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Vozes da Rota reúne lideranças indígenas para fortalecer participação dos povos originários no Corredor Bioceânico


Com a participação de cerca de 60 representantes de seis etnias indígenas de Mato Grosso do Sul, o encontro “Vozes da Rota – Encontro Estadual sobre o Corredor Bioceânico e os Povos Originários” marcou mais uma etapa do processo de construção participativa da governança do Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio.

Realizado pelo Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o objetivo do evento foi o de apresentar o andamento das ações relacionadas à Rota Bioceânica e ampliar o diálogo com as comunidades indígenas potencialmente impactadas pelo projeto.

Participaram lideranças e representantes das etnias Terena, Kadiwéu, Atikum, Guarani, Guarani Kaiowá e Kinikinau, além do subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários da SEC (Secretaria de Cidadania), Devanilson Paz.

Durante o encontro, foi definida a data de 29 de junho para que cada povo indique seus representantes na comissão permanente que passará a integrar a estrutura de governança dos povos originários vinculada ao Corredor de Capricórnio. A iniciativa é considerada pioneira entre os governos subnacionais que integram a Rota Bioceânica.

A programação incluiu a apresentação do panorama atual das obras e da governança do corredor, conduzida pela assessora especial de Integração do Corredor Bioceânico Capricórnio da Semadesc, Danniele Paiva. Ela destacou o estágio avançado das obras da ponte binacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, que já supera 90% de execução, além dos mecanismos de governança que envolvem Brasil, Paraguai, Argentina e Chile na construção do corredor de integração sul-americana.

Segundo a secretária-executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais da Semadesc, Karla Nadai, o principal resultado do encontro foi garantir espaço para que os próprios indígenas apresentassem suas percepções, expectativas e propostas relacionadas ao corredor.

“Nós queríamos apresentar o que está sendo construído em relação ao Corredor Bioceânico, mas principalmente ouvir os povos originários. E o que vimos foi um protagonismo muito forte das lideranças indígenas. O Estado falou pouco e ouviu muito. Foi uma oportunidade para que eles apresentassem suas expectativas, preocupações e sugestões sobre temas que impactam diretamente suas comunidades”, afirmou.

Karla destacou que a reunião superou as expectativas ao reunir lideranças dispostas a participar ativamente das discussões sobre o futuro da Rota Bioceânica e seus reflexos nos territórios indígenas. “O ponto mais positivo foi ver o indígena falando sobre as questões indígenas. Não é um não indígena interpretando suas demandas, mas os próprios povos apresentando suas visões, necessidades e contribuições. Eles não vieram apenas para ouvir o que o Estado ou a União têm a oferecer, mas para propor caminhos e participar da construção das soluções”, ressaltou.

A secretária explicou que o encontro representou o primeiro passo para a consolidação de um fórum permanente de diálogo, que terá continuidade nos próximos anos. Entre as definições construídas coletivamente está o formato de representação das diferentes etnias na comissão que acompanhará as pautas relacionadas ao corredor.

“Esse é o primeiro de vários encontros. Estamos estruturando um espaço permanente de participação, onde as discussões possam amadurecer e gerar resultados concretos para os povos originários. Mais do que tratar apenas do corredor, estamos criando uma oportunidade de aproximação e escuta qualificada, permitindo que as políticas públicas sejam construídas de forma mais efetiva”, acrescentou.

Para a assessora especial de Integração do Corredor Bioceânico Capricórnio na Semadesc, Danniele Paiva, a iniciativa reforça o compromisso do Governo do Estado em garantir que os povos originários participem das decisões relacionadas ao desenvolvimento regional.

“Com o intuito de propiciar a participação dos povos originários em relação aos impactos, desafios e oportunidades do Corredor Bioceânico, reunimos representantes das etnias diretamente influenciadas pelo traçado da Rota em Mato Grosso do Sul. O objetivo foi atualizar informações sobre infraestrutura e governança, mas principalmente ouvir seus anseios e perspectivas para que possam se desenvolver preservando sua cultura e suas tradições”, destacou.

Segundo ela, a criação de um canal permanente de comunicação permitirá que as demandas apresentadas pelas comunidades indígenas sejam compartilhadas com os demais governos subnacionais que integram o corredor, fortalecendo a construção de ações conjuntas e efetivas em toda a área de influência da Rota Bioceânica.

O subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários da SEC, Devanilson Paz, destacou que “o Vozes da Rota nasce da compreensão de que os povos originários precisam estar no centro das discussões sobre o Corredor Bioceânico. Antes de falar sobre impactos, precisamos ouvir quem vive nos territórios e conhece suas realidades. Este encontro representa um passo importante para garantir que as demandas, preocupações e expectativas das comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul sejam consideradas nos espaços de governança da rota”.

O encontro integra os trabalhos da Comissão Técnica de Cidadania e Povos Originários do Fórum dos Governos Subnacionais do Corredor Bioceânico, coordenada por Mato Grosso do Sul, e contribui para ampliar a participação social em uma das principais iniciativas de integração logística, econômica e cultural da América do Sul.

Marcelo Armôa, Comunicação Semadesc
Fotos: Ana Christina/Semadesc



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Cosan antecipa pagamento de R$ 2,8 bilhões em dívidas

A Cosan antecipou o pagamento de aproximadamente R$ 2,8 bilhões em dívidas como parte de sua estratégia de redução do endividamento. A informação consta em comunicado divulgado pela companhia à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

As operações envolveram o resgate antecipado integral da 1ª Série da 11ª Emissão de Debêntures e a aquisição facultativa de títulos da 5ª Emissão de Debêntures e da 1ª Série da 4ª Emissão de Notas Comerciais.

