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Acidente com ônibus deixa nove pessoas mortas na região serrana do RJ


Ao menos nove pessoas morreram e outras 40 ficaram feridas após um ônibus tombar na BR-040 em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, no início da manhã deste domingo (16). Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o acidente aconteceu por volta das 4h30.

O coletivo partiu de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e iria para Copacabana, na zona sul da capital fluminense.

As vítimas foram encaminhadas para unidades de saúde de Petrópolis e da Região Metropolitana do Rio. Entre os hospitais que receberam os passageiros estão o Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, além dos hospitais Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, e Getúlio Vargas, na capital fluminense.

A perícia foi acionada, e a ocorrência foi encaminhada para a 105ª Delegacia de Polícia, em Petrópolis. As circunstâncias que provocaram o tombamento ainda são investigadas.

Trânsito chegou a ser totalmente interditado

O acidente provocou a interdição da descida da Serra de Petrópolis, no sentido Rio de Janeiro.

Segundo a concessionária Elovias, responsável pelo trecho, a pista chegou a ficar totalmente bloqueada no km 91 para o trabalho das equipes de resgate.

A concessionária chegou a registrar cerca de dois quilômetros de retenção no local.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Estrela Guia Turismo, responsável pelo coletivo, informou que apura o acidente. A empresa ainda informou que atualizações serão divulgadas pelos canais oficiais.



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Oito pessoas morrem em tombamento de ônibus em Petrópolis


O tombamento de um ônibus no Km 91 da BR-040, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, deixou oito mortos na madrugada deste domingo (16), segundo a Polícia Rodoviária Federal.

O coletivo da empresa Estrela Guia Turismo saiu de Belo Horizonte e tinha como destino o bairro de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O veículo transportava 47 pessoas e tombou por volta das 4h30. 

As vítimas foram encaminhadas para o Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, e também Adão Pereira Nunes e Getúlio Vargas, em Duque de Caxias.

O incidente impactou o fluxo de veículos na rodovia, que só teve a pista liberada pouco depois das 7h da manhã.



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Indústria vê interesse eleitoral em reação de Lula ao tarifaço de Trump







A abertura do processo de reciprocidade em resposta ao tarifaço do governo norte-americano sobre produtos brasileiros está sendo lamentada por setores exportadores da indústria.

A percepção é de que a medida atende mais ao propósito do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de fortalecer o discurso de soberania nacional, visando à reeleição em outubro, do que aos interesses das empresas que tiveram embarques ao mercado americano atingidos por sobretaxas comerciais.

Líderes de entidades industriais consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) entendem que o acionamento da lei de reciprocidade não deve servir como pressão adicional para forçar o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a negociar o tarifaço.

Também apontam que os efeitos práticos da iniciativa dificilmente ocorrerão em menos de três meses, devido às etapas do processo – aprovação de relatório, consulta pública e deliberações finais – até a eventual aplicação de contramedidas.

Por isso, nos bastidores, exportadores avaliam que a abertura do processo decorreu mais de cálculos políticos do que econômicos. “Estamos em ano eleitoral, e a reciprocidade vem ao encontro do discurso de soberania. Pode ser usada nesse aspecto”, comentou, em off, um dirigente da indústria.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, concorda que a medida pode ter sido influenciada pelas eleições. Segundo ele, a decisão do governo tende a gerar mais transtorno do que benefício nas negociações com os Estados Unidos.

“Eu preferiria que essa medida não tivesse sido tomada porque, neste momento, não estamos em condição de igualdade com os Estados Unidos. Pelo contrário, somos coadjuvantes, enquanto o outro lado é protagonista”, comenta Castro.



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economia

Fitch eleva nota de crédito do município do Rio de Janeiro a ‘AAA’


A Fitch Ratings, agência de classificação de risco, elevou a nota de crédito nacional de longo prazo do município do Rio de Janeiro para “AAA”, o grau de investimento de mais alta qualidade. Anteriormente, a classificação era “AA+”.

