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Tarifaço faz Brasil perder US$ 700 mi em vendas de carne, mas exportações batem recorde



Apesar das tarifas adicionais impostas pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros, as exportações totais de carne bovina em outubro obtiveram uma receita de US$ 1,897 bilhão, alta de 37,4% em relação ao mesmo período de 2024.

Foram movimentadas 360,28 mil toneladas, 12,8% a mais do que um ano atrás. A queda nas exportações para os EUA, com perda estimada US$ 700 milhões de agosto a outubro, foi compensada pelo aumento de vendas para outros países.

As informações são da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que compilou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), incluindo na informação carnes in natura e industrializada, miudezas comestíveis e sebo bovino, entre outros subprodutos da cadeia de produção da carne bovina.

Segundo a entidade, no acumulado dos primeiros dez meses do ano as exportações totais já proporcionaram uma receita recorde de US$ 14,655 bilhões, com alta de 36% sobre o mesmo período de 2024. A movimentação, também recorde, foi de 3.148 mil toneladas, um aumento de 18% na mesma base de comparação.

Para os Estados Unidos, segundo maior cliente do segmento no Brasil, as vendas de carne bovina vêm caindo. As exportações do produto in natura para o país americano recuaram 54% no mês de outubro, em relação a outubro do ano anterior, para US$ 58 milhões, mostrando ainda certa resiliência apesar das tarifas, na visão da Abrafrigo.

No caso da carne bovina industrializada, o recuo no mesmo período foi de 20,3%, para US$ 24,9 milhões, enquanto sebo e outras gorduras bovinas recuaram 70,4%, para US$ 5,7 milhões.

Considerando o período de janeiro a outubro de 2025, as exportações totais de carnes e outros derivados bovinos para os Estados Unidos cresceram 40,4% sobre o mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 1,796 bilhão, resultado que reflete o forte ritmo das exportações anterior ao tarifaço.

Considerando os meses de agosto a outubro de 2025, período de vigência das tarifas adicionais, as vendas totais de carne e subprodutos bovinos para os Estados Unidos recuaram 36,4%, resultando em perdas estimadas em aproximadamente US$ 700 milhões.

“Embora essas perdas tenham sido compensadas com folga pelo aumento das vendas para outros mercados, o fato é que as exportações de carne bovina do Brasil poderiam ser ainda maiores caso as tarifas punitivas do governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros não tivessem sido aplicadas”, afirma a associação.

Carne para China e UE

As exportações para a China, no acumulado do ano de 2025 até outubro, somaram US$ 7,060 bilhões de receita e 1.323 mil toneladas exportadas, com altas de 45,8% e 21,4%, respectivamente.

A União Europeia, considerando como um mercado único, foi o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne bovina no mês de outubro de 2025, crescendo 112% em relação ao mesmo mês do ano anterior, para US$ 140 milhões.

De janeiro a outubro, as vendas para o bloco europeu cresceram 70,2% sobre o mesmo período do ano anterior, somando US$ 815,9 milhões, com preços médios que alcançaram US$ 8.362 por tonelada de carne bovina in natura.



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Corte tarifário dos EUA é positivo, mas distorções persistem, diz Alckmin



A decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas de importação sobre cerca de 200 produtos alimentícios é “positiva” e representa “um passo na direção correta”, disse neste sábado (15) o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

No entanto, ele destacou que a permanência da sobretaxa de 40%, aplicada exclusivamente ao Brasil, cria distorções e continua um obstáculo relevante para as exportações nacionais.

“Há uma distorção que precisa ser corrigida. Todo mundo teve 10% [pontos percentuais] a menos. Só que, no caso do Brasil, que tinha 50%, ficou com 40%, que é muito alto. Você teve um setor muito atendido que foi o suco de laranja. Era 10% e zerou. Isso é US$ 1,2 bilhão [a mais nas exportações]. Então zerou, ficou sem nenhum imposto”, declarou Alckmin.

Ele destacou, entretanto, que alguns produtos de países concorrentes, como o café do Vietnã, obtiveram reduções mais amplas. “O café também reduziu 10% [pontos percentuais], mas tem concorrente que reduziu 20% [pontos percentuais]. Então esse é o empenho que tem que ser feito agora para melhorar a competitividade”, acrescentou o vice-presidente.

