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China participa de reunião liderada por Macron em raras negociações antes do G7


PEQUIM/PARIS, 11 Jun (Reuters) – O vice-primeiro-ministro chinês ⁠Zhang Guoqing participará, nesta quinta-feira, de uma videoconferência ‌organizada pelo presidente francês Emmanuel Macron sobre os desequilíbrios econômicos globais, poucos dias antes da reunião dos países ‌do G7 na França para discutir como lidar com as ondas de exportações chinesas a preços baixos que invadem seus mercados.

Macron, que sediará a cúpula do G7 em Evian-les-Bains na próxima semana, tem buscado dialogar com ⁠Pequim ‌em uma tentativa de última hora de adotar uma ⁠abordagem cooperativa antes que a União Europeia decida se endurecerá sua política comercial em relação à China, afirmam autoridades francesas.

Os líderes da UE se reunirão imediatamente após o encontro do G7, de 15 ​a 17 de junho, com a China ocupando um lugar de destaque na agenda.

A inclusão de Zhang ​na chamada videoconferência “Convergência Global para o Crescimento”, anunciada por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, é um caso incomum de engajamento da China com o G7, que reúne França, Reino Unido, ‌Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Estados ​Unidos, além da UE.

Pequim há muito critica o grupo como ilegítimo para discutir assuntos mundiais e por não ser representativo da ordem mundial.

Há ⁠um alarme crescente ​na Europa ​em relação ao superávit comercial recorde da China e à sua ascensão ⁠na cadeia de valor, com ​suas exportações de veículos elétricos, baterias de íon-lítio e outros produtos de alta tecnologia ameaçando os fabricantes europeus, no que ​analistas descrevem como um “segundo choque chinês”, após seu domínio das indústrias de baixo valor agregado ​na década de ⁠2000.

A China defende sua política industrial e rejeita alegações de que os exportadores ⁠chineses se beneficiam injustamente de subsídios estatais. Ela afirma que outros países estão, ao contrário, minando as regras do comércio global ao impor tarifas unilaterais.



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Vídeo: Dois helicópteros caem em pátio de veículos no Rio de Janeiro


Acidente aéreo ocorreu na manhã deste domingo (14), na Avenida das Américas, na altura do Recreio dos Bandeirantes



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Setor de serviços avança 1,2% em abril e supera projeções do mercado


SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 11 Jun (Reuters) – O volume de serviços no Brasil registrou alta bem acima do esperado em abril e no ritmo mais forte desde o final de 2024, com impulso do setor de transportes e ganhos generalizados, depois de um primeiro trimestre fraco.

Em abril, o volume de serviços aumentou 1,2% em relação ao mês anterior, acima da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,6%, recuperando a perda de 1,1% registrada em março.

Foi o resultado mensal mais forte desde outubro de 2024, quando houve expansão de 1,3%.

Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram ainda que, em relação ao mesmo mês do ano anterior, o volume apresentou ganho de 1,9%, contra projeção de 0,9%.

Com esses resultados, o setor de serviços opera apenas 0,3% abaixo do topo da série, alcançado em outubro de 2025.

“Não há uma mudança de direção do setor de serviços, temos uma manutenção de um setor muito perto do topo sem sinal claro de trajetória ascendente ou descendente”, disse Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE.

“O resultado de março pode ser explicado por conta do modelo de ajuste sazonal. Foi um mês com uma quantidade elevada de dias úteis (22) e o modelo acaba suavizando o movimento, o que acabou gerando uma pressão maior sobre o mês. Já abril acabou beneficiado por essa base de comparação mais baixa do mês anterior”, explicou.

O setor de serviços, que responde por cerca de 70% da economia do país, desacelerou a expansão a 0,5% no primeiro trimestre, de acordo com dados do PIB divulgados pelo IBGE, em meio a um mercado de trabalho forte e medidas de estímulo, mas taxa de juros ainda elevada.

Em abril, todas as cinco atividades do setor investigadas apresentaram ganhos, com destaque para a alta de 0,9% dos transportes.

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“O resultado do setor de transportes é explicado, em grande medida, pelo avanço de 7,0% observado no segmento de transporte aéreo de passageiros”, após dois resultados negativos seguidos, disse Lobo.

