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STF conclui julgamento sobre revisão da vida toda no INSS; entenda o caso


O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quinta-feira, 9, o julgamento sobre a chamada “revisão da vida toda” do INSS para quem havia pleiteado o recálculo da aposentadoria em um período específico. A Corte já havia decidido contra a tese em junho, no plenário virtual, e agora considera o caso como “transitado em julgado” – ou seja, finalizado e com baixa no sistema.

O placar da votação foi de 7 votos a 3 para rejeitar pedidos feitos pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) em favor dos aposentados. A organização tentava reverter decisão contrária à revisão ou ao menos garantir o pagamento para parte dos beneficiados.

A tese da “revisão da vida toda” buscava incluir, no cálculo dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os salários anteriores a julho de 1994, quando foi implantado o Plano Real.

Entenda idas e vindas

O Supremo foi favorável à tese da revisão em dezembro de 2022. Contudo, em abril de 2024, a Corte decidiu afastar sua aplicação, frustrando a expectativa de aposentados e pensionistas.

A mudança de posição foi no julgamento de outra ação, que tratava sobre o fator previdenciário. Na ocasião, os ministros decidiram que a regra que conta os salários a partir de 1994 é obrigatória e os aposentados não podem escolher o cálculo mais favorável.

O caso tem grande relevância fiscal para a União, que estimou impacto de até R$ 480 bilhões para as contas públicas caso o Supremo concordasse com a revisão dos benefícios.

O Supremo também já decidiu que os segurados não deverão devolver benefícios pagos com base na “revisão da vida toda” até 5 de abril de 2024 – data em que o Supremo decidiu derrubar a tese. Os honorários e custas judiciais das ações até aquela data também não poderão ser cobrados.



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Como fica o rodízio de carros em SP nesta sexta, pós-feriado?


O Rodízio Municipal de Veículos está suspenso para carros nesta sexta-feira (10) por causa do feriado prolongado da Revolução Constitucionalista de 1932, celebrado na quinta-feira (9). A Prefeitura de São Paulo informou que a medida foi adotada em razão da previsão da redução na circulação de veículos durante o feriado prolongado.

As demais restrições permanecem em vigor, como o Rodízio de Veículos Pesados (caminhões), a Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC) e a Zona de Máxima Restrição aos Fretados (ZMRF).

Rodízio comum

Em dias úteis, o Rodízio Municipal de Veículos restringe a circulação de veículos no centro expandido das 7h às 10h e das 17h às 20h. O calendário segue o último número da placa:

– Segunda-feira: finais 1 e 2;

– Terça-feira: finais 3 e 4;

– Quarta-feira: finais 5 e 6;

– Quinta-feira: finais 7 e 8;

– Sexta-feira: finais 9 e 0.

Desrespeitar a restrição é infração média, sujeita a multa de R$ 130,16 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH)

O feriado de 9 de julho é celebrado em todo o Estado de São Paulo desde 1997 e homenageia a Revolução Constitucionalista de 1932. Na época, civis e militares paulistas iniciaram um movimento armado contra o governo provisório de Getúlio Vargas, que havia assumido o poder em 1930 sem convocar eleições gerais e sem promulgar uma nova Constituição.



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economia

inflação sobe 0,16% em junho, abaixo do esperado pelo mercado


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16% em junho de 2026, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na base de comparação anual, o avanço foi de 4,64%.

As expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 0,31% em junho e de 4,80% em 12 meses.

O grupo Habitação exerceu a maior pressão sobre o índice, com avanço de 0,63% e impacto de 0,10 ponto percentual, embora tenha desacelerado em relação à alta de 1,22% observada em maio. O principal destaque continuou sendo a energia elétrica residencial, cuja alta perdeu força, passando de 3,67% para 1,53%, mas ainda representou o maior impacto individual do mês, de 0,06 ponto percentual.

Além da manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, o resultado refletiu reajustes em concessionárias de Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. No Rio de Janeiro, a alta de 5,61% na energia elétrica incorporou a retomada de um reajuste tarifário de 15,10%, conforme determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Ainda em Habitação, a taxa de água e esgoto avançou 0,30%, influenciada por reajustes em Brasília, Rio Branco e Curitiba, enquanto o gás encanado recuou 0,57%, refletindo uma redução média de tarifas no Rio de Janeiro.