A declaração, no Palácio do Planalto, ocorreu após o governo norte-americano anunciar, na noite de sexta-feira (14), a retirada da tarifa global, conhecida como “taxa de reciprocidade”, criada em abril deste ano.

Para os países latino-americanos, essa tarifa estava em 10%. No entanto, como a alíquota adicional de 40% aplicada em julho aos produtos brasileiros continua em vigor, tarifas sobre itens como café, carne bovina, frutas e castanhas caíram de 50% para 40%.

Avanços diplomáticos

Segundo Alckmin, a medida reflete avanços diplomáticos recentes, incluindo conversas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente Donald Trump, em outubro, e reuniões entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

“A última ordem executiva do presidente Trump foi positiva e na direção correta. Foi positiva. Vamos continuar trabalhando. A conversa do presidente Lula com Trump foi importante no sentido da negociação e, também, a conversa do chanceler Mauro Vieira com o secretário Marco Rubio”, comentou.

O vice-presidente também ressaltou que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial bilateral, exportando mais do que compra do Brasil. “O Brasil não é problema, é solução”, declarou.

Impacto nas exportações

Com a retirada da tarifa global, informou Alckmin, aumentou de 23% para 26% o volume das exportações brasileiras para os Estados Unidos isentas de sobretaxas, o equivalente a aproximadamente US$ 10 bilhões.

A mudança ocorre após os meses seguintes ao chamado “tarifaço”, período em que o déficit brasileiro na balança comercial com os EUA cresceu 341% entre agosto e outubro.

Os efeitos variam por setor:

  • Suco de laranja: teve a tarifa de 10% zerada, beneficiando um setor de US$ 1,2 bilhão;
  • Café: alíquota caiu de 50% para 40%. O Brasil exportou US$ 1,9 bilhão em 2024, mas as vendas recuaram 54% em outubro na comparação anual;
  • Carne bovina e frutas: tarifas reduziram de 50% para 40%; ganho considerado limitado devido à sobretaxa remanescente.

Posição dos Estados Unidos

O governo norte-americano justifica a redução tarifária como parte de um esforço para conter a inflação de alimentos e equilibrar a oferta interna. Em pronunciamento, Trump disse que o ajuste foi “um pequeno recuo” e afirmou não considerar necessárias novas reduções de tarifas no curto prazo. Ele declarou ainda esperar queda nos preços de produtos como o café.

Alckmin também lembrou progressos recentes nas negociações comerciais. O vice-presidente citou a retirada da tarifa global de 10% e da sobretaxa de 40% sobre o ferro-níquel e a celulose, em setembro. Também destacou a redução de 50% para 40% em madeira macia e serrada e de 50% para 25% para armário, móveis e sofá, decidida no início de outubro.

No caso da madeira e dos móveis, os Estados Unidos decidiram reduzir a alíquota com base na Seção 232 da Lei de Comércio local, sob o argumento de que pretendem proteger a segurança comercial do país. Nesse caso, as reduções abrangeram todo o planeta, não alterando a competitividade entre os países.



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Recria na seca: como a suplementação estratégica acelera o ganho de peso e o abate



A fase de recria é, ironicamente, a categoria mais menosprezada pelo fazendeiro, mas é nela que reside a grande oportunidade de acelerar o ganho de peso do gado na seca.

Ao garantir que os animais continuem ganhando peso nesse período, o produtor assegura que permaneçam menos tempo na fase de engorda, encurtando o ciclo produtivo e aumentando a rentabilidade.

Segundo o zootecnista Iorrano Cidrini, a recria é uma “corrida de revezamento” e, se o desempenho tropeçar nesse período, dificilmente a meta final de abate será atingida no prazo ideal.

O objetivo principal é que o animal saia do conceito do “boi sanfona” (que perde peso na estiagem) e ganhe pelo menos uma arroba e meia a duas arrobas durante a seca. Para isso, a suplementação é o fator que traz o ganho adicional sobre a forragem de baixa qualidade do pasto diferido.

