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Roteiro de 3 dias em Ouro Preto para o feriado de 7 de setembro com orçamento reduzido


Setembro marca a transição para a primavera e traz consigo um dos feriados mais aguardados do calendário nacional. Se você está pesquisando para onde viajar no feriado prolongado de 7 de setembro gastando pouco dinheiro, a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, entrega a melhor relação entre custo e benefício. O destino permite uma imersão direta no período da Independência do Brasil, com a vantagem de concentrar suas atrações em um perímetro que pode ser facilmente explorado a pé. A viagem dispensa passagens aéreas caras para quem parte do Sudeste e oferece uma rede de serviços focada no público universitário, o que puxa os preços de alimentação e hospedagem para baixo.

Planejamento de transporte e previsão do tempo na serra mineira

A logística para chegar à antiga Vila Rica é simples e direta. O aeroporto mais próximo fica em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, a cerca de 140 quilômetros de distância. No entanto, a forma mais econômica de acesso é o transporte rodoviário. Ônibus executivos partem diariamente da rodoviária da capital mineira, com passagens que custam uma fração do valor de um voo. Quem viaja de São Paulo ou do Rio de Janeiro também encontra rotas diretas de ônibus noturnos, economizando uma diária de hospedagem durante o trajeto.

O clima em setembro é um dos grandes trunfos da região. Diferente do verão, marcado por tempestades que atrapalham as caminhadas nas ladeiras, o início da primavera apresenta dias ensolarados e secos. As temperaturas variam bastante, exigindo roupas leves para o esforço físico durante o dia sob o sol, e agasalhos para o frio que desce a serra assim que anoitece. Planejar a mala com camadas de roupas garante conforto térmico sem excesso de bagagem e sem a necessidade de comprar itens de frio de última hora.

Principais pontos turísticos do período colonial

Ouro Preto funciona como um verdadeiro museu a céu aberto. O traçado urbano preserva a arquitetura do século dezoito, exigindo calçados confortáveis para encarar o calçamento de pedra pé de moleque. A Praça Tiradentes é o marco zero da cidade e serve como ponto de referência para qualquer deslocamento. De lá, o visitante tem acesso rápido ao Museu da Inconfidência, que guarda os restos mortais dos líderes do movimento separatista e possui um ingresso de valor bastante acessível.

A grandiosidade do ciclo do ouro está cravada na arquitetura religiosa. A Igreja de São Francisco de Assis, obra-prima de Aleijadinho, exibe traços marcantes do barroco e cobra uma taxa simbólica de manutenção para a entrada. Outro ponto obrigatório é a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, famosa por concentrar centenas de quilos de ouro em seus altares. Para quem prefere passeios ao ar livre, o Parque Estadual do Itacolomi oferece trilhas e um contato direto com a vegetação nativa pagando muito pouco.

Programação diária para o fim de semana prolongado

Aproveitar três dias na cidade exige uma divisão estratégica por regiões, evitando subir e descer as mesmas ladeiras várias vezes ao dia. O roteiro a seguir otimiza o tempo e o preparo físico.

Dia 1: Caminhada pelo centro histórico

Comece o sábado pela Praça Tiradentes, absorvendo o movimento local. Visite o Museu da Inconfidência logo nas primeiras horas da manhã para evitar filas extensas na bilheteria. Na sequência, desça a rua Direita, observando os casarões coloniais que hoje abrigam cafés e centros culturais. Dedique a tarde para conhecer a Igreja de São Francisco de Assis e o Museu do Oratório. Termine o dia jantando em um dos restaurantes próximos à rua São José, onde os cardápios apresentam opções mais justas.

Dia 2: Exploração das antigas minas e viagem a Mariana

Reserve o domingo para entender a engenharia da extração mineral. A Mina da Passagem é a mais estruturada da região, mas exige um investimento financeiro maior. Para economizar, opte por minas urbanas menores, como a Mina Chico Rei ou a Mina de Santa Rita, que oferecem visitas guiadas por valores mais baixos. Após o almoço, embarque no ônibus intermunicipal de linha até a cidade vizinha de Mariana. O trajeto dura menos de meia hora e custa o preço de uma passagem urbana comum, sendo a alternativa mais barata ao tradicional passeio turístico de trem. Em Mariana, conheça a Praça Minas Gerais e a Catedral da Sé.

