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Fãs prestam homenagem a Lito Sousa durante velório do influenciador em São Paulo


O velório de Lito Sousa, influenciador da aviação que morreu na quinta-feira (1º), aconteceu na manhã desta sexta-feira (2), na zona norte de São Paulo. Marcado pela presença de fãs, amigos e a família do aviador, a despedida foi organizada pela Força Áerea Brasileira (FAB).

Lito foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurológica rara, grave e de rápida progressão.

As homenagens foram abertas ao público das 9h às 12h, na Organização Militar Museu Aeroespacial Paulista (MAPA), localizado na Avenida Braz Leme, 2594, em Santana.

Em pronunciamento pela primeira vez após a morte de Lito, a esposa do influenciador, Mila Seidl, agradeceu pelas mensagens durante todo o período do tratamento desde que o diagnóstico veio a público e também pelo consolo após a morte de seu esposo.

O único pedido de Mila foi que os fãs que fossem prestar homenagens a Lito não tirassem foto, buscando preservar Malone, o filho de 7 anos do casal.

Morte do influenciador

A morte de Lito Sousa foi comunicada no início da noite de quinta-feira, nas redes sociais. “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre”, diz a legenda da publicação.

Em 21 de agosto, a esposa de Lito, Mila Seidl, informou que ele havia sido diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A condição pode causar perda progressiva de funções cognitivas, alterações de comportamento, dificuldades de movimento e outros sintomas neurológicos. A evolução costuma ocorrer de forma rápida.

A doença é rara e tem incidência estimada em aproximadamente um a dois casos por milhão de pessoas por ano. Atualmente, não há tratamento eficaz estabelecido para a condição.

Após o diagnóstico, a família buscava acesso a tratamentos experimentais. No entanto, os medicamentos experimentais procurados ainda estão em fase de pesquisa e não têm eficácia comprovada contra a DCJ. O acesso depende dos critérios dos estudos, das empresas responsáveis e das autoridades regulatórias.

Uma das alternativas procuradas era o remédio experimental ION717, da farmacêutica Ionis. Segundo a família, o estudo está fechado para novos participantes e o medicamento não está disponível, no momento, por uso compassivo.

A família também procurou pesquisadores ligados ao Broad Institute, de Harvard e do MIT. Lito chegou a participar de uma entrevista com responsáveis por uma das pesquisas.

O Ministério da Saúde chegou a formalizar um pedido para que Lito seja incluído na fase inicial de testes do estudo clínico em Harvard, nos Estados Unidos. O Itamaraty também mobilizou embaixadas brasileiras em países onde existem ensaios clínicos relacionados à doença, na tentativa de obter a inclusão do influenciador em estudos experimentais.

Em 4 de setembro, a Anvisa autorizou a importação e utilização do medicamento experimental ALN-6457 (siRNA conjugado a C16 dirigido à proteína priônica) de forma excepcional para o uso de Lito. No mesmo dia, o influenciador disse ter uma nova perspectiva sobre o tratamento em vídeo publicado nas redes sociais.

“Eu vou ter muito trabalho depois que eu melhorar. Estou longe do meu ideal, continuo com inflamação no cérebro, mas, felizmente, a minha cognição não foi afetada e continuo lembrando do passado”, disse Lito na gravação.



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Por que a dívida pública é importante e deve pautar o governo do próximo presidente


Quem vencer a eleição presidencial, cujo primeiro turno acontece neste domingo (4), vai assumir em janeiro um país que gasta mais do que arrecada e cobre a diferença pegando dinheiro emprestado, levando a uma dívida pública que não para de crescer e que já equivale a mais de 80% de tudo o que a economia brasileira produz em um ano.

Em reais, a dívida bruta passou de R$ 2,7 trilhões no fim de 2013 para R$ 11 trilhões em agosto, e só neste ano cresceu mais de R$ 1 trilhão. Como parte desse salto vem da inflação, a comparação mais usada é com o tamanho da economia. Por esse critério, a dívida subiu de 51,5% para 82,9% do PIB no período, com pico perto de 88% na pandemia.

“É como se fosse uma família, apesar de muita gente não gostar de comparar o país com uma família, mas é um país que está se endividando para comer em restaurante, para ir para o cinema. Uma hora essa conta vai chegar”, diz Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A dívida começou a subir de forma mais acelerada a partir de 2014, com saltos mais fortes em 2015 e em 2020. Em 2022, teve queda com ajuda da inflação, que inflou o PIB nominal e reduziu o peso relativo da dívida.

Mudar de rota não é simples. Cerca de nove em cada dez reais gastos pelo governo federal, sem contar os juros, já têm destino definido por lei, como aposentadorias e salários, e boa parte das mudanças depende do Congresso.

