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Em março, produção industrial cresce em 11 dos 15 locais pesquisados


De fevereiro para março, a variação positiva de 0,1% na produção industrial do país, na série com ajuste sazonal,…



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Vamos tentar votar dívidas rurais “até o último minuto”, diz Lupion

O presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Pedro Lupion (PP-PR), afirmou nesta terça-feira (26) que a bancada tenta “até o último minuto” votar o projeto de lei 5122/23 sobre renegociação das dívidas rurais no Senado, apesar da possibilidade de o governo editar uma MP (Medida Provisória) sobre o tema.

“Vamos tentar até o último minuto fazer essa votação. A medida provisória tem a vantagem de que a eficácia é mais rápida, porém, a gente não sabe o que é. A partir do momento que vier algo que não seja satisfatório para o setor, a gente fica de mãos atadas”, disse Lupion após reunião da bancada.

A declaração ocorre após a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado adiar novamente a votação do PL que trata da renegociação das dívidas rurais. O relator da proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL), negocia com o governo federal um acordo sobre pontos considerados sensíveis pela equipe econômica.

Nos bastidores, ganhou força a possibilidade de o governo editar uma MP para destravar parte das medidas antes do lançamento do próximo Plano Safra 2026/2027. A equipe econômica resiste principalmente à inclusão de dívidas contratadas com juros livres, fora das linhas oficiais de crédito rural.

O governo também tenta calibrar fontes de recursos e critérios de adesão ao programa, diante da preocupação com impacto fiscal e possível restrição de crédito ao setor.

O texto em discussão no Senado amplia o alcance da renegociação para operações contratadas até 31 de dezembro de 2025 e prevê uso de recursos do FS (Fundo Social) do pré-sal, além de superávits de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda.

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Delegado aponta “farsa ensaiada” de réus sobre morte de Henry Borel


O delegado Edson Henrique Damasceno, então titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) e responsável pela investigação inicial da morte de Henry Borel, de 4 anos, afirmou nesta terça-feira (26/5) que a versão apresentada por Dr. Jairinho e Monique Medeiros após a morte do menino foi uma “farsa ensaiada” para tentar enganar a polícia sobre as circunstâncias do crime.

A declaração foi dada durante o segundo dia do julgamento do casal, no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O ex-padrasto e a mãe da criança respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.

“No decorrer da investigação, mostramos que tudo era uma farsa ensaiada. As versões apresentadas eram mentirosas, e as lesões sofridas pelo menino eram incompatíveis com qualquer queda de cama. As lesões eram gravíssimas”, ressaltou o delegado em depoimento.

Delegado aponta “farsa ensaiada” de réus sobre morte de Henry Borel - destaque galeria


 

Incosistência nos depoimentos à polícia

  • No júri, Damasceno explicou que o caso chegou inicialmente à delegacia como suspeita de acidente doméstico, mas as investigações apontaram inconsistências nos relatos apresentados por Jairinho e Monique.
  • Segundo o delegado, Monique afirmou que retornou às pressas para casa após receber um alerta da babá.
  • No entanto, a análise de mensagens mostrou que ela permaneceu em um salão de beleza por horas antes de chegar ao apartamento.
  • O policial também afirmou que Jairinho tentou evitar que o corpo da criança fosse encaminhado para perícia.
  • De acordo com Damasceno, o ex-vereador chegou a procurar um “alto executivo” do hospital para pedir que o óbito fosse atestado na própria unidade, sem necessidade de envio ao Instituto Médico Legal (IML). O pedido, porém, foi recusado.
  • Foi no IML que os peritos identificaram lesões incompatíveis com a versão apresentada pelo casal.
  • “Se o corpo não tivesse ido para o IML, a mentira iria seguir. Se não tivessem os prints mostrando as agressões, a mentira iria seguir”, declarou o delegado.

Casal obrigava testemunhas a mentir e Monique sabia das agressões, diz delegado

Durante o depoimento, Damasceno afirmou ainda que testemunhas, entre elas a babá e a avó de Henry, teriam sido orientadas por advogados a mentirem nos primeiros depoimentos prestados à polícia.

O delegado também declarou que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho antes da morte.

