mas a delegação americana sequer viajou para o evento. Trump deixou o Acordo de Paris e, em seu discurso na ONU em setembro, denunciou ambientalistas por estarem supostamente deturpando dados sobre o aquecimento do planeta.
Na reportagem, a Fox News diz que o evento está se transformando “em um desastre” e cita o fato de que 100 mil árvores teriam sido derrubadas. A reportagem também destaca que poucos países se comprometeram com ações de redução de emissões. A emissora apresenta os dados a partir de uma entrevista com Marc Morano, um conhecido negacionista climático e que vem atacando cientistas e ambientalistas.
A construção da Avenida Liberdade foi um projeto de mobilidade anterior a COP30 e muito criticado por ambientalistas brasileiros. Embora o governo do Pará alegue que a via seja sustentável, a rodovia — orçada em R$ 410 milhões e com 13,4 km — corta três municípios da região metropolitana, cruza áreas de floresta e comunidades tradicionais e afeta o Parque Estadual do Utinga e a Área de Proteção Ambiental de Belém, que se conectam.
Entre os ativistas, a declaração de Trump foi recebida como um sinal de que o governo americano deve agir por meio de intermediários e representantes de aliados para minar qualquer acordo em Belém. O consenso é de que o republicano não está preocupado com o número de árvores derrubadas, mas sim em descredibilizar o evento climático da ONU.
Já semana passada, Trump adotou a mesma postura numa cúpula da Organização Marítima Internacional. Apesar de não fazer parte, o governo americano agiu para garantir um impasse nas negociações sobre emissões.
A Universidade de Brasília (UnB) fez um pedido de patente para uma receita de biscoito elaborada com farinha de cafés Robustas Amazônicos (Coffea canephora). O produto substitui cerca de 30% da farinha tradicional e se torna uma opção mais saudável e viável para consumidores adeptos de dietas equilibradas por conter mais fibras, antioxidantes e cafeína.
A inovação também inaugura um novo e promissor mercado para a casca do café, até então utilizada principalmente como adubo no Brasil. O estudo, desenvolvido ao longo de dois anos, é resultado de uma parceria da instituição de ensino com a Embrapa Rondônia (RO).
Segundo o pesquisador da Embrapa, Enrique Alves, as cascas de cafés denominados finos, com mais de 80 pontos na avaliação da Specialty Coffee Association (SCA), são insumos nobres, com diversidade sensorial e nutricional muito rica, às vezes até superior à dos grãos. “Entretanto, no Brasil são usados principalmente como adubo”, explica.
Potencial de alto valor agregado
Além de se enquadrarem na pontuação estipulada pela SCA como produtos finos, as variedades de cafés Robustas Amazônicos, selecionadas pela Embrapa em conjunto com os cafeicultores nas Matas de Rondônia, resultaram na primeira Indicação Geográfica (IG) de Coffea canephora do mundo, a “IG Matas de Rondônia”, concedida pelo INPI em 2021.
O projeto envolve o desenvolvimento de cultivares adaptadas à região e à Floresta Amazônica, plantadas, em sua maioria, por agricultores familiares, indígenas e comunidades tradicionais. “Hoje em todo o estado de Rondônia, mais de 17 mil famílias cultivam essas variedades”, complementa o pesquisador.
Portanto, agregar valor a esse subproduto era uma prioridade para a Embrapa, como explica Alves. “Além da qualidade, as cascas dos cafés Robustas Amazônicos ainda carregam características diferenciadas de sustentabilidade, por serem cultivadas na Amazônia por povos indígenas e comunidades tradicionais”, destaca.
União entre Embrapa e UnB
Diante disso, a Embrapa Rondônia e a UnB se uniram para desenvolver pesquisas voltadas à valorização das cascas de cafés Robustas Amazônicos sob diferentes óticas de processamentos pós-colheita.
A linha de pesquisa, coordenada pela engenheira de alimentos e professora da UnB, Lívia de Oliveira, tem como focos a caracterização química, funcional e sensorial dessas cascas e a sua aplicação em alimentos, bebidas e cosméticos, contribuindo para uma cafeicultura sustentável e integrada à economia circular.