O grupo Despesas pessoais registrou a segunda maior alta entre os nove grupos pesquisados, com avanço de 0,25%, impulsionado principalmente pelos aumentos nos serviços de empregado doméstico (0,53%) e de cabeleireiro e barbeiro (0,65%).

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Em Saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,23%, destacaram-se os artigos de higiene pessoal, especialmente os perfumes, além dos planos de saúde. A alta de 0,34% nos planos reflete a incorporação do reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Já o grupo Transportes subiu 0,17%, influenciado principalmente pelo aumento de 7,12% nas passagens aéreas. Por outro lado, os combustíveis ajudaram a conter a inflação ao registrar queda de 0,48%, com recuos em todos os principais itens: etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).

No grupo Alimentação e bebidas, houve uma mudança significativa de direção. Após alta de 1,33% em maio, os preços recuaram 0,24% em junho, gerando o principal alívio para o índice, com impacto negativo de 0,05 ponto percentual.

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A alimentação no domicílio caiu 0,39%, influenciada pelas reduções nos preços do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). Entre as exceções, destacaram-se as altas do feijão-carioca (8,31%) e da batata-inglesa (3,57%).

A alimentação fora do domicílio também desacelerou, passando de alta de 0,49% em maio para 0,15% em junho. Tanto os preços dos lanches quanto das refeições perderam força no período, contribuindo para o cenário de inflação mais moderada observado no mês.

(Com Agência IBGE)

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Pai que chutou filha no PR é suspeito de agredir enteado de 5 anos


O homem que agrediu a filha de três anos com um chute no rosto em Francisco Beltrão, no Paraná, também é suspeito de cometer violência física contra o enteado, um menino de cinco anos, informou nesta quinta-feira (9) um dos delegados responsáveis pelo caso, Ricardo Moraes.

Segundo Moraes, as agressões teriam ocorrido algumas semanas antes do chute na criança mais nova, que foi gravado por uma câmera de segurança na rua em que andavam. A suspeita é de que o menino tenha sido atingido no rosto com um cinto ou um pedaço de madeira e o garoto ainda teria algumas marcas, cujas provas foram incluídas no inquérito. A reportagem não localizou a defesa do pai, que não teve a identidade revelada.

Há indícios de que aquela agressão não foi a única e tampouco só contra a menina. O outro menino, que seria enteado dele, também já teria sofrido algumas agressões pretéritas. Todo esse contexto foi levado ao conhecimento do Ministério Público e do Poder Judiciário, que expediu o mandado de prisão”, afirmou o delegado Ricardo Moraes em entrevista coletiva.

Entenda o caso

A Polícia Civil do Paraná investiga um homem que foi filmado agredindo a própria filha, de 3 anos, em Francisco Beltrão, no sudoeste do estado. O caso aconteceu no último domingo (5) e ganhou repercussão após imagens de câmeras de segurança circularem nas redes sociais. As gravações mostram o homem caminhando com a menina e outro filho, de 5 anos. Em determinado momento, ele desfere um chute na criança, que cai no chão. Logo depois, um terceiro homem tenta intervir, mas é confrontado pelo pai.

A mãe das crianças tomou conhecimento da agressão ao ver o vídeo compartilhado nas redes sociais e registrou um boletim de ocorrência na terça-feira (7). Em resposta à Jovem Pan, a Polícia Civil informou que o investigado compareceu à unidade policial e foi ouvido na tarde de quarta-feira (8). Ele confirmou a agressão e alegou que foi motivado pelo choro da criança, porém disse não se recordar completamente dos fatos.

Além disso, a Polícia confirmou que segue com a oitiva de testemunhas e está em busca de mais imagens de câmeras de videomonitoramento de todo o trajeto percorrido pelo suspeito e pelas crianças. A vítima foi submetida a exame de lesão corporal e a PCPR também aguarda a conclusão do laudo pericial. Como não houve prisão em flagrante, o investigado foi liberado após ser ouvido. De acordo com o delegado Anderson Andrei, foi instaurado um inquérito e o homem responderá pelo crime de lesão corporal.



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economia

Balança Comercial de julho registra superávit de US$ 2,273 bilhões na 1ª semana


A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 2,273 bilhões na primeira semana de julho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 6, o valor foi alcançado com exportações de US$ 5,891 bilhões e importações de US$ 3,618 bilhões.