Confira:

Suplementação e Ganho Médio Diário (GMD) acelerado

O desempenho do gado na seca dependerá da qualidade do pasto, mas a estratégia de suplementação deve ser ajustada à meta de ganho de peso do produtor. A tecnologia dos suplementos permite ganhos expressivos no Ganho Médio Diário (GMD):

  • Proteinado (baixo consumo): a utilização de um proteinado com consumo de 0,1% do peso vivo é a estratégia inicial. Esse nível pode resultar em um ganho adicional de 200 gramas de GMD por dia.
  • Proteico-energético (metas agressivas): para alcançar metas mais ambiciosas, como as do conceito Boi 777, o produtor deve subir o nível de suplementação para um proteico-energético:
    • No consumo de 0,3% do peso vivo, o ganho adicional chega a cerca de 300 gramas por dia.
    • No consumo de 0,5% do peso vivo, o ganho adicional pode atingir cerca de 380 gramas por dia.

Pasto diferido: o pilar do sucesso na recria

O sucesso da suplementação na recria, mesmo com tecnologia de ponta, depende de o pecuarista resgatar o manejo de pastagem. É fundamental garantir que o pasto diferido tenha a melhor qualidade possível.

O zootecnista enfatiza que, mesmo com a tecnologia dos suplementos, a maior parte do desempenho ainda está atrelada à forragem disponível. O investimento na recria com suplementação deve ser encarado como um aditivo que garante a quebra da curva de perda de peso, acelerando o ciclo e contribuindo diretamente para o aumento da rentabilidade e da eficiência da fazenda.



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Tecnologias já disponíveis podem ajudar produtor a reduzir emissões de CO2 em 10%, diz UPL



As tecnologias que já estão disponíveis no mercado são suficientes para que os produtores rurais possam reduzir as emissões do setor em até 10%. Essa é a crença do CEO global do Grupo UPL, Jai Shroff.

O executivo participou de palestra durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, capital paraense. “Esses 10% representam cerca de 2,5% de todas as emissões globais”, disse.

Segundo ele, ao se considerar que entre 25% e 30% dos poluentes que acabam na atmosfera advém da atividade agrícola, uma redução de 10% podem ser um fator-chave na descarbonização do planeta.

O CEO da UPL contou que a empresa tem exemplos de produtores que conseguiram reduzir quatro toneladas de carbono para cada tonelada de café produzido. “Existem muitas histórias como essa que queremos compartilhar com líderes globais, dizendo: ‘por favor, incluam-nos [nas políticas climáticas globais] e contem conosco.”

Para Shroff, a adoção de soluções agrícolas sustentáveis, como os biológicos, têm o potencial de gerar impacto imediato e positivo na mitigação das mudanças climáticas, posicionando os agricultores como protagonistas dessa transformação.

A empresa levou à COP30 o café carbono negativo da marca mineira Mió para os membros das delegações oficiais degustarem. O grão é produzido com tecnologias sustentáveis que o fazem capturar mais CO2 do que emite, tornando-o carbono negativo.



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calor acima de 40 °C pode inviabilizar cultivo tradicional



Plantar alface em campo aberto no Brasil poderá se tornar um grande desafio nas próximas décadas. Essa é a principal conclusão dos mapas de risco climático para a produção de alface no país, elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças (DF), com base em projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e em modelos utilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Os mapas serão lançados neste domingo (16), às 16h30, na Arena AgriTalks da AgriZone, a Casa da Agricultura Sustentável da Embrapa durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA). Eles revelam que, até o fim do século, quase todo o território brasileiro apresentará risco alto ou muito alto para o cultivo da hortaliça mais consumida pelos brasileiros.

Projeções climáticas e impactos

Os mapas são ativos cartográficos elaborados com base em dois cenários climáticos: um otimista, com controle parcial das emissões de gases de efeito estufa, e outro pessimista, em que as emissões seguem crescendo até 2100.

As temperaturas máximas projetadas para o verão, que podem ultrapassar 40 °C em boa parte do país, indicam condições cada vez mais desfavoráveis ao cultivo tradicional da alface, que exige clima ameno para o seu pleno desenvolvimento. Assim o calor extremo pode provocar florescimento precoce, queima das folhas e morte das plantas, comprometendo a produtividade e a qualidade.