Dia 3: Mirantes naturais e feira de artesanato em pedra-sabão

Na segunda-feira de feriado, aproveite a manhã para visitar a Feira de Pedra-Sabão, localizada no Largo de Coimbra. É o melhor local para negociar lembranças, utilidades domésticas e artesanato diretamente com os produtores locais. Antes de organizar as malas para a partida, suba até o mirante do Morro da Forca ou visite o pátio da Igreja de Santa Efigênia, que proporciona uma vista panorâmica de toda a cidade. É o momento ideal para registrar a viagem sem gastar um centavo.

Dicas de hospedagem barata e comida farta em Minas Gerais

A forte presença de estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto transforma a dinâmica de preços da cidade. Para quem quer economizar com hospedagem, as repúblicas estudantis costumam alugar quartos vagos durante os feriados prolongados por valores muito abaixo do mercado hoteleiro tradicional. Outra opção são os hostels espalhados pelos bairros do Rosário e Bauxita, que oferecem cozinhas compartilhadas, permitindo que você prepare o próprio café da manhã e corte os custos de padaria.

A gastronomia mineira é generosa e não exige altos investimentos. Fuja dos restaurantes com varandas voltadas para a Praça Tiradentes, onde o custo é elevado pela vista privilegiada. Caminhe pelas ruas secundárias para encontrar os restaurantes de comida a quilo ou os tradicionais estabelecimentos de prato feito. Locais frequentados por moradores e estudantes garantem refeições fartas com tutu, couve, lombo e feijão tropeiro por preços muito acessíveis, mantendo o orçamento da viagem sob total controle.

Dúvidas frequentes sobre a viagem

É preciso alugar carro para circular por Ouro Preto?

Não é recomendado. As ruas são estreitas, o trânsito é confuso para quem não conhece a região e encontrar vagas no centro histórico é uma tarefa difícil. Fazer os trajetos a pé ou usar carros de aplicativo para as ladeiras mais íngremes é a opção mais econômica e prática.

Ouro Preto é acessível para pessoas com mobilidade reduzida?

A cidade apresenta desafios severos de acessibilidade devido à sua topografia montanhosa e ao calçamento irregular. Cadeirantes ou pessoas com dificuldades de locomoção precisam planejar rotas específicas e, na maioria dos casos, dependerão de veículos para chegar até a porta das atrações.

Vale a pena comprar ingressos antecipados para as igrejas e museus?

A maioria das igrejas e atrações menores vende ingressos apenas na bilheteria local, exigindo pagamento em dinheiro ou Pix. Apenas passeios específicos e mais caros, como o trem turístico para Mariana, exigem compra com antecedência na internet, especialmente em feriados nacionais.

O feriado da Independência oferece o tempo exato para explorar o patrimônio histórico de Minas Gerais sem pressa. Organizar as malas com antecedência, reservar a hospedagem fora do circuito de luxo e priorizar atrações a pé são ações práticas que blindam o seu bolso contra gastos imprevistos. Com um roteiro bem definido, é perfeitamente viável vivenciar a riqueza cultural do período colonial e retornar para casa com as finanças intactas.



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Após reunião com Lula, Durigan diz que salário mínimo será de R$ 1.741


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira, 24, que a peça orçamentária de 2027 será “muito diferente” da que o atual governo recebeu em 2023 e informou que o salário mínimo do próximo ano será de R$ 1.741. Na fala, ele destacou que o reajuste valerá também para a Previdência e benefícios sociais indexados ao piso e negou qualquer desvinculação.

Durigan e os demais ministros que compõem a Junta de Execução Orçamentária (JEO) estiveram reunidos, no fim da tarde desta segunda-feira, 24, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que terá de ser apresentado ao Congresso Nacional até o próximo dia 31 de agosto.

“Todas as definições foram tomadas e tenho muito orgulho de poder apresentar um orçamento para o Congresso, junto com o presidente Lula, que é muito diferente do orçamento que a gente recebeu, um orçamento de último ano da gestão que é muito robusto”, afirmou a jornalistas.

“E aproveito para mencionar que também o salário mínimo, com os reajustes previstos em lei, chega a R$ 1.741 no ano que vem e ele, necessariamente cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência, vai também para os benefícios sociais que têm a indexação do salário mínimo”, destacou.