Até a primeira semana de julho, comparado ao mesmo período do mês de 2025, as exportações avançaram 40,6%. O desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 1,5% em Agropecuária, a US$ 947 milhões; alta de 81,7% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,761 bilhão e, por fim, aumento de 39,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 3,167 bilhões

Em relação às importações, houve elevação de 10,4% na mesma comparação. Houve queda de 15,0% em Agropecuária, que somou US$ 75 milhões; crescimento de 86,6% em Indústria Extrativa, a US$ 245 milhões e, por fim, expansão de 7,4% em Indústria de Transformação, a US$ 3,288 bilhões.

Acumulado do ano

De janeiro até a primeira semana de julho, o ano acumula superávit de US$ 44,630 bilhões, um crescimento de 39,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 37,184 bilhões.

A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 90,0 bilhões neste ano, crescimento de 32,3% em relação a 2025. O resultado projetado para este ano é decorrente de uma previsão de US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações.



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economia

Em audiência sobre tarifas, exportadores brasileiros destacam riscos para EUA


Representantes de entidades empresariais e da sociedade civil do Brasil e dos Estados Unidos participaram, em Washington, de uma audiência pública que foi realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para discutir a proposta de aplicação de tarifas e outras medidas comerciais sobre produtos brasileiros exportados para a maior economia do mundo.

O governo brasileiro enviou observadores. Empresários brasileiros que participaram da reunião de hoje — a primeira de duas (a segunda está marcada para amanhã) — e falaram em nome de setores econômicos brasileiros atingidos pelas medidas disseram ao GLOBO que estão moderadamente otimistas sobre possível mudança de postura dos americanos, dado o tom técnico adotado pelas autoridades.

Neste primeiro dia de audiências, os depoimentos dos representantes de exportadores brasileiros se concentraram em mostrar principalmente como a decisão de Trump de tarifar adicionalmente importações do Brasil pode acabar ampliando custos para a indústria americana e para a sua cadeia de fornecedores, o que levaria a alta de preços para empresas e consumidores.

No Brasil, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como “arbitrária” a decisão dos EUA, anunciada em junho, de aplicar um novo tarifaço contra o país após a conclusão de uma investigação comercial do USTR, contestada pelo Brasil.

O USTR também publicou manifestações feitas por escrito por empresas. Com data de 1º de julho, empresas americanas, como a gigante de bebidas Coca-Cola, a montadora de Elon Musk Tesla e o site de vendas de usados eBay recomendaram que os Estados Unidos não adotem tarifas sobre produtos brasileiros, sob pena de serem prejudicados o fornecimento, a produção e o comércio de seus itens em solo americano.

Seção 301

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A audiência de hoje faz parte da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974, que permite ao governo daquele país retaliar nações cujas políticas sejam consideradas injustificadas, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio americano.

Nesta etapa, o USTR ouve empresas, especialistas e associações antes de elaborar sua recomendação final sobre a adoção das medidas propostas. Não é a primeira vez que empresários brasileiros participam desse tipo de reunião nos EUA. No ano passado, audiências públicas também foram realizadas em Washington após o presidente dos EUA, Donald Trump, decretar os primeiros tarifaços sobre produtos brasileiros.

‘Ambiente diferente’

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Durante a reunião, cada participante teve cinco minutos para sua manifestação. Em seguida, respondiam perguntas do USTR.

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, um dos que falaram na reunião, avaliou que a audiência teve um ambiente mais técnico e favorável ao Brasil do que o observado em setembro do ano passado. Segundo ele, representantes de áreas como agricultura, comércio, Tesouro, trabalho e saúde participaram da sessão, elevando o nível das discussões.

— O ambiente foi muito diferente daquele que enfrentamos em setembro do ano passado. As perguntas foram mais técnicas, mais específicas e mais aprofundadas — afirmou.

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Importadores americanos defendem Brasil

Matos diz que o Brasil foi amplamente defendido por entidades nacionais e por representantes da indústria americana, que estão entre os importadores de produtos do Brasil, o que ele atribuiu a um resultado do trabalho realizado ao longo dos últimos meses para aproximar empreendedores dos dois países.