Segundo o engenheiro-ambiental Carlos Eduardo Pacheco, pesquisador da Embrapa Hortaliças, os mapas de risco climático oferecem uma ferramenta estratégica para antecipar impactos e orientar ações de pesquisa e adaptação dos sistemas produtivos.

“Compreender como as mudanças climáticas podem afetar a produção de alface em um país tropical como o Brasil é essencial para garantir segurança alimentar e reduzir prejuízos futuros”, afirmou Pacheco.

Ações de adaptação e pesquisa

As projeções indicam que, mesmo no cenário mais otimista, cerca de 97% do território nacional apresentará risco climático alto ou muito alto para o cultivo da alface até o final do século. Para enfrentar esse panorama, a Embrapa tem intensificado pesquisas em duas frentes principais: o melhoramento genético de cultivares mais tolerantes ao calor, como as alfaces BRS Mediterrânea e BRS Leila; e o desenvolvimento de sistemas produtivos sustentáveis e adaptados ao clima, como o plantio direto de hortaliças, a compostagem e o uso de ambientes protegidos.

Assim, essas estratégias visam garantir a sustentabilidade e a continuidade da produção diante dos efeitos das mudanças climáticas. Dessa forma os mapas de risco climático integram um estudo de vanguarda sobre inteligência climática aplicada às hortaliças e estão disponíveis na Geoinfo, plataforma de gestão da informação geoespacial da Embrapa.

De acordo com o pesquisador, é preciso observar esses mapas como ferramentas estratégicas para o delineamento de novas pesquisas e políticas públicas em resposta à crise climática. Além disso, o material pode subsidiar a tomada de decisão de técnicos e produtores sobre melhores regiões e épocas de plantio; apoiar órgãos governamentais na elaboração de políticas públicas; e auxiliar instituições financeiras na avaliação de riscos da produção no crédito agrícola.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Tornados e chuvas provocam mais de R$ 335 milhões em prejuízos no Sul



Os danos causados por tornados e chuvas intensas na região Sul já superam R$ 335 milhões, segundo atualização da Confederação Nacional de Municípios (CNM). O número de cidades em situação de anormalidade aumenta rapidamente, com impacto direto sobre moradores, infraestrutura e serviços essenciais.

A cidade paranaense de Rio Bonito do Iguaçu permanece como a mais atingida, com seis mortes confirmadas e ampla destruição. As equipes de Defesa Civil seguem em campo para avaliar os estragos e prestar atendimento emergencial.

Prejuízos crescentes e população afetada

A combinação de tornados, ventos fortes, granizo e temporais aumentou os prejuízos desde o último fim de semana. A CNM contabiliza 4.715 casas danificadas ou destruídas, somando R$ 84,2 milhões em perdas habitacionais. No total, 23,3 mil pessoas foram afetadas na região, com 4,7 mil desalojadas e 68 desabrigadas.

A Confederação destaca que os números podem mudar conforme novas informações chegam dos municípios. Técnicos dos governos estaduais e federal seguem no local para mapear impactos e apoiar as ações de resposta.

Paraná concentra o impacto

O Paraná responde por 96% dos prejuízos, estimados em R$ 323,5 milhões. Inicialmente, apenas Rio Bonito do Iguaçu havia decretado calamidade pública. Com a atualização mais recente, outras 15 cidades passaram a registrar situação de anormalidade, incluindo Alto Piquiri, Borrazópolis, Marialva, Nova Aurora e Santa Helena.

Em Rio Bonito do Iguaçu, os danos alcançam R$ 114,5 milhões. São 1.500 moradias atingidas e mais de 80% da população impactada. A prefeitura relata dificuldades para registrar todos os prejuízos, já que a destruição ocorreu de forma generalizada.

Dados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Santa Catarina concentra 3,6% dos danos, mas teve o maior avanço no número de decretos. O total de municípios em situação de emergência subiu de 13 para 22, incluindo Chapecó, Içara, Rio Negrinho, Turvo, Araranguá e Saudades. As prefeituras seguem levantando informações sobre infraestrutura, moradias e atividades econômicas afetadas.

