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Governo busca fundo para destravar crédito rural antes do início da safra

O fundo garantidor previsto na medida provisória que trata da renegociação de dívidas do setor agropecuário ainda está em fase de construção e não tem definição sobre os aportes nem sobre quais agentes serão responsáveis pelos recursos.

Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, a estrutura é considerada fundamental para destravar o acesso a novos financiamentos diante do elevado comprometimento das garantias dos produtores rurais.

“O fundo foi colocado na medida provisória, mas ainda não tem a definição dos aportes e quem vai colocar esse recurso”, afirmou Campos. Segundo ele, a situação é especialmente delicada porque muitos produtores estão com as garantias comprometidas após o processo de renegociação das dívidas. Esse cenário pode limitar a capacidade de contratação de novos créditos para a próxima safra.

De acordo com o secretário, o sistema financeiro também está mais conservador diante do cenário de juros elevados e das dificuldades enfrentadas pelo setor. “Está num processo de construção do fundo garantidor”, disse.

A preocupação ganha peso com a proximidade do início do plantio da safra de verão, previsto para os próximos meses. Para Campos, a criação de mecanismos capazes de oferecer garantias adicionais é importante para evitar que o endividamento acumulado impeça o produtor de acessar recursos para a nova temporada.

Com relação ao seguro rural, Campos destaca que há uma diferença importante entre o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) voltado principalmente à agricultura familiar, e o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural), utilizado por produtores enquadrados a partir do Pronamp.

Campos afirmou que o Proagro apresentou melhora na cobertura após medidas adotadas pelo Banco Central e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para ajustar limites e combater fraudes. Já o PSR enfrenta uma situação de maior restrição orçamentária.

“Nós estamos passando por um momento onde o aperto financeiro em cima do PSR está muito acentuado”, afirmou. Segundo ele, o ministro da Agricultura, André de Paula, busca ampliar o aporte de recursos para o programa.

A necessidade de reforçar a subvenção ocorre em um cenário de pressão sobre as margens dos produtores, com queda dos preços internacionais de algumas commodities e custo financeiro elevado. Campos afirmou que, apesar de o Plano Safra oferecer linhas com taxas consideradas mais compatíveis, o nível geral dos juros torna os financiamentos mais caros.

“Com um Selic de 14%, tudo fica caro”, disse o secretário. Na avaliação dele, o produtor precisa ter cautela ao assumir novos compromissos financeiros, já que o custo do crédito e o prêmio do seguro precisam ser incorporados à estrutura de custos da atividade.

Para Campos, a participação do governo é necessária para ampliar a contratação do seguro rural, principalmente diante do risco climático. “Não existe em lugar nenhum do mundo onde se necessite o seguro rural, onde não tem a participação do Estado”, afirmou.

A discussão ocorre em meio às preocupações do setor com os efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a próxima safra. Nesse cenário, a ampliação dos mecanismos de proteção financeira e de acesso ao crédito passa a ser considerada estratégica para produtores que precisam iniciar o ciclo produtivo com menor capacidade de oferecer garantias.

O secretário afirmou que a prioridade do Ministério da Agricultura é buscar espaço no Orçamento para ampliar os recursos destinados ao seguro rural e avançar na estruturação do fundo garantidor. A definição dos aportes, porém, ainda está pendente.

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Lucro do confinamento supera R$ 1,1 mil por cabeça, aponta ICAP

O confinamento de bovinos apresentou melhora nos indicadores econômicos em julho, com redução do custo alimentar e avanço da lucratividade nas principais regiões produtoras do país.

Segundo o ICAP (Índice de Custo Alimentar Ponta Agro), o custo da alimentação passou a representar menos da metade das arrobas produzidas pelos animais confinados no Sudeste, enquanto o lucro da arroba produzida superou R$ 1,1 mil por cabeça tanto no Sudeste quanto no Centro-Oeste.

No Sudeste, o ICAP caiu 2,63% em julho, para R$ 11,48 por cabeça ao dia, o menor nível desde agosto de 2024. Ao mesmo tempo, a arroba do boi gordo subiu 3,77%, para R$ 344,00.