Mesmo assim, o tema ficou praticamente fora da campanha. Nem o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, nem o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário, apresentaram um plano detalhado para as contas públicas.

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(Fonte: Banco Central)

O banco Morgan Stanley lembra que o rombo antes dos juros encolheu bastante entre 2023 e 2025, e a consultoria 4intelligence vê receitas resilientes e despesas crescendo em ritmo menor, com o desemprego baixo. Além disso, o JPMorgan pondera que só 7% dela está em moeda estrangeira e que o país tem reservas internacionais elevadas, o que ajuda a manter relativamente baixo o prêmio de risco cobrado do Brasil no exterior.

Mas a projeção atualmente é de crescimento constante da dívida. A 4intelligence estima que ela chegue a 87,9% do PIB em 2027, e as expectativas de mercado compiladas pelo BC apontam para 102% em 2035. Segundo projeção do FMI, que usa critério diferente, a dívida brasileira deve fechar 2026 perto de 96% do PIB, ante 77% na média dos emergentes.

Por que a dívida subiu tanto?

A principal causa é a conta de juros, que se soma à dívida todo mês. Em 2025, segundo o BC, os juros responderam por quase toda a alta do endividamento, enquanto o rombo antes dos juros teve peso pequeno.

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E os juros subiram muito principalmente devido ao combate à inflação, que segue acima da meta. Para trazê-la de volta, o Banco Central mantém a Selic elevada, mesmo com os cortes recentes. Dentro do país, o desemprego baixo e os gastos do governo, que estimulam o consumo, pressionam os preços. De fora, vem o petróleo caro, puxado pelo conflito entre EUA e Irã.

A desconfiança sobre as contas públicas ajuda a piorar a situação. Quanto maior a desconfiança sobre as contas públicas, mais o mercado cobra para financiar o governo, o que pressiona os juros de longo prazo, e limita o espaço para o BC cortar juros que balizam empréstimos e financiamentos na economia real.

O problema fiscal é global, e se intensificou desde a pandemia, quando governos de vários países se endividaram mais, e os investidores passaram a cobrar mais caro para financiá-los. Recentemente, a inflação acelerada pela crise do petróleo agravou o quadro, e os juros de longo prazo subiram em boa parte do mundo.

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Nos EUA, a dívida americana passou de US$ 40 trilhões e já custa cerca de US$ 1 trilhão por ano em juros. O juro do título americano de 10 anos chegou na quinta-feira (1º) ao maior nível desde 2002. A França, antes vista como porto seguro na zona do euro, passou a pagar mais caro para se financiar depois de anos de déficits. “A França não perdeu acesso ao mercado; passou, porém, a pagar mais por ele”, aponta o UBS em relatório.

(Fonte: Banco Central, 12 meses até agosto de 2026)

O problema não é exclusivo do Brasil, mas, para Solange Srour, chefe de macroeconomia para o Brasil do banco suíço, isso não serve de consolo. “Tratar a deterioração fiscal como inevitável ou como parte de um ‘novo normal global’ apenas transfere seus custos para juros, inflação, investimento, crescimento e distribuição de renda”, afirma.

Segundo economistas os empréstimos subsidiados bancados pelo Tesouro, como os do Minha Casa Minha Vida, que não aparecem no rombo antes dos juros, mas aumentam a dívida, fazem parte da lista de problemas que precisam ser resolvidos.

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Leia também: Cresce a parcela de culpa dos EUA no problema do juro brasileiro

Como impedir a explosão da dívida?

Para a dívida parar de crescer, o governo precisaria voltar a fechar as contas com sobra antes dos juros. As estimativas são de cortes de gastos de 2% a 3,4% do PIB. Para Alberto Ramos, do Goldman Sachs, um resultado desse tamanho é muito improvável no curto prazo.

Economistas defendem uma agenda de ajuste fiscal, com revisão de uma regra atualmente com pouca credibilidade no mercado, aliada a reformas capazes de reduzir as despesas do governo ao longo do tempo.

“Metas ambiciosas de resultado primário, por si só, não bastam e precisam ser acompanhadas de reformas que enfrentem a rigidez do lado das despesas”, afirma o Morgan Stanley, em relatório, que lembra que parte crescente dos gastos passou a ficar fora do limite da regra, e que aumentar impostos ficou mais difícil, já que a carga tributária está no maior nível desde 2008.

“Saldos de restos a pagar crescentes tornam mais complexa a gestão fiscal, que ainda precisa viabilizar o cumprimento da meta fiscal estabelecida para cada exercício”, ressalta o economista-chefe da Warren Rena, Felipe Salto, em nota, sobre as despesas assumidas em um ano e pagas no seguinte, que podem dobrar em relação aos últimos anos

Do lado da receita, existe a avaliação de que exportações de commodities e investimentos em novas tecnologias, como data centers, podem ajudar a conciliar gastos sociais com o ajuste.