O maior desembolso ocorreu no resgate da 1ª Série da 11ª Emissão de Debêntures, que somou cerca de R$ 1,6 bilhão. A companhia também adquiriu 569.428 debêntures da 5ª Emissão, em uma operação de aproximadamente R$ 588 milhões, e recomprou a totalidade das 550 mil notas comerciais da 1ª Série da 4ª Emissão, ao custo de cerca de R$ 595,4 milhões.

Segundo a Cosan, os valores incluem principal, juros e os prêmios pagos aos investidores pela liquidação antecipada dos papéis.

A companhia afirmou que a operação contribui para reduzir os vencimentos concentrados em 2028 e ampliar o prazo médio de sua dívida. O movimento faz parte de um conjunto de medidas voltadas à otimização da estrutura de capital e ao fortalecimento da posição financeira da empresa.

Ainda de acordo com o comunicado, considerando também as operações realizadas no primeiro trimestre deste ano, a Cosan já efetuou o pré-pagamento de aproximadamente R$ 8,8 bilhões em principal ao longo de 2026.

A empresa informou que continua avaliando novas alternativas para antecipar passivos financeiros e reduzir seu nível de endividamento.

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No Dia do Cinema Brasileiro, audiovisual de Mato Grosso do Sul celebra expansão e projeta novos desafios


No Dia do Cinema Brasileiro, celebrado nesta sexta-feira (19), o audiovisual de Mato Grosso do Sul tem motivos para comemorar. Impulsionado por políticas públicas de incentivo e pelo amadurecimento de sua cadeia produtiva, o setor vive um dos momentos mais promissores de sua história recente, com crescimento da produção local, ampliação da circulação de obras e fortalecimento da formação profissional.

Nos últimos cinco anos, o Estado recebeu um volume expressivo de investimentos destinados ao audiovisual. Somente por meio da Lei Paulo Gustavo (LPG), foram destinados mais de R$ 20 milhões para projetos do setor em Mato Grosso do Sul. A esse montante somam-se recursos estaduais do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) e, mais recentemente, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que passou a garantir uma fonte contínua de financiamento para a cultura brasileira.

Em 2026, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) lançou três editais específicos para o audiovisual, totalizando R$ 1 milhão em investimentos por meio da PNAB. As chamadas públicas contemplam diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a produção de obras até sua circulação e exibição.

Um dos editais prevê R$ 100 mil para o licenciamento de 30 obras audiovisuais finalizadas a partir de 2023. Os trabalhos selecionados serão exibidos em ações como o Rota Cine, mostras promovidas pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) e na programação da TV Educativa. Outra iniciativa destina R$ 500 mil à produção de cinco curtas-metragens de animação inéditos, com até R$ 100 mil por projeto. Já o terceiro edital disponibiliza R$ 400 mil para apoiar a participação de produções sul-mato-grossenses em festivais e mostras nacionais e internacionais.

Os editais seguem em andamento e devem ser concluídos até agosto.

Para o cineasta Roberto Leite, que atua há mais de duas décadas no setor, o momento atual representa um marco histórico para o audiovisual sul-mato-grossense.

“Posso dizer que vivemos um dos períodos mais importantes da história do setor no estado. Nos últimos anos, especialmente com a chegada da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc, houve um fortalecimento significativo da produção audiovisual. Esses recursos permitiram que produtores, diretores, roteiristas, técnicos e artistas tivessem condições de desenvolver projetos com mais qualidade e alcançar novos espaços de exibição e reconhecimento”, afirma.

Segundo ele, entretanto, o cenário atual é resultado de uma construção iniciada muito antes da chegada das políticas federais.

“Diversos profissionais já vinham construindo o audiovisual sul-mato-grossense por meio dos editais estaduais, como o FIC, além de iniciativas da iniciativa privada. Foi esse trabalho contínuo que preparou o terreno para o momento que vivemos atualmente”, destaca.

Leite ressalta ainda que o desafio passa pela continuidade dos investimentos e pela garantia da execução dos recursos dentro dos prazos previstos.

“O audiovisual movimenta profissionais, empresas e serviços. Quando há atrasos nos pagamentos ou insegurança sobre a execução dos recursos, toda a cadeia produtiva é impactada”, observa.

O crescimento da produção também pode ser percebido nos festivais locais. Para o cineasta e produtor cultural Dannon Lacerda, os números recentes demonstram uma mudança significativa no cenário estadual.

“O Festival Curta Campo Grande recebeu, em sua última edição, 32 inscrições de curtas-metragens produzidos em 2024 e 2025, número muito superior ao registrado antes da pandemia, quando dificilmente ultrapassávamos cinco produções por ano”, explica.

Para ele, o próximo passo consiste em transformar esse aumento quantitativo em desenvolvimento sustentável e qualificado.

“É fundamental investir na formação continuada dos profissionais do setor. Além de seu papel na cultura, na educação e no entretenimento, o audiovisual exerce um impacto econômico significativo, movimentando turismo, comércio, tecnologia, serviços e economia criativa”, avalia.

Além dos investimentos, os profissionais do audiovisual do Estado destacam a criação da Film Commission de Mato Grosso do Sul como iniciativa estratégica capaz de ampliar a visibilidade do estado, atrair produções externas e gerar novas oportunidades para profissionais locais. “É uma ferramenta que tende a fortalecer ainda mais o setor nos próximos anos, avalia Roberto Leite.

A formação profissional também foi apontada por agentes do setor como um dos fatores responsáveis pelo amadurecimento da produção local. A criação do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) ampliou o acesso à qualificação técnica e contribuiu para a renovação de realizadores e profissionais da área.