“Essa volatilidade é fortemente influenciada pelos preços das passagens aéreas, já que em fevereiro e março houve avanço de 18,4% nos preços, enquanto em abril houve queda de 14,45% desse subitem do IPCA”, completou.

Em abril, o volume de transporte de passageiros avançou 2,6% sobre março, mas o transporte de cargas teve retração de 0,9%, pressionado pela alta o preço do diesel devido à guerra no Oriente Médio, segundo Lobo.

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O índice de atividades turísticas, por sua vez, cresceu 4,1% em abril frente ao mês anterior após dois meses de perdas, ficando 2,2% abaixo do ápice da sua série histórica, de dezembro de 2024.

“Apesar da volatilidade recente, o cenário continua indicando um setor de serviços resiliente, embora com uma tendência de moderação no ritmo de crescimento”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter.



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BCE eleva taxas de juros pela 1ª vez em quase 3 anos por inflação causada pela guerra


FRANKFURT, 11 Jun (Reuters) – O Banco Central ⁠Europeu elevou as taxas de juros pela primeira vez ‌em quase três anos nesta quinta-feira, na esperança de conter a inflação antes que o aumento nos custos da ‌energia, provocado pela guerra no Irã, se espalhe mais amplamente pela economia da zona do euro.

A medida, amplamente telegrafada, ocorre em um momento em que a inflação no bloco monetário de 21 países já está acima de 3%, ⁠bem ‌acima da meta de 2% do BCE, e o ⁠crescimento econômico é muito fraco — um cenário que tem dividido os economistas quanto à necessidade de uma política monetária mais restritiva.

As autoridades do BCE, algumas das quais já haviam pressionado por um movimento em abril, ​seguiram adiante com a decisão, que foi acompanhada por projeções mais altas para a inflação neste ano e ​no próximo.

“A guerra no Oriente Médio está gerando pressões inflacionárias, e a decisão de elevar os juros é sólida em uma série de cenários que mapeiam como o choque pode evoluir e afetar as perspectivas de ‌médio prazo para a zona do euro”, ​afirmou o BCE em um comunicado à imprensa.

O aumento desta quinta-feira é o primeiro desde setembro de 2023 e eleva a taxa de ⁠depósito de referência ​do BCE de ​2,0% para 2,25%.

Economistas esperavam amplamente a medida, afirmando que ela foi projetada principalmente ⁠para conter as expectativas de ​inflação e salvaguardar a credibilidade do BCE, após sua lentidão em reagir ao pico de inflação pós-pandemia em 2022. Vários ​observadores do BCE a caracterizaram como um “aumento preventivo” — uma medida de precaução que pode ser revertida caso as ​pressões sobre os ⁠preços diminuíssem.

Como de costume, o BCE não se comprometeu com nenhum movimento futuro, ⁠mantendo sua linha de longa data de que as decisões serão tomadas a cada reunião, dependendo dos dados que forem recebidos. Os mercados financeiros esperam mais dois aumentos ao longo do próximo ano, com o próximo previsto já para ​setembro.



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cada receita conta uma história e todo sabor desperta uma lembrança – Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul


Há alimentos que alimentam o corpo. Outros, antes mesmo da primeira mordida, despertam lembranças guardadas na memória. O cheiro do melado recém-preparado, a textura de uma cocada feita à moda antiga ou o sabor da rapadura podem transportar alguém para a cozinha dos avós, para o engenho da infância ou para tardes em família que pareciam eternas.

Na Feira da Agricultura Familiar da Tecnofam 2026, os estandes dos produtores assistidos pela Agraer oferecem muito mais do que produtos artesanais. Cada receita carrega um pedaço da história de quem a produz e de quem a leva para casa. São tradições preservadas por gerações que continuam vivas por meio do trabalho no campo.

Foi exatamente essa sensação que a agricultora familiar Cristiane Paula Moraes Vilasboas, do Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, encontrou ao experimentar uma rapadura produzida pela Estância Engenho.

“Eu já havia provado rapadura, mas não com essa textura nem com esse sabor. A cana-de-açúcar remete a muitas lembranças da infância. Hoje é difícil encontrar produtores que fabriquem rapadura, melado ou mesmo garapa. Quando encontramos uma produção como essa, ficamos muito felizes porque ela resgata experiências vividas na infância”, conta.