A perspectiva é estável. Já a pontuação do Perfil de Crédito Individual (PCI) — indicador de saúde financeira sem considerar apoios externos — avançou de “BB” para “BB+”, de risco “médio a baixo”, também com perspectiva estável.

A agência destacou que o Rio de Janeiro apresenta, nos últimos anos, “melhoras consistentes na gestão fiscal”, que trouxe “sólidas margens operacionais e robustos indicadores de liquidez”.

Na avaliação da Fitch, a dívida municipal será gradualmente reduzida, apontando que pagamentos de amortizações serão provavelmente “um pouco mais elevados” do que novos empréstimos contratados.

A nota de crédito funciona como uma espécie de termômetro das contas públicas, apontando a capacidade do município de honrar seus compromissos financeiros, considerando a comparação com outros entes dentro do Brasil. É uma referência central para atração de investidores estrangeiros.

Rio e São Paulo

“No Brasil, o par mais próximo do Rio é o Estado de São Paulo (São Paulo, IDRs BB e Rating Nacional de Longo Prazo AAA(bra), todos com Perspectiva Estável), uma vez que ambos apresentam perfil de risco ‘Médio a Baixo’ e perfil financeiro ‘a’”, diz a Fitch. No entanto, acrescenta a agência, o índice de payback (o prazo para o retorno de um investimento inicial) do Rio, “que é menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria ‘AA’, explica por que seu PCI está um grau acima do de São Paulo”.

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Em paralelo, a agência afirmou os ratings de inadimplência em moeda estrangeira e local (IDRs) em “BB”, com perspectiva estável, no longo prazo, e “B”, no curto prazo. Neste último caso, sinaliza uma capacidade elevada de pagamento, embora com maior vulnerabilidade a mudanças desfavoráveis na economia.

A classificação nacional de curto prazo é F1+(bra), também mais alto grau na escala nacional do país. Ela reflete a capacidade do Rio pagar dívidas e outros compromissos em até 12 meses. No Brasil, a nota dos governos locais e regionais tem a limitação de não poder ficar acima do rating soberano do Brasil, que é de “BB”, com perspectiva estável.

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Perfil de risco ‘médio a baixo’

A avaliação do perfil de risco ‘médio a baixo’ tem algumas componentes. Pesa a favor do município, a autonomia fiscal moderada, com baixa dependência de transferências do governo federal e exposição a receitas voláteis, a exemplo de royalties de petróleo e gás.

As receitas operacionais do Rio têm origem tributária, somando 42,3$ do total no ano passado. Mais de três quartos (77%) da arrecadação de 2025 vieram via ISS e IPTU. “Enquanto o ISS está fortemente vinculado à atividade econômica e tem crescido acima da inflação nos últimos anos, o IPTU é mais estável, por incidir sobre a propriedade de imóveis urbanos e ser pago anualmente”, diz a Fitch.



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Governo aposta na reputação do agro para abrir mercados no mundo

A estratégia do governo para ampliar as exportações do agronegócio brasileiro passou a ir além das negociações sanitárias. Desde 2023, o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) vem intensificando ações de promoção comercial e de defesa agropecuária para reforçar a imagem do Brasil como fornecedor confiável e facilitar a abertura de novos mercados. O resultado é nítido: o país deve ultrapassar 700 novos destinos para os produtos brasileiros.

O avanço, inclusive, é utilizado como bandeira de campanha da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No plano de governo apresentado recentemente a campanha petista valorizou as aberturas e pontuou a diversificação de mercados como proteção aos produtores brasileiros. O texto ainda pontua que, em um eventual quarto mandato, o governo continuará “neste caminho”.

A avaliação da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais é que, embora o acesso aos mercados continue sendo decidido em negociações técnicas entre autoridades sanitárias, a forma como o país apresenta seu sistema de produção também passou a influenciar essas discussões.

“O Brasil tem evoluído muito ao dizer como é que a gente produz. A gente produz diferente. A gente produz com sustentabilidade baseado numa tecnologia tropical”, afirmou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, em entrevista à CNN.