Na audiência, o Cecafé defendeu a manutenção da isenção tarifária para o café verde e para o café torrado e moído, além da inclusão do café solúvel na lista de exceções. A entidade argumentou que o produto é um insumo importante para a indústria americana, que o utiliza na fabricação de bebidas prontas para consumo e outros produtos de maior valor agregado.

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— A gente mostrou que o café solúvel brasileiro gera valor para a indústria americana, ajuda a manter a estabilidade de preços ao consumidor e beneficia diferentes segmentos do mercado nos Estados Unidos.

Na avaliação de Matos, a postura dos integrantes do USTR indicou maior abertura para compreender os impactos econômicos das medidas propostas, especialmente sobre a cadeia produtiva americana.

— Existe uma janela de oportunidade. É um otimismo com moderação, mas hoje há um contexto que não existia no ano passado.

Defesa do Pix

O professor de Economia e Finanças da FGV Gustavo Pessoa, que participou do sexto painel da audiência como representante da sociedade civil, também avaliou que boa parte das manifestações foi favorável ao Brasil.

Ao lado de Vinícius Nunes Pinto, executivo brasileiro com experiência no setor de pagamentos, Pessoa fez uma defesa do Pix como um meio de pagamento democrático no Brasil que não ameaça os negócios das bandeiras de cartões americanas. Um representante do Departamento do Tesouro dos EUA perguntou como os EUA poderiam se beneficiar de eventual integração como o Pix.

— Respondi que o Pix não é o maior sistema de pagamentos instantâneos do mundo, porque o sistema indiano é quatro vezes maior que o nosso (em volume transacionado), mas que o caso brasileiro é o de maior sucesso, dada a adesão da população e das empresas. Eu disse que a tecnologia veio para ficar, assim como os pagamentos digitais, e que seria interessante para os EUA, que são a maior potência financeira do Ocidente, aprenderem e se adaptarem, se integrarem — afirmou o professor da FGV.

Pinto diz ter sugerido uma integração entre o Pix e o Fed Now, que está sendo desenvolvido pelo Federal Reserve, o BC dos EUA, que segundo ele são sistemas muito parecidos.

— Eles são parecidos, baseados na mesma tecnologia, no mesmo padrão de mensageria, então existe a possi8blidade de criar pontes entre os dois, fortalecendo ainda mais o comércio entre os dois países.

Dados desatualizados

Algumas falas de americanos na audiência em favor de novas tarifas sobre produtos brasileiros, especialmente durante o segundo painel — que reuniu entidades relevantes do agronegócio dos dois países — chamaram a atenção de Pessoa:

— Durante os depoimentos, muitos representantes usaram como justificativa para a aplicação de medidas com base na Seção 301 um suposto aumento do desmatamento no Brasil. O que me chamou a atenção é que praticamente todos utilizaram dados com recorte até 2022, sem apresentar números mais atualizados.

Próximo passo

Após a audiência, as entidades terão cinco dias para enviar documentos complementares, caso considerem necessário reforçar algum ponto apresentado. Em seguida, o USTR dará sequência à elaboração da recomendação final da investigação da Seção 301 à Casa Branca.

A Câmara de Comércio Americana (Amcham Brasil) teve sua fala conduzida pela representante da entidade em Washington, Kristina Rosales. Ela centrou sua argumentação na perspectiva dos EUA.

— O ponto central foi mostrar que a eventual aplicação de sobretaxas sobre importações brasileiras vai ter efeitos negativos para a própria economia americana em relação a aumento de custos e perda de competitividade do setor produtivo, que usa insumos, máquinas e equipamentos e produtos exportados pelo Brasil — contou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, que esteve diretamente em contato com Kristina, após sua fala no início da tarde.

Outro ponto destacado, segundo ele, é que tornar a importação do Brasil mais cara abriria mercado para concorrentes asiáticos, como a China, mercados com os quais os EUA já mantêm um déficit em comércio exterior, enquanto com o Brasil o resultado é superavitário. Ou seja, o Brasil importa mais do que exporta para os EUA.

— A China exporta mais de 90% dos produtos que seriam afetados. E está entre os principais fornecedores de mais de 52% das categorias que podem ser alvo da taxação adicional — ponderou Neto. — Outra coisa é que reduz a influência econômica dos EUA no Brasil. De janeiro a maio deste ano, a participação do país no comércio exterior brasileiro caiu ao menor patamar histórico.