Para o cineasta Thiago Rotta, o audiovisual já ultrapassa o campo exclusivamente cultural e deve ser compreendido como um setor estratégico para o desenvolvimento do Estado.

“O audiovisual movimenta cadeias produtivas, fortalece o turismo, projeta a identidade dos territórios e conecta o Mato Grosso do Sul a mercados e públicos muito além de suas fronteiras. Hoje ele está presente na cultura, na educação, na indústria, no agronegócio, na comunicação institucional e na construção de marcas”, afirma.

Segundo Thiago, o fortalecimento do setor também depende da profissionalização das empresas, da articulação coletiva e da construção de uma visão de longo prazo.

“Mato Grosso do Sul possui uma riqueza cultural extraordinária e, aos poucos, essa diversidade começa a aparecer também nas telas. O grande desafio dos próximos anos será transformar essa potência criativa em desenvolvimento contínuo”, acrescenta.

A expansão da produção local também é percebida por Andréa Freire, gestora cultural e coordenadora do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano. Ela observa o crescimento do número de obras realizadas no Estado e a diversidade de linguagens e temáticas abordadas pelos realizadores.

“As produções estão cada vez mais interessantes, ecléticas e com diversas linguagens, novos realizadores e temas que falam de nós e nos espelham no mundo”, destaca.

Ao mesmo tempo, Andréa aponta a necessidade de fortalecer toda a cadeia produtiva do audiovisual.

“O financiamento público tem contribuído para impulsionar a produção, mas ainda é insuficiente para a demanda atual. Tanto quanto produzir filmes, é fundamental distribuí-los para que cheguem ao público”, observa.

Entre os próximos passos para o setor, os entrevistados apontam a consolidação de políticas permanentes de investimento, o fortalecimento da recém-criada Film Commission de Mato Grosso do Sul, a ampliação dos mecanismos de distribuição e circulação das obras e a continuidade dos editais públicos.

“O audiovisual é uma das áreas mais dinâmicas da economia criativa contemporânea. Quando investimos no setor, estamos investindo em cultura, mas também em inovação, qualificação profissional, empreendedorismo e desenvolvimento regional. Mato Grosso do Sul vive um momento muito especial, com o fortalecimento dos realizadores locais, a ampliação dos mecanismos de fomento e iniciativas estratégicas como a Film Commission, que ampliam nossa capacidade de atrair investimentos e gerar oportunidades.

De acordo com o diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, é importante celebrar resultados já alcançados. Mas, também, manter o foco no futuro do cinema que estamos construindo.

“O Dia do Cinema Brasileiro revela um momento de transformação para o audiovisual sul-mato-grossense. Um cenário construído por décadas de trabalho de realizadores, produtores e instituições culturais, que agora encontra nas políticas públicas uma oportunidade de ampliar sua presença dentro e fora do Estado, projetando novas histórias, novos olhares e novas possibilidades para o cinema produzido em Mato Grosso do Sul. Queremos que cada vez mais histórias sul-mato-grossenses sejam produzidas, exibidas e reconhecidas dentro e fora do país, consolidando o audiovisual como um setor estratégico para o desenvolvimento cultural e econômico do Estado”. 

Comunicação Setesc



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China confirma esgotamento da cota para carne bovina da Austrália

O MOFCOM (Ministério do Comércio da China) informou nesta sexta-feira (19) que as importações de carne bovina da Austrália atingiram 100% da cota anual prevista nas medidas de salvaguarda em 18 de junho de 2026. A informação consta na Circular nº 43 de 2026, publicada pelo Departamento de Defesa Comercial do governo chinês.

De acordo com o comunicado, a carne bovina australiana importada sob o regime de salvaguarda alcançou o limite estabelecido pelo Anúncio nº 87 de 2025. Com isso, a partir de 20 de junho de 2026, passará a ser aplicada uma tarifa adicional de 55% sobre os embarques australianos, além da alíquota atualmente em vigor.

No início de junho, as importações de carne bovina da Austrália haviam atingido 90% do volume autorizado para o ano. Na ocasião, o Ministério informou que, uma vez alcançado o limite de 100%, a tarifa adicional seria acionada a partir do terceiro dia subsequente.

A medida faz parte do mecanismo de salvaguarda previsto no acordo comercial entre China e demais países parceiros, que estabelece limites anuais para determinados produtos agropecuários. Quando o volume importado supera a quantidade definida, tarifas adicionais são automaticamente aplicadas sobre os embarques excedentes.

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Ex-proprietários de veículos leiloados pelo Detran-MS podem solicitar valores remanescentes


O Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) publicou, nesta quinta-feira (18/06), no Diário Oficial do Estado, uma lista de 250 ex-proprietários de veículos que podem solicitar o valor que sobrou após os automóveis serem leiloados pelo órgão.

Esse crédito remanescente é o que resta do valor de arremate depois que todas as despesas e débitos do veículo, como diárias de pátio, guincho e multas, que são descontados do valor arrecadado em Leilão.

Os ex-proprietários listados na publicação têm um prazo de até cinco anos para se habilitar e receber o valor, contando a partir da homologação do leilão em que o veículo foi vendido.

Para dar entrada no processo, os interessados devem procurar o Detran-MS e preencher um formulário específico, apresentando uma série de documentos que devem ser entregues. Todos os passos estão descritos no edital, com link abaixo.

Clique aqui (página 45)

Para baixar o formulário acesse o campo “Veículo” no Portal de Serviços Meu Detran, na aba “Formulários” escolha o documento “Solicitação de Restituição de Saldo Remanescente de Veículo Leiloado pelo Detran-MS”.