Para Rosilda dos Santos Araújo, de Ribas do Rio Pardo, a surpresa foi descobrir novos sabores sem perder a conexão com o passado.

“Eu nunca havia imaginado provar rapadura de limão ou de café. Gostei muito, comprei e vou levar para casa. A rapadura desperta muitas memórias afetivas em mim. Lembro do meu pai comendo rapadura com farinha, dos meus avós e da minha infância. Hoje estou levando rapadura de café, que foi uma novidade para mim.”

Do outro lado do balcão, quem produz também reconhece o valor dessas lembranças. Adenilda Dantas de Medeiros, da Estância Engenho, diz que dificilmente alguém prova uma rapadura sem recordar alguém querido.

“Dificilmente você prova rapadura e não se lembra de um parente ou de algum momento da infância. É um doce que traz sempre muitas memórias afetivas. O legal da Tecnofam é ver o feedback do cliente ao vivo, porque eles são o nosso norte”.

Foi justamente buscando inovar sem romper com a tradição que surgiu a rapadura de café. “Sempre achei que a bebida combina muito bem com o doce. Inventamos a receita e deu super certo”, explica.

No Quilombo São Miguel, em Maracaju, a produtora Joaquina Melo Gonçalves Flores Pereira mantém viva uma herança que começou muito antes dela nascer. As cocadas de frutas que produz hoje seguem uma receita ensinada por sua avó, Joaquina, descendente de quilombolas que, segundo a história da família, chegou de Minas Gerais e ajudou a formar a comunidade onde vivem até hoje.

“Aprendi diretamente com ela, porque convivemos por muitos anos. Hoje, além de agregar valor à produção da propriedade, busco preservar essa tradição para que ela não se perca com o tempo.”

As histórias contadas pela avó também permanecem presentes nas panelas. Entre elas, a narrativa sobre a origem da cocada, criada quando escravizados uniram o coco abundante no Brasil ao melado da cana-de-açúcar para produzir um alimento que ajudava na sobrevivência. Até hoje, Joaquina continua preparando versões com melado e rapadura, mantendo o modo tradicional de fazer.

A assistência técnica da Agraer acompanha seu trabalho desde a produção na lavoura até a regularização da atividade, oferecendo orientações sobre adubação orgânica, Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) e apoio permanente ao desenvolvimento da propriedade.

Em Deodápolis, Clarice Gonçalves de Souza carrega uma trajetória semelhante. Assistida pela Agraer desde 1989, ela aprendeu ainda criança a fazer açúcar mascavo, melado e rapadura no engenho da família.

“Meus pais faziam, meus avós também faziam, e eu aprendi com eles. Quando era criança, já ajudava no engenho e participava do processo de produção.”

Para ela, transformar essas receitas em fonte de renda representa a continuidade de uma história construída por gerações, embora exista uma preocupação natural sobre quem dará sequência ao ofício no futuro.

“Tenho orgulho dos caminhos que meus filhos seguiram, mas também penso em quem continuará esse trabalho que faz parte da nossa história.”

Já em Dourados, Fernanda Bastos enxerga um futuro diferente para o legado familiar. Em sua casa, fazer doces sempre foi tradição entre mãe, avó e irmãs. O bolo de mandioca, receita que aprendeu com uma das irmãs, já está sendo ensinado aos próprios filhos.

“Tudo o que eu faço eles fazem, inclusive o de 12 anos. A maioria das receitas eles consegue dominar, então eu sei que a tradição está garantida por pelo menos mais uma geração.”

Na Tecnofam, histórias como essas mostram que a agricultura familiar produz muito mais do que alimentos. Cada pote de geleia, cada pedaço de rapadura ou cada fatia de bolo leva consigo um patrimônio imaterial construído por famílias que transformam ingredientes simples em memória, identidade e pertencimento. Ao adquirir esses produtos, o visitante não leva apenas um sabor para casa, mas participa da preservação de conhecimentos ancestrais que continuam vivos graças às mãos de quem insiste em mantê-los.

Tecnofam – A Tecnofam é resultado da atuação conjunta da Embrapa Agropecuária Oeste e instituições parceiras na busca por soluções alinhadas às demandas regionais e tem como foco a difusão do conhecimento e de tecnologias inovadoras e de baixo custo para fortalecer a produção da agricultura e da agroindústria familiar. A construção coletiva da Tecnofam é o que sustenta sua relevância e crescimento ao longo de suas edições.