Do lado dos cortes, estão opções como a redução dos subsídios da indústria, que permanecem em patamares elevados há anos, e revisão das despesas obrigatórias, que vão representar 91,7% das despesas em 2027, e é da pequena fatia restante que sai também o investimento. “O desafio não é simplesmente o nível dos gastos, mas o limitado controle do governo sobre as despesas”, pondera o Morgan Stanley.

Na apresentação do Orçamento de 2027, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, destacou que a desaceleração dos gastos obrigatórios abriu espaço para gastos livres. “Ainda é um espaço de pequeno valor, mas a boa notícia é que, frente à desaceleração da despesa obrigatória, ele se ampliou”, afirmou.

As despesas obrigatórias crescem automaticamente, e inclui coisas como os pisos constitucionais da Educação e da Saúde, e o reajuste da previdência, atualmente indexada ao salário mínimo.

Leia também: Inflação vira o maior medo dos mais ricos no mundo inteiro

Gastos primários, sem contar juros; obrigatórios somam 91,7% (Fonte: proposta de Orçamento de 2027)

O que se espera dos candidatos

Pelos programas registrados, na leitura do Goldman Sachs, um quarto mandato de Lula traria, no máximo, medidas modestas de contenção de gastos e de aumento de impostos, e um governo de Flávio tenderia a uma agenda de cortes, privatizações e uma regra fiscal mais forte.

Cordenonssi vê lacunas nos dois lados. “O Lula é mais ou menos fazer o ajuste fiscal sem cortar gastos sociais, no resumo. O Flávio tem o símbolo ‘tesouraço’, fazer um corte do que não fala onde que vai cortar”, explica.

O Morgan Stanley avalia que um ajuste gradual funcionaria, desde que o mercado acredite no ponto de chegada. Mas alguns economistas insistem que é importante fazer um ajuste sem esperar a queda da Selic. “Esperar que os juros caiam antes de estabilizar a dívida inverte a causalidade”, diz Srour, do UBS. “A qualidade do ajuste importa tanto quanto seu tamanho”, diz.

Qualquer que seja o vencedor, o caminho passa pelo Congresso, porque mexer nos gastos obrigatórios costuma exigir mudanças na Constituição. “Os contornos gerais do ajuste são bem conhecidos, mas são mais fáceis de listar do que de implementar”, afirma o JPMorgan.

A experiência internacional mostra que é possível mudar a trajetória. Segundo levantamento do Banco Mundial, entre 50% e 60% dos episódios de ajuste fiscal desde 1980 conseguiram estabilizar ou reduzir a dívida. A Grécia, por exemplo, cortou sua dívida em cerca de 65 pontos percentuais do PIB desde 2020.

Para Ramos, do Goldman Sachs, a resposta só virá depois das urnas. “O veredito real virá depois da votação, quando as promessas fiscais e a estratégia encontrarem a realidade política”, avalia.



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Após proibição das bets, última semana registrou queda de 3,1% no número de Pix


O número de operações feitas via Pix registrou, na última semana de setembro, a maior queda para o período desde 2022. O recuou mais acentuado ocorreu na mesma semana em que o governo federal publicou a medida provisória que proibiu as apostas em bets no país.

Uma análise do GLOBO com base nos dados do sistema de pagamentos entre os dias 24 e 30 de setembro mostra que foi realizada 1,57 bilhão de transferências, volume 3,1% abaixo da semana imediatamente anterior e 7,5% menor que a média das três semanas anteriores.

A retração foi a maior observada em uma última semana de setembro desde 2022. Contudo, apesar de ocorrer em meio à proibição das bets, não é possível atribuir a mudança apenas à nova legislação. A quantidade de operações e o valor transferido via Pix sofrem variações sazonais ao longo do mês e do ano. Datas associadas a pagamentos de salários, feriados, fins de semana e períodos de maior consumo, por exemplo, podem alterar significativamente o volume de transações.

Por lei, apostas e pagamentos nas bets só podem ser feitos via Pix.

As últimas semanas de setembro já vinham registrando redução no número de operações em relação à semana anterior. Entretanto, a intensidade foi maior tanto na comparação entre a última semana e a semana anterior quanto em relação às três semanas anteriores.

A queda da última semana comparada à semana anterior havia variado de 1,9%, em 2025, a 2,4%, em 2023. Em 2026, chegou a 3,1%.

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A diferença também aparece quando a referência é a média das três semanas anteriores do mesmo mês. Nesse critério, a queda de 7,5% em 2026 também foi a maior da série de setembro. Até então, o maior recuo havia sido de 6,7% em 2025.