O estudo teve início em 2023, com a avaliação do potencial químico e sensorial das cascas de Robustas Amazônicos da cultivar Apoatã, produzidas pela Embrapa Rondônia, sob três processamentos distintos: natural (secagem do fruto inteiro em terreiro suspenso por cerca de 20 dias), lavado (despolpamento mecânico e secagem da fração pergaminho) e fermentação anaeróbica autoinduzida (espontânea em ambiente anaeróbio, conduzida de dois a 20 dias, seguida de secagem e descascamento).
Essas amostras foram analisadas quanto à composição proximal, de compostos bioativos, açúcares, ácidos orgânicos e voláteis, além de terem sido submetidas à avaliação sensorial por meio de infusões e produtos derivados.
Foto: UnB
De acordo com Lívia, os resultados demonstraram que:
As cascas naturais apresentaram maior teor de compostos fenólicos, flavonoides, antocianinas e fibras, além de perfil aromático doce e caramelado.
As cascas lavadas (originadas do processamento de via úmida) exibiram baixa complexidade química e volátil, com predominância de compostos estruturais e menor teor de açúcares.
As cascas de fermentação anaeróbica autoinduzida mostraram grande variabilidade conforme o tempo de fermentação. As amostras de 4 a 20 dias apresentaram aromas frutados e florais e bom equilíbrio sensorial, enquanto as de tempos intermediários (10 a 16 dias) geraram notas mais secas e amargas.
Essas diferenças foram atribuídas à atuação microbiana no metabolismo de açúcares e fenólicos, que modulou a formação de ácidos orgânicos, ésteres e furanonas (compostos formados durante o processamento de alimentos, que desempenham um papel crucial no seu sabor e aroma), resultando em perfis sensoriais distintos e potenciais de aplicação diferenciados para cada tipo de casca.
Novo biscoito: mais fibras e menos açúcares
A professora explica que, com base nesses resultados, foi desenvolvido um segundo eixo de pesquisa voltado à aplicação alimentar das cascas, por meio da elaboração de um biscoito com 30% de farinha de casca de Robusta Amazônico. Trata-se de um resultado inédito, uma vez que, segundo a literatura científica, o máximo de substituição de farinha obtido até o momento era de 15%.
As formulações reformuladas com lecitina e polidextrose apresentaram um aumento de até 15 gramas de fibras por 100 g de produto. Além disso, reduziram em até 45% as gorduras saturadas e em 25% os açúcares adicionados, mantendo conformidade com a RDC nº 429/2020 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A melhor aceitação sensorial foi obtida com as amostras produzidas a partir de cascas naturais e fermentadas por quatro ou 20 dias, associadas a notas doces, frutadas e amanteigadas. “Esses resultados evidenciam que o tipo de processamento da casca é determinante para as notas sensoriais do produto final. Mesmo assim, todos os cookies elaborados apresentaram aceitação sensorial satisfatória, confirmando que as cascas de qualquer um dos processos podem ser usadas como ingrediente nesse tipo de produto”, enfatiza Lívia.
A receita final, submetida ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 4 de setembro, é resultado de um processo de fermentação de oito dias. De acordo com a professora, com esse período o produto mantém o açúcar da polpa, evita o excesso de fermentação e possui notas frutadas, que conferem um sabor especial ao biscoito.
A seleção do produto final contou com a avaliação sensorial de mais de 250 consumidores convidados pela UnB para degustar os biscoitos oriundos das diferentes etapas da pesquisa.
O Governo do Paraná vai liberar cerca de R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap) para ajudar na reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu, município devastado por um tornado na noite de sexta-feira (7). O anúncio foi feito neste domingo (9) pelo secretário estadual da Segurança Pública, Hudson Teixeira, que acompanha de perto a situação na cidade.
Para agilizar o auxílio, o governo encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto de lei em regime de urgência, permitindo que o repasse do Fecap seja feito diretamente às famílias afetadas. Cada morador poderá receber até R$ 50 mil para reconstruir a própria casa, com os critérios definidos em decreto a ser publicado nos próximos dias. A proposta deve ser votada ainda neste domingo, em uma tentativa de garantir que os recursos cheguem rapidamente a quem perdeu tudo com o desastre natural.