O Rio Grande do Sul ainda não atualizou os valores de prejuízos. Por enquanto, permanecem em situação de emergência apenas Eldorado do Sul e Erechim. As autoridades estaduais seguem monitorando as áreas afetadas e aguardam o envio de novos relatórios municipais.



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Tornados e chuvas provocam mais de R$ 335 milhões em prejuízos no Sul



Os danos causados por tornados e chuvas intensas na região Sul já superam R$ 335 milhões, segundo atualização da Confederação Nacional de Municípios (CNM). O número de cidades em situação de anormalidade aumenta rapidamente, com impacto direto sobre moradores, infraestrutura e serviços essenciais.

A cidade paranaense de Rio Bonito do Iguaçu permanece como a mais atingida, com seis mortes confirmadas e ampla destruição. As equipes de Defesa Civil seguem em campo para avaliar os estragos e prestar atendimento emergencial.

Prejuízos crescentes e população afetada

A combinação de tornados, ventos fortes, granizo e temporais aumentou os prejuízos desde o último fim de semana. A CNM contabiliza 4.715 casas danificadas ou destruídas, somando R$ 84,2 milhões em perdas habitacionais. No total, 23,3 mil pessoas foram afetadas na região, com 4,7 mil desalojadas e 68 desabrigadas.

A Confederação destaca que os números podem mudar conforme novas informações chegam dos municípios. Técnicos dos governos estaduais e federal seguem no local para mapear impactos e apoiar as ações de resposta.

Paraná concentra o impacto

O Paraná responde por 96% dos prejuízos, estimados em R$ 323,5 milhões. Inicialmente, apenas Rio Bonito do Iguaçu havia decretado calamidade pública. Com a atualização mais recente, outras 15 cidades passaram a registrar situação de anormalidade, incluindo Alto Piquiri, Borrazópolis, Marialva, Nova Aurora e Santa Helena.

Em Rio Bonito do Iguaçu, os danos alcançam R$ 114,5 milhões. São 1.500 moradias atingidas e mais de 80% da população impactada. A prefeitura relata dificuldades para registrar todos os prejuízos, já que a destruição ocorreu de forma generalizada.

Dados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Santa Catarina concentra 3,6% dos danos, mas teve o maior avanço no número de decretos. O total de municípios em situação de emergência subiu de 13 para 22, incluindo Chapecó, Içara, Rio Negrinho, Turvo, Araranguá e Saudades. As prefeituras seguem levantando informações sobre infraestrutura, moradias e atividades econômicas afetadas.

O Rio Grande do Sul ainda não atualizou os valores de prejuízos. Por enquanto, permanecem em situação de emergência apenas Eldorado do Sul e Erechim. As autoridades estaduais seguem monitorando as áreas afetadas e aguardam o envio de novos relatórios municipais.



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Chuva de 100 mm em apenas 24h deve atingir duas regiões do país



A Defesa Civil Nacional alertou que os estados da Região Sul e parte de Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, podem ser atingidos por uma forte tempestade entre domingo (16) e segunda-feira (17).

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Um aviso de grande perigo (alerta vermelho) foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para a área de maior risco. A Região Sudeste também pode ser afetada.

O aviso vermelho emitido pelo Inmet indica que a tempestade pode provocar chuvas acima de 100 milímetros (mm) em 24 horas e até queda de granizo. Segundo a meteorologista Marcia Seabra, do Instituto, existe uma condição para a formação de um ciclone extratropical.

“Na segunda-feira, essa frente fria também deve atingir a Região Sudeste, chegando ao estado de São Paulo”, alertou.

Frente fria

A meteorologista explica que o ciclone vai se formar entre sábado e domingo e se deslocar para o oceano. “Porém, ele vai dar origem a uma frente fria que vai transitar entre os estados do Sul e em parte do Centro-Oeste”.

Diante do cenário, foi feita, nesta sexta (14), uma reunião de preparação com as defesas civis estaduais e municipais.