Volume movimentado cresce

A redução na quantidade de Pix, entretanto, não foi acompanhada por uma queda no dinheiro movimentado. Embora o número de operações tenha recuado 3,1% em relação à semana anterior, o volume financeiro transferido cresceu 5,3%. Com isso, o valor médio por operação aumentou 8,7%.

Quando a última semana é comparada à média das três anteriores, o contraste permanece: a quantidade de operações caiu 7,5%, enquanto o valor movimentado recuou apenas 1,2%. O valor médio de cada Pix ficou, assim, 6,8% maior.

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O mesmo fenômeno aparece nos dois últimos dias de setembro. Nos dias 29 e 30, o número de operações ficou 4,1% abaixo da média dos quatro pares equivalentes anteriores, formados pelos mesmos dias da semana. O valor movimentado, por outro lado, ficou 10,2% acima, fazendo com que o tíquete médio fosse 14,9% maior.

O resultado também aparece em uma comparação que leva em conta o dia da semana. Nos dias 29 e 30 de setembro, uma terça e uma quarta-feira, foram realizadas 474 milhões de operações. O número ficou 0,7% abaixo da média dos 12 pares anteriores formados pelos mesmos dias da semana.

Por esse critério, foi a primeira vez desde 2021 que o fechamento de setembro ficou abaixo de sua referência. Nos cinco setembros anteriores, os dois últimos dias haviam registrado de 3,3% a 18% mais operações que os respectivos períodos comparáveis quando considerados o dia da semana.

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Para o levantamento, o GLOBO utilizou as estatísticas diárias do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), publicadas pelo Banco Central. Os dados são agregados e não permitem identificar remetentes e destinatários das transferências. Por isso, não é possível separar as operações relacionadas às plataformas de apostas das demais movimentações feitas pelo Pix.

A Medida Provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o país foi editada no dia 25 de setembro pelo presidente Lula.

O Banco Central determinou que instituições financeiras, instituições de pagamento e demais participantes dos arranjos de pagamento impeçam o processamento, a liquidação e a viabilização de transações destinadas às casas de apostas desde a publicação da medida. A restrição não se aplica, porém, às operações necessárias ao encerramento das atividades e à restituição de valores aos apostadores.

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Destacar agro sustentável é uma das alavancas para adicionar valor às exportações


Destacar as boas práticas de sustentabilidade aplicadas no agronegócios brasileiro é uma das alavancas importantes no sentido de adicionar valor às exportações nacionais, disseram nesta sexta-feira (2) executivos dos setores de proteína animal e sucroenergético, durante painel de comércio exterior no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), festival que acontece em São Paulo.

Roberto Perosa, Presidente Executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), citou os trabalhos para garantir a sanidade e qualidade das carnes brasileiras, destacando que o Brasil está livre de febre aftosa e sem vacinação.

E lembrou dos trabalhos de promoção, com a associação realizando cerca de 20 eventos por ano e todo o mundo, oportunidades em que o setor comprova que consegue elevar sua produtividade sem prejudica o meio ambiente. Segundo a ABIEC, a produtividade cresceu 183% nos últimos nãos, enquanto a área de pastagem foi reduzida em 20%.

Uma outra característica do setor de carne bovina é a possibilidade  de diversificar os envios de cortes de acordo com as especificidade de cada mercado. Os cortes nobres (traseiros), por exemplo, são consumidos pelo mercado interno e têm boa aceitação no Oriente Médio e União Europeia. Já os cortes dianteiros são mais aceitos na China e nos Estados Unidos, que os utilizam para a produção de hambúrgueres e almôndegas. E o miúdo bovino brasileiro tem portas abertas em países asiáticos.

O setor de cana-de-açúcar, por sua vez, está vendo um potencial enorme se abrir por conta do interesse na descarbonização e na transição energética. Conforme lembrou no painel Eduardo Leão de Sousa, diretor de Estratégia e Novos Mercados da ÚNICA, o crescimento esperado da população mundial até 2025 aumentará a demanda por energia em 35%.

Ele disse que a fragilidade do mercado de combustíveis fósseis, que ficou escancarada após o fechamento do Estreito de Ormuz, alertou o mundo para a questão da segurança energética e o etanol tem as respostas.

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Hoje, segundo ele, mais de 70 países já usam diferentes graus de mistura do etanol na gasolina, alguns de maneira obrigatória, como o Brasil.

A constatação é que há muito potencial de agregação de valor na descarbonização.

A informação é uma ponta às vezes não explorada pelo setor, mas que também tem muita relevância, segundo Vera Ondei, presidente da Rede Brasil de Jornalistas Agro (Agrojor). Essa rede agrega 138 jornalistas especializados no agro, em 12 estados, que têm como missão traduzir a complexidade do setor para o público.