O evento é uma oportunidade para que os participantes tenham contato direto com soluções tecnológicas voltadas à sustentabilidade da agricultura familiar e possam realizar trocas, inclusive interinstitucionais, que atendam a suas demandas e necessidades. A realização de um evento desse porte somente é possível com parcerias de inúmeras instituições e organizações, que se unem em prol de um objetivo comum para fomentar o acesso ao conhecimento sobre tecnologias, produtos e serviços que favoreçam os produtores e envolvidos na cadeia produtiva da Agricultura Familiar.

 

Texto e fotos: Ricardo Campos Jr, Comunicação Agraer

 

 



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IGP-M desacelera para 0,21% na primeira prévia de junho, diz FGV


O recuo no Índice de Preços ao Produtor Amplo e no IPC-M sustentou a perda de força do indicador em relação à alta de 0,27% registrada no mesmo período de maio, apesar da aceleração do INCC-M

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) desacelerou a 0,21% na primeira prévia de junho, conforme divulgou a Fundação Getulio Vargas nesta quinta (11). Na primeira prévia de maio, o indicador registrou alta de 0,27%.

O movimento foi sustentado pelo alívio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (0,18% para 0,09%). Também houve perda de força no Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) nesta leitura, de 0,41% em maio para 0,32% em junho.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), porém, acelerou a 0,77% na primeira prévia de junho, após alta de 0,64% na leitura anterior.



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preços ao produtor surpreendem, sobem 1,1% em maio e 6,5% na base anual


O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 1,1% em maio ante abril, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 11, pelo Departamento do Trabalho do país.

Na comparação anual, o PPI avançou 6,5% em maio.

Analistas consultados pela FactSet previam alta mensal de 0,6% e acréscimo anual de 6,4%.

O núcleo do PPI dos EUA subiu 0,4% em maio ante abril. Na comparação anual, o núcleo do PPI avançou 4,9% em maio.

Analistas consultados pela FactSet previam alta mensal de 0,3%.



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Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA têm leve alta


WASHINGTON, 11 Jun (Reuters) – O ⁠número de norte-americanos que ⁠entraram com pedidos de auxílio-desemprego aumentou ligeiramente ‌na semana passada, indicando uma resiliência contínua do mercado de trabalho no início ‌de junho.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 4.000, para 229.000 em dado ajustado sazonalmente, na semana encerrada em 6 de junho, informou o Departamento do Trabalho ⁠nesta ‌quinta-feira. Economistas consultados pela Reuters previam 219.000 ⁠pedidos para a última semana.

Os pedidos tendem a aumentar no início do verão, já que alguns Estados permitem que funcionários não docentes solicitem auxílio-desemprego durante as ​longas férias escolares. Os fatores sazonais, o modelo usado pelo governo para eliminar ​as flutuações sazonais dos dados, nem sempre capturam esses movimentos.

A economia registrou o terceiro mês consecutivo de forte crescimento do emprego em maio, informou o ‌governo na semana passada. A ​taxa de desemprego permaneceu em 4,3%, pelo terceiro mês consecutivo.

Parte da força no crescimento do emprego provavelmente ⁠se deve ​ao baixo ​número de demissões. Uma pesquisa da Federação Nacional de ⁠Empresas Independentes divulgada esta ​semana mostrou que seu indicador de emprego caiu em maio pelo terceiro mês consecutivo, enquanto ​a parcela de proprietários que planejam criar novos empregos nos próximos três ​meses caiu ⁠para o menor nível em seis anos.

Economistas afirmam que ⁠as contratações têm sido limitadas pela incerteza política, incluindo as tarifas de importação do ano passado e, agora, a guerra liderada pelos EUA contra o Irã.



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Crise na oferta de gado já impacta as indústrias frigoríficas dos EUA

A combinação entre a escassez de animais para abate e a disparada dos preços da carne bovina tem levado grandes frigoríficos a rever operações e fechar unidades em diferentes regiões do Estados Unidos.

A JBS USA encerrou, em junho de 2026, as atividades de sua planta de processamento de carne bovina em Souderton, na Pensilvânia, uma unidade com capacidade para processar cerca de 2 mil cabeças por dia.