O diretor do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), Armin Braun, afirmou que essa reunião organiza as ações para o fim de semana, segundo divulgou o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.

Defesa Civil Alerta

Braun acrescentou que o sistema conta com ferramentas como o Defesa Civil Alerta, implementado em todo o território nacional. Ele ressalta que o sistema utiliza a rede de telefonia celular para enviar mensagens de texto e avisos sonoros para celulares em áreas de risco elevado.

Nos casos de alertas, as informações aparecem de forma destacada na tela dos aparelhos e podem soar mesmo se estiver em modo silencioso. Não é necessário cadastro prévio e o serviço é gratuito.

A ferramenta traz, por exemplo, informações sobre as medidas de proteção que devem ser tomadas. “A população precisa ficar atenta aos alertas e adotar as medidas de autoproteção disponíveis nos canais das defesas civis”, acrescentou o diretor do Cenad.



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Brasil apresenta guia de gestão de dejetos animais na COP30



Uma publicação que mostra a contribuição do Brasil para a ação climática global no setor agropecuário foi apresentada na 30ª Conferência das Partes (COP30), em Belém.

O guia, intitulado “Gestão de dejetos da produção animal para mitigação do metano: a contribuição do Brasil para a ação climática global”, utiliza a experiência brasileira para oferecer um roteiro prático e replicável para apoiar países, especialmente do Sul Global, no desenvolvimento de estratégias nacionais de baixo carbono.

A publicação é resultado da colaboração entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Instituto 17 e a Climate and Clean Air Coalition (CCAC).

Apresentação do guia na cop30

O lançamento internacional ocorreu durante a Roundtable – “From Livestock Waste to Climate Solutions: Policies, Technologies, and Cooperation for Methane Mitigation”, realizada no Pavilhão AgriZone, na COP30, na última quinta (13).

A sessão visou promover o diálogo e a cooperação, apresentando a experiência integrada do Brasil na redução das emissões de metano provenientes dos dejetos de animais.

A gestão de dejetos da produção animal é considerada um dos pontos de entrada mais eficazes para a mitigação dentro do setor agrícola. Os sistemas de produção pecuária estão entre as principais fontes globais de emissões de metano (CH4), um poluente climático de vida curta cujo potencial de aquecimento global é até 27 vezes superior ao do gás carbônico (CO₂) em um horizonte de 100 anos.

Roteiro para a ação global

O guia, que tem como título internacional “Animal Waste Management for Methane Mitigation: Lessons from Brazil for Global Action”, traduz a trajetória política e técnica do Brasil em um roteiro estruturado. Ele apresenta seis etapas-chave que podem ser adaptadas a diferentes realidades nacionais:

  1. Entender o contexto de produção e as fontes de emissão;
  2. Diagnosticar barreiras e condições habilitadoras para a adoção;
  3. Quantificar o potencial de mitigação e os cobenefícios relacionados;
  4. Desenvolver e demonstrar soluções técnicas e de negócios;
  5. Estabelecer estruturas para monitoramento e institucionalização;
  6. Promover cooperação, inclusão e escalabilidade.

O material foi elaborado para gestores públicos, formuladores de políticas, técnicos, pesquisadores e instituições financeiras interessadas em soluções sustentáveis, escaláveis e inclusivas.

Ele busca facilitar o aprendizado entre pares e a cooperação Sul-Sul, demonstrando que é viável conciliar segurança alimentar, inclusão social e mitigação climática.

Baixe a publicação aqui.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação do Canal Rural.



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Mudanças climáticas elevam perigos dos microplásticos na água e afetam peixes



Pesquisadores brasileiros estão comprovando que a elevação da temperatura da água, causada pelas mudanças climáticas, torna os microplásticos ainda mais perigosos para a vida aquática.

Os estudos, desenvolvidos pela Embrapa e pelo Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNNano/CNPEM) com apoio da Fapesp, mostram que metais pesados, como cobre, aumentam a toxicidade de nanopartículas em peixes de interesse ambiental e econômico.

Os ecossistemas aquáticos já enfrentam pressões crescentes devido à poluição e à degradação ambiental. Partículas de plástico que se fragmentam no ambiente — conhecidas como microplásticos — chegam a rios, lagos e mares pelo descarte de resíduos e pelo desgaste de materiais sintéticos.