“Ela sabia disso e, mesmo assim, quando o menino morreu por ação contundente, com somente ela, o menino e o Jairo em casa, foi à delegacia dizer que o Jairinho tinha um relacionamento maravilhoso com ele”, afirmou.

Damasceno relatou ainda que Henry havia sido levado anteriormente a uma unidade de saúde em Bangu com lesões consideradas suspeitas. Segundo ele, na ocasião, Monique apresentou a mesma justificativa usada após a morte da criança.

A previsão é DE que o júri se estenda entre sete e 10 dias. Além de Damasceno, a programação desta terça inclui os depoimentos da delegada Ana Carolina Medeiros e do perito Luiz Carlos Prestes. A babá Thayná deve ser ouvida nos próximos dias.

No início da tarde, Sérgio Figueiredo, um dos advogados da defesa de Jairinho, anunciou que deixará o caso. Segundo ele, foi um “absurdo” a manutenção do júri após o infarto do advogado Fabiano Lopes, que também integra a defesa do ex-vereador.

Relembre o caso

Henry Borel morreu na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho.

À época do crime, os dois alegaram que a criança teria sido encontrada desacordada no imóvel. Henry foi levado ao hospital com lesões corporais graves, mas os profissionais de saúde constataram a morte por hemorragia interna e laceração hepática.

A partir daí, uma investigação complexa foi iniciada para esclarecer o que teria ocorrido no imóvel. Os réus sustentam a versão de que houve um acidente doméstico.

No entanto, o laudo do IML  invalidou essa versão, após constatar 23 lesões pelo corpo da criança.



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Movimentação no Porto de Santos bate recorde em abril e no quadrimestre


O Porto de Santos atingiu outro recorde mensal em abril. A movimentação de cargas no maior porto brasileiro atingiu 16,5 milhões de toneladas no mês passado, com aumento de 11,5% em relação a abril de 2025. No acumulado do ano, foi registrado um crescimento de 6,6%, com 59,3 milhões de toneladas, dado que a Autoridade Portuária de Santos destacou como a melhor marca para um primeiro quadrimestre da série histórica.

Em abril, a movimentação de contêineres chegou a 508,7 mil TEU (Unidade Equivalente a Vinte Pés, a medida padrão global de contêineres), um aumento de 10,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, também a melhor marca histórica para abril.

No acumulado do quadrimestre, foram 1,91 milhões de TEU transportados, que representaram um crescimento de 5,4% na comparação com 2025.

Leia também: Balança comercial tem superávit de US$10,537 bi em abril com exportações mais fortes

Ainda segundo os dados oficiais, a movimentação de granéis líquidos em Santos acumulou 6,6 milhões de toneladas nos quatro primeiros meses do ano – um aumento de 10,1% comparado ao mesmo período de 2025, também um novo recorde para um primeiro quadrimestre.

Especificamente em abril, foi movimentado 1,7 milhão de toneladas. Os destaques do primeiro quadrimestre foram os aumentos do embarque de diesel, óleo combustível e gasolina: +27,9%, +23,9% e +15,8%, respectivamente.

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Os granéis sólidos chegaram ao acumulado de 29,2 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre de 2026 (+8,2% sobre 2025), outro recorde para o período. Soja em grãos (54,8%), açúcar (+16%) e soja peletizada (12%) apresentaram os maiores crescimentos. No mês de abril, a movimentação de granéis sólidos avançou 16,2% ante abril de 2025.

A participação acumulada do Porto de Santos na corrente comercial brasileira foi de 28,5% no acumulado dos primeiros quatro meses do ano.

No período, a China ampliou a sua condição de principal parceiro comercial: cerca de 31,9% das transações comerciais nacionais com o exterior que passaram pelo Porto de Santos tiveram o país asiático como origem ou destino – o valor movimentado no primeiro quadrimestre chegou a US$ 18,98 bilhões (ante US$ 6,27 bilhões transacionados com os EUA, o segundo maior parceiro).



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Frio e umidade impulsionam safra de cogumelos selvagens no Sul do Brasil

As baixas temperaturas e a elevada umidade do outono nas serras gaúcha e catarinense ampliaram a colheita de cogumelos selvagens no Sul do Brasil, especialmente do Porcini, espécie do gênero Boletus amplamente valorizada pela alta gastronomia.

