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Efeito contracionista dos juros se espalha e queda do PIB no 3º tri entra no radar


Depois de um primeiro trimestre aquecido e turbinado por estímulos fiscais, a economia brasileira começa finalmente a dar sinais mais claros de perda de ímpeto, na avaliação de economistas consultados pela Broadcast,sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Diante do quadro de desaceleração mais espraiada entre os setores como reflexo dos juros altos, no momento em que o impacto de medidas expansionistas sai de cena, há quem veja chance de que o Produto Interno Bruto (PIB) entre em terreno levemente negativo no terceiro trimestre, após um crescimento que deve ser pífio de abril a junho.

No final do segundo trimestre, todos os dados oficiais de atividade caminharam na mesma direção, culminando com retração maior que o previsto, de 0,64%, do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em junho, considerado um termômetro mensal do PIB. No período, excluindo o setor agropecuário, os componentes de indústria, serviços e impostos do índice recuaram. E os dados já conhecidos para o trimestre seguinte apontam, ainda que de forma preliminar, desaquecimento adicional.

Em julho, as vendas no comércio brasileiro encolheram 0,1% ante junho, na comparação dessazonalizada, segundo o Iget, calculado pelo Santander em parceria com a Getnet. O indicador, estimado com base nas vendas de estabelecimentos credenciados à adquirente, tenta antecipar a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE. Já o Idat, indicador proprietário de atividade do Itaú, caiu 0,5% em igual comparação.

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Também na abertura do terceiro trimestre, o fluxo pedagiado de veículos nas estradas ficou estável na comparação mensal, de acordo com medição da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) em parceria com a Tendências. Ao mesmo tempo, os índices de confiança do consumidor e empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV) cederam em julho ante junho, e seguem longe do patamar de 100 pontos, linha divisória entre pessimismo e otimismo.

Economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale diz que a perda de dinamismo da economia já estava contratada, diante do patamar bastante contracionista, e por período prolongado, da Selic. A dúvida é qual seria o ‘timing’ em que o aperto das condições financeiras seria transmitido à atividade com maior intensidade, diz Vale, o que ficou mais evidente no segundo trimestre e deve se aprofundar à frente.

“O segundo trimestre, na margem, deve mostrar uma desaceleração evidente, caminhando para uma possível queda do PIB no terceiro trimestre”, avalia o economista, observando que os primeiros números de julho, ainda incipientes, apontam enfraquecimento maior. “É uma economia que já perdeu tração no segundo trimestre, e é difícil imaginar que tenha reversão disso no terceiro e quarto trimestres”.

Um mapa de aquecimento elaborado pelo Bank of America (BofA), que inclui os principais dados econômicos mensais conhecidos para junho e julho, sustenta a visão do banco de que a atividade econômica arrefeceu de forma mais espalhada no período. De 10 dados acompanhados já disponíveis para o mês passado, três ficaram no campo negativo, enquanto quatro tiveram variação praticamente nula. Em junho, 6 deles recuaram.

Segundo a equipe de economia e estratégia chefiada por David Beker, os indicadores de alta frequência sugerem que “a tão esperada desaceleração no Brasil finalmente está se consolidando”, na medida em que a política monetária apertada está fazendo mais efeito justamente quando o impulso de medidas fiscais e creditícias está começando a se dissipar.

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O índice de atividade proprietário da instituição sinaliza desaceleração adicional no terceiro trimestre, depois de a expansão do PIB ter passado de 1,1% no primeiro trimestre para 0,3% no trimestre seguinte pelas estimativas do BofA. “A mudança importante não é a fraqueza em um único indicador, mas a consistência crescente entre eles. Durante grande parte do ciclo de aperto, a atividade permaneceu surpreendentemente resiliente apesar dos juros altos. Essa resiliência agora está desaparecendo”, afirmam os economistas do banco, em relatório a clientes.

Embora não faça projeções para o desempenho do PIB na margem, Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, compartilha da percepção de que a economia está esfriando e pode ter retração nos três meses encerrados em setembro. Além do IBC-Br, Costa acrescenta que o Monitor do PIB, calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), também ratificou o enfraquecimento maior. O dado mostrou expansão 0,3% na atividade econômica no segundo trimestre frente ao primeiro.

