Categorias
brasil destaque_home

Refúgios nas montanhas do Sudeste para escapar do calor no feriadão


O calendário de 2026 oferece uma oportunidade estratégica para quem deseja descansar longe das praias lotadas, já que o Dia da Independência cai em uma segunda-feira. Se você está pesquisando pelas melhores cidades de montanha no Sudeste para viajar no feriado de 7 de setembro, a região da Serra da Mantiqueira e a região serrana fluminense concentram destinos que combinam infraestrutura de qualidade, ecoturismo e alta gastronomia. O período marca o final do inverno, garantindo dias ensolarados e noites frias, ideais para aproveitar lareiras e fondues sem enfrentar os preços exorbitantes da alta temporada de julho.

Planejamento de rotas e logística de transporte para a serra

O acesso aos principais destinos de altitude do Sudeste exige atenção às rodovias sinuosas e aos horários de pico. Saindo da capital paulista, o fluxo se concentra nas rodovias Fernão Dias (BR-381) para quem segue rumo ao sul de Minas Gerais, e no complexo Ayrton Senna/Carvalho Pinto (SP-070) para quem busca o Vale do Paraíba. No Rio de Janeiro, a subida da BR-040 (Washington Luís) é o principal gargalo para chegar à serra fluminense.

Para evitar horas de congestionamento, a estratégia mais eficiente é iniciar a viagem na sexta-feira à noite ou antes das seis da manhã de sábado. O clima no início de setembro costuma ser estável, com baixa probabilidade de chuvas fortes, mas a cerração matinal exige uso de faróis de neblina e redução drástica de velocidade nos trechos de serra.

A malha rodoviária da região costuma estar em boas condições, mas os trechos finais de acesso a cachoeiras e pousadas mais isoladas frequentemente envolvem estradas de terra. Veículos de passeio comuns conseguem fazer os trajetos, desde que o motorista mantenha a cautela e evite trafegar à noite nessas vias secundárias devido à falta de iluminação.

Destinos recomendados em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro

A escolha da cidade ideal depende do perfil dos viajantes. A badalada Monte Verde, no sul de Minas Gerais, consolidou-se como o melhor destino de inverno do Brasil no Prêmio Estadão 2026. A vila oferece uma mistura imbatível de romantismo, culinária mineira e trilhas acessíveis, como a famosa Pedra Redonda. A infraestrutura de chalés e restaurantes concentra-se em uma avenida principal, permitindo que boa parte dos passeios urbanos seja feita a pé.

Para quem busca fugir do turismo de massa de Campos do Jordão, a vizinha Santo Antônio do Pinhal surge como uma alternativa tranquila e charmosa. Localizada a cerca de 170 quilômetros de São Paulo, a cidade atrai visitantes com o majestoso Pico Agudo, que oferece vista panorâmica e voos de parapente, além dos belos jardins temáticos do Jardim dos Pinhais Ecco Parque. A gastronomia local valoriza ingredientes regionais, com destaque para a truta, o pinhão e os azeites artesanais.

No estado do Rio de Janeiro, Petrópolis e Visconde de Mauá lideram as preferências. Petrópolis entrega um roteiro histórico e cultural denso, com acesso rápido aos museus imperiais e cervejarias tradicionais. Já Visconde de Mauá, na divisa com Minas Gerais, é o refúgio perfeito para quem prioriza o ecoturismo imersivo, com seu circuito de cachoeiras de águas cristalinas e vilas gastronômicas escondidas entre os vales montanhosos.

Roteiro sugerido para aproveitar o fim de semana prolongado

Independentemente da cidade escolhida na serra, o feriado de três dias permite estruturar uma viagem sem pressa. Este cronograma foi pensado para otimizar o tempo e garantir um equilíbrio entre descanso e atividades turísticas ao ar livre.

Dia 1

A prioridade do primeiro dia é a instalação na hospedagem escolhida e o reconhecimento da área central. Após o check-in, aproveite a tarde para caminhar pelo centrinho comercial, mapear os restaurantes mais disputados e fazer reservas para o jantar. Muitas cidades serranas sofrem com filas de espera superiores a duas horas nas noites de sábado durante feriados prolongados. Encerre o dia degustando um fondue, pratos à base de pinhão ou uma tradicional sequência de massas artesanais, acompanhados de vinhos locais ou cervejas artesanais.