A procura pelo fungo movimenta extrativistas, chefs de cozinha e turistas em regiões de mata e silvicultura de Pinus. As árvores, originárias de regiões frias da América do Norte e da Europa, se adaptaram ao Sul do país principalmente para produção de madeira, resina e celulose.

No município de São Francisco de Paula (RS), a empresa Fungaia prevê colher mais de uma tonelada da iguaria entre maio e julho. A meta é repetir o desempenho do ano anterior após o mapeamento de cerca de 8 mil hectares de áreas serranas.

Segundo o empresário Franco Martinelli, todas as áreas utilizadas possuem autorização prévia e seguem critérios ambientais específicos.

“É uma corrida contra o tempo. As áreas que exploramos são destinadas à silvicultura, então precisamos organizar o trabalho antes do manejo das equipes florestais. Mapeamos previamente os locais que chamamos de talhões florestais e vamos às buscas”, afirma.

Frescor e desafio logístico

Por se tratar de um alimento altamente perecível e valorizado principalmente fresco, a velocidade logística tornou-se um fator decisivo para atender restaurantes especializados do Sudeste brasileiro.

Após a colheita, os cogumelos precisam ser despachados em até dois dias úteis para manter textura, aroma e qualidade até o consumo.

Parte da produção também passa por processos de secagem e beneficiamento, aumentando a durabilidade e permitindo comercialização ao longo do ano.

A procura por experiências ligadas à natureza e gastronomia também impulsionou o turismo de caça aos cogumelos selvagens na região sul do país.

No Parador Cambará do Sul, por exemplo, visitantes percorrem áreas de mata nas primeiras horas da manhã acompanhados pelo empresário Altemir Pessali, considerado uma das referências nacionais no tema.

A atividade é sazonal e depende das condições climáticas, já que algumas espécies aparecem por poucas semanas ao longo do ano. A proposta busca aproximar turistas da biodiversidade regional e do conhecimento sobre fungos silvestres.

Ao final da experiência, os participantes também podem degustar os cogumelos encontrados durante a atividade.

Mão de obra especializada

Mesmo que pareça simples, a colheita de cogumelos exige capacitação técnica e identificação precisa das espécies encontradas no campo.

Além do Porcini, a Serra do Sul do Brasil também produz variedades silvestres semelhantes a shimeji e champignon, além de espécies tóxicas, como a Amanita muscaria, conhecida popularmente pelo visual associado ao personagem Mario Bros.

O trabalho de formação dos extrativistas conta com apoio do pesquisador Jefferson Timm, autor do livro Primavera Fungi. Há cerca de oito anos, ele atua no mapeamento de áreas produtivas, identificação das espécies e orientação sobre manejo e qualidade dos cogumelos silvestres.

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Justiça autoriza fim do dinheiro em espécie para pagamento nos ônibus do Rio


Medida passa a valer a partir do dia 30 de maio

ARION MARINHO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOVilência Rio de Janeiro
A medida foi reconhecida pela 2ª Vara de Fazenda Pública nesta terça-feira (26)

A cidade do Rio de Janeiro não aceitará mais o pagamento em espécie nos ônibus da capital. A medida foi reconhecida pela 2ª Vara de Fazenda Pública nesta terça-feira (26), após ação do Procon do Rio tentar invalidar a decisão em relação ao transporte. A medida passa a valer a partir do dia 30 de maio para os ônibus municipais.

A juíza Georgia Vasconcellos considerou que a “mudança pretendida pela parte ré na forma de pagamento das passagens em nada resvala na qualidade do serviço de transporte prestado, de forma a torná-lo inadequado ou ineficiente.”

Ela também lembrou que o BRT e VLT já operam nesse sistema, que, segundo ela, traz celeridade e praticidade aos usuários desses meios de transporte.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, defendeu a mudança, afirmando que a cobrança apenas por meios digitais é mais segura e traz mais “transparência, mais controle e mais eficiência ao serviço, além de contribuir para a redução de crimes patrimoniais”.