“No meio aquático, essas partículas não estão sozinhas e podem se combinar a poluentes químicos, sofrer alterações pela radiação solar, além de interagir com variações de temperatura.”, explica a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP) Vera Castro.

Além disso, a combinação desses fatores pode gerar efeitos mais severos para a fauna aquática, desde alterações fisiológicas mais sutis até efeitos mais severos para os organismos.

Peixes expostos a novos riscos

Para entender melhor essa relação, uma equipe de pesquisadores da Embrapa realiza experimentos com zebrafish (Danio rerio) e tilápias (Oreochromis niloticus), simulando condições próximas às da realidade ambiental.

Os testes expõem os peixes a microplásticos envelhecidos pela ação de luz ultravioleta e associados ao cobre, um metal comum em rejeitos industriais e agrícolas.

Ainda, a água se mantém tanto em temperaturas médias quanto três graus acima, simulando cenários previstos de aquecimento global.

“Queremos avaliar não apenas a presença isolada dos microplásticos, mas como eles se comportam e se tornam mais ou menos tóxicos diante de mudanças ambientais concretas, como o aumento da temperatura e a exposição a metais”, explica Castro.

A análise inclui biomarcadores como taxas de sobrevivência, parâmetros hematológicos e respostas bioquímicas, que permitem identificar alterações sutis no metabolismo e na saúde dos peixes antes que ocorram mortes.

Os resultados poderão auxiliar a compreender como esses poluentes afetam cadeias alimentares aquáticas e a piscicultura, setor estratégico para a segurança alimentar.

De acordo com a pesquisadora, há indícios de que o calor intensifica a ação tóxica dos microplásticos e do cobre, potencializando danos a tecidos, metabolismo e desenvolvimento dos peixes.

Desenvolvimento da pesquisa

O processo exige que se contorne obstáculos práticos para a execução de experimentos em condições controladas. No caso do zebrafish, por exemplo, como afirma Alfredo Luiz, também pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, o estudo testa larvas de pequenas dimensões.

Para isso, os experimentos são realizados em microplacas, cada uma com vários pequenos poços, nos quais são colocados os organismos.

De acordo com Luiz, “no caso da tilápia, são utilizados peixes juvenis, pois algumas análises são feitas no sangue e é preciso que cada indivíduo tenha um tamanho suficiente para permitir a coleta da amostra sanguínea”.

Como o experimento precisa de dias para identificar possíveis efeitos dos poluentes, é necessário renovar regularmente a água dos aquários para evitar o acúmulo de excrementos.

Nesse caso, a dificuldade é manter a concentração de cobre estável, mesmo realizando a troca periódica de parte da água.

Além dos cálculos exatos da concentração dos poluentes a cada troca, fazem-se necessárias a amostragem e a análise da água para monitorar possíveis flutuações.

Monitoramento e prevenção por dados

O estudo reforça que, no mundo real, a toxicidade dos microplásticos exige uma avaliação além do isolamento, visto que fatores ambientais, como o aquecimento global e poluentes adicionais, podem interagir de forma a intensificar os danos aos ecossistemas aquáticos.

Entender essa interação é crucial para antecipar impactos, desenvolver estratégias de mitigação e proteger não apenas a biodiversidade, mas também atividades econômicas dependentes de águas limpas e saudáveis.

Para o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Claudio Jonsson, a elevação da temperatura pode modificar a biodisponibilidade do poluente e aumentar a probabilidade de sua absorção por organismos aquáticos.

Dessa forma, os organismos enfrentam estresses ambientais climáticos e os proporcionados por agentes químicos, o que leva a alterações bioquímicas como o estresse oxidativo.

Nesta situação ocorre a geração de radicais livres com efeitos deletérios para o metabolismo celular, que podem ser medidos pela atividade de proteínas antioxidantes.

Portanto, como destaca Jonsson, o conhecimento dessas interações, em nível subcelular, é relevante para a obtenção de dados sobre concentrações seguras do poluente, contribuindo para a proteção da fauna aquática.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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