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“Se houver uma desaceleração de magnitude um pouco maior no segundo trimestre, a probabilidade de que o PIB venha negativo no terceiro trimestre é maior”, diz a economista, para quem o viés nas projeções de PIB no boletim Focus também é para baixo. Pelo consenso de mercado, a economia vai crescer 1,98% este ano, e 1,5% no próximo.

Nessa conta, os analistas consideram não só o efeito defasado da política monetária contracionista, que aumentou o endividamento das famílias e empresas, mas também a retirada do impacto de medidas fiscais e de crédito do governo, que elevou o crescimento no começo do ano.

Para o Itaú, a decepção com a atividade no segundo trimestre reflete um quadro em que parte do impulso fiscal esperado não se materializou na magnitude inicialmente prevista. “As evidências apontam para um impacto menor do que o esperado tanto da ampliação da isenção do IR quanto da redução da fila do INSS”, diz a equipe econômica do banco em relatório.

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O Itaú revisou para baixo, de um ponto porcentual para 0,8 p.p., a estimativa de impulso fiscal sobre a atividade em 2026. A ampliação da faixa de isenção do IR mostra, até o momento, sinais limitados de transmissão para consumo, enquanto a redução da fila do INSS não se traduziu em aumento dos benefícios na magnitude projetada, explica o time de economistas liderado por Diogo Guillen.



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Como o Brasil vai semear soja  — e colher uma crise mundial de diesel


(Bloomberg) — O Brasil está prestes a dar início à temporada de plantio, mas agricultores como Irineu Orth não estão celebrando o que será um ano recorde para as safras de soja. Isso porque a crise global do diesel está colidindo com um pico sazonal na demanda pelo combustível de trabalho pesado.

O Brasil é o maior exportador mundial de muitas safras-chave: soja, algodão, café, açúcar e suco de laranja. Para colher essas safras, os agricultores precisam de diesel para abastecer tratores e caminhões. Um aperto nos custos dos agricultores pode se propagar pelas cadeias de suprimentos globais.

E como o Brasil é o maior importador de diesel depois da Austrália, o pico da temporada de plantio para ajudar a alimentar o mundo deve piorar a crise global do diesel. O Brasil está se tornando novamente muito dependente das importações americanas, e isso pode potencialmente se traduzir em preços mais altos nos EUA, o maior fornecedor mundial do combustível, bem na véspera das eleições de meio de mandato.

Orth está se preparando para semear uma área de 22.000 acres, quase do tamanho da Disney World. “Tudo o que nós, agricultores, fazemos, de uma forma ou de outra, envolve diesel, e os custos estão simplesmente consumindo nossa margem de lucro”, disse ele.

A guerra no Irã desorganizou os mercados globais de energia, mas embora parte do petróleo bruto esteja agora saindo do Estreito de Ormuz, os embarques de produtos refinados feitos a partir do petróleo bruto, como o diesel, caíram para um fio de água através da via navegável. Enquanto isso, a Rússia, um dos principais fornecedores de diesel, proibiu as exportações em meio a ataques ucranianos a refinarias, apertando ainda mais os mercados globais.

A demanda por diesel fabricado nos EUA, já extremamente alta, deve aumentar ainda mais nos próximos meses, à medida que a temporada de plantio de soja e algodão do Brasil começa e os agricultores vendem a safra de milho de inverno recém-colhida. A sobreposição sazonal de plantio e colheita leva a demanda por diesel a níveis de pico, quase 200.000 barris por dia acima dos padrões de entressafra.

Em três dos últimos quatro anos, as importações brasileiras de diesel e gasóleo atingiram o pico todo mês de setembro, de acordo com dados da Vortexa Ltd.

Os agricultores que estão preparando seus John Deeres agora enfrentam os maiores preços sazonais de diesel em quatro anos, enquanto os conflitos globais estão desorganizando as rotas comerciais.