No mesmo período, a companhia também fechou a planta em Memphis, no Tennessee, fábrica voltada à produção de alimentos processados que empregava aproximadamente 200 trabalhadores.

Em 2025, a companhia já havia fechado a Swift Beef Company, em Riverside, na Califórnia, unidade dedicada à preparação e embalagem de carne bovina para supermercados, com impacto de 374 empregos.

A Tyson Foods também promoveu ajustes importantes. Em janeiro de 2026, a empresa anunciou o fechamento de seu frigorífico bovino em Lexington, Nebraska. A unidade tinha capacidade para processar cerca de 5 mil bovinos por dia, o equivalente a quase 5% de todo o abate diário realizado nos Estados Unidos.

Além disso, a companhia reduziu as operações da planta de Amarillo, no Texas, que passou a funcionar com apenas um turno de trabalho, afetando cerca de 1.700 funcionários.

Outra empresa impactada pelo cenário foi a Cargill, que encerrou em maio de 2026 uma unidade de processamento de carne moída em Milwaukee, Wisconsin. O fechamento atingiu aproximadamente 221 trabalhadores e reforçou o movimento de ajuste da indústria diante da menor disponibilidade de matéria-prima.

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Somente os fechamentos das plantas da JBS em Souderton e da Tyson em Lexington retiraram do mercado uma capacidade estimada em cerca de 7 mil cabeças de bovinos por dia.

Para efeito de comparação, os Estados Unidos abatem atualmente entre 120 mil e 125 mil bovinos diariamente, conforme os dados apontados pela consultoria americana DTN.

Isso significa que os fechamentos recentes representam uma redução de aproximadamente 5% a 6% da capacidade nacional de processamento de carne bovina, evidenciando os impactos da menor oferta de animais sobre toda a cadeia produtiva do país.

Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que o rebanho total de bovinos e bezerros somava 86,2 milhões de cabeças no início de janeiro de 2026, sendo que no mesmo período do ano anterior esse volume era de 86,5 milhões.

Embora a queda anual tenha sido de apenas 0,3%, o número representa o menor estoque bovino norte-americano em 75 anos.

A situação é ainda mais preocupante quando se observa o rebanho de vacas de corte, responsável pela produção de bezerros. O efetivo caiu para 27,6 milhões de cabeças, recuo de 1% em relação ao ano anterior e o menor nível desde o início da década de 1950. Já total de bezerros está estimada em 32,9 milhões, queda de 2% frente ao ano anterior e o menor volume registrado desde 1941.

O resultado é reflexo de anos consecutivos de seca em importantes regiões pecuárias, custos elevados de alimentação e da liquidação de matrizes promovida por pecuaristas durante os períodos mais críticos da crise climática.

Embora alguns indicadores apontem para o início de uma recomposição do rebanho, analistas avaliam que a recuperação será lenta e poderá levar vários ciclos.

Preços e Custos

A escassez de gado nos Estados Unidos elevou o custo da principal matéria-prima da indústria frigorífica. Segundo projeções do USDA, o preço médio do boi terminado para abate, conhecido como fed steer, deve atingir US$ 235,75 por 100 libras de peso vivo em 2026, estabelecendo um novo recorde para o mercado norte-americano.

O avanço é expressivo quando comparado aos anos anteriores. Em 2025, o preço médio do animal ficou próximo de US$ 213 por 100 libras de peso vivo, o que significa uma alta de aproximadamente 10,7% em apenas um ano. Se comparado à média de 2024, estimada em cerca de US$ 187 por 100 libras de peso vivo a valorização acumulada chega a aproximadamente 26% em dois anos.

Na prática, considerando um animal terminado com cerca de 1.400 libras, equivalente a 635 quilos, o custo de aquisição para os frigoríficos passou de aproximadamente US$ 2.620 por cabeça em 2024 para cerca de US$ 2.980 em 2025, alcançando agora valores próximos de US$ 3.300 por animal em 2026. Trata-se de um aumento superior a US$ 680 por cabeça em apenas dois anos.

O impacto sobre a indústria é significativo porque o valor do animal representa entre 80% e 90% dos custos operacionais de um frigorífico bovino. Com menos animais disponíveis no mercado, as empresas precisam disputar a compra dos lotes, elevando ainda mais os preços pagos aos pecuaristas.