Emmanuelly Castro, Comunicação Detran-MS

Foto: Detran-MS



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economia

Move Brasil libera hoje crédito para motoristas de app e taxi: vendas devem subir 15%


Com mais de 600 mil inscritos, começa a ser liberado hoje o crédito do governo federal para o programa Move Brasil, destinado a taxistas e motoristas de aplicativo para compra do carro zero. Estimativas da Bright Consulting, consultoria especializada no setor automotivo, indicam que o volume de vendas de veículos leves pode crescer até 15%, desde que os potenciais compradores consigam atender às condições básicas do programa.

Estão cadastradas 11 montadoras e 42 modelos de veículos. Serão R$ 30 bilhões em crédito repassados pelo Ministério da Fazenda ao BNDES, e os bancos e instituições financeiras parceiras serão os responsáveis por aprovar e liberar o crédito ao consumidor a partir de hoje. O valor máximo do veículo é de R$ 150 mil.

— O principal desafio não será apenas a atratividade da taxa de juros subsidiada, mas a capacidade de aprovação de crédito da base de consumidores. Caso a operacionalização seja eficiente, o programa poderá representar um importante estímulo para a indústria automotiva, com pelo menos 180 mil unidades vendidas ao longo dos próximos 12 meses — projeta Cássio Pagliarini, diretor da Bright Consulting.

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Inadimplência alta

Com o programa, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras, já admite elevar sua estimativa de vendas para este ano. O novo número será divulgado em julho. No início do ano, a previsão era de um crescimento de 2,8% para veículos leves, chegando a 2,6 milhões de unidades.

Mas de janeiro a maio, o segmento já emplacou quase 1,1 milhão de unidades, expansão de 18,2% sobre o mesmo período de 2025. A Anfavea projeta que o programa pode gerar 200 mil unidades emplacadas, o equivalente a um mês de vendas.

— Precisamos saber: será um volume adicional ou antecipação de compras? — questionou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante o evento Anfavea Visions, realizado em São Paulo, no início de junho.

As taxas de juros são de 0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres, com prazo de financiamento de 72 meses e carência que pode chegar a seis meses para o pagamento da primeira parcela.

Nos cálculos da Bright Consulting, no caso de um veículo de R$ 100 mil, com 50% de entrada e saldo financiado em 24 meses, com taxa de 0,99% ao mês, o custo financeiro será reduzido em mais de R$ 6 mil quando comparado a uma taxa tradicional de mercado de 1,89% ao mês. Estão incluídos carros flex (a etanol e gasolina), híbridos flex, elétricos e veículos movidos exclusivamente a etanol. Modelos a gasolina e diesel ficaram de fora.

Milad Kalume, especialista no setor automotivo da Klume consultoria, avalia que o potencial de vendas é de 200 mil veículos, considerando R$ 30 bilhões divididos por R$ 150 mil e se todos tiverem o crédito aprovado. Ele afirma que os veículos mais usados por taxistas e motoristas de apps, entretanto, têm tíquete médio na faixa dos R$ 120 mil, o que garantiria renovação de frota de até 250 mil novos.

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— O programa favorece em geral os veículos de entrada, como os hatches, sedãs compactos, SUVs pequenos. O plano poderá dar impulso aos veículos elétricos e híbridos — diz o especialista, lembrando que nas capitais, onde há mais infraestrutura de carregamento, o elétrico tende a ganhar maior relevância.

Já em cidades médias e rotas mais longas, o flex e o híbrido ainda são as melhores alternativas. O programa, diz Kalume, tende a acelerar a troca de veículos antigos por modelos mais novos e tecnológicos, renovando a frota, reduzindo emissões e colocando carros mais seguros em circulação.

As locadoras têm um bom número de clientes entre taxistas e motoristas de apps diz Kalume. Segundo a Associação Brasileira das locadoras de Automóveis (Abla), os carros alugados para esses profissionais representam 25% do total. Com crédito mais barato, uma parte dos motoristas vai poder comparar o valor do aluguel mensal com a parcela do financiamento. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, fez um cálculo:

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— Se o motorista comprar um carro financiado de R$ 149 mil, em 72 meses e carência de seis meses, vai pagar em torno de R$ 3.850 de prestação, enquanto a locação desse carro, por mês, sai em torno de R$ 6 mil.

Kalume lembra que, em programas anteriores de estímulo ao carro zero, quando a taxa de juros estava mais baixa, uma parte da população ficou inadimplente. Hoje, diz, a inadimplência já está alta, atingindo 81 milhões de pessoas, o que exclui quem está com nome negativado. Além disso, o Marco Legal das Garantias, aprovado no fim de 2023, permite que as instituições recuperem os bens dados em garantia diretamente pelos cartórios, sem passar por um longo processo judicial.

Para ampliar o alcance, o governo incluiu taxistas e motoristas de apps como categorias elegíveis ao Programa Emergencial de Acesso a Crédito do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC). Trata-se de programa do BNDES que permite cobertura de até 80% do risco de crédito.

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Guerra de preços

Nesta semana, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que a demanda inicial pelos empréstimos do programa está “gigantesca”.

Os especialistas apontam que a disputa pelos motoristas vai acirrar a guerra de preços entre as montadoras. Na prática isso já está acontecendo. A chinesa GWM informou que o modelo ORA 03 será oferecido no programa por R$ 150 mil, enquanto no mercado o preço é de R$ 169 mil. A chinesa Geely ofertará o elétrico Geely EX2 com desconto de 5% sobre o valor de tabela. O Geely EX2 PRO tem preço a partir de R$ 99.001, para taxistas, e a partir de R$ 117.610, para motoristas de app.