Os produtores americanos de combustível, que antes forneciam mais de 80% do diesel importado pelo Brasil, viram sua participação no mercado encolher desde o início da guerra da Rússia na Ucrânia em 2022. O diesel russo, cortado do mercado europeu por causa da guerra, começou a fluir para a Turquia, Brasil e países africanos.

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Essa tendência se inverteu em alguns momentos, inclusive neste verão. Em julho, quando a Rússia proibiu as exportações, o Brasil comprou a maior quantidade de diesel dos EUA em quase quatro anos, de acordo com dados alfandegários do país compilados pela Bloomberg. As importações da Rússia caíram mais da metade em relação a maio.

E outros fornecedores que anteriormente desempenharam papéis de apoio, como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estão limitados pelo tráfego intermitente através do Estreito de Ormuz.

Por sua vez, as refinarias brasileiras estão operando “de forma bastante eficiente”, perto da marca de 95% de utilização, de acordo com Susan Bell, vice-presidente sênior de pesquisa de downstream da Rystad Energy. Ainda assim, o país precisa importar diesel para atender à demanda.

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O país está agora incomumente dependente do combustível dos EUA. Mas “os EUA realmente não têm mais estoques para recompor isso”, disse Bell.

Os produtores americanos de combustível estão operando em um ritmo visto pela última vez antes da pandemia de Covid-19, com a produção de diesel bem acima da média para esta época do ano. A margem de lucro para produzir diesel está pairando perto das máximas históricas, e as exportações estabeleceram um novo recorde semanal no início de agosto. Enquanto isso, os estoques dos EUA estão nos níveis sazonais mais baixos já registrados, poucas semanas antes do início de sua própria temporada de colheita e do início do estoque de óleo de aquecimento pelas empresas de aquecimento residencial, que é efetivamente intercambiável com o diesel.

Isso não deixa nenhuma alavanca clara para puxar e aumentar drasticamente a oferta.

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“Setembro é um dos meses mais fortes do ano”, disse Bell. “Você tem a temporada de plantio no Hemisfério Sul, a temporada de colheita no Hemisfério Norte, e a demanda por diesel e gasóleo realmente atinge o pico em outubro.”

Atualmente, uma pequena flotilha de navios-tanque dos portos do Golfo dos EUA transportando combustível está a caminho da maior economia da América Latina. É verdade que existem outros fornecedores potenciais para o país. A economia do transporte marítimo mostra que o diesel de Ulsan, Coreia do Sul, é atualmente a opção mais viável para chegar a Santos, enquanto a matemática está se tornando menos favorável para embarques dos EUA, disse Nikolas Plonski, analista de mercado de petróleo da Sparta Commodities.

Mas isso é válido apenas até o final de outubro. Depois disso, com a demanda por diesel ainda elevada e a temporada de plantio do Brasil em andamento até dezembro, as exportações de Houston se tornarão viáveis novamente.

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Por enquanto, o mercado global de diesel parece que pode passar pelo outono sem mergulhar em um verdadeiro ponto de crise, com filas nos postos de gasolina e destruição generalizada da demanda.

Mas esse cenário também não está tão distante, disse Bell.

“Estamos meio que na faca do equilíbrio”, disse Bell. “Basta uma grande refinaria nos EUA parar de forma não planejada.”

Agricultores como Orth, de 76 anos, dizem que não há muito que possam fazer para compensar os altos preços nas bombas. Ele terminou de colher a safra de inverno esta semana e planeja iniciar o plantio em sua fazenda no estado da Bahia até meados de setembro.

“Se há algo que aprendi desde que dirigi meu primeiro trator aos 12 anos é que, como agricultor, você precisa seguir em frente”, disse ele. “Você faz o que precisa ser feito.”

Embora os preços do diesel no Brasil permaneçam altos, eles diminuíram em relação aos picos de março, com as refinarias da Petrobras operando a plena capacidade, levantando preocupações sobre a sustentabilidade desses ritmos, disse Isabella Chiodi, analista da Energy Aspects Ltd, em Houston.

“Se uma das grandes refinarias tivesse uma parada, as importações, especialmente da Costa do Golfo dos EUA, aumentariam substancialmente”, disse ela.