Dia 2

Acorde cedo e dedique o domingo ao contato direto com a natureza. Este é o momento ideal para realizar as trilhas de montanha, visitar parques ecológicos ou conhecer mirantes de altitude antes que o sol atinja seu pico de calor. Leve garrafas de água, calçados adequados e jaquetas corta-vento, pois a temperatura no topo das montanhas costuma ser significativamente mais baixa. Durante a tarde, retorne à área urbana para um café colonial reforçado ou visite fazendas históricas que oferecem degustação de queijos e azeites diretamente com os produtores rurais.

Dia 3

O último dia do feriado deve ser planejado com foco no retorno seguro para casa. Utilize a manhã de segunda-feira para comprar produtos regionais, como doces de leite, geleias, embutidos e artesanato. Faça o check-out por volta das 11h e escolha um restaurante de beira de estrada ou na saída da cidade para um almoço antecipado. Iniciar a descida da serra antes das 14h é fundamental para escapar do tráfego intenso que tradicionalmente paralisa as rodovias no fim da tarde.

Estrutura de hospedagem, alimentação e segurança local

As cidades de montanha exigem planejamento financeiro, pois os preços flutuam drasticamente durante os feriados nacionais. As diárias em pousadas bem avaliadas costumam esgotar com semanas de antecedência, e tentar reservar acomodações de última hora frequentemente resulta em preços inflacionados ou estadias muito distantes das atrações principais. Opte por chalés que ofereçam aquecimento adequado, seja por lareira ou ar-condicionado quente, já que as madrugadas de setembro ainda registram temperaturas próximas aos 10°C, podendo chegar a números menores em regiões altas como Monte Verde.

Na área de alimentação, a diversidade de orçamentos é ampla. Enquanto os restaurantes localizados nas avenidas turísticas principais operam com cardápios premium, os estabelecimentos em ruas paralelas ou bairros adjacentes servem pratos fartos com excelente custo-benefício. O uso de cartões de crédito e Pix é amplamente aceito na área urbana, mas é prudente levar dinheiro em espécie caso seu roteiro inclua áreas rurais, ingressos para cachoeiras e pedágios em estradas vicinais onde o sinal de internet costuma falhar.

A segurança pública nessas regiões costuma ser excelente, com índices de criminalidade muito baixos em comparação com as capitais. O maior risco local envolve acidentes em trilhas mal sinalizadas ou problemas mecânicos em estradas de terra. Mantenha o tanque de combustível sempre acima da metade, pois os postos de gasolina são raros fora do perímetro urbano central.

Dúvidas frequentes sobre as viagens de serra no feriado

Qual é a melhor roupa para levar na mala de viagem?

O segredo para o clima de montanha no fim do inverno é vestir-se em camadas. Durante o dia, sob o sol, roupas leves e confortáveis são suficientes para caminhar e fazer trilhas. No fim da tarde, a temperatura cai rapidamente, exigindo o uso de suéteres, jaquetas corta-vento e cachecóis para atividades noturnas ao ar livre.

É preciso contratar guia para fazer as trilhas locais?

A maioria das trilhas clássicas, como a Pedra Redonda em Monte Verde e o Pico Agudo em Santo Antônio do Pinhal, possui sinalização adequada e fluxo constante de turistas, dispensando guias. No entanto, se o objetivo for explorar cachoeiras remotas ou fazer travessias longas na Serra da Mantiqueira, a contratação de um condutor local credenciado é altamente recomendada para evitar acidentes.

Como funciona a conectividade de celular nas montanhas?

O sinal de 4G e 5G funciona perfeitamente nos centros urbanos e nas rodovias principais. Contudo, ao adentrar as rotas rurais ou subir os picos mais altos, o sinal da maioria das operadoras desaparece. Baixe os mapas de navegação para uso offline e salve os endereços das pousadas e dos restaurantes antes de sair das estradas principais.

Aproveitar o fim de semana prolongado nas montanhas exige apenas organização prévia. Ao antecipar as reservas e fugir dos horários de pico nas estradas, o viajante garante uma experiência imersiva de descanso, boa mesa e ar puro, recarregando as energias para o último trimestre do ano.



Veja a Matéria Completa

Categorias
brasil destaque_home

Decisão do TJ que impede construção de arranha-céus em áreas de SP entra em vigor


O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) publicou na noite desta quinta-feira, 27, o acórdão que torna inconstitucional a revisão da Lei de Zoneamento da capital paulista sancionada em julho de 2024 (apelidada de “revisão da revisão”). A decisão restabelece a validade do zoneamento sancionado em janeiro de 2024. As mudanças entre os dois textos, porém, são pontuais.