A Cohapar também está levantando, junto com engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA/PR), todos os prejuízos para auxiliar no direcionamento dos recursos. Pelo menos 90% do município foi afetado pelo tornado, com a destruição de residências e prédios públicos.
Também já foi autorizado o processo de reconstrução das escolas que foram destruídas. A Secretaria de Estado da Educação já tinha anunciado no sábado que a aplicação da prova do Enem, que aconteceria neste domingo, será adiada na cidade.
Documentos
Neste domingo e ao longo da semana a Secretaria de Segurança Pública, em conjunto com a Defensoria Pública, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça, realizará um grande mutirão para emissão de documentos perdidos durante a tragédia, com todo o processo conduzido em caráter de urgência. Ele será montado para que as famílias registrem suas informações e seja feita a avaliação dos imóveis danificados, viabilizando o repasse dos recursos.
O Ministério Público informou que as Promotorias de Justiça de Laranjeiras do Sul já estão fazendo atendimento descentralizado no município, principalmente para orientação jurídica. A Defensoria Pública do Estado também já iniciou os atendimentos. Pessoas que precisarem de canais também podem entrar em contato com a DPE-PR por meio do telefone: (41) 9 9232-2977.
Limpeza e atendimento após o tornado
Outras prioridades do dia são a limpeza das ruas e casas pelas equipes, o que ajudará nas condições de trafegabilidade e apoio. O Governo do Estado também vai priorizar a instalação de um Centro de Triagem e outro de Acolhimento Psicológico para dar apoio às famílias. Eles ficarão em pleno funcionamento, já que está sendo possível garantir o restabelecimento de água, energia elétrica e internet em algumas estruturas do município.
Água e Luz
A Sanepar informa que o sistema de Rio Bonito do Iguaçu está abastecido. A companhia ainda mantém gerador em uma das captações e caminhões-pipa como apoio na recuperação. Equipes seguem trabalhando em consertos pontuais de vazamentos nas redes de distribuição de água da cidade.
Também foram disponibilizados 50 mil copos de água envasada, principalmente para os desabrigados e profissionais que estão trabalhando no auxílio das vítimas e reestruturação dos serviços. A Copel informa que equipes da companhia restabeleceram 49% da rede elétrica de distribuição de energia de Rio Bonito do Iguaçu, até a manhã deste domingo. Estão religadas estruturas prioritárias de atendimento de urgência, como Centro de Comando da Defesa Civil, o posto de Saúde e o Centro do Idoso, que tiveram a energia restabelecida já na tarde de sábado.
A AgriZone, projeto do governo brasileiro liderado pela Embrapa e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), abre suas portas para o público nesta segunda-feira (10), em Belém, a 1,8 quilômetro das áreas oficiais da COP30. A expectativa é que cerca de 2 mil pessoas circulem pelo espaço diariamente.
O espaço, também conhecido como a Casa da Agricultura Sustentável, contará com 378 eventos técnicos, exposições imersivas, painéis interativos e diversas atividades voltadas para a promoção da agricultura sustentável. A cerimônia oficial de abertura está marcada para o dia 11, às 16h, na Arena Agritalks, com a presença de autoridades e especialistas.
Programação diversificada
A programação da AgriZone, que ficará aberta de 10h às 18h, inclui a apresentação do livro “Ciência para o Clima – soluções para a agricultura brasileira”, elaborado com a participação de mais de 40 especialistas. Entre os temas abordados estão agricultura de baixo carbono, bioeconomia e agricultura familiar.
As atividades foram organizadas a partir de uma chamada pública da Embrapa, que recebeu 450 propostas de eventos relacionados à agricultura e segurança alimentar. A diversidade da programação inclui eventos de organizações não governamentais, instituições financeiras e entidades do agronegócio.
Eventos técnicos e parcerias
Do total de sessões, 27% são organizadas por representações do governo federal, destacando a participação de ministros e especialistas. Exemplos incluem o evento “Compras Públicas na Sociobieconomia” no dia 11, coordenado por ministérios, e a sessão sobre bioeconomia no dia 14.