A Jeep, marca da Stellantis, reduziu o preço do Jeep Compass Sport de R$ 174.990 para R$ 120.430. A Honda oferece descontos de até 10% e preços a partir de R$ 90.550. Na troca pelo carro zero, a marca japonesa oferece bônus de R$ 15 mil no carro usado da própria marca, por tempo limitado.

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Em modelos de outras marcas, o bônus é de R$ 10 mil. Todos os modelos nacionais City, WR-V e HR-V, nas versões EX e EXL, se enquadram no programa, com preços inferiores a R$ 150 mil, disse a Honda.

A General Motors, que tem sete modelos habilitados (Onix, Onix Plus, Spin, Tracker, Montana, Sonic e o elétrico Spark EUV), montou operação especial: a rede, em parceria com a Chevrolet Serviços Financeiros, promete acelerar a análise de crédito e o processo de adesão. A instituição faz parte da GM Financial.

A Volkswagen informou que os modelos elegíveis são Polo, Tera, Virtus, Nivus e T-Cross. Os veículos, diz a montadora, cujos preços variam de R$ 93,6 mil (Polo Track 1.0) a R$ 119.990 (T-Cross Sense) estão em linha com o programa. Ela já tem parceria com a Uber, com condições especiais para a compra de seus veículos.

Izabel Rodrigues, de 50 anos, trabalha como taxista há 28 anos:

— A taxa de juros diferenciada para as mulheres é justa, porque elas trabalham em jornada dupla, em casa e, no meu caso, no táxi. Então, a grande maioria tem horário relativamente curto em comparação com o de outros taxistas.

A motorista de app, Maria Alice Sartori, lamenta ter o nome negativado:

— Se não tem nome positivo, não consegue o benefício, e se não consegue o benefício, a pessoa não consegue sair do problema (a negativação).

Pesquisa do IBGE mostrou que quase 1,9 milhão de pessoas trabalhavam como motoristas, em 2024, com renda mensal média de R$ 2,5 mil.

Regras do Move Brasil

Quem pode participar

  • Motoristas de aplicativos com cadastro ativo há pelo menos 12 meses, que tenham realizado ao menos cem corridas na mesma plataforma
  • Taxistas registrados e em atividade

Veículos ofertados

Carros com valor de até R$ 150 mil, que atendam a critérios de sustentabilidade — flex, híbridos flex, elétricos ou exclusivamente a etanol — de montadoras habilitadas no Programa Mover.

Solicitação de financiamento deve ser feita na página gov.br/movebrasil

Após aprovação, interessado deve procurar o financiamento em seu banco.

Taxa de juros (mensal)

  • 0,99% ao mês para homens
  • 0,91% ao mês para mulheres
  • Prazo de financiamento
  • 72 meses e carência que pode chegar a seis meses para pagamento da primeira parcela

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Montadoras habilitadas e modelos oferecidos

  • BYD: Dolphin e Dolphin Mini
  • General Motors: Onix, Onix Plus, Spin, Tracker, Montana, Sonic e o elétrico Spark EUV
  • Volkswagen: Polo, Tera, Virtus, Nivus e T-Cross
  • GWM: Ora 03
  • Honda: City Hachback, City Sedan, HR-V e WR-V
  • Hyundai: Creta, HB20, e HB20S
  • Nissan: Kait, Kicks e Versa
  • Renault: Duster, Kardian e Kwid
  • Geely: Geely EX2
  • Stellantis: Citroën Aircros, Basalt, C3; Fiat Argo, Cronos, Pulse, Mobi e Fast Back
  • Jeep: Compass e Renegade; Peugeot 208 e 2008
  • Toyota: Yaris Cross

Fonte: Montadoras, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)



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economia

veja quais bancos vão financiar carros para motoristas de app e taxistas


Começa nesta sexta-feira a fase mais esperada do Move Brasil: a contratação do financiamento de carros novos por motoristas de aplicativo e taxistas. A partir de hoje, os profissionais que já tiveram o cadastro aprovado pelo governo federal podem procurar concessionárias e bancos para pedir o crédito, com taxas de juros menores do que as praticadas no mercado.

As condições foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e confirmadas pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante: os juros são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres. As duas taxas ficam abaixo da Selic, a taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano.

Isso é possível porque o presidente Lula assinou uma medida provisória que autoriza o Ministério da Fazenda a repassar R$ 30 bilhões ao BNDES para bancar essas operações. O programa é voltado a taxistas e a motoristas de plataformas como Uber e 99 que tenham feito ao menos 100 corridas no período de um ano — o equivalente a cerca de duas corridas por semana.

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O ponto de corte é uma tentativa do governo de restringir o crédito a quem realmente trabalha na atividade, e não a interessados apenas em pegar um empréstimo mais barato.

Quais bancos vão operar o crédito

O C6 Bank confirmou que vai operar a linha e informou que começa a receber pedidos em 26 de junho. As taxas serão as do teto do programa — 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres —, e a exigência de entrada e de documentos vai depender da análise de crédito de cada cliente.

“Feita de forma on-line, a análise de crédito, na maior parte dos casos, ocorre em até um minuto”, disse o banco em nota.

O Santander também vai operar o crédito, por meio da Santander Financiamentos, e deve começar a receber propostas na próxima semana, seguindo o calendário do programa. As condições serão apresentadas na simulação. Já a contratação ficará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida.

“As condições serão apresentadas durante a simulação, e a contratação estará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida na jornada, incluindo documentos pessoais, comprovação de elegibilidade ao programa e documentação do veículo”, esclareceu o Santander em nota.