Obras que já tenham alvará ou ao menos já protocolaram o pedido de licenciamento para a Prefeitura terão a validade mantida. A decisão do TJ só afeta as novas solicitações de construção na cidade.

Uma das principais leis municipais, o zoneamento define o que pode ser construído ou funcionar em cada quadra da cidade. É por causa dele que algumas ruas têm prédios altos e misturam comércios, escritórios e moradia, enquanto outras só têm casas e edifícios baixos.

A revisão de janeiro ampliou as áreas em que é possível construir prédios mais altos e até sem limite de altura. Em julho, uma nova alteração do zoneamento foi sancionada, com mais mudanças — apesar de pontuais.

Responsável pelo pedido para anular a revisão, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) alegou falta de transparência, participação popular e estudos técnicos na tramitação dos projetos de lei da mudança. A Prefeitura e a Câmara Municipal rebatem.

A justificativa do TJ para tornar inconstitucional a “revisão da revisão” é de que o objetivo era apenas corrigir poucas quadras da cidade que apareceram com erro no mapa sancionado em janeiro de 2024. Os vereadores, contudo, incluíram novas áreas de verticalização.

“Não se verifica o suporte técnico que a ordem constitucional reclama para as normas de desenvolvimento urbano. A reclassificação de zonas é estranha ao objeto anunciado, o que caracteriza o desvirtuamento”, escreveu o desembargador Carlos Eduardo Donegá Morandini, relator do caso no TJ, no acórdão.

Apesar da decisão do TJ, uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de abril pode estender a validade da revisão do zoneamento de julho de 2024. O próprio relator do caso na Corte paulista admitiu a possibilidade: “nos exatos termos decididos pelo STF, a eficácia deste julgamento (do TJ) estava atrelada ao trânsito em julgado” (ou seja, até todos os recursos serem analisados e mais nenhuma medida possa ser tomada para reverter a decisão).

Apesar do alerta dele, a maioria do Órgão Especial do TJ, colegiado máximo do Tribunal, formado por 25 desembargadores, entendeu que a anulação da revisão de julho de 2024 deveria passar a valer desde já.

Repercussão

O setor imobiliário e de construção civil, associações de moradores, a Prefeitura e a Câmara Municipal de São Paulo ainda tentam entender os impactos da decisão.

Apesar disso, uma posição é clara: movimentos de moradores contrários à revisão do zoneamento ficaram revoltados.

“A decisão foi péssima. Esperávamos que fosse considerada inconstitucional a alteração de janeiro, porque foi essa mudança que abriu caminho para essa transformação urbana intensa”, critica Talita Araújo de Carvalho, fundadora do Movimento Trinta Andares Não, contra a revisão do zoneamento, e moradora da região do Brooklin e Campo Belo.

“No julgamento, houve preocupação com a segurança jurídica dos empreendimentos e do mercado imobiliário. Essa mesma segurança precisa ser garantida a quem já vive nesses bairros e terá de conviver permanentemente com os impactos dessas transformações, que não são poucos e são irreversíveis”, acrescentou.

A mesma visão é compartilhada pela moradora da Vila Mariana Patrícia Machado, idealizadora do Movimento Chega de Prédios. “Essa decisão do TJ não resolve o problema dos bairros”, diz.

Embora o pedido da ação fosse para anular ambas as revisões, o Ministério Público comemorou a decisão do TJ. “O MP-SP obteve expressiva vitória nesta quarta-feira”, informou, em nota.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) avaliou como positivo o fato de a revisão enviada por ele à Câmara ser mantida — e a anulação ser de um projeto que partiu dos próprios vereadores. “Obviamente, você não fica feliz com uma ação do Judiciário de interferência no Legislativo, que tem a sua autonomia. Não dá para dizer que estamos felizes. Mas não é algo tão grave. O que teve de alteração foi no projeto dos vereadores, que eu até tive que opor 18 vetos”, disse a jornalistas.

Em nota, a Prefeitura afirmou que ainda estuda o acórdão. “A partir da análise do documento, o Município avaliará as medidas jurídicas e administrativas cabíveis”, informou.

Nunes ainda apontou que, se for necessário algum ajuste no zoneamento por causa da anulação da revisão de julho de 2024, ele irá encaminhar um projeto para a Câmara.