Consumo

A menor oferta de gado já chegou ao bolso do consumidor americano. Segundo dados do USDA, o preço médio da carne bovina fresca atingiu US$ 9,64 por libra-peso em abril de 2026, alta de aproximadamente 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já os bifes alcançaram US$ 12,80 por libra-peso, um dos maiores níveis já registrados no país.

A carne moída, considerada um dos principais itens da cesta alimentar das famílias americanas, também bateu recorde. Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que o preço médio da carne moída chegou a US$ 7,06 por libra-peso em maio, avanço de 13,1% em relação a maio de 2025. Na comparação com 2020, a valorização acumulada chega a cerca de 58%.

O aumento da proteína bovina ocorre em um contexto de inflação persistente nos Estados Unidos. Em maio, o índice de preços ao consumidor acumulou alta anual de 4,2%, enquanto os alimentos continuaram entre os itens que mais pressionam o orçamento das famílias.

Questões sanitárias

Além das dificuldades econômicas provocadas pela escassez de gado, a pecuária norte-americana passou a lidar com uma nova ameaça sanitária. A preocupação envolve a mosca-varejeira-do-novo-mundo, parasita considerado um dos mais destrutivos para a produção pecuária nas Américas.

Em maio deste ano, o USDA suspendeu temporariamente a importação de bovinos, cavalos e bisões provenientes do México após a confirmação de novos focos da doença em regiões mais próximas da fronteira norte-americana.

A preocupação do setor é que uma eventual disseminação da praga em território norte-americano aumente ainda mais os custos de produção justamente em um momento em que os pecuaristas escassez da oferta de animais. Além das perdas diretas nos animais, um surto poderia exigir investimentos adicionais em vigilância, controle sanitário, tratamentos veterinários e restrições ao trânsito de animais.

Especialistas do USDA avaliam que a reintrodução da mosca-varejeira representaria um risco significativo para uma cadeia pecuária que movimenta mais de US$ 100 bilhões por ano nos Estados Unidos.

Para evitar a entrada da praga, os Estados Unidos ampliaram as ações de monitoramento nas regiões de fronteira e reforçaram a cooperação com México e países da América Central. A estratégia segue o modelo utilizado nas décadas passadas, baseado no monitoramento permanente e na liberação de insetos estéreis para interromper o ciclo reprodutivo da mosca.

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crianças recebem brinquedos após atendimento na Sala Lilás, em Amambai – Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul


Criado por servidores, espaço já apoiou o acolhimento em 505 exames e organiza atendimento reservado a crianças, adolescentes e mulheres em situação de vulnerabilidade

Antes do exame, a criança escolhe um brinquedo. Pode ser um carrinho, uma boneca, um livro ou uma miniatura entre as opções nas prateleiras da Sala Lilás, na URPI (Unidade Regional de Perícia e Identificação) de Amambai. Naquele momento, o brinquedo ajuda a aproximar a criança da equipe, reduz o medo inicial e torna o ambiente da perícia menos intimidador para quem chega à unidade.

Criada por servidores da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, a Sala Lilás funciona desde março de 2023 e acolhe crianças, adolescentes e mulheres, especialmente em contextos de violência física ou sexual. Desde a implantação, o espaço já apoiou o acolhimento em 505 exames médico-legais realizados na unidade.

Segundo o coordenador regional da URPI de Amambai, perito criminal Paulo Henrique Oliveira, muitas crianças chegam assustadas e sem compreender exatamente por que estão ali. A equipe usa a sala para criar vínculo, reduzir a tensão e preparar a vítima antes da etapa técnica.

“Ela brinca, baixa um pouco a guarda e depois segue para o procedimento. Às vezes, leva o brinquedo junto. Isso ajuda naquele momento”, explica.

O brinquedo como primeiro cuidado

Nas paredes lilás, desenhos de crianças, animais e letras coloridas dividem espaço com trabalhos feitos à mão. Há barraca de dinossauro, tenda, tapete, sofá, mesa infantil, cadeiras pequenas, livros, jogos, carrinhos, bonecas e materiais de desenho.

Tudo parece simples. Mas, no contexto da perícia, cada objeto tem uma função.

Antes de qualquer etapa técnica, a criança precisa reconhecer o ambiente e encontrar algum ponto de segurança. O recurso lúdico ajuda a construir esse primeiro contato e torna a passagem pela unidade menos difícil.