O Itaú Unibanco informou que não vai aderir a esta linha. O banco alegou questões de cronograma operacional e afirmou que seu teto de garantias no FGI já está integralmente alocado e consumido pelo fluxo de outras modalidades de crédito — como o Renova Frota, o FGI Capital de Giro, o Pronampe e o Desenrola.

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“Em relação à nova linha voltada a motoristas de aplicativo e taxistas, o banco optou por não aderir a este desenho específico por questões de cronograma operacional e pelo fato de seu teto de garantias do FGI já estar integralmente alocado e consumido pelo fluxo atual de outras modalidades”, afirmou a instituição financeira

O Bradesco preferiu não se manifestar. Procurados, Nubank, BTG Pactual, Banco Inter, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal não responderam até o fechamento desta reportagem.

“A esperança é a última que morre”

Motorista de aplicativo há dez anos e dono de um salão de festas, Carlos Coutinho, de 39 anos, é um dos que pretendem aproveitar o programa logo na largada. Morador de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, ele usa os aplicativos como complemento de renda e hoje roda com uma Chevrolet Spin 2015, de sete lugares. A ideia é trocá-la por um elétrico.

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— Com esse programa do governo, estou vendo a possibilidade de trocar o meu carro por um veículo elétrico, que é o BYD Dolphin — conta.

Carlos já fez o cadastro e foi aprovado pelo governo em poucos dias. A aprovação do governo, porém, é só a primeira etapa. Falta a parte mais incerta: a análise de crédito do banco.

Carlos tem o nome negativado e conta com o fundo garantidor para conseguir o financiamento mesmo assim.

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— Tenho negativação no meu nome, mas não é nada muito grave, alguns cartões de crédito. Não regularizei porque existe uma luz no fim do túnel: muita gente falando que vai liberar para negativado — afirma. — A esperança é a última que morre.

Para tentar reduzir o valor financiado, ele e três amigos do bairro vão juntos a uma concessionária de carros elétricos nesta sexta. Dos quatro, diz ele, só um está com o nome limpo.

— A gente vai ver se consegue dar os nossos carros de entrada para financiar um valor menor — explica.

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O que pesa na escolha pelo elétrico é a economia, segundo Carlos:

— A gente gasta de R$ 3 mil a R$ 3.500 por mês com combustível, fora a manutenção. Com o elétrico, fica em torno de R$ 800 a R$ 1.000 de recarga, e a manutenção é menor — compara.

Com o BYD, ele também poderia rodar na categoria Black da Uber, a mais bem paga — mas já sabe que, para esse modelo, o acesso à categoria vai até o fim de 2027.

— Todo mundo foi pego de surpresa com essa informação que a Uber soltou, um dia antes de todo mundo comprar o carro — diz.

Quem está com o nome negativado pode conseguir?

A aprovação no cadastro do governo é apenas a primeira etapa e não garante o financiamento. A análise de crédito é feita pelo banco, caso a caso, depois do pedido — e cada instituição decide se aprova ou recusa, segundo suas próprias regras.

Para ampliar as chances de quem tem renda informal e pouca garantia a oferecer, a medida provisória incluiu taxistas e motoristas de aplicativo no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC), do BNDES, que pode cobrir até 80% do risco de cada operação. Na prática, o fundo protege o banco em caso de calote — o que torna o crédito mais acessível —, mas a dívida continua sendo do motorista.

O que diz o especialista

Para quem vive de renda variável, o maior risco não é o juro, e sim o tamanho da parcela. É o que avalia Rodolfo Takashi, CEO da Gooroo Crédito, fintech especializada em crédito para o trabalhador.

— Para um motorista sem renda fixa, a pergunta principal não deveria ser “quanto o banco aprova?”, mas sim “qual carro o meu faturamento consegue sustentar, mesmo nos meses mais difíceis?” — afirma.

Takashi lista alguns cuidados. O primeiro é fazer a conta pela pior semana, não pela melhor: se a renda líquida oscila entre R$ 3.500 e R$ 7.000 por mês, a parcela precisa caber confortavelmente no cenário de R$ 3.500. Como regra geral, ele recomenda que a prestação não passe de 15% a 20% da renda líquida média.

O segundo é não financiar o valor máximo só porque ele está disponível. O programa permite financiar veículos de até R$ 150 mil, mas, segundo o especialista, um carro de R$ 100 mil pode render praticamente o mesmo nos aplicativos.

— Um veículo de R$ 100 mil pode gerar praticamente a mesma receita em aplicativos como Uber e 99 do que um veículo de R$ 150 mil. O custo adicional não necessariamente se traduz em maior rentabilidade — diz.

Takashi orienta ainda a encarar a prestação como um aluguel, um custo fixo da atividade, e a não confundir faturamento com renda: é possível faturar R$ 10 mil por mês e ter renda líquida bem menor depois de descontar combustível, manutenção, lavagem e seguro.

— O risco está em assumir uma parcela baseada nos meses de maior faturamento e descobrir, nos meses mais fracos, que o carro pertence mais ao banco do que ao motorista — resume.

Para ele, o Move Brasil pode valer a pena sobretudo para quem hoje gasta muito com aluguel de veículo, desde que a escolha seja pelo carro mais econômico capaz de gerar a mesma receita.

Quantos já se inscreveram

O governo não respondeu ao pedido da reportagem sobre o número atualizado de cadastrados e de aprovados no programa.

O dado mais recente divulgado é do dia 3 de junho, quando o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que as inscrições no Move Brasil já chegavam a 600 mil.