Além disso, a Embrapa e a Nestlé anunciarão a ampliação de parceria, visando reduzir emissões de gases na produção de leite e cacau. O estande do IICA também será palco da assinatura de uma carta de intenções para a instalação de um escritório da Embrapa na Costa Rica.
Os ectoparasitas estão entre os principais desafios econômicos e sanitários da pecuária brasileira, afetando tanto os rebanhos de corte quanto os de leite.
Estimativas da Embrapa indicam que infestações por carrapatos podem reduzir o ganho de peso diário do gado em até 25%, enquanto ataques de moscas-dos-chifres podem resultar em perda de até 40 quilos por animal durante o ciclo produtivo.
Esses prejuízos têm motivado o desenvolvimento de soluções mais eficientes e sustentáveis para o controle dos parasitas. Uma dessas iniciativas é conduzida pela LumenEra, startup de base científica vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro).
Nanotecnologia aplicada ao manejo sanitário
A empresa está desenvolvendo uma formulação baseada em nanotecnologia para o controle de ectoparasitas bovinos. Segundo a pesquisadora Estefânia Campos, uma das responsáveis pelo projeto, o objetivo é aumentar a eficácia e a durabilidade do produto.
“Estamos desenvolvendo uma solução inovadora para o controle de ectoparasitas que representa uma alternativa promissora às formulações comerciais atualmente disponíveis. A proposta combina dois ingredientes ativos com mecanismos de ação complementares, potencializados pelo uso de nanotecnologia”, explicou Estefânia.
“Por meio do encapsulamento em nanopartículas biopoliméricas, buscamos otimizar a estabilidade e a liberação controlada dos compostos, aumentando sua eficácia e durabilidade no animal”, acrescentou.
A pesquisadora destacou que o diálogo com veterinários especializados permitiu ajustes técnicos para adequar o produto às condições reais de campo, garantindo eficiência e viabilidade operacional em diferentes sistemas de produção.
A LumenEra participa atualmente da Fase 2 do programa Catalisa ICT, que incentiva a transformação de pesquisas acadêmicas em negócios tecnológicos. A iniciativa tem o objetivo de consolidar o desenvolvimento da solução e validar os protótipos em ambiente real.
“O Catalisa ICT representa uma oportunidade importante para evoluirmos da fase experimental para uma aplicação prática e escalável. Nosso objetivo é oferecer ao mercado pecuário uma solução sustentável e de alto desempenho no combate aos ectoparasitas”, afirmou a pesquisadora.
Com o avanço do projeto, a expectativa é ampliar as ferramentas de manejo no controle de parasitas e reduzir o impacto das infestações na produtividade da pecuária nacional.
O Governo do Estado do Paraná enviou, no sábado (8), um lote de insumos hospitalares para reforçar o atendimento às vítimas do tornado que atingiu a região central, com maior impacto em Rio Bonito do Iguaçu.
A ação foi coordenada pela Casa Militar, com apoio de seis aeronaves do Governo. O transporte incluiu frascos de soro e cerca de 14 mil itens de 17 tipos, entre eles ataduras, seringas, compressas e agulhas. O material foi preparado pelo Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) e pelo Centro de Operações de Medicamentos e Produtos (Comp), em Curitiba.
Logística envolveu aeronaves e apoio local
Duas aeronaves transportaram os insumos até o aeroporto de Guarapuava. De lá, quatro helicópteros levaram o material até Laranjeiras do Sul, município que concentra a maior parte dos atendimentos às vítimas.
A operação foi organizada de forma emergencial para garantir a reposição imediata dos insumos nas unidades de Pronto Atendimento e hospitais da região.
Em Laranjeiras do Sul, o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, acompanhou a chegada dos materiais. “O Paraná se mobilizou rapidamente para garantir que nenhuma unidade ficasse sem condições de atender. É um esforço conjunto que envolve logística, solidariedade e o compromisso de toda a rede de saúde com as famílias atingidas”, afirmou.
Atendimento às vítimas e estrutura hospitalar
Os materiais estão sendo distribuídos para unidades que seguem atendendo vítimas em Rio Bonito do Iguaçu e municípios vizinhos. Além da ação da Sesa, prefeituras da região estão enviando doações de medicamentos e insumos para reforçar a estrutura hospitalar.