Depois do exame, o cuidado continua. A criança retorna à Sala Lilás, reencontra os objetos que viu antes, senta novamente à mesa, entra na barraca ou retoma a brincadeira interrompida.

A decisão de permitir que ela leve um brinquedo para casa nasceu da observação da própria equipe. Para os servidores, não faria sentido colocar uma criança fragilizada diante de tantos brinquedos, permitir que ela criasse vínculo com um objeto e, depois, pedir que deixasse tudo para trás.

“Quando ela volta para a sala, o choro diminui bastante. A gente vê que funciona”, relata o coordenador.

A iniciativa surgiu da rotina da própria unidade. A equipe percebeu que crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência precisavam de um ambiente mais reservado, funcional e menos intimidador.

No início, a perita médica-legista Ana Paula Miranda, chefe do NRML (Núcleo Regional de Medicina Legal), comprou alguns brinquedos para auxiliar nos atendimentos. Depois, a URPI recebeu uma doação da Receita Federal, o que permitiu ampliar o acervo e organizar melhor o espaço.

“Começou de forma simples, mas a gente sentiu a necessidade de melhorar esse processo”, afirma o perito criminal.

Hoje, a sala reúne itens de diferentes faixas etárias. A criança pode escolher, tocar, testar, brincar e, ao fim do atendimento, levar um ou dois brinquedos consigo. O item passa a ser dela.

Sala também organiza proteção

Embora o brinquedo seja o elemento mais visível do acolhimento, a Sala Lilás faz parte de uma organização maior dentro da URPI de Amambai. A unidade estruturou um fluxo interno para preservar vítimas e evitar contato com possíveis autores de violência.

Crianças, adolescentes e mulheres entram pela porta principal e seguem para uma área reservada. Pessoas custodiadas, quando precisam passar por avaliação médico-legal, entram por acesso lateral, em viatura, e são encaminhadas para outro ambiente.

“De maneira nenhuma acontece esse encontro. São lados opostos da unidade”, explica o coordenador regional.

A separação reduz o risco de constrangimento, intimidação ou revitimização, especialmente em casos de violência doméstica e sexual. Também mostra que o cuidado começa antes do exame, na forma como a vítima é recebida.

Crianças, adolescentes, mulheres e outras situações sensíveis

A Sala Lilás foi criada com foco no acolhimento de crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência, mas também passou a ser usada em outras situações que exigem abordagem cuidadosa.

Crianças que acompanham mães durante exames de corpo de delito podem permanecer no espaço. Crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) em atendimento de identificação civil também podem ser encaminhadas à sala, quando necessário, para aguardar em um ambiente mais reservado. O mesmo ocorre em coletas de DNA cível, quando o ambiente lúdico ajuda a reduzir medo, agitação ou resistência.

Na prática, a sala garante mais privacidade às mulheres, reduz a exposição de crianças e adolescentes e oferece à equipe técnica melhores condições para conduzir o atendimento sem ignorar a condição emocional de quem está diante dela.

Prova pericial com cuidado humano

A Polícia Científica atua na produção da prova técnico-científica que subsidia procedimentos policiais e processos judiciais. Em casos de violência, esse trabalho exige método, precisão e responsabilidade. Também exige escuta, ambiente adequado e respeito ao tempo da vítima.

A experiência da Sala Lilás mostra que o acolhimento pode melhorar o atendimento sem interferir no rigor técnico do exame.

Para o coordenador-geral de Perícias da Polícia Científica, Nelson Fermino Junior, a proposta une técnica e acolhimento.

“A prova pericial continua precisa e indispensável para a Justiça. Mas a experiência de Amambai mostra que o acolhimento também precisa fazer parte desse caminho. É uma iniciativa que queremos fortalecer e levar para outras unidades”, afirma.

Para a equipe da URPI de Amambai, o brinquedo não muda a finalidade do exame nem reduz a gravidade do caso. Mas ajuda a construir uma travessia mais segura para a criança: antes da técnica, há vínculo; depois da perícia, há uma lembrança concreta de cuidado.

Maria Ester Jardim Rossoni – Comunicação PCi-MS
Fotos: Paulo Henrique Oliveira

 



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