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E a Agrojor faz parte de uma federação internacional de jornalistas do agro, importante num momento em que há um interesse muito grande lá fora em entender o sucesso do Brasil. Em março, 51 dos jornalistas internacionais que fazem parte da federação estiveram no Brasil para conversar com produtores rurais. “A comunicação internacional não pode começar só quando acontece uma crise. Um setor seguro do que está fazendo tem de estar seguro para responder”, recomendou a jornalista.



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Mulheres enfrentam barreiras no agro; novo plano mira crédito e liderança

No ano da mulher rural na Organização das Nacões Unidas, o Brasil abre espaço para receber sugestões para a construção do Plano Nacional de Mulheres do Agro (PNMA), iniciativa inédita que pretende estruturar políticas públicas voltadas à participação feminina nas diferentes cadeias do agronegócio brasileiro.

O PNMA ficará dentro do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e foi elaborado pela área técnica da pasta. Uma das organizadoras, a auditora fiscal Andrea Parrila, afirmou que entre os objetivos estão reduzir as desigualdades de produtividade entre estabelecimentos geridos por homens e por mulheres. 

De acordo com o Censo de 2024, 19% dos estabelecimentos agropecuários são liderados por mulheres. De acordo com Parrilla, se a desigualdade produtiva entre os gêneros diminuir, o PIB mundial pode ter um acréscimo de US$ 1 trilhão. 

No caso do Brasil, o Plano é uma forma de apresentar solução prática de curto prazo, acrescenta a auditora durante a apresentação do documento no GAFFFF (Global Agribusiness Forum).

A expectativa é que as contribuições ajudem a consolidar a versão final do plano, cuja formalização por meio de portaria está prevista para novembro. Com a publicação ainda em 2026, a intenção é permitir que a implementação das primeiras ações comece já no início de 2027.

O PNMA foi elaborado pelo Ministério da Agricultura em conjunto com a Câmara Temática das Mulheres Rurais do MAPA, que reúne representantes do poder público, setor produtivo, instituições de ensino e pesquisa e organizações da sociedade civil. A proposta é que a construção seja participativa.

O plano parte do diagnóstico de que, apesar da presença feminina em atividades que vão da produção e gestão à pesquisa, comercialização, cooperativismo e liderança, ainda existem obstáculos para uma participação mais ampla das mulheres no setor.

Entre os principais gargalos identificados estão o acesso limitado ao crédito rural e à titularidade da terra, a baixa presença feminina em espaços de decisão, a cobertura insuficiente de assistência técnica e extensão rural voltada às necessidades das mulheres e a falta de dados desagregados que permitam orientar políticas públicas.

Crédito, tecnologia e liderança entre as prioridades

A proposta está organizada em sete eixos estratégicos. Um deles é produção, crédito e patrimônio, com medidas voltadas à ampliação do acesso feminino ao crédito rural, instrumentos de proteção e financiamento, titularidade de terras e ativos e sucessão nas propriedades agropecuárias.

Outro eixo prevê ampliar o acesso à assistência técnica e extensão rural (ATER), além de capacitação, tecnologias e ferramentas adequadas às necessidades das produtoras. O plano também pretende incentivar empreendedorismo, cooperativismo, agregação de valor e maior inserção das mulheres nos mercados brasileiro e internacional.

A participação feminina em posições de comando também aparece entre as prioridades. O PNMA propõe fortalecer a presença das mulheres nos espaços de decisão e governança do agronegócio, além de tratar de sucessão, um dos desafios para a continuidade das atividades no campo.

Observatório deve produzir dados sobre mulheres no campo

Uma das ferramentas previstas no plano é a criação do Observatório das Mulheres Rurais do Brasil. A estrutura deverá produzir indicadores desagregados por gênero para subsidiar tanto a implementação quanto a avaliação das políticas destinadas às mulheres do setor.

A falta desses dados é considerada um dos entraves para o desenho de políticas mais específicas. O tema aparece como um eixo próprio do PNMA, dedicado à produção de conhecimento, geração de informações e avaliação de impacto das iniciativas.

O plano também inclui medidas relacionadas à qualidade de vida e à permanência no campo, como inclusão digital, acesso a serviços essenciais e proteção à maternidade. A sucessão feminina entre as novas gerações aparece nesse mesmo conjunto de ações.

O último eixo trata do reconhecimento e da transformação cultural, com iniciativas para aumentar a visibilidade das mulheres no agronegócio e enfrentar barreiras culturais e de gênero.

A estratégia do governo é transformar essas diferentes frentes em uma política nacional articulada. Segundo as diretrizes do PNMA, o objetivo é ampliar a autonomia econômica e o protagonismo produtivo das mulheres e, ao mesmo tempo, fortalecer a inovação, a competitividade e o desenvolvimento sustentável do agronegócio brasileiro.