© 2026 Bloomberg L.P.



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como seria fim da escala 6×1?


A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1, uma das bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode avançar no Senado Federal no último esforço concentrado do Congresso antes das eleições, marcada para a semana que vem.

Mesmo que seja aprovada e promulgada nesse período, porém, as principais mudanças para os trabalhadores não serão imediatas.

Pelo texto hoje em análise no Senado, a redução da jornada e a garantia de dois dias de descanso por semana têm alguns prazos para entrar em vigor. A PEC estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado e sem redução salarial. A mudança, porém, será feita em etapas: primeiro, o limite cai das atuais 44 para 42 horas e, somente um ano depois, chega às 40 horas.

Passagem pela Câmara

A Câmara aprovou a PEC em maio. Desde então, a proposta não andou no Senado, que agora prevê uma votação às vésperas das eleições.

O Congresso reduziu as atividades durante a campanha e terá uma nova semana de esforço concentrado entre 31 de agosto e 4 de setembro. O relator, Omar Aziz (PSD-AM), apresentou seu texto nesta quinta-feira e manteve a proposta aprovada na Câmara.

A PEC deve ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima semana.

Se passar pela CCJ, a proposta ainda precisa ser aprovada em dois turnos pelo plenário do Senado, com pelo menos 49 votos em cada um. Como se trata de uma emenda à Constituição, não há sanção presidencial. Se os senadores mantiverem integralmente o texto da Câmara, a PEC poderá ser promulgada pelo Congresso.

O texto determina que a maior parte da emenda entre em vigor na data de sua publicação. Isso, no entanto, não inclui a redução imediata da jornada nem a adoção imediata de dois dias de folga. Para essas mudanças, a própria PEC estabelece um período de transição.

Desde a publicação, fica assegurado que a redução futura da jornada será aplicada também aos contratos de trabalho que já estiverem em vigor e deverá ocorrer sem redução de salário, seja nominal ou proporcional. A proteção alcança ainda os pisos salariais.

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Jornadas

A PEC também estabelece desde a entrada em vigor que jornadas que já sejam de 40 horas semanais ou menos não terão uma redução proporcional automática. Esses trabalhadores, porém, também passam a ter direito aos dois dias de descanso quando essa parte da mudança entrar em vigor, dois meses depois.

Outra regra com vigência imediata atinge empregados com diploma de nível superior e remuneração mensal de pelo menos duas vezes e meia o teto do INSS. Para esse grupo, as regras constitucionais relativas à duração e ao controle da jornada deixam de ser aplicadas, salvo se o empregador decidir mantê-las ou houver previsão em acordo ou convenção coletiva. A exceção não vale para empregados públicos.

O que muda depois de dois meses?

É nessa etapa que aparecem as primeiras mudanças práticas para a maior parte dos trabalhadores.

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Dois meses depois da publicação da emenda:

A jornada máxima semanal cai de 44 para 42 horas, sem redução salarial;

Passam a ser garantidos dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos;

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Deixam de valer cláusulas de acordos ou convenções coletivas sobre jornada e repouso que sejam incompatíveis com as novas regras.

Isso significa que, se a PEC for aprovada e promulgada durante o esforço concentrado do início de setembro, as duas mudanças de maior impacto imediato para os trabalhadores — a redução para 42 horas e o segundo dia de descanso — só começariam a valer no início de novembro, portanto depois dos dois turnos da eleição.

Durante a fase em que a jornada máxima estiver em 42 horas, acordos e convenções coletivas poderão ampliar a duração diária do trabalho para distribuir essas horas ao longo da semana, desde que sejam respeitadas as regras de descanso.

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Quando a jornada cai para 40 horas?

A etapa seguinte só ocorre um ano depois do início da jornada de 42 horas. A partir daí, o limite semanal passa definitivamente para 40 horas.

Na prática, portanto, o texto estabelece uma transição total de 14 meses a partir da publicação da emenda: dois meses até a redução para 42 horas e mais 12 meses até a jornada de 40 horas.