Via diplomática

Kristina foi questionada pelas autoridades americanas sobre que alternativas seriam adequadas em alternativa à aplicação de tarifas ao Brasil. De largada, ela reforçou que há tempo para um esforço de negociação entre os governos dos dois países para alcançar um acordo que evite a tarifação adicional. O governo do presidente Lula já tem equipes em negociações com técnicos da gestão de Trump.

Entre possibilidades sugeridas pela Amcham estão discutir maior acesso a mercados de alguns setores no Brasil, como de componentes para indústria e infraestrutura digital; elaborar um acordo bilateral em minerais críticos, além de, no comércio digital, mirar na prorrogação de longo prazo da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a cobrança de tarifas alfandegárias sobre transmissões eletrônicas.

Risco de inflação a partir do arroz

Na vez da Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz), o questionamento dos americanos foi outro, conta Andressa Silva, diretora-executiva da entidade.

— A pergunta feita pelo comitê foi por que o arroz produzido nos EUA não substitui o brasileiro. Explicamos que isso ocorre em função da preferência e do perfil dos consumidores atendidos — explicou ela. — Falamos sobre os potenciais impactos sobre pequenas e médias empresas americanas que atendem a comunidade latina, além de toda a cadeia de valor envolvida e do potencial aumento de custo para o consumidor americano.

A defesa da inclusão do arroz brasileiro na lista de exceções à nova tarifa feita pela associação também sublinhou que as relações comerciais no setor entre os dois países são bem estabelecidas e não poderia ser substituídas de forma imediata, pontuou a executiva:

— Foi um ambiente receptivo, oportunidade importante de esclarecimento por parte dos setores privados. Esperamos ter uma avaliação cuidadosa, no sentido de manter as exportações brasileiras de arroz sem a incidência de tarifa adicional.

Líder pecuarista associa boi brasileiro a desmatamento

Segundo Pessoa, um dos discursos mais contundentes foi o de Jenna Stanton, diretora de Política e Assuntos Públicos da Associação de Pecuaristas dos Estados Unidos (USCA, na sigla em inglês). Em sua apresentação, ela associou produtos brasileiros ao desmatamento, à corrupção e ao trabalho ilegal e defendeu que a carne brasileira deixasse a lista de exceções e passasse a ser tarifada.

Pessoa participou da audiência por iniciativa própria e levou uma defesa técnica do Pix, um dos temas citados na investigação do USTR. O órgão americano sustenta que como o sistema foi estruturado pelo Banco Central pode conferir uma vantagem competitiva considerada injusta em relação a empresas americanas de pagamentos eletrônicos.

Na apresentação, o economista argumentou que o Pix não deve ser tratado apenas como um meio de pagamento, mas como uma infraestrutura financeira estratégica, essencial para o funcionamento da economia brasileira. Segundo ele, a discussão deveria se concentrar em aspectos como transparência, governança, interoperabilidade e acesso ao sistema, em vez da adoção de tarifas comerciais.

— O Pix deixou de ser apenas um meio de pagamento. Hoje ele é uma infraestrutura crítica para o funcionamento da economia brasileira. Em vez de enxergá-lo apenas como um problema comercial, os Estados Unidos poderiam aprender com essa experiência e buscar formas de cooperação nessa área — disse.

Inflação de alimentos

João Marcello Varrichio Messas, representante da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), saiu otimista deste primeiro dia de audiências:

— Tivemos uma visão 360 graus. Falamos do mel orgânico brasileiro e da importância no atendimento da demanda dos EUA, uma vez que eles não produzem esse mel e consomem muito, tendo sua demanda atendida em 95% pelo Brasil — destacou: — E em outro painel, tivemos os dois maiores importadores e o maior engarrafador de mel orgânico americanos, mostrando que cada US$ 1 de mel orgânico importado se transforma em US$ 5,50 para a economia do país.

Segundo ele, o Brasil reúne condições únicas para a produção de mel orgânico, contando com uma mescla entre abelha europeia e abelha africana. Com a forte resistência a doenças, dispensam o uso de antibióticos e medicamentos, como exige a regulação, com coleta de pólen e mel diretamente de florestas naturais nos maiores biomas brasileiros, distantes e fontes de contaminação. Todas caraterísticas que buscou destacar nos EUA.