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Indústria recua 0,6% em agosto e acende alerta para retração do PIB no 3° trimestre


A produção da indústria recuou 0,6% em agosto, comparado a julho, um resultado abaixo das expectativas do mercado. Segundo a análise dos economistas, o dado acende um alerta sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que já tinha previsão de recuo a 0% e, agora, tem chances de ser negativo.

A avaliação dos especialistas destaca que a queda disseminada em diversos setores industriais aponta para o enfraquecimento do consumo e a paralisação de investimentos, reflexo dos juros altos e do aumento da inadimplência entre pessoas físicas e jurídicas.

Segundo o IBGE, entre as 25 classes de atividade pesquisadas, 16 registraram retração. Todas as quatro grandes categorias econômicas encolheram na margem, com a indústria de transformação e a indústria extrativa caindo 0,7% cada. Na comparação com agosto do ano anterior, a indústria como um todo recuou 1,2%.

Grandes categorias econômicas Agosto – Julho 2026* (%) Agosto 2026 – Agosto 2025 (%) Janeiro – Agosto/2026 (%) 12 Meses (%)
Bens de Capital -0,6 -4,1 -5,3 -5
Bens Intermediários -0,2 0,1 1,6 1,1
Bens de Consumo -1,5 -3,4 0,3 0,2
Duráveis -1 2,8 2,1 0,8
Semiduráveis e Não Duráveis -1,7 -4,5 0 0,1
Indústria Geral -0,6 -1,2 0,8 0,6
*Série com ajuste sazonal
Fonte: IBGE

Revisões do PIB 

O resultado da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) levou à revisão de cenários de projeção do PIB. Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, destaca que a produção ficou abaixo das expectativas de mercado, que esperava alta de 0,1%. 

“Os dados de produção industrial em agosto são consistentes com o enfraquecimento da atividade incorporado em nosso cenário-base”, avalia Margato.

Como consequência direta, a XP revisou o rastreamento (tracking) do PIB do terceiro trimestre para o território negativo, passando de uma estimativa de estagnação (0,0%) para uma queda de 0,1% em relação ao segundo trimestre. 

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A equipe econômica do Itaú destacou que o resultado reduz o carry-over estatístico para o terceiro trimestre, o que “aumenta a probabilidade de uma contração da produção industrial” na comparação trimestral e “reforça os riscos de baixa para nossa estimativa de acompanhamento do PIB”. 

No ASA, o economista Leonardo Costa também alertou que, embora mantenha a projeção de crescimento de 0,2% para o PIB do período, “o balanço de riscos está indicando risco para baixo” diante da perda de tração da atividade.

Segundo o economista Antônio Ricciardi, do Banco Daycoval, o dado confirma que a desaceleração da atividade econômica deve continuar durante o terceiro e o quarto trimestres, após os efeitos parciais de estímulos do governo observados no início do ano terem se dissipado.

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Juros altos seguram investimentos

A categoria de Bens de Capital caiu 0,6% no mês e despencou 4,1% na comparação interanual, acumulando cinco quedas consecutivas nesta métrica. Esse dado mostra que o investimento produtivo está baixo, com menor compra e encomenda de máquinas e equipamentos.

“A queda do mês é ruim, mas o que realmente preocupa está em bens de capital, que é o termômetro do investimento produtivo”, diz André Matos, CEO da MA7 Capital. “Máquina que não é fabricada agora é produtividade que não existe daqui a três anos”, adverte o executivo.

A política monetária restritiva é a principal âncora desse recuo. Sob juros reais elevados, o crédito caro reduz o apetite das empresas por risco e expansão. 

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Breno Grou, CEO da Sinter Futura, diz que o primeiro sinal aparece nos pedidos, com lotes menores, reposições mais frequentes e clientes mais cautelosos. 

Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, estende a conta do atraso estrutural. Ele estima que, se o quadro persistir em 2027, um volume entre R$ 15 bilhões e R$ 25 bilhões em investimentos industriais pode ser adiado. 

“O efeito seria relevante porque posterga expansão de capacidade, modernização de plantas e ganhos de produtividade, tornando a recuperação da produção mais lenta”, explica.

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Impacto na Selic

Embora uma demanda mais fraca reduza o espaço para repasse de preços em bens industriais, o alívio não é suficiente para ancorar a inflação agregada, segundo os especialistas.

Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital, destaca que o mercado de trabalho ainda permanece aquecido, o que sustenta o consumo e limita o ritmo de flexibilização dos juros.

“Demanda fraca de indústria não resolve inflação de serviço, e é por isso que esse dado sozinho não abre espaço para o Banco Central acelerar”, afirma Matos, da MA7 Capital.

“Apesar dos cortes recentes, a Selic continua em patamar elevado e deve seguir assim por um bom tempo”, avalia Claudia Moreno, economista do C6 Bank. 