O valor representa um acréscimo de R$ 24 sobre a estimativa anterior de R$ 1.717. A nova previsão, que constará no PLOA reflete uma projeção de inflação maior (4,93%) pela Secretaria de Política Econômica, influenciada por possíveis impactos do El Niño nos preços dos alimentos.

O cálculo segue a política de valorização, que soma a inflação à variação do PIB de dois anos antes, com o limite de 2,5% estabelecido pelo arcabouço fiscal para a expansão dos gastos.

Mais cedo, o jornal Valor Econômico informou que integrantes da atual equipe econômica são favoráveis à discussão, em um eventual novo governo, de uma diferenciação entre a política de valorização do salário mínimo para os trabalhadores da ativa e o reajuste de benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao piso. Técnicos fizeram simulações de cenários, mas ainda não há decisão tomada, e qualquer mudança precisa do aval final do presidente Lula, caso reeleito em outubro.

“Lembrando que isso reajuste do mínimo também vale para os benefícios previdenciários e para os benefícios sociais, diferente do que está, nesse momento, se desinformando na rede social”, reforçou Durigan.

“O orçamento está muito bem encaminhado, com o salário mínimo definido e muito diferente do que outros ministros já defenderam. Lembrando que o ex-ministro da Economia Paulo Guedes defendeu a desvinculação do mínimo da Previdência”, prosseguiu Durigan. “Lembrando que foi o governo anterior que não deu reajuste para o trabalhador brasileiro, que voltou a pagar imposto de renda, não teve reajuste do salário mínimo, teve mais pobreza, fila do osso. E aqui é outro papo, nós estamos falando de uma administração que tem compromisso com as pessoas”, completou.

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Ainda segundo o titular da Fazenda, para o ano que vem, é projetado um aumento das despesas obrigatórias um pouco inferior ao aumento geral do orçamento. “Portanto, as medidas todas que nós fomos adotando têm esse condão de dar racionalidade, de modo que a regra com ganho real do arcabouço fiscal, já vai ter um crescimento maior do que as obrigatórias amplamente consideradas”, afirmou.



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A verdade sobre o que realmente aconteceu no dia 7 de setembro de 1822 no Rio Ipiranga


A imagem clássica do príncipe regente erguendo a espada em um cavalo majestoso, cercado por uma grande tropa com uniformes impecáveis, está gravada na memória de quase todos os brasileiros. No entanto, a realidade daquele fim de tarde às margens do riacho paulista passa longe do glamour retratado nos livros escolares e nas obras de arte oficiais. Desmistificar esse momento é essencial para compreender como a nossa história foi moldada e quais foram as reais tensões políticas que culminaram na separação entre Brasil e Portugal.

Quando analisamos os relatos de testemunhas e os documentos da época, o cenário se revela muito mais humano e improvisado. A viagem era exaustiva, as condições físicas não eram ideais e a decisão de romper com a corte portuguesa ocorreu no meio de uma estrada de terra suja de barro. Compreender os detalhes desse dia ajuda a valorizar o processo político real, distanciando-o das lendas criadas para forjar heróis nacionais inalcançáveis.

A construção da cena heroica e a influência da pintura

A visão que predomina no imaginário popular sobre a Independência do Brasil deve muito ao pintor paraibano Pedro Américo. A famosa obra “Independência ou Morte”, encomendada décadas após o evento original e concluída em 1888 em Florença, na Itália, tinha o objetivo claro de criar um símbolo visual poderoso para a monarquia brasileira. A tela monumental não foi feita para ser um registro fotográfico, mas sim uma representação grandiosa que exaltasse a figura do imperador e a fundação do país.

Na época em que o quadro foi pintado, o Império enfrentava forte desgaste político e precisava reafirmar a figura de Dom Pedro I como um líder incontestável. Para isso, o artista utilizou referências da pintura histórica europeia, adicionando cavalos da raça puro-sangue, uma guarda de honra numerosa e trajes militares de gala que sequer existiam no Brasil daquele período.

Essa idealização artística cumpriu seu papel com maestria, tornando-se a versão oficial ensinada em escolas por gerações. Contudo, os historiadores modernos e as correspondências da época mostram que a verdadeira proclamação da Independência ocorreu em circunstâncias bem menos cinematográficas, ditadas pela urgência do momento e pelas imensas dificuldades de locomoção no Brasil do século XIX.