Até a manhã de domingo (9), 32 pessoas permaneciam internadas, sendo quatro em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Nenhum caso grave foi registrado. Desde sexta-feira (7), foram realizados 835 atendimentos.
O Corpo de Bombeiros informou que não há mais desaparecidos e que as buscas na área urbana foram encerradas. As equipes concentram agora os esforços na reorganização dos serviços essenciais, como o restabelecimento da água e da energia elétrica, além da distribuição de alimentos e água potável.
Entre avenidas movimentadas e bairros cheios de vida, há um lado pouco conhecido da capital paulista: o campo que resiste e prospera dentro da cidade. Pequenos e médios produtores mantêm uma agricultura ativa, sustentável e próxima do consumidor, mostrando que o agro também faz parte da vida urbana.
Localizado no extremo sul da capital paulista, o bairro de Parelheiros é um exemplo de produção rural. A região possui aproximadamente 400 produtores, com destaque para culturas de frutas e hortaliças, segundo a Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo. Além disso, o local possui cerca de 20 quilômetros de estradas rurais.
Nascida e criada no bairro, Yumi Murakami é produtora de frutas e dá continuidade ao legado da família, seguindo os passos do pai na agricultura. “A produção familiar dentro da cidade de São Paulo é uma vitória. Nós temos o privilégio de estarmos em plena capital, a apenas 32 km do centro, plantando em nossa terra, temos nossa água limpa, mantendo a mata ao redor intacta”, destaca Yumi. O cultivo, que começou com o plantio de bananas, evoluiu ao longo dos anos e hoje conta com mais de 15 certificações orgânicas, resultado do trabalho sustentável e da dedicação da família à agricultura familiar.
Atuante nas feiras livres orgânicas da capital paulista, Yumi percebe o aumento constante na procura por produtos orgânicos. Segundo ela, os consumidores buscam cada vez mais alimentos voltados à saúde e reconhecem a diferença no sabor e na qualidade das frutas cultivadas de forma natural. Dessa forma, a produtora mantém o compromisso de oferecer alimentos saudáveis, cultivados com respeito ao meio ambiente e à tradição da agricultura familiar.
Foto: Divulgação/Governo de SP
A produtora Roseilda Lima Duarte, do Sítio Bebedouro Agricultura Orgânica, cultiva hortaliças e frutas e mantém uma atuação que vai além da comercialização. Ela abastece restaurantes, consumidores locais e ainda destina parte de sua produção a projetos sociais e iniciativas de educação ambiental.
Com o apoio da Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo (Cooperapas), ela consegue escoar os alimentos para restaurantes e institutos voltados à produção orgânica, como o Baru, Feira Livre e Chão. Roseilda também abre as portas do sítio para o turismo pedagógico, recebendo escolas e visitantes interessados em conhecer o cultivo orgânico. Ao final de cada visita, todos levam para casa uma sacola com produtos frescos.
Divulgação/Governo de SP
Dessa forma, além de ser uma área rural dentro da zona urbana, a produção em Parelheiros também se destaca pela forma como os produtos chegam ao consumidor. Diferente do caminho que os produtos do interior percorrem, a localização facilita a chegada ao consumidor final, que muitas vezes mora no próprio bairro.
Engenheiro agrônomo e produtor, Luciano Santos realiza o cultivo de plantas ornamentais e cita justamente a diferença do perfil do consumidor da produção urbana. “Nossos principais compradores são varejistas, paisagistas e viveiros da região. Por estarmos na cidade, um dos nossos diferenciais é essa proximidade com o cliente final”, destacou o produtor.
Campo e cidade: mesmo atendimento rural e fiscalização
Assim como na zona rural, a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) também está presente na extensão rural ao agricultor da área urbana. Segundo Lucas Volpato, especialista agropecuário da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) em São Paulo, o perfil do produtor nas áreas urbanas se assemelha muito ao produtor rural. Apesar disso, ele aponta a vocação para a questão agroecológica, afirmando que os agricultores na cidade possuem uma ação maior neste assunto.
“O produtor urbano tem essa questão mais já enraizada. Não é algo que precisamos explicar para ele. É algo que ele já produz dessa maneira, que ele já pensa assim. É um agricultor já mais focado em mudanças climáticas e questões mais agroecológicas”, explicou.