Além disso, fatores externos continuam pesando. Fábio Murad, da Wiser Asset, alerta que se os juros internacionais permanecerem elevados ou se tiver maior aversão ao risco, a depreciação do real pode encarecer insumos e máquinas, anulando parte do benefício desinflacionário da demanda menor.



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Estimativa projeta novo recorde na safra de soja


A produção de soja deve alcançar um recorde na série histórica. Mas essa não é a novidade. A estimativa de janeiro…



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Setor de máquinas amplia investimentos em automação e IA no campo

A John Deere e o Grupo AGCO, dono das marcas Fendt e Valtra, ampliam os investimentos em automação e inteligência artificial (IA) para avançar no desenvolvimento de sistemas autônomos no agronegócio. As fabricantes buscam incorporar novas tecnologias às máquinas e operações agrícolas, com foco em eficiência, precisão e autonomia nas decisões.

A John Deere tem como meta desenvolver sistemas completamente autônomos a partir de 2030. Segundo Cristiano Correia, vice-presidente global da companhia, a estratégia acompanha a transição da agricultura de precisão para uma nova etapa, definida por ele como agricultura de decisão.

“Estamos entrando em uma era da agricultura de decisão, acima da era da agricultura de precisão. Sairemos do campo da suposição e vamos trazer precisão e o melhor uso da tecnologia no campo”, afirmou Correia durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo.

A fabricante também investiu R$ 180 milhões em um centro voltado ao desenvolvimento e à melhoria da automação. A iniciativa busca ampliar a autonomia em toda a escala de operação agrícola.

O executivo destacou ainda o uso de inteligência artificial e visão computacional para otimizar a aplicação de produtos nas lavouras. Segundo ele, essas tecnologias podem contribuir para a sustentabilidade econômica e aprimorar as atividades cotidianas no campo.

AGCO aposta em autonomia operacional

Na mesma direção, o Grupo AGCO também investe no desenvolvimento de tecnologias para automatizar as operações agrícolas. Marcelo Traldi, vice-presidente das marcas Fendt e Valtra na América Latina, afirmou que a companhia já direciona recursos para ampliar a automação e a autonomia das atividades no campo.

“Estamos acima da média de todos os requisitos de desenvolvimento. A automação é uma realidade e buscamos avançar nesse desenvolvimento com um investimento que já é realidade”, declarou.

Segundo Traldi, as soluções automatizadas podem complementar as atividades agrícolas, oferecendo maior autonomia para as decisões e controle operacional. O executivo também mencionou investimentos de dezenas de milhares de dólares no desenvolvimento dessas tecnologias.

As iniciativas das duas fabricantes refletem a busca do setor de máquinas agrícolas por soluções capazes de ampliar a eficiência operacional e integrar recursos digitais às atividades no campo. Com a evolução da inteligência artificial e da automação, a expectativa é avançar de equipamentos que auxiliam o produtor na tomada de decisões para sistemas com maior capacidade de executar operações de forma independente.

O GAFFFF, organizado pela Datagro, reúne produtores rurais, empresários, investidores e especialistas para discutir inovação, tecnologia, sustentabilidade e competitividade no agronegócio. A edição de 2026 acontece nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque, em São Paulo.

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Emprego e salários esfriam nos EUA e aliviam pressão para alta de juros pelo Fed


A geração de vagas de trabalho nos Estados Unidos veio abaixo do esperado, apontando para uma desaceleração na economia americana, o que, na visão de especialistas, tende a reduzir a urgência do Federal Reserve (Fed) para uma nova elevação das taxas de juros na reunião de outubro.

Segundo o relatório de emprego (Payroll), o país criou 29 mil vagas em setembro, enquanto o consenso do mercado variava entre 80 mil e 90 mil novos postos. Além disso, os dados dos meses anteriores sofreram revisões para baixo. A taxa de desemprego subiu para 4,2%, contra 4,1% no mês anterior.

Os salários também desaceleraram mais que o esperado, com alta de 0,1%, quando a projeção era de 0,3%. Em 12 meses, o indicador passou de 3,1% para 3%.

Perda de ritmo no mercado de trabalho

Para Leandro Padulla, economista do ASA, o relatório mostra a perda de ritmo na criação de vagas e uma moderação mais clara dos salários. No entanto, ele pontua que o dado ainda não caracteriza uma deterioração acentuada do mercado de trabalho, mas indica tendência. “Para o Fed, o resultado reforça a possibilidade de manutenção dos juros em outubro”, afirma.

Vinicius Flores, sócio da Stratton Capital, vê uma composição “mais construtiva do que o número cheio sugere”, com a fraqueza concentrada no setor público, enquanto a indústria aponta aumento de atividade.