Se a PEC fosse promulgada no começo de setembro deste ano, por exemplo, a jornada de 42 horas começaria a valer em novembro de 2026 e o limite de 40 horas seria alcançado apenas em novembro de 2027.

Todo trabalhador terá necessariamente uma escala 5×2?

Não exatamente. Embora a PEC seja conhecida como proposta do “fim da 6×1”, o texto permite regimes diferenciados.

Convenções e acordos coletivos poderão estabelecer formas de compensação para determinadas atividades, desde que assegurem, na média do mês, dois dias de repouso por semana. A PEC exige ainda que pelo menos um desses dias de descanso seja usufruído dentro de cada período máximo de uma semana de trabalho.

O texto também permite que leis estabeleçam condições específicas para regimes diferenciados de trabalho, desde que respeitados os limites constitucionais de jornada e descanso.

E quem trabalha em contratos de terceirização do poder público?

A PEC estabelece uma transição específica para contratos já existentes da administração pública que envolvam diretamente mão de obra, como serviços terceirizados.

Nesses casos, a redução da jornada depende inicialmente de um aditamento do contrato para preservar seu equilíbrio econômico-financeiro. Esse ajuste deverá ser feito em até um ano após a publicação da emenda. Se não houver aditamento nesse período, as novas regras passam a alcançar os trabalhadores de qualquer forma ao final do prazo.

Por que o calendário virou uma questão eleitoral?

A diferença entre a aprovação e a entrada em vigor ajuda a explicar a corrida no Congresso. Lula tem defendido o fim da escala 6×1 como uma das bandeiras de sua campanha, e aliados trabalham para concluir a votação durante o último esforço concentrado antes das eleições.

Na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), aliados tentam empurrar a análise para depois do pleito. A estratégia passa por usar instrumentos regimentais, como pedidos de vista e apresentação de emendas, para consumir o pouco tempo disponível no Senado. O grupo evita se posicionar simplesmente contra o fim da 6×1 e argumenta que uma mudança dessa dimensão não deveria ser decidida em meio à campanha eleitoral.



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Juro médio do rotativo do cartão de crédito cai a 436,2% ao ano em julho, afirma BC


O juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito caiu de 442,4% ao ano em junho para 436,2% em julho, informou o Banco Central (BC). A taxa do parcelado recuou de 191,4% para 189,3%. Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, diminuiu de 97,3% (revisado, de 97,4%) para 91,6%.

O Congresso definiu em lei que os juros do rotativo e do parcelado não poderiam ultrapassar 100% do principal da dívida. O teto para os juros e encargos da modalidade passou a valer em janeiro de 2024.

As taxas apresentadas pelo BC podem sugerir que os bancos estejam descumprindo a lei, mas o que acontece é apenas um registro estatístico. Para chegar às taxas anuais, a autoridade monetária extrapola o juro cobrado ao mês pela instituição financeira para o ano. Essa taxa nem sempre é efetivada, já que os consumidores normalmente ficam “pendurados” no cartão por apenas dias ou semanas.

O BC não pretende descontinuar essa série histórica, que serve como referência para mostrar a velocidade de aumento ou redução dos juros e também é um dos componentes para se chegar à taxa cobrada pelo sistema como um todo.



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Estudante agredido na UFRJ nega acusações: ‘Não sou nazista’


Espancado por alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na noite de terça-feira, 25, após comparecer a um campus da unidade com uma camiseta e acessórios associados ao nazismo, o estudante do curso de História Diego Costa da Silva Araújo afirmou não ser nazista e que nada do que o acusam é real As declarações foram feitas ao jornalista Pedro Doria, durante entrevista para o canal Meio, no YouTube. O caso é investigado Polícia Civil do Rio de Janeiro.

“Minha mente está pacífica. Eu não cometi nenhum crime. Nada do que me acusam é real”, afirmou o estudante que, ao ser questionado sobre seu posicionamento político, disse ser de esquerda. “Eu me identifico como esquerda, esquerda marxista.”

Diego explicou que se interessa pela iconografia e simbologia nazista que, como disse, foi apropriada de diferentes culturas, e pelo fascismo como um “fenômeno social”.