Os bastidores da viagem e as condições reais da comitiva

Para entender o verdadeiro cenário do grito, é preciso olhar para a logística da viagem. Dom Pedro I retornava de uma missão política na cidade de Santos, no litoral paulista, rumo à capital da província de São Paulo. O trajeto exigia a subida da íngreme Serra do Mar por caminhos de pedra, o que tornava o uso de cavalos totalmente inviável. Por isso, a comitiva viajava montada em mulas, animais muito mais seguros e resistentes para aquele tipo de terreno acidentado.

Além da montaria rústica, os trajes do príncipe e de seus acompanhantes eram roupas simples de algodão, próprias para tropeiros enfrentarem o barro e a poeira da estrada. Não havia uniformes de gala ou armaduras reluzentes. O pequeno grupo de batedores que o acompanhava estava exausto após dias de deslocamento pelo interior paulista.

O aspecto mais humano e menos falado do episódio envolve a saúde do príncipe regente. Documentos históricos e relatos de membros da comitiva, como o coronel Manuel Marcondes, confirmam que Dom Pedro I sofria de fortes distúrbios gastrointestinais naquele dia. Acredita-se que uma água contaminada ou um alimento mal conservado ingerido no litoral causou o problema, obrigando o futuro imperador a fazer paradas constantes no denso matagal às margens da estrada para se aliviar.

O impacto das cartas de Maria Leopoldina e José Bonifácio

A decisão de romper com Portugal não foi um impulso heroico isolado, mas sim a resposta a uma grave crise institucional. Enquanto Dom Pedro estava em São Paulo, o cenário político fervia no Rio de Janeiro. As Cortes de Lisboa haviam enviado decretos exigindo o retorno imediato do príncipe a Portugal e retirando a autonomia administrativa que o Brasil havia conquistado.

Foi a princesa Maria Leopoldina, atuando como regente interina na ausência do marido, quem convocou o Conselho de Estado no início de setembro. Após analisar as exigências portuguesas, ela e o ministro José Bonifácio de Andrada e Silva concluíram que a separação definitiva era inevitável. Cartas urgentes foram despachadas com mensageiros para encontrar Dom Pedro o mais rápido possível na estrada de São Paulo.

Os mensageiros alcançaram a comitiva justamente quando faziam uma pausa nas proximidades do riacho do Ipiranga. Ao ler as correspondências da esposa e do ministro, que alertavam sobre a perda iminente de poder e a necessidade de ação imediata, o príncipe tomou a decisão final. O rompimento político foi, portanto, um desdobramento burocrático e estratégico, acelerado pelas informações trazidas naquelas cartas, e não um grito planejado para virar um marco estético.

Perguntas frequentes sobre a proclamação da Independência

Qual foi a exata frase dita por Dom Pedro I no momento do grito?

Não existe um consenso absoluto entre os historiadores sobre as palavras exatas pronunciadas naquele fim de tarde. Relatos de testemunhas da época divergem ligeiramente. Enquanto o famoso “Independência ou morte” ficou eternizado, registros como o do Padre Belchior apontam que ele declarou algo mais longo, como “Nada mais quero com o governo português e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal”. A frase curta acabou se popularizando por ser muito mais impactante para o imaginário nacional.

A princesa Leopoldina assinou a Independência antes do dia 7 de setembro?

Sim, a princesa assinou o decreto que oficializava a separação do Brasil de Portugal no dia 2 de setembro de 1822, durante uma reunião de emergência do Conselho de Estado no Rio de Janeiro. Como ela estava no comando interino do país, a decisão política e legal ocorreu dias antes de Dom Pedro receber a notícia e endossar o ato na estrada paulista.

Onde ocorreu exatamente o episódio do grito?

O evento aconteceu nas proximidades do riacho do Ipiranga, na atual cidade de São Paulo, mas não exatamente nas margens plácidas da água como diz a letra do Hino Nacional. A comitiva estava na estrada, fazendo uma parada forçada devido às condições de saúde do príncipe. O local exato correspondia a uma área elevada por onde passava a rota dos viajantes que vinham do litoral, da qual talvez nem se pudesse ver o rio de forma tão nítida.

O reconhecimento dos fatos reais por trás do feriado nacional não diminui a importância histórica da data, mas traz luz sobre a verdadeira política da época. Entender que a separação do império brasileiro foi construída por negociações complexas, tensões administrativas reais e figuras centrais fundamentais como Maria Leopoldina ajuda a sociedade a enxergar a própria história com mais maturidade e menos idealização.