O Legislativo também declarou que só irá avaliar eventuais recursos após analisar o acórdão. “A Câmara recebe com respeito a decisão do TJ-SP, embora reforce o seu entendimento de que houve total cumprimento às normas legais e ao Regimento Interno da Casa durante o trâmite das duas leis revisionais do zoneamento”, disse em nota.

A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) disse ainda “avaliar com precisão o alcance da decisão do Tribunal”. Só após isso, a entidade afirmou que “avaliará medidas necessárias para assegurar segurança jurídica aos empreendimentos de São Paulo”.

Cofundadora do Pró-Pinheiros, a moradora do bairro Rosane Brancatelli também rebateu argumentos acatados pelos juízes de que houve participação social na revisão de janeiro. “Marcar audiências públicas não significa garantir participação social. Compareci a vários, e os salões estavam quase sempre vazios. Em uma cidade de 12 milhões de habitantes, a presença de apenas 1.500 pessoas é irrisória”, defende Rosane.

Entenda o caso

A ação direta de inconstitucionalidade foi apresentada em 11 de agosto de 2025 pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que ocupa o cargo mais alto no MP.

A medida foi protocolada na Justiça após associações de moradores, de regiões como Cidade Jardim, Brooklin, Vila Mariana, acionarem o Ministério Público. O processo une em uma ação só casos de diferentes bairros que foram afetados por mudanças de última hora no zoneamento.

Os moradores dessas regiões dizem que não tiveram tempo para debater e defender pontos contrários às alterações — argumento principal defendido pelo MP.

“Alterações dessa ordem implicam interferência no trânsito local, comércio, segurança e mobilidade urbana. Portanto, na qualidade de vida dos cidadãos”, defende Oliveira e Costa sobre a ação.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) diz que a revisão foi aprovada na Câmara “com ampla participação popular, com mais de 30 audiências públicas, e está em conformidade com o Plano Diretor”.

Já o Legislativo alega que a tramitação “seguiu todos os trâmites legais, foi acompanhada de justificativas técnicas, contou com 38 audiências públicas, ampla divulgação prévia e participação popular presencialmente e on-line de mais de 1,4 mil pessoas”.

Relembre como foi a tramitação da revisão

O projeto de lei de revisão do zoneamento foi enviado por Nunes à Câmara em 4 de outubro de 2023, mas ainda sem o mapa com as mudanças propostas. O primeiro mapa foi apresentado pela Câmara em 8 de novembro, após 11 audiências públicas.

Novas audiências públicas foram realizadas e um novo mapa foi divulgado em 19 de dezembro, dois dias antes da votação final do projeto na Câmara, em 21 de dezembro. Ocorreram mais duas novas audiências públicas após a troca do mapa, mas, para o MP, isso não foi suficiente.

A revisão foi sancionada por Nunes em 19 de janeiro de 2024, com vetos parciais, que foram posteriormente derrubados em abril.

Em 7 de junho de 2024, novo projeto de lei alterando o zoneamento foi apresentado, sob o argumento de que haveria erros em parte dos arquivos usados para gerar o mapa. Essa nova proposta foi chamada de “revisão da revisão” do zoneamento.

Três audiências públicas foram realizadas e, em menos de um mês, o projeto foi aprovado, com a inclusão de 38 novas emendas. “As emendas ampliaram as alterações realizadas, sem que fosse possível, em tempo hábil, a publicização e divulgação antecipada à sociedade civil”, defendeu o MP. O subprocurador-geral de Justiça Nilo Spinola Salgado Filho criticou ainda que o mapa da “revisão da revisão” foi divulgado em preto e branco, comprometendo ainda mais a compreensão das informações, segundo ele.

A Câmara argumentou à Justiça, no entanto, que disponibilizou mapas impressos em cores de cada zona da cidade na terceira audiência pública. E aponta que as emendas parlamentares estavam disponíveis em seu site.

“A existência de emendas e correções no mapa ao longo do processo legislativo não é indício de vício – é prova inconteste de que a participação popular produziu efeitos concretos”, informa o Legislativo no processo.

A Câmara ainda defende que seu regimento interno só permite a apresentação de emendas durante análise de um parecer de uma comissão permanente (como a Comissão de Constituição e Justiça ou a de Urbanismo) ou ao longo da discussão em plenário – durante a votação. Isso, argumenta a Câmara, impossibilitou a apresentação das emendas antes das audiências públicas.



Veja a Matéria Completa

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.