“Entendo que o fascismo é uma coisa camaleônica. É até difícil apontar exatamente o que é fascismo, porque ele bebe de diversas fontes que são contraditórias entre si”, declarou o estudante, que disse ser um “acadêmico do assunto”.

Em seguida, o estudante afirmou não ser nazista: “Eu não compactuo com os ideais fascistas, não compactuo com os ideais nazistas. Eu não sou nazista. Eu sou um estudioso do tema nazismo, seja no Brasil ou na Europa. E o meu interesse é puramente acadêmico”.

Diego ainda negou acusações de participação em grupos extremistas, dos quais disse ser um “observador”. “Eu não possuo qualquer histórico de participar de grupo Redpill, de Telegram, de Discord, de grupos extremistas. Não faço parte de nada disso. Nunca tive contato com esses grupos dessa forma, apenas como um observador para entender os seus pensamentos”, afirmou.

Camisa com iconografia nazista

Sobre a camiseta de Diego que teria motivado as agressões, Pedro Doria fez uma contextualização. O jornalista disse que era a blusa de uma banda punk denominada Death in June, com o símbolo da caveira que representava a Schutzstaffel (SS), organização paramilitar nazista. Doria, então, perguntou: “O que que essa banda representa para você? O que é que está sendo dito ali?”.

Diego disse que o punk, enquanto um movimento político, de subcultura, se apropria de certos símbolos para ridicularizá-los Ele ainda fez uma distinção entre a caveira utilizada pela banda com a que simbolizava a “SS” nazista.

“Não é a caveira da ‘SS’, é a caveira modificada. É uma caveira de um crânio neandertal. Existe esse detalhe. Você pode pegar a foto da caveira da ‘SS’ e a caveira da camisa que eu estava usando. Elas são diferentes”, disse.

Ele também negou que o broche que usava fazia apologia ao nazismo. “Eu estava com um pin grande, um broche de uma suástica dizendo ‘não’. Uma suástica com um proibido, dizendo que eu não sou só antinazista, eu sou duplamente antinazista. Eu estava negando este símbolo.”

Reflexo das agressões

As agressões contra Diego ocorreram nas dependências do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e do Instituto de História (IH), no Centro da capital fluminense. Na entrevista, concedida três dias após o espancamento, ele disse ainda sentir dores pelo corpo e estar “apático” devido ao “trauma”.

“Foi um trauma tão forte que eu sinto que meu corpo e a minha mente estão desconectados. Eu não consigo comer, eu não consigo dormir, eu não sinto apetite, eu me sinto completamente apático”, afirmou.

O espancamento teve início após um desentendimento quando alunos tentaram abordar o estudante e acionar a segurança do campus para retirá-lo do local e encaminhá-lo à delegacia. A discussão evoluiu para uma briga com xingamentos e agressões físicas, incluindo socos, tapas e chutes nas escadas e áreas internas e externas do prédio.

O estudante afirmou que foi retirado da sala de aula e classificou o episódio como tentativa de homicídio. Ele também negou na entrevista ter feito xingamentos racistas contra os agressores.

A Polícia Civil analisa as imagens gravadas por celulares de testemunhas e realiza diligências para ouvir os envolvidos e esclarecer tanto a acusação de apologia ao nazismo quanto os atos de agressão física.

Posicionamento da UFRJ

A UFRJ e a direção do IFCS abriram uma comissão de sindicância para apurar o caso. Em nota oficial, a reitoria da universidade repudiou veementemente qualquer tipo de apologia ao nazismo, ao fascismo, ao racismo, ao antissemitismo e a qualquer forma de intolerância ou discriminação.

A instituição ressaltou que não admite agressões físicas ou violência como resposta a provocações ou divergências ideológicas, afirmando que o ambiente acadêmico deve priorizar a convivência democrática. Reuniões e ações com a comunidade estudantil foram intensificadas para evitar a escalada de novos conflitos no campus.