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estudo mostra como aperto no bolso vira corte de vagas


A perda do poder de compra das famílias brasileiras leva a um ciclo perverso que liga o aperto no salário ao corte de vagas no setor de varejo em um prazo de até 12 meses. A conclusão é de um levantamento inédito do Ibevar-FIA Business School, que rastreou o fio que liga o consumo, a dívida e o desemprego.

Para chegar a esse diagnóstico, a pesquisa utilizou um modelo econométrico de Vetores de Correção de Erros (VECM), analisando nove indicadores do sistema de crédito, renda e consumo, para entender como o desequilíbrio doméstico se propaga na economia real. 

Leia também: Desenrola até ajuda no bolso, mas endividamento só muda com corte estrutural de juros

Dívidas de sobrevivência

Ao contrário do que o senso comum pressupõe, o brasileiro não está estourando o limite do cartão com bens supérfluos. O estudo aponta que 22,3% do endividamento das famílias no período de um ano é explicado diretamente pela queda do rendimento real e pela necessidade de manter as compras básicas do varejo restrito, como supermercados, farmácias e vestuário. 

Para Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, o movimento é de sobrevivência. “O endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras não são fruto de imprudência financeira. São um mecanismo de defesa quase mecânico: a inflação corrói a renda, o crédito cobre o supermercado, o atraso nas contas vira calote e o comércio, sem vender, corta vagas. Nosso modelo mostra que esse ciclo se completa em até 12 meses”, afirma.

Leia também: Emprego bate recorde, mas PNAD expõe estagnação da renda e abismo social

A velocidade da transição de um orçamento apertado para a bola de neve da dívida foi medida pelo estudo. No primeiro mês, o endividamento depende de 94,5% de sua própria inércia, ou seja, é a própria dívida gerando mais dívida por meio de juros e rolagem.

Ao fim de 12 meses, essa inércia cai para 59,1%. É neste momento que o aperto nos salários e a necessidade de manter o consumo básico passam a responder por mais de 22% do endividamento das famílias. O modelo mostra que, no longo prazo, o rombo financeiro deixa de ser um descontrole de juros e se torna um sintoma da falta de recursos para a sobrevivência básica.

Calote e inflação

A pesquisa mostra que a inadimplência grave não surge do nada. Ela começa na base do orçamento, quando as famílias, espremidas pela perda de poder de compra, começam a atrasar contas menores, em janelas de 15 a 90 dias, devido à pressão para manter o consumo básico.

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Ao longo de um ano (12 meses), esses pequenos atrasos generalizados avançam e passam a ser a causa direta de 65,1% dos calotes nas modalidades de crédito mais agressivas e com maiores juros, como cartão de crédito e cheque especial.

Essa dinâmica realimenta o ciclo de encarecimento do custo de vida. O estudo revela que 11% das surpresas inflacionárias do IPCA em um ano vêm do aumento da inadimplência, pois o risco ampliado força os bancos a encarecerem o crédito, pressionando também os custos produtivos da economia. 

Varejo e emprego

A pesquisa também mostra que, quando o consumidor usa o crédito apenas para comer e se vestir, o consumo geral desacelera. E, quando o varejo sufoca, o emprego paga a conta.

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O modelo estatístico mostra que as vendas do varejo restrito são a principal força externa de sustentação das vagas de trabalho, explicando sozinhas 21,8% das oscilações no nível de ocupação ao fim de 12 meses. 

O mercado de trabalho, no entanto, tenta resistir antes de demitir. O estudo revela que o nível de emprego suporta o endividamento e o atraso de contas das famílias por uma janela de 6 a 12 meses. Durante esse período, a autonomia da criação de vagas cai de 68,3% para 45,2%. Somente após um ano de persistência do atraso nas contas (11,1%) e da queda no varejo (21,8%), o ritmo de criação de empregos é efetivamente freado. 

Cenário pode se agravar

A perspectiva para o horizonte à frente traz uma maior probabilidade de agravamento da crise. Segundo a equipe técnica responsável pelo estudo, nos próximos 12 meses há 55% de probabilidade de agravamento do quadro, devido à tendência de anos eleitorais de pressão no gasto público, dificultando a consolidação fiscal, elevando o prêmio de risco e travando o corte de juros. Nessa rota, pequenos atrasos viram inadimplência grave no cartão e no cheque especial, forçando os bancos a elevarem o “spread“.