Segundo ele, parte do trabalho desenvolvido pelo governo consiste em explicar aos parceiros comerciais que a agricultura brasileira opera em condições distintas das encontradas em países de clima temperado, especialmente na Europa.

“Temos um ambiente diferente, que apresenta problemas diferentes e precisa de soluções diferentes. A Europa, em alguns momentos, parece não compreender que certos regulamentos não serão aplicáveis nas diferentes condições de todos os continentes. Ora, os regulamentos devem considerar as condições de cada local onde será aplicado”, disse.

Como exemplo, Billi cita o Código Florestal brasileiro, que, em sua avaliação, é bem mais rígido que as normas ambientais aplicadas lá fora. Num raciocínio semelhante, seria como o Brasil exigir que todos os países o cumprissem.

Além do trabalho institucional, o ministério ampliou a presença em eventos internacionais para divulgar produtos brasileiros. Neste ano, o Mapa participa de 28 feiras internacionais, muitas delas voltadas a nichos específicos do agronegócio.

Segundo Billi, o governo custeia a estrutura dos estandes para permitir que empresas brasileiras apresentem seus produtos diretamente aos compradores internacionais.

“Às vezes são até feiras menores, mas a gente compra o chão da feira. O Brasil paga o estande e as empresas entram na chamada. A pessoa tem que ir lá e apresentar o produto dela”, explicou.

A estratégia busca ampliar a participação de pequenas e médias empresas nas exportações e complementar o trabalho de promoção comercial realizado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Defesa sanitária

Na avaliação do governo, fortalecer a reputação do sistema sanitário brasileiro também se tornou parte da estratégia para ampliar mercados.

Billi reconhece que um dos principais desafios hoje está relacionado às discussões sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, especialmente após a União Europeia endurecer exigências para produtos de origem animal.

“Muitos países olham o que está aprovado na União Europeia para importar. Então existe um risco reputacional para o Brasil que a gente precisa resolver”, afirmou.

Nas próximas semanas, o país receberá auditorias de autoridades sanitárias da União Europeia e da Coreia do Sul. O Japão também concluiu recentemente uma inspeção, cujo resultado ainda é aguardado pelo governo brasileiro.

Segundo Billi, o Brasil está preparado para demonstrar a robustez do sistema de inspeção de produtos agropecuários.

Para o secretário, o país já avançou no controle do uso de antimicrobianos, inclusive com a proibição da utilização dessas substâncias como promotores de crescimento. Segundo ele, o uso terapêutico continua permitido por razões sanitárias.

“O uso de alguns antimicrobianos como promotores de crescimento, as últimas portarias da SDA (Secretaria de Defesa Agropecuária) proibiram. Mas aguardamos resposta objetiva da União Europeia. Outros países menos transparentes continuam na lista. A gente está fazendo e ficou fora”, disse.

Cultura exportadora

Além da promoção internacional, o governo também tenta estimular novos exportadores dentro do país.

Uma das iniciativas é a Caravana do AgroExportador, programa que percorre estados brasileiros orientando produtores sobre oportunidades de venda ao exterior.

“A gente vai para o interior para falar de como exportar. Tenho uma [caravana] agora no Acre voltada para mandioca e farinha de mandioca. É para gerar uma cultura exportadora. Se não, a pessoa só fica olhando para dentro e não vai para fora”, afirmou.

Segundo Billi, a diversificação de empresas exportadoras ajuda a ampliar a presença do Brasil no comércio internacional e permite que pequenos produtores também tenham acesso ao mercado externo.

“Quando a gente vê pequenos produtores exportando através de suas cooperativas, isso mostra que essa estratégia está funcionando”, disse.

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Renda recorde é engolida por inflação e juros altos, que espremem bolso das famílias


Os dados econômicos mostram um cenário de renda recorde e desemprego em baixa, mas a população continua sentindo no bolso o encarecimento do custo de vida. O resultado é mais um recorde em outro indicador: a inadimplência. Mesmo com o aumento da renda, muitas famílias não têm conseguido honrar seus compromissos financeiros. Afinal, o que explica esse cenário?