Atenção ao prazo

As contratações precisam ocorrer até 22 de julho de 2026, data final de vigência da medida provisória que sustenta o programa. Procurados, MDIC e BNDES não esclareceram o que acontece com o motorista que pedir o financiamento dentro do prazo, mas tiver a análise de crédito concluída pelo banco depois dessa data.

Como faço para solicitar o financiamento?

Confira abaixo o passo a passo:

  • A primeira etapa é acessar a plataforma gov.br/movebrasil e rolar até encontrar a opção de fazer o cadastro a partir do Gov.br.
  • Insira seu CPF e depois sua senha gov.br
  • Ao abrir a próxima página, clique em “Solicitar adesão”.
  • Informe se é taxista, motorista 99 ou motorista Uber. Depois é só ler e aceitar o termo de consentimento e clicar em “Solicitar adesão”.

 Com isso, seu perfil já ficará em análise. O governo federal irá validar consultar a plataforma para validar seu cadastro.

Em seguida, é necessário esperar até 5 dias úteis para ser informado se está apto ou não a participar do programa Move Brasil. O motorista receberá a resposta via caixa postal do gov.br e via mensagem de WhatsApp.

No caso de motoristas de aplicativo, o governo irá checar uem está apto diretamente com a plataforma.

No caso de motorista de táxi, o governo irá chegar por meio da Receita Federal. Eles devem autorizar que o órgão envie às instituições financeiras a confirmação do registro como taxista e autorize a instituição financeira a praticar as condições de financiamento do programa.

Por fim, os motoristas que receberam a confirmação de participação no programa podem procurar as concessionárias e instituições financeiras participantes do programa para análises de crédito e de avaliação de viabilidade de concessão do financiamento.



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Governo chinês aponta interesse em parceria com o Brasil sobre o Pix


No momento em que os Estados Unidos apontam o Pix como uma “prática desleal” do Brasil, um comunicado do Banco Central da China divulgado neste mês destacou o potencial de cooperação com sistemas de pagamento brasileiros. No documento, a autoridade monetária do país asiático cita o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML), mecanismo hoje usado no Mercosul, mas os chineses já indicaram interesse na integração com o sistema brasileiro para facilitar transferências internacionais.

Na investigação comercial dos EUA que implicou na recomendação de tarifas de 25% sobre as exportações brasileiras, o Pix é apontado como uma política “desleal” do Brasil, que prejudica o comércio americano devido a um suposto tratamento preferencial do BC.

Segundo as autoridades americanas, a atuação do banco público como regulador do sistema financeiro e gestor do Pix cria um conflito de interesses que deixa os provedores de pagamento dos Estados Unidos em desvantagem.

Além de um incômodo das empresas de cartão e do mercado de stablecoins com o Pix, integrantes do governo brasileiro também veem um receio da Casa Branca com possíveis ligações diretas entre sistemas de pagamento em tempo real de diferentes países devido ao impacto sobre o poder do dólar no mercado global. Atualmente, a maioria das transações entre os países passa pela moeda americana.

Comunicado chinês

No comunicado publicado no site do Banco Central da China, o órgão resume as discussões do 4º encontro do Grupo de Trabalho de Cooperação Financeira Estratégia China-Brasil, que ocorreu em Xangai, no dia 9 de junho, e contou com a presença do presidente do BC brasileiro, Gabriel Galípolo.

O texto cita avanços nos debates sobre o uso de moeda local, investimento e financiamento bilaterais e pagamentos transfronteiriços. Dentre os assuntos abordados, o texto destaca que os representantes dos dois países discutiram o potencial do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) e cooperação em sistemas de pagamento para o comércio bilateral.

“Ambas as partes também discutiram o potencial do SML e da cooperação em sistemas de pagamento, a fim de fornecer serviços de pagamento e compensação seguros e eficientes para o comércio bilateral”, diz o texto.

O SML é um sistema de pagamento internacional administrado pelo BC brasileiro que permite que exportadores e importadores dos países conveniados realizem operações usando suas moedas locais, sem passar por uma moeda intermediária, como o dólar, o que reduz custos.

Sistema SML

A taxa SML é responsável por fazer a conversão. Ela é a relação diária entre a taxa de câmbio de referência do real ante o dólar e a taxa de câmbio de referência divulgada pelo BC do outro país conveniado, no caso Argentina, Paraguai ou Uruguai. O BC brasileiro só atua como intermediário.

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As discussões com a China ainda são preliminares e não há definição de como seria o modelo, mas possivelmente envolveria criar um mecanismo similar ao SML que facilitasse o comércio com o Brasil. Os chineses já tem parcerias parecidas com outros países.

Integração de sistemas

Além do SML, o governo chinês já manifestou em outras oportunidades o interesse em fazer a integração dos seus sistemas de pagamento instantâneo com o Pix. A demanda, contudo, não é exclusiva de Pequim e há conversas também com outras jurisdições, em um contexto de discussão global sobre a redução de custos em transações internacionais.

O BC brasileiro reconhece a importância do debate, mas o assunto não é considerado prioridade em um momento em que o regulador está focado na pauta de segurança e sofre com a redução do orçamento e do quadro de funcionários.

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Fazer uma conexão internacional de sistemas não é trivial e demanda, antes de tudo, uma discussão de governança, mas também esforços de desenvolvimento de negócio e de tecnologia. No caso da governança, teria de definir como seria feita a troca de moeda, se passaria pelo dólar, como no caso do SML, ou não.