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Segundo o estudo, o cenário de estabilização, que carrega 45% de chances, dependeria de acordos mínimos em torno do arcabouço fiscal e do controle de gastos para reduzir o risco do país. Segundo os pesquisadores, a Taxa Média de Juros e o Prazo Médio atuam como condicionantes fundamentais. Se controlados, o Banco Central mantém credibilidade para ancorar juros menores, garantindo que o varejo sustente as vagas e o endividamento não escale.



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Confiança do consumidor cai em agosto para nível mais baixo desde fim de 2022


ICC recuou 3,6 pontos em agosto, para 84,7 pontos, menor nível ⁠desde ‌novembro de 2022 (83,5 pontos)

SÃO PAULO, 25 Ago (Reuters) – ⁠A confiança do consumidor ⁠no Brasil recuou em agosto pelo ‌quarto mês seguido e atingiu o nível mais baixo desde o final de 2022, ‌mostraram dados da Fundação Getúlio Vargas divulgados nesta terça-feira.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV recuou 3,6 pontos em agosto, para 84,7 pontos, menor nível ⁠desde ‌novembro de 2022 (83,5 pontos).

“A quarta queda ⁠seguida da confiança dos consumidores sinaliza uma piora no humor das famílias com relação à economia, refletida pela deterioração das expectativas para o futuro e ​uma percepção mais desfavorável sobre o momento presente’, ressaltou em nota Anna Carolina ​Gouveia, economista da FGV.

O Índice de Situação Atual (ISA) caiu 0,6 ponto, para 83,8 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) teve queda de 5,4 pontos, para ‌86,1 pontos, menor nível desde ​julho de 2022 (85,6 pontos).

‘O resultado foi homogêneo entre as faixas de renda. No mês, houve forte recuo ⁠do ​indicador de ​compras previstas de bens duráveis e do indicador que mede ⁠a percepção sobre ​a situação financeira futura das famílias, refletindo as difíceis condições financeiras dos consumidores, que se ​encontram altamente endividados e inadimplentes, somado a um contexto de taxa ​de juros elevada’, ⁠explicou Gouveia.

Segundo ela, a queda da confiança nos últimos ⁠meses parece sinalizar uma desaceleração do consumo das famílias para o segundo semestre deste ano, mesmo com um mercado de trabalho forte.



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Druckenmiller dá puxão de orelha em Bessent


O megainvestidor Stanley Druckenmiller afirmou que a decisão do Tesouro dos Estados Unidos de dobrar o tamanho das recompras de títulos longos configura tentativa de administrar o preço dos juros, e não de dar liquidez ao mercado. “Deixe mercado de títulos falar”, aconselhou o fundador da Duquesne family office, em artigo publicado na segunda-feira (24) no Wall Street Journal.

O Tesouro americano comunicou em 19 de agosto que ampliaria as recompras de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, com foco no trecho de 10 a 30 anos da curva e execução entre 9 de setembro e 4 de novembro. O anúncio veio depois de o rendimento do título de 30 anos alcançar o maior nível em 19 anos.

Os juros recuaram em minutos após o comunicado, mas já na tarde seguinte voltaram a patamares acima dos observados antes da medida. Para Druckenmiller, a leitura do mercado foi rápida e acertada. “Isso não era gestão de liquidez, era gestão de preço”, escreveu o gestor.

Ele sustenta que o próprio comunicado do Tesouro enfraquece a justificativa apresentada, para supostamente dar suporte de liquidez em trechos da curva com apoio consistente e forte dos participantes de mercado. Ele lembra que não houve leilões fracassados, travamento de balanço de dealers nem desmontagem forçada de posições, situações que marcaram o estresse dos Treasuries em março de 2020 e o dos gilts britânicos em setembro de 2022.

O que o mercado estava precificando

Druckenmiller, que atua há cinco décadas nos mercados globais, elenca os dados que, segundo ele, estavam sendo incorporados pela curva americana no momento da intervenção. A inflação corre entre 3% e 4% e está acima da meta do Federal Reserve desde 2021, enquanto a taxa de desemprego é de 4,1%, nível compatível com pleno emprego.