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População brasileira ainda cresce, porém cada vez mais devagar; entenda impactos


O Brasil chegou a uma população estimada em 214,2 milhões de habitantes em 2026, segundo as Estimativas da População, publicadas no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população cresce em ritmo cada vez menor, segundo o estudo, que revelou aumento populacional de 0,37%, um pouco abaixo do registrado entre 2024-2025, de 0,39%.

A desaceleração do crescimento populacional acelera o envelhecimento da população e reduz a proporção de pessoas em idade ativa, o que ameaça a sustentabilidade da previdência social, pressiona o sistema de saúde e, teoricamente, reduz o potencial de crescimento econômico do País. É o que se chama de fim do bônus demográfico (quando a maioria da população está em idade economicamente ativa).

Os Estados do Rio de Janeiro, Alagoas e Rio Grande do Sul têm as menores taxas de crescimento. Já os Estados de Roraima, Santa Catarina e Mato Grosso apresentaram os maiores índices, sendo os únicos a apresentarem valores maiores que 1%.

A capital com maior taxa de crescimento geométrico no período 2025-2026 é Boa Vista, com 3,2%. E, refletindo a tendência observada no Censo 2022, algumas capitais apresentaram redução populacional em relação a 2025: Salvador (-0,17%), Natal (-0,13%), Belém (-0,08%) e Belo Horizonte (-0,02%).

O grupo de municípios com até 20 mil habitantes é aquele que, proporcionalmente, apresentou maior número de municípios com decrescimento populacional (40,2% do total). Por outro lado, os municípios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes são os que mais apresentaram crescimento acima de 1%. Entre os municípios com mais de 1 milhão de habitantes, o único a crescer mais de 1% em relação a 2025 foi Manaus.

Os cinco municípios mais populosos do país são São Paulo, com 11.911.337 pessoas; Rio de Janeiro, com 6.731.133 moradores; Brasília, com estimativa de 3.009.996 pessoas; Fortaleza, com 2.582.360 habitantes; e Salvador, que conta com 2.559.945 moradores, de acordo com o novo estudo. Juntos, os cinco municípios somam 26.794.771 pessoas, o equivalente a 12,5% da população total do País.

As 27 capitais da federação concentram uma população de 49,4 milhões de habitantes, o equivalente a 23,1% da população total. Entre elas, Palmas, com 333.154 pessoas; Vitória, com 343.935 habitantes; e Rio Branco, com estimativa de 390.038 moradores, são as capitais menos populosas.

O estudo é considerado importante porque serve de parâmetro para o Tribunal de Contas da União (TCU) calcular o valor do Fundo de Participação de Estados e Municípios, além de ser referência para indicadores sociais, econômicos e demográficos.



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Defesa Civil alerta para chuva com raios em SP


A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu alerta de que o calor intenso deve favorecer a formação de pancadas de chuva em diferentes regiões paulistas durante a tarde deste domingo (30). Na Grande São Paulo, a chuva pode ganhar intensidade em alguns momentos e vir acompanhada de rajadas de vento.

No restante do País, a previsão indica risco de tempestades e granizo na Região Sul, enquanto o calor e a baixa umidade predominam em outras áreas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as instabilidades devem persistir nesta segunda-feira (31) principalmente no Sul.

Em São Paulo, além da região metropolitana, são esperadas pancadas de chuva na Baixada Santista, no litoral norte e no Vale do Paraíba. As chuvas podem apresentar maior intensidade de forma isolada, com raios e rajadas moderadas de vento.

No sul do Estado, próximo à divisa com o Paraná, a região de Itapeva deve estar entre as mais afetadas. A previsão aponta pancadas de chuva rápidas e localizadas.

Apesar do risco de chuva forte em alguns pontos, a Defesa Civil informou que, até o momento, não são esperados volumes significativos de chuva.

Na segunda-feira, o céu deve permanecer com muitas nuvens em São Paulo. Há possibilidade de chuva isolada nas regiões oeste, central e sul do território paulista. Nas demais áreas do Sudeste, o céu deve ter poucas nuvens.

O calor também permanece. Depois de atingir máxima de 35°C neste domingo, a cidade de São Paulo pode chegar aos 36°C na segunda-feira, segundo o Inmet.