A leitura da alta do desemprego deve ser feita junto ao aumento da taxa de participação, que foi a 61,79%, o maior nível desde maio. “Significa que mais pessoas entraram no mercado, seja trabalhando, seja procurando emprego”, afirma Felipe Mecchi, economista do C6 Bank.

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Ele pondera que o mercado de trabalho americano continua forte com boa dinâmica, com a média de contratações dos últimos três meses estável em 51 mil.

Para o C6, o cenário justifica uma política monetária restritiva, sendo mais provável que a elevação da taxa de juros ocorra em dezembro.

Menor pressão salarial

A pressão salarial também deu sinais de alívio e, para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, isso tende a reduzir a pressão por novas altas de juros porque estabiliza o volume de recursos circulando.

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Mas, a conjuntura econômica não é confortável para a avaliação da política monetária do Fed. Kayo classifica como uma “situação delicada”, uma vez que o desemprego segue baixo e a inflação continua bem acima da meta de 2%. “Agora, a expectativa é de manutenção de juros e aumento somente na última reunião do ano”, afirma o economista da Nomad.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, chamou a atenção para as revisões “bastante relevantes” dos dados anteriores, como o de agosto, que reduziu de 162 mil para 133 mil postos de trabalho.

Alves destaca a repercussão imediata nos mercados: os rendimentos (yields) dos títulos de dívida americanos recuaram, o dólar cedeu e os ativos de risco, como bolsas e ouro, performaram bem. No campo político, o estrategista avalia que o aumento do desemprego “não é positivo quando se pensa nas eleições de meio de mandato”, complicando a situação do atual governo.

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Consenso e impactos nos mercados

Outras casas de análise corroboram a tese de que o Payroll fraco afasta o aperto monetário imediato, postergando decisões para o fim do ano.

Para Carlos Lopes, economista do BC, o payroll “retira a urgência” da alta de juros, postergando as chances de uma elevação apenas em dezembro, projetada por Luis Ferreira, CIO do EFG Asset para as Américas, em 0,25.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, ressalta que o mercado reage ao menor risco de aperto, mas alerta que “uma desaceleração persistente também pode comprometer consumo e lucros empresariais”.

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Para o mercado brasileiro, o analista Leonel Oliveira Mattos, da StoneX, observa que a menor expectativa de juros americanos faz “pressão baixista para a nossa taxa de câmbio”, levando o real a operar em queda ao redor de R$ 5,21, enquanto os investidores também monitoram o cenário eleitoral doméstico.



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ADM e CJ CheilJedang anunciam joint venture de aminoácido para ração animal

A americana ADM e a sul-coreana CJ CheilJedang anunciaram nesta sexta-feira (2) um acordo para a criação de uma nova joint venture voltada à produção e comercialização de aminoácidos utilizados na alimentação animal. 

A iniciativa reúne ativos das duas empresas nos Estados Unidos e no Brasil e tem como objetivo ampliar a oferta desses produtos nas Américas.

A nova empresa será majoritariamente controlada pela CJ CheilJedang e terá direitos exclusivos para fabricar e vender aminoácidos destinados à alimentação animal na América do Norte e na América do Sul. O início das operações ainda depende de aprovações regulatórias e das etapas habituais para a conclusão da transação.

A joint venture reunirá três unidades industriais. Da CJ serão incorporadas as instalações de produção por fermentação localizadas em Fort Dodge, no estado americano de Iowa, e em Piracicaba, no interior de São Paulo. A ADM contribuirá com sua fábrica de aminoácidos para alimentação animal em Decatur, Illinois.

Além das unidades industriais, a nova companhia terá acesso às estruturas comerciais da CJ no México, no Brasil e nos Estados Unidos. A CJ também licenciará à joint venture sua propriedade intelectual relacionada à produção de aminoácidos para alimentação animal nas Américas.

Entre os produtos envolvidos está a lisina, um aminoácido utilizado na formulação de rações para animais. Segundo as empresas, a nova estrutura foi planejada para oferecer uma fonte de fornecimento de longo prazo em um mercado considerado competitivo.

Kris Lutt, vice-presidente de Inovação e Crescimento da ADM, afirmou que a joint venture pretende ampliar a oferta doméstica de aminoácidos nos Estados Unidos. Segundo ele, decisões recentes do Departamento de Comércio dos EUA e da Comissão de Comércio Internacional dos EUA relacionadas às importações de lisina proveniente da China também influenciaram a avaliação da empresa sobre a operação.

A CJ manterá a propriedade de sua propriedade intelectual e de seus negócios globais de fermentação que não fizerem parte da joint venture. As demais operações da ADM em Decatur e seus outros ativos globais de fermentação também ficarão fora da transação.

A data de início da joint venture ainda não foi definida. A conclusão depende das aprovações regulatórias necessárias e de outras condições previstas para o fechamento do negócio.

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