O déficit fiscal está próximo de 6% do PIB, combinação que, conforme o texto, os Estados Unidos nunca haviam produzido em tempos de paz com pleno emprego. A dívida nacional total superou US$ 40 trilhões na mesma semana da intervenção, e a despesa líquida de juros deve passar de US$ 1,1 trilhão neste ano fiscal, valor superior ao orçamento de defesa.

Mesmo após a desvalorização dos títulos no verão do Hemisfério Norte, o juro do papel de 10 anos segue igual ou inferior à taxa de crescimento nominal da economia, o que o gestor considera uma configuração acomodatícia, e não restritiva, das condições financeiras. Na leitura dele, o mercado não agia como vigilante fiscal, e sim começava apenas a se manifestar depois de longo período de complacência.

Para o investidor, o juro longo dos Treasuries é “o preço mais importante do mundo” e o único disciplinador fiscal que restou ao país, já que nenhum dos dois partidos deve disputar eleições defendendo reforma dos programas de benefícios sociais. Ele argumenta que democracias só corrigem suas contas quando o custo da inação se torna visível e imediato, com reflexo nas taxas de hipoteca e nos leilões de dívida.

O precedente do teto de juros

O artigo recorre à experiência entre 1942 e 1951, quando o Fed limitou os rendimentos dos títulos longos para financiar a Segunda Guerra Mundial. O teto sobreviveu ao conflito, passou a financiar déficits com emissão monetária e alimentou inflação de dois dígitos, até ser desmontado pelo acordo entre Tesouro e Fed em 1951, seguido de anos de repressão financeira que corroeram o poder de compra dos poupadores.

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Druckenmiller afirma que a separação entre gestão da dívida e gestão de preços foi construída por razões concretas e que a operação atual começa a dissolver essa fronteira. A crítica tem como alvo um velho conhecido do gestor, já que o atual secretário do Tesouro, Scott Bessent, entrou na Soros Fund Management em 1991, chefiou o escritório de Londres por oito anos e integrou a equipe da aposta contra a libra esterlina, comandada por Soros e Druckenmiller em 1992.

Ele cita que, um dia após o anúncio, Bessent sinalizou que as operações podem superar os US$ 4 bilhões, e que analistas observaram que o volume pode ser dobrado sucessivas vezes. Como o mercado de títulos não reagiu a essa sinalização, autoridades da pasta afirmaram a jornalistas que o departamento poderia recorrer à Treasury General Account (TGA), a conta do Tesouro no Fed, para intervir.

Outro ponto levantado é o efeito de recomprar papéis longos financiando as operações com emissão de títulos curtos, o que transfere risco de duration das mãos do público e funciona, na prática, como uma dose reduzida de afrouxamento quantitativo conduzida pelo Tesouro em vez do Fed, com inflação acima da meta. O calendário também é questionado no texto, já que as operações ampliadas ocorrem na reta final da campanha das eleições de meio de mandato.

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O gestor reconhece o argumento em defesa das recompras, criadas em 2024 como ferramenta de liquidez e gestão de caixa e de tamanho reduzido diante de um estoque de dívida negociável que se aproxima de US$ 30 trilhões, cifra distinta do endividamento total do país. Para ele, porém, operações rotineiras não são anunciadas fora do calendário, com o dobro do tamanho, logo após a máxima de duas décadas do juro de 30 anos e com sinalização de que podem crescer sem limite.

Trajetória fiscal e as propostas

O gestor retoma posições que defende há mais de uma década. Durante o impasse sobre o teto da dívida em 2011, afirmou que um atraso técnico nos pagamentos seria péssimo, mas menos danoso do que mais uma década de postergação sem reforma. Em 2013, ao lado de Geoffrey Canada, percorreu universidades americanas classificando a trajetória dos programas de benefícios como roubo geracional, num momento em que as transferências, responsáveis por cerca de um quarto dos gastos federais em 1960, já consumiam 70% do total. “Eu amo os benefícios, mas os quero para vocês”, disse ele aos estudantes na ocasião, em referência ao momento em que a geração mais jovem chegar aos 65 anos.

Em 2023, o investidor comparou os gastos de Washington aos de marinheiros bêbados, observando que as despesas federais passaram de 20% do PIB antes da pandemia para 25% depois, e classificou como o maior erro da história do Tesouro a decisão da então secretária Janet Yellen de não alongar a dívida quando os juros estavam em mínimas históricas.