Para André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, a inflação dos alimentos avançou muito acima da média geral da economia, dificultando especialmente a vida da população de baixa renda, que destina uma parcela maior do orçamento à alimentação.

Segundo Braz, os preços da alimentação no domicílio acumulam alta de 63% desde 2020, enquanto o IPCA geral avançou 43% no mesmo período.

“A alimentação no domicílio subiu 20 pontos percentuais acima da inflação média ao longo dos últimos seis anos. Então, mesmo que tenha havido crescimento real da renda, ele não acompanhou essa evolução. A constatação é que está muito mais caro colocar comida na mesa”, afirma.

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Essa disparada dos preços tem origem em uma sequência de choques globais e climáticos. A pandemia impulsionou a inflação dos alimentos em 2020, seguida pela crise hídrica de 2021 e pelos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022, que elevaram os custos de commodities como soja, trigo e fertilizantes. Após um período de alívio em 2023, os impactos climáticos do El Niño voltaram a pressionar os preços em 2024.

Para os próximos anos, o cenário ainda exige cautela. Entre os fatores de risco estão a possibilidade de um novo episódio intenso de El Niño, tensões geopolíticas, ameaças tarifárias do governo de Donald Trump e conflitos no Oriente Médio. Soma-se a isso a depreciação cambial, que encarece commodities agrícolas usadas na produção de ração animal e pressiona os preços das carnes no mercado doméstico.

Ganhos salariais e o retrato do emprego

Em um ambiente de preços elevados, a evolução dos salários ganha importância ainda maior e produz efeitos distintos entre diferentes grupos da população.

A economista Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, destaca que as negociações salariais entre sindicatos e empresas têm garantido ganhos reais aos trabalhadores. Ela cita o Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que acompanha os reajustes salariais descontada a inflação medida pelo INPC.

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Segundo Angelo, desde meados do ano passado os reajustes negociados superam a inflação, com ganho real mediano próximo de 1%.

“As empresas estão negociando salários com empregados e estão conseguindo dar a inflação. Se foi de 5%, dá reajuste acima da inflação, ou seja, a inflação acaba comendo menos renda nos reajustes de aniversário”, explica Angelo.

O cenário, porém, não contempla todos os trabalhadores. Ficam de fora aqueles que atuam em setores com menor força sindical e também os trabalhadores por conta própria, que representam cerca de um quarto da população ocupada.

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A economista observa ainda que o aumento da renda ajuda a sustentar o consumo de serviços, mantendo a inflação do setor em níveis elevados. Segundo Braz, a inflação de serviços permanece próxima de 6% ao ano há cerca de quatro anos e responde por aproximadamente 35% do IPCA.

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O avanço da inadimplência

Se a renda cresce e o desemprego está em níveis historicamente baixos, por que o orçamento das famílias continua pressionado?

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Para Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre, a resposta está no peso das dívidas e dos juros elevados. “As famílias ficam com o orçamento cada vez mais apertado”, afirma. Com a taxa Selic em 14%, o crédito se torna mais caro. À medida que parcelas deixam de ser pagas, os juros ampliam rapidamente o saldo devedor.

Tobler ressalta que o aumento do endividamento, por si só, não é necessariamente um problema. Em parte, ele reflete maior acesso ao sistema financeiro e confiança para consumir em um mercado de trabalho aquecido. O risco surge quando esse movimento é acompanhado pela alta da inadimplência, medida pelas dívidas em atraso há mais de 90 dias.

“O ponto é o que as pessoas estão conseguindo fazer com esse crédito. Se elas não estão conseguindo pagar esse crédito, isso passa a ser um risco para a sustentabilidade do crescimento econômico”, alerta Tobler.

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Outro fator que tem reduzido a capacidade de consumo das famílias, segundo o economista, é a mudança nos hábitos de gasto, com destaque para as apostas esportivas online, as chamadas bets.

Um estudo do governo estima que cerca de R$ 60 bilhões por ano são direcionados pelas famílias a esse tipo de aposta, retirando recursos que poderiam ser destinados ao consumo tradicional, à poupança ou ao pagamento de dívidas.



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