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Prêmio Sul-Mato-Grossense de Inovação na Gestão Pública está com inscrições abertas – Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul


As inscrições para o XXI Prêmio Sul-Mato-Grossense de Inovação na Gestão Pública estão abertas a partir desta sexta-feira (19) e seguem até o dia 5 de agosto. Os interessados poderão submeter propostas exclusivamente por meio do Sistema SIGFUNDECT, conforme as regras estabelecidas no edital publicado hoje (19) no DOE (Diário Oficial do Estado).

O concurso é destinado aos servidores públicos do Poder Executivo Estadual de Mato Grosso do Sul e contempla duas modalidades, “Práticas Inovadoras”, voltada a iniciativas já implementadas e com resultados mensurados, e “Ideias Inovadoras”, destinada a propostas ainda não executadas e passíveis de implementação na administração pública estadual.

As inscrições podem ser realizadas de forma individual ou coletiva, com equipes compostas por até quatro participantes. Para a modalidade “Práticas Inovadoras”, serão aceitas iniciativas implantadas há pelo menos seis meses e no máximo 36 meses, contados da publicação do edital. Já as propostas inscritas como “Ideias Inovadoras” deverão apresentar fundamentação técnica e demonstrar viabilidade de aplicação no setor público.

As propostas deverão estar relacionadas a um dos eixos estratégicos previstos no edital – desenvolvimento social, produção, competitividade e integração, inovação e sustentabilidade, ou governança e gestão para resultados. Também deverão indicar vinculação a pelo menos um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a uma diretriz do Plano Plurianual (PPA) 2024-2027.

O processo de seleção será composto por três etapas – enquadramento das propostas, análise de mérito e apresentação de pitch. Na fase de mérito serão avaliados critérios como grau de inovação, viabilidade técnica, pertinência, sustentabilidade e potencial de impacto. As propostas que alcançarem a pontuação mínima prevista no edital poderão avançar para a etapa final de apresentação oral perante banca avaliadora.

Serão classificadas para a etapa de pitch até 15 propostas em cada modalidade. Os finalistas terão acesso a curso preparatório ofertado pela organização do concurso, em formato online e presencial, com orientações sobre a estruturação e apresentação das propostas.

Ao final do certame, serão premiadas dez propostas, sendo cinco em cada modalidade. Os valores da premiação variam entre R$ 4 mil e R$ 24 mil, de acordo com a colocação obtida.

A divulgação da lista preliminar das propostas enquadradas está prevista para ocorrer a partir de 21 de agosto. A lista final de propostas finalistas será publicada a partir de 13 de novembro. As apresentações dos pitches ocorrerão em 24 de novembro e a cerimônia de premiação está prevista para 30 de novembro de 2026.

O edital completo, os anexos e as orientações para submissão das propostas estão disponíveis na página oficial do Prêmio Sul-Mato-Grossense de Inovação na Gestão Pública. Para inscrições clique aqui.

Para orientações sobre a submissão de propostas no SIGFUNDECT, os candidatos podem consultar os manuais disponibilizados pela FUNDECT. Dúvidas sobre o sistema podem ser encaminhadas para o e-mail projetos@fundect.ms.gov.br ou pelo telefone (67) 3316-6700. Já os esclarecimentos sobre o edital podem ser solicitados pelo e-mail labgeims@escolagov.ms.gov.br.

Raquel dos Passos, Comunicação Escolagov
Fotos: Saul Schramm, Secom/MS (destaque/arquivo) / Pedro Santos, Escolagov (arquivo)



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Analfabetismo no Brasil cai abaixo de 5% pela primeira vez, diz IBGE


Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo no Brasil ficou abaixo de 5%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua: Educação, divulgada nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, o país tinha em 2025 cerca de 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabiam ler nem escrever um bilhete simples — o equivalente a 4,9% da população nessa faixa etária.

Em 2016, primeiro ano da Pnad Educação, a taxa era de 10,6%. Em nove anos, portanto, o índice caiu pela metade. Apesar da melhora gradual nos indicadores educacionais, o país não conseguiu cumprir a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024. Hoje, a maior parte dos analfabetos tem 60 anos ou mais, é negra e vive nas regiões Norte e Nordeste.

O analfabetismo segue fortemente associado à idade. A maior parte das pessoas que não sabem ler nem escrever no Brasil — 4,8 milhões, o equivalente a 58% do total — tem 60 anos ou mais. Desconsiderando esse grupo, a taxa de analfabetismo entre a população de 15 a 59 anos cai para 2,6%.

Segundo técnicos do IBGE, essa diferença mostra, de um lado, a falta de políticas de alfabetização voltadas para adultos e idosos e, de outro, o maior acesso das novas gerações à escolarização e à alfabetização ainda na infância.

O recorte por cor ou raça também evidencia a persistência das desigualdades educacionais, embora haja uma tendência de redução ao longo do tempo.

Entre os brancos, a taxa de analfabetismo é de 2,8%. Já entre pretos e pardos, chega a 6,5%. A diferença fica ainda mais acentuada entre os idosos: entre negros com 60 anos ou mais, a taxa é de 20,6%, ante 7,3% entre os brancos da mesma faixa etária. Segundo o IBGE, trata-se de “um legado estrutural de exclusão educacional”.

As desigualdades regionais também seguem marcantes. O Nordeste e o Norte registraram as maiores taxas de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais: 10,6% e 5,7%, respectivamente. Na outra ponta, os menores índices foram observados no Sudeste (2,8%) e no Sul (2,7%). O Centro-Oeste registrou taxa de 3,3%.

A pesquisa aponta ainda uma diferença por sexo, em linha com a tendência de maior avanço educacional entre as mulheres. A taxa de analfabetismo é de 4,6% entre as mulheres e de 5,2% entre os homens.

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