A combinação entre menor custo alimentar e recuperação da receita fez com que apenas 3,64 das 7,59 arrobas produzidas por animal fossem necessárias para pagar toda a alimentação de um ciclo médio de 109 dias.

Com isso, o custo alimentar consumiu 47,9% da produção no período, o menor percentual da série recalculada. A Relação de Troca ICAP/Boi Gordo também atingiu recorde, em 29,97 dias. Na prática, uma arroba vendida passou a pagar praticamente um mês de alimentação no confinamento.

No Sudeste, o lucro da arroba produzida chegou a R$ 1.145,71 por cabeça, alta de 13,73% em relação ao mês anterior. No Centro-Oeste, o indicador alcançou R$ 1.138,30 por cabeça, avanço de 8,08%. A diferença entre as duas regiões foi de apenas R$ 7,41, configurando um empate técnico.

No Centro-Oeste, porém, o movimento foi diferente já que o índice subiu 1,63%, para R$ 13,12 por cabeça ao dia, mesmo com a queda de 1,05% no custo da dieta de terminação, que registrou o quarto recuo consecutivo.

O milho também ficou 9,1% mais barato e a alta do índice foi explicada principalmente pelo aumento do consumo de matéria seca, de 2,11%, e pelos custos das fases de adaptação e crescimento, que avançaram 3,30% e 1,19%, respectivamente.

A análise dos custos dos insumos mostra que a queda da dieta de terminação no Centro-Oeste foi favorecida principalmente pelos volumosos e energéticos. Em julho, a dieta ficou 3,13% abaixo da média do trimestre entre maio e julho.

Os energéticos recuaram 7,44%, os proteicos caíram 0,76% e os volumosos tiveram queda de 9,88%. O milho grão seco, principal destaque entre os energéticos, ficou 17,3% abaixo da média trimestral.

No Sudeste, a dieta de terminação encerrou julho 4,91% abaixo da média do trimestre. O principal fator de alívio também foram os volumosos, cuja queda chegou a 8,71%. Segundo o ICAP, a maior participação do bagaço de cana no mix das dietas contribuiu para reduzir o custo, em um cenário de avanço da safra canavieira.

Na comparação entre o custo de produção e o preço do boi físico, o Centro-Oeste registrou custo de R$ 180,62 por arroba produzida, queda de 3,08%, enquanto a arroba do boi físico ficou em R$ 321,50, recuo de 0,62%. No Sudeste, o custo da arroba produzida caiu 3,13%, para R$ 193,05, enquanto o boi físico alcançou R$ 344, alta de 3,77%.

No mercado de exportação, considerando o boi destinado à China, o Centro-Oeste apresentou lucro de R$ 1.206,98 por cabeça, acima dos R$ 1.191,25 registrados no Sudeste. No mercado físico, entretanto, a liderança ficou com o Sudeste.

Os dados do ICAP são calculados a partir de informações de confinamentos monitorados pelas tecnologias da Ponta Agro, incluindo o sistema de gestão de confinamento TGC. A base reúne milhões de diárias de alimentação de bovinos e permite acompanhar a evolução mensal do custo alimentar nas principais regiões produtoras do país.

Os resultados de julho reforçam a importância da gestão dos custos no confinamento em um cenário de recuperação da arroba. No Sudeste, a combinação entre alimentação mais barata e valorização do boi reduziu a parcela da produção necessária para cobrir o custo do cocho.

No Centro-Oeste, apesar da alta do ICAP, a queda dos preços de importantes ingredientes da dieta e o aumento das arrobas produzidas contribuíram para manter a lucratividade acima de R$ 1,1 mil por cabeça.

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Índices de inflação do consumidor e produtor na China ficam abaixo do esperado


A inflação ao consumidor (CPI, pela sigla em inglês) da China subiu 0,5% em julho na comparação anual, abaixo da expectativa do mercado, que era de alta de 0,8%. Na comparação mensal, o CPI recuou 0,1%.

No acumulado de janeiro a julho, o índice avançou 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da China avançou 3,5% em julho na comparação anual. O resultado também ficou abaixo da expectativa de analistas do mercado, que era de alta de 3,9%. Na comparação mensal, o PPI recuou 0,7%.

No acumulado de janeiro a julho, o indicador teve alta de 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

(Com informações da Dow Jones Newswires)



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