A reportagem tenta contato com o Procon e o texto será atualizado se tivermos resposta.





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Soja tem previsão de novo recorde na série histórica em 2026


A estimativa em abril da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2026 atingiu 348,7 milhões de toneladas,…



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Eco Invest mira fertilizantes verdes para reduzir importações

O governo federal lançou nesta segunda-feira (25) o 5º leilão do programa Eco Invest Brasil, com foco em inovação industrial e transição ecológica, incluindo fertilizantes verdes. 

O programa surge em um momento em que o Brasil ainda depende fortemente das importações de fertilizantes, uma vez que cerca de 80% do consumo nacional, segundo o Ministério da Fazenda. A aposta do governo é usar recursos públicos para reduzir riscos e atrair capital privado para projetos de inovação capazes de ampliar a produção doméstica e desenvolver tecnologias nacionais.

A nova rodada cria instrumentos financeiros voltados a aproximar universidades, startups, empresas e investidores privados para desenvolver tecnologias consideradas estratégicas para a competitividade brasileira. Além de fertilizantes, o programa engloba minerais críticos, inteligência artificial aplicada à indústria, baterias e química verde.

Ao todo, o Tesouro Nacional poderá aportar até R$ 2,5 bilhões. Desse total, até R$ 1,5 bilhão será destinado aos fundos de inovação e até R$ 1 bilhão às linhas de crédito corporativo. O desenho exige participação privada mínima equivalente ao dobro do capital público, mecanismo usado pelo governo para ampliar o volume total de investimentos e reduzir o risco para investidores.

No caso dos fertilizantes verdes, o objetivo é estimular tecnologias ligadas à produção de insumos com menor pegada de carbono e reduzir a dependência externa. De forma simplificada, fertilizantes verdes são produtos fabricados com processos menos poluentes, geralmente usando energia renovável e também com produtos biológicos. A proposta é reduzir emissões sem comprometer produtividade agrícola.

Além da produção em si, o programa também tenta conectar a indústria com centros de pesquisa e startups. As empresas financiadas deverão contratar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação ligados às cadeias estratégicas do leilão, podendo recorrer tanto a universidades brasileiras quanto estrangeiras. O modelo também permite aquisição de empresas de base tecnológica no exterior para internalizar conhecimento.

O leilão prevê três frentes principais de financiamento: a criação de seis Fundos de Inovação Eco Invest; uma linha de crédito corporativo para empresas em fase de expansão; recursos não reembolsáveis para pesquisa aplicada e empreendedorismo tecnológico.

Cada instituição financeira participante disputará uma cadeia específica do leilão com base na capacidade de mobilizar capital privado. As vencedoras ficarão responsáveis pela estruturação dos fundos e dos demais mecanismos financeiros.

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Vorcaro bancava encontros privados e no exterior com Castro


Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, bancava por encontros privados e no exterior com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Castro foi alvo da PF na manhã desta terça-feira (26/5) no âmbito da operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Master.

Segundo a PF, o governador tinha “vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master“, que ficou caracterizado pelos investigadores a partir de encontros frequentes entre os dois, incluindo em ambientes privados e no exterior, que eram custeados pelo banqueiro.

Foi a relação entre Castro e Vorcaro, de acordo com a PF, que favoreceu os investimentos de mais de R$ 3,6 bilhões do RioPrevidência, fundo previdenciário dos servidores estaduais cariocas, no Banco Mater. Os valores incluem montantes aplicados em fundos e letras financeiras emitidas pela instituição de Daniel Vorcaro.

Ainda de acordo com a corporação, os encontros entre os dois tinham “elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência“.

“Alinhamento político” entre Vorcaro e Castro

Foram os aportes feitos pelo fundo carioca que levaram a Polícia Federal a Castro. De acordo com as investigações, os investimentos na instituição financeira nã0 tinham caráter técnico, mas respondiam à “relação pessoal” e ao “alinhamento político” entre o banqueiro e o chefe do Executivo carioca.

As investigações apontam ainda que a relação entre os dois chegou a alterar a direção do RioPrevidência, com a mudança de postos chave no órgão, como presidência, diretoria de investimentos e gerência de investimentos. As mudanças segundo a PF, tinha a intenção de manter a política do fundo em conformidade com os interesses de Daniel Vorcaro.