Sul pode ter granizo neste domingo

A Região Sul do País permanece sob forte instabilidade. Neste domingo, há possibilidade de granizo no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Essas áreas podem registrar pancadas de chuva acompanhadas por trovoadas.

O Inmet mantém a previsão de alerta para tempestades neste domingo e na segunda-feira em todo o Estado de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Curitiba e Florianópolis estão entre as áreas abrangidas.

Na segunda-feira, as instabilidades aumentam no oeste e norte do Amazonas. Também podem ocorrer pancadas isoladas no Acre, em Rondônia e em Roraima. Em Porto Velho, as temperaturas podem chegar aos 41°C.



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Panetone premium cai no gosto da Classe C e vira aposta da indústria


Com o orçamento comprometido por juros altos e um nível de endividamento que atinge 82% das famílias brasileiras, o consumidor alterou a dinâmica de compras para o Natal e a indústria de panetones está de olho no que aconteceu em 2025 para otimizar as vendas em 2026. No ano passado, a restrição financeira não eliminou o produto da mesa, mas gerou um efeito de compensação: o brasileiro comprou menos panetone em volume, porém pagou mais caro por versões recheadas, transformando o item em um substituto para presentes tradicionais.

Na última temporada, o setor registrou uma retração de 3,4% no volume total de vendas, estacionando na marca de 50 mil toneladas. Em contrapartida, o faturamento avançou 3,5%, adicionando R$ 45,8 milhões ao mercado e totalizando R$ 1,36 bilhão. Os dados fazem parte da pesquisa Worldpanel by Numerator, encomendada pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) e apresentados no Salão do Panetone 2026 na última quinta-feira (27).

Segundo David Fiss, diretor sênior de novos negócios da Worldpanel, essa disparidade entre queda no volume de vendas e aumento do faturamento é explicada pelo processo de “premiumnização”. O panetone tradicional de chocolate, antes o motor do setor, encolheu 3,9% em volume, enquanto as versões recheadas ganharam espaço, registrando um ganho de 4,5%.

O preço médio do produto subiu 8,7%, indo a R$ 40,76. Segundo Fiss, a alta foi impulsionada pela migração do consumidor para os itens trufados e não por um repasse linear da inflação. Nos custos de produção, a indústria lidou com a disparada do chocolate e a dependência do óleo de palma importado.

Menos volume, maior valor agregado

Para proteger as margens, o varejo passou a focar em menor volume e maior valor agregado, afirma Fiss. As embalagens presenteáveis ganharam protagonismo estratégico e respondem por 33,1% de todo o volume consumido, índice que se manteve estável em relação ao ano anterior. Fiss aponta que a restrição de renda alterou a frequência nas lojas, e o consumidor reduziu a intensidade de compra, esticando o intervalo de idas ao ponto de venda de cerca de 60 para 63 dias.

A sustentação desse mercado não vem das classes mais altas, mas do estrato médio e do público maduro. A Classe C é responsável por 48,6% do volume de vendas, seguida pela Classe A/B com 35,2%. Os consumidores acima de 50 anos lideram a categoria por idade, representando 41,7% do volume consumido.

O núcleo de consumo, classificado como “Panetone Lovers”, representa apenas 20% dos compradores, mas consome 48% de todo o volume fabricado, com um gasto médio de R$ 83 durante a temporada.

Para capturar a renda do consumidor, a indústria alterou a logística do calendário. A sazonalidade foi diluída, com produtos chegando às gôndolas nos meses de agosto, setembro e outubro. O calendário descentralizado registra crescimento de vendas em novembro e em janeiro, este último focado nos consumidores classificados como “Ocasionais”, que aguardam as promoções para adquirir marcas premium com preços reduzidos.

Para a próxima temporada, a perspectiva da Abimapi é de um crescimento entre 3% e 5% no faturamento e no volume. O principal obstáculo no cenário econômico, no entanto, deixou de ser só a inflação tradicional. Segundo Fiss, o mercado está de olho no avanço acelerado das apostas esportivas online, que tem capturado a renda das famílias em meio a um cenário macroeconômico desafiador.

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