A fiscalização e os aspectos legais das produções em áreas urbanas são iguais às do campo. O ponto crucial a ser observado é se o plantio está em conformidade com as regulamentações municipais da cidade. “Não há restrições para o plantio em zonas urbanas, exceto para culturas mais restritivas, como a laranja. Em geral, a produção deve apenas respeitar a legislação vigente na cidade de São Paulo”, explica Lucas.
A Defesa Agropecuária também atua na capital e realiza a fiscalização das áreas cultivadas com os mesmos critérios aplicados às regiões rurais. Assim, quando se trata de culturas com legislação específica, como banana ou citros, são aplicados os protocolos correspondentes. Durante as vistorias, são verificadas a presença e o uso correto de agrotóxicos, as condições de armazenamento, o uso de equipamentos de proteção individual, as receitas agronômicas e os comprovantes de devolução das embalagens vazias. Também é avaliado o estado de conservação do solo, conforme procedimentos técnicos definidos para cada situação.
Com o apoio técnico e a presença constante da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a produção agrícola da capital mostra que o agro também é parte essencial da cidade de São Paulo
O auditório estava cheio de alemães, mas pareciam brasileiros comemorando gol do time do coração a cada anúncio dos vencedores das seis categorias do prêmio Tractor of the Year 2026 (Trator do Ano), realizado neste domingo (9) na maior feira de máquinas agrícolas do mundo, a Agritechnica, em Hannover.
Além de reconhecer os melhores modelos, a cerimônia de abertura serviu como uma homenagem ao veículo mais versátil do campo. “Excelência é um caminho, não apenas o destino. Tratores representam este ideal”, disse o diretor administrativo da BK Tires, Rajiv Poddar.
Já o diretor administrativo da DLG Markets, Tobias Eichberg, relembrou, bem humorado, um episódio da infância: a primeira vez em que pilotou um trator na vida. Percorreu 50 metros e acidentalmente passou por cima de parte da lavoura de batata da família. “Viraram purê”, disse, aos risos.
Melhor do ano
O trator campeão desta edição representou um significativo salto tecnológico em relação à versão anterior, criticada por conta da falta de conforto na cabine. O Claas Axion 9.450 Terra Trac, à venda por 614 mil euros (R$ 3.789 milhões), ainda sem previsão de chegar ao Brasil, trocou cerca de 60% das peças do seu antecessor, o Axion 900.
A transmissão por engrenagens cônicas, a relação de transmissão e o sistema de lubrificação automática são as novidades no eixo dianteiro. O veículo, top de linha da Class, tem potência máxima de 448 cavalos, torque de até 1.850 Nm e capacidade de tanque de combustível de 860 litros. O intervalo de manutenção passou para 750 horas, significativamente mais longo do que a antiga versão, de 600 horas.
Para este veículo também foi desenvolvido um novo sistema adaptativo de gestão da transmissão que otimiza a rotação do motor com base em algoritmos de autoaprendizagem e mapas de eficiência. A distância entre eixos do Class Axion 9.450 Terra Trac é de 2,95 m e o peso em vazio varia entre 17 e 18 toneladas.
Além disso, o trem de rolamento Terra-Trac conta com roletes com mola para prolongar a vida útil das rodas e esteiras. De acordo com a Class, os roletes centrais passam a ter flanges, permitindo uma remoção mais rápida. O que não mudou é a velocidade máxima do veículo: permanece em 40 km/h.
Apesar de todas as novidades, o produtor rural alemão se mantém pragmático, à imagem do brasileiro. “Se o trator é bom hoje, também será daqui três, cinco anos. Não tenho pressa de comprar nada”, disse o agricultor Andrea Lange, que cultiva trigo e milho em Frankfurt.
Outras categorias
O Tractor of the Year 2026 também elegeu os melhores tratores em cinco outras diferentes categorias. Veja os vencedores:
Trator autônomo: JCB Fartrac 6300
Trator especializado: New Holland T4.120 F Auto Command
Trator utilitário: Valtra G125 CVT Active
Trator médio: Fendt 516 Vario
*O jornalista viajou à Alemanha a convite da organização da Agritechnica 2025