A PF sustenta ainda que, mesmo diante de alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis à aplicação do RioPrevidência em fundos do Master, os aportes continuaram sendo feitos.



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Brasil avança para ‘muito alto desenvolvimento humano’, mas desigualdades persistem


O Brasil atingiu em 2024 sua melhor marca no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e entrou na faixa de “muito alto desenvolvimento humano”, mas segue convivendo com desigualdades relevantes por território, raça/cor e sexo, segundo dados do Radar IDHM, elaborado a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Contínua, do IBGE.

Na série de 2012 a 2024, o IDHM do Brasil subiu de 0,744 para 0,805. O avanço ocorreu apesar do recuo observado em 2020 e 2021, associado aos impactos da pandemia de covid-19, especialmente na dimensão de longevidade.

Em 2024, o IDHM Longevidade alcançou 0,860 (0,829 em 2012), após o pior nível em 2021 (0,796). O IDHM Educação também cresceu para 0,798, com queda pontual em 2021. Já o IDHM Renda teve trajetória mais oscilante, refletindo a crise econômica a partir de 2015 e a pandemia, mas avançou de 0,732 para 0,760.

Os dados também mostram redução – ainda que parcial – das distâncias raciais. Entre 2012 e 2024, o IDHM da população branca passou de 0,796 para 0,806, enquanto o da população negra (pretos e pardos) subiu de 0,685 para 0,712. Ainda assim, permanecem diferenças significativas. Em renda, por exemplo, a renda domiciliar per capita foi de R$ 1.208,58 para brancos em 2024, ante R$ 673,65 para negros.

As disparidades por sexo aparecem de forma mais forte quando o índice é ajustado pela renda do trabalho. Na série 2012-2024, o IDHM ajustado dos homens foi de 0,804 para 0,822, e o das mulheres, de 0,662 para 0,679, com a dimensão de renda do trabalho concentrando as maiores diferenças entre os grupos ao longo do período.

Quando considerado o IDHM ajustado à desigualdade (IDHMAD), o indicador reforça que o desenvolvimento médio do País não representa igualmente todos os brasileiros. O IDHMAD avançou de 0,566 em 2012 para 0,641 em 2024. A “perda” associada à desigualdade, na comparação entre IDHM e IDHMAD, caiu de 23,9% para 20,4%, indicando melhora, mas manutenção de um hiato relevante.

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No recorte territorial, o Radar aponta evolução do IDHM em todas as unidades da federação entre 2012 e 2024, com Estados do Nordeste entre os que mais avançaram, como Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte. Ainda assim, as disparidades permanecem: em 2024, o Distrito Federal registrou 0,866, enquanto Maranhão e Alagoas ficaram com 0,745 e 0,746, respectivamente.

Para o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, o resultado dos avanços indicados no índice são reflexo dos projetos federais e de políticas públicas que olham para “a população mais pobre do Brasil”.

“Você tem um avanço na cobertura do SUS, em saúde pública no País, um aprimoramento das políticas e com isso você permitiu um aumento da expectativa de vida média no País que conta e faz evoluir os índices. Você teve um processo de distribuição de renda muito vinculado às políticas de transferência de renda, de valorização real do salário mínimo que é uma marca dos governos do presidente Lula e dos programas sociais como o Bolsa Família”, afirmou, durante evento de lançamento da pesquisa.

Apesar da melhora do índice sinalizar avanço de condições médias de vida, o Radar IDHM enfatiza que os dados reforçam a necessidade de políticas públicas orientadas por evidências para enfrentar desigualdades persistentes – e garantir que o progresso se traduza em oportunidades mais equilibradas entre grupos e territórios.

“Ainda temos um desafio na parte da renda, evoluímos, reduzimos a desigualdade de gênero no Brasil do ponto de vista da renda, mas ela ainda existe, evoluímos na desigualdade racial, mas ele ainda existe, o abismo que separa a renda masculina da renda feminina, ele é menor do que era no período anterior, mas ele ainda existe. A gente comemora os dados, mas temos consciência de que precisamos de um planejamento ainda maior”, concluiu Boulos.



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