Messas respondeu ao comitê que não é possível atender o mercado americano com outras fontes de produção por falta de escala comparável à do Brasil. Incentivar essa produção nos EUA, acrescentou, também não é viável pelo clima do país, do tipo de abelha e outros fatores. O risco é a escassez levar a aumento de preços ao consumidor americano.

Combate à falsificação

Já Rodrigo Ouro Preto Santos, vice-presidente da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI), reforçou que a área pode fazer aprimoramentos contínuos, mas que o país conta com legislação atualizada de proteção de marcas e produtos e que cumpre as determinações de proteção de propriedade intelectual determinadas em acordos com o de Paris e os no âmbito da OMC.

— Eles reclamam que há práticas discriminatórias a empresas americanas, mas isso não é verdade. Temos mecanismos de combate à violação de marcas e patentes inclusive no judiciário — disse ele.

Santos citou mudanças como o plano de combate ao estoque de pedidos de patentes INPI, que normatiza o setor. A fila, destaca ele, encolheu de mais de 147 mil pedidos, em 2019, para 527 no início deste ano, quando o contador de solicitações em estoque foi desativado.

Outra medida destacada é a regra que permite à Receita Federal, nas aduanas do país, reter e apreender produtos identificados como falsificados após consulta ao titular do direito de marca e propriedade intelectual.

Questionado pelos americanos sobre como seria possível contornar a taxação, ele afirmou que o caminho é a colaboração entre entidades do setor dos dois países.



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IGP-DI passa a cair 0,79% em junho e recua mais que o esperado, mostra FGV


SÃO PAULO, 7 Jul (Reuters) – ⁠O Índice Geral de Preços-Disponibilidade ⁠Interna (IGP-DI) caiu mais do que o esperado ‌em junho, a uma taxa de 0,79%, depois de avanço de 0,87% no mês anterior, ‌informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de uma deflação de 0,60%. O resultado do mês levou o índice a acumular em 12 meses avanço ⁠de ‌3,59%.

No período, o Índice de Preços ao ⁠Produtor Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador geral, caiu 1,36%, de alta de 0,95% no mês anterior.

‘No IPA, a queda do índice foi influenciada principalmente pelas commodities ​minerais e agrícolas’, destacou Matheus Dias, economista do FGV IBRE.

Os dados do IGP-DI mostram que ​o minério de ferro passou a recuar 4,12% em junho, de alta de 0,31% em maio, enquanto o café em grão teve queda de 8,68%, após taxa negativa ‌de 7,69% no mês anterior.

Já o ​Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que responde por 30% do IGP-DI — mostrou que a pressão aos consumidores diminuiu ao ⁠desacelerar a ​alta a ​0,36% em junho, de 0,60% em maio.

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Esse resultado reflete a desaceleração ⁠dos grupos Alimentação e ​Habitação, que representam, em conjunto, 40% do IPC, segundo Dias. Enquanto o primeiro teve alta de 0,47% em ​junho, de 1,29% antes, o segundo avançou 0,37%, ante 1,18%.

O Índice Nacional de ​Custo de ⁠Construção (INCC), por sua vez, registrou desaceleração da alta a 0,78% em ⁠junho, de 0,88% antes.

O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência.

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(Por Camila Moreira; Edição de Eduardo ​Simões)



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Hoje é feriado? Saiba onde o 9 de julho é folga nesta quinta-feira


Nesta quinta-feira (9) é feriado em todo o estado de São Paulo por causa da Revolução Constitucionalista de 1932. A data é considerada feriado estadual desde 1997 e altera o funcionamento de serviços públicos, comércio e outros estabelecimentos nos 645 municípios paulistas.

O movimento teve início em 9 de julho de 1932, quando tropas e parte da população de São Paulo se levantaram contra o governo provisório de Getúlio Vargas. O principal objetivo era pressionar pela convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e pela elaboração de uma nova Constituição.

Após quase três meses de confrontos, as forças paulistas foram derrotadas militarmente. No entanto, no ano seguinte, o governo federal convocou eleições para a Assembleia Constituinte, que resultaram na promulgação da Constituição de 1934.