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Nas taxas vigentes, projeta o artigo, a despesa com juros alcança 4,5% do PIB em 2033 e equivale a 144% de todo o gasto discricionário em 2043. Para Druckenmiller, os benefícios serão cortados de um jeito ou de outro, e a única dúvida é se o ajuste será desenhado de forma deliberada e gradual ou imposto de uma só vez pelo mercado de títulos.

Como alternativa, ele propõe devolver as recompras à finalidade original, com operações pequenas, agendadas e anunciadas nos refinanciamentos trimestrais, sem respostas fora do calendário a movimentos de taxa. Defende também alongar a dívida pagando o preço que o mercado determinar. “Se o título de 30 anos precisa ser negociado a 5,5%, isso não é uma crise. É uma fatura”, escreve, em referência ao nível necessário para equilibrar oferta e demanda no papel.

A agenda sugerida inclui atacar o déficit primário e reformar os programas de benefícios de forma gradual, com testes de renda, mudanças nas regras de indexação e ajustes de elegibilidade distribuídos ao longo de décadas. Um pacote fiscal crível, argumenta o gestor, faria mais pela ponta longa da curva do que um programa de recompras mil vezes maior do que o atual. “Governos que defendem preços contra os fundamentos sempre perdem”, escreve, ao defender que Washington deixe o mercado de títulos se manifestar.



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comércio eletrônico em compras federais é regulamentado


O governo federal regulamentou nesta segunda-feira (24) o uso de plataformas de comércio eletrônico nas compras públicas de bens e serviços padronizados.

A medida foi oficializada por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e cria as bases do Sistema de Compras Expressas (Sicx), que pretende tornar as contratações mais rápidas e simplificar a participação de empresas.

A ideia é permitir que fornecedores usem plataformas digitais que já fazem parte de suas operações comerciais para vender ao poder público. Com isso, o governo espera aproveitar estruturas tecnológicas existentes no mercado e reduzir custos e etapas burocráticas nas compras. O decreto será publicado no Diário Oficial da União.

Cadastro simplificado

O novo sistema também prevê um credenciamento digital permanente dos fornecedores, integrado ao Registro Cadastral Unificado (RCU). O cadastro deverá valer para diferentes oportunidades dentro do Sicx, evitando que empresas tenham de apresentar os mesmos documentos a cada nova contratação.

O lançamento do RCU está previsto para o último trimestre de 2026.

O Sicx integra a Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (ENCP), que busca usar as compras do governo para estimular a economia e promover práticas de desenvolvimento sustentável.

Mais espaço para MEIs

Além da regulamentação do Sicx, o governo anunciou mudanças no Contrata+Brasil, plataforma que aproxima Microempreendedores Individuais (MEIs) de órgãos públicos interessados em contratar pequenos serviços.

A ferramenta passa a contar com a adesão formal de empresas públicas, estatais e autarquias. Entre elas estão Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Correios, Petrobras e INSS.

Ministérios como Defesa, Saúde e Educação já participavam do programa.

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Atualmente, a plataforma reúne oportunidades para MEIs que atuam em 272 atividades econômicas de prestação de serviços.

Dinheiro nas escolas

Uma das novidades é o incentivo ao uso da plataforma nas compras feitas por escolas públicas com recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).

Segundo o governo, cerca de 109 mil escolas recebem recursos do programa. A proposta é ampliar a participação de pequenos empreendedores nesse mercado.

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Mercado de R$ 933 milhões
O governo também aposta no Contrata+Brasil como ferramenta de inclusão produtiva. O país tem 13,7 milhões de MEIs ativos, mas uma parcela ainda pequena desse grupo vende para o poder público.

Dados do Sebrae citados pelo governo indicam que 51,6% dos MEIs têm interesse em vender para órgãos públicos. No entanto, apenas 13,6% já realizaram algum negócio com a administração pública.

Como o MEI participa

O empreendedor pode entrar na plataforma com a conta Gov.br, completar o cadastro e informar quais serviços oferece. Depois, pode pesquisar oportunidades disponíveis em sua região e apresentar uma proposta com preço e prazo de execução.

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Se for escolhido, o MEI pode ser contratado diretamente pelo órgão público por meio do sistema, sem a necessidade de participar de processos com editais complexos.

A plataforma está disponível no portal oficial do Contrata+Brasil.



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