Para trabalhadores e estudantes do estado, o feriado representa uma pausa no calendário de julho. Depois dele, o próximo feriado nacional será em 7 de setembro, quando é celebrada a Independência do Brasil.

*texto produzido com auxílio de IA



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XP reduz projeção do Brent e vê IPCA mais baixo, mas mantém Selic em 14% em 2026







A XP Investimentos revisou suas projeções macroeconômicas após a queda mais forte do petróleo no mercado internacional, com a expectativa de que o Brent encerre o segundo semestre de 2026 em US$ 75 por barril, ante estimativa anterior de US$ 85.

Segundo os economistas da casa, o movimento reduz receitas de exportação e arrecadação no Brasil, mas também diminui a pressão inflacionária global e reduz a chance de o Federal Reserve (Fed, banc central dos EUA) elevar juros no curto prazo.

No cenário doméstico, a XP manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,0% em 2026, com viés de alta diante do acúmulo de medidas expansionistas. Para 2027, porém, reduziu a estimativa de expansão de 1,2% para 1,0%, refletindo o fim dos estímulos de curto prazo e uma possível desaceleração do crédito.

No campo fiscal, a menor arrecadação relacionada ao petróleo deve ser parcialmente compensada pela redução da subvenção aos combustíveis. A XP projeta déficit primário de 0,3% do PIB em 2026, mas destaca que despesas financeiras maiores ampliam o impulso fiscal e pressionam a trajetória da dívida pública.

A casa também elevou a previsão de déficit em conta corrente para 2,5% do PIB em 2026, contra 2,1% anteriormente, diante da queda das exportações de petróleo e do aumento dos gastos com serviços. O Investimento Direto no País (IDP) deve permanecer robusto, alcançando 3,1% do PIB.

Câmbio e inflação

A XP aponta que a incerteza política, a queda nos preços das commodities e a valorização global do dólar podem pressionar o câmbio. Apesar disso, o balanço de pagamentos segue favorável, mantendo a projeção de dólar a R$ 5,00 no fim de 2026 e R$ 5,30 ao final de 2027.

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Com o petróleo mais barato, a instituição reduziu a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 de 5,5% para 5,2%. Para 2027, a projeção permanece em 4,2%, embora os riscos continuem concentrados para cima.

Juros

A XP avalia que uma inflação menos pressionada no curto prazo reforça a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em agosto. No entanto, fundamentos ainda desfavoráveis devem levar o Banco Central a adotar cautela posteriormente.

A projeção para a Selic ao fim de 2026 foi mantida em 14,0%. Para 2027, a XP espera retomada do ciclo de cortes, com a taxa básica encerrando o ano em 11,5%, diante de uma desaceleração da atividade e da hipótese de algum avanço no ajuste fiscal.

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Eleições presidenciais

Analistas da XP destacam que as eleições começam a ganhar espaço nos debates de mercado, com pesquisas recentes indicando uma recuperação da popularidade do Presidente Lula, à medida que os consumidores sentem o impacto dos estímulos econômicos recentes.

Por outro lado, a XP comenta que o principal candidato de oposição, Flavio Bolsonaro, perdeu algum terreno após eventos que o associaram a Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Mas ele continua sendo um candidato competitivo, de acordo com a maioria das pesquisas”, pontua. “Por ora, as notícias relacionadas às eleições criaram volatilidade de curto prazo, mas não uma tendência para os preços dos ativos, já que as incertezas permanecem elevadas.”



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GCM morre atingido por disparo acidental de colega em viatura em SP


Um guarda civil metropolitano de 33 anos morreu após ser atingido por um disparo acidental efetuado por uma colega dentro de uma viatura, na manhã de quarta-feira (8), no centro de São Paulo. O incidente aconteceu na Rua Augusta durante uma colisão de trânsito.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os guardas civis relataram que a viatura em que estavam foi atingida por um veículo que realizava uma conversão à esquerda. No momento do impacto, a arma de uma das agentes disparou acidentalmente e atingiu a vítima.

O guarda foi socorrido e encaminhado à Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos. A perícia técnica foi acionada ao local e a arma da guarda, assim como os veículos envolvidos na ocorrência, foram apreendidos para análise.

O caso foi registrado no 4º Distrito Policial (Consolação) como disparo de arma de fogo e colisão. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do ocorrido para o esclarecimento dos fatos.



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