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Juros altos desafiam varejo, mas segmento de construção tem trunfo para resistir







O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta-feira (16) o novo patamar da taxa básica de juros da economia nacional, a Selic, atualmente em 14% ao ano. Apesar dos recentes cortes, o nível ainda está entre os mais altos observados nas últimas décadas, encarecendo o chamado custo de capital.

“Esse é um grande problema que o varejo está enfrentando”, confirma Marcos Atchabaian, sócio da Village Materiais de Construção, empresa com 46 anos de história. “Você tem que financiar a venda e não tem a contrapartida com os seus fornecedores. Muitas vezes é preciso recorrer aos bancos, caindo nos juros elevados e, se você não tiver um controle absolutamente rigoroso do seu fluxo de caixa, terá um problema sério”, afirmou o empresário durante o Summit Americas e ExpoShow, evento internacional realizado pela Atlas, no Panamá.

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A cadeia produtiva de materiais de construção brasileira responde por aproximadamente 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Apenas o ecossistema varejista, com mais de 160 mil lojas espalhadas pelo país, movimenta R$ 238,9 bilhões, segundo dados da Anamaco, associação que representa o setor.

Para manter esses números em um cenário ainda marcado pelo endividamento da população, que pode levar à redução das vendas, como destaca Atchabaian, o mercado aposta em uma característica que diferencia o segmento de materiais de construção dos demais: a resiliência.

Demanda permanente

Para Atchabaian, o segmento de materiais de construção não envolve vaidade. Uma pessoa, exemplifica, pode deixar para comprar um sofá novo em um momento mais propício. No caso da construção e, principalmente, da manutenção da casa, a dinâmica é diferente.

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“Se o consumidor não comprar o material de construção, a casa dele não anda”, observa o empresário. “É uma demanda permanente. Pode ser maior, pode ser menor, mas não para. Você tem a necessidade de quem está construindo, de quem está reformando e também da manutenção das casas”, pontua.

Apesar dessa característica, que consegue atenuar os reflexos de um cenário de juros elevados, o sócio da Village considera fundamental a manutenção da tendência de queda da Selic como forma de destravar valor para todo o segmento de varejo. Além disso, ele vê na reforma tributária um gatilho para melhorar a gestão dos negócios no país.

“Porque hoje nós vivemos em um sistema tributário que é absolutamente anacrônico, não funciona”, reclama. “Empresas de fora, principalmente, vêm tentar entender o sistema tributário brasileiro e desistem porque ele é anacrônico, disfuncional, complicado e burocrático”, complementa.

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Varejo de materiais de construção em 2026

O primeiro semestre de 2026 foi marcado por estabilidade para cerca de metade do varejo de materiais de construção. Segundo dados da Anamaco, 51% das lojas entrevistadas perceberam que o faturamento ficou próximo ao registrado no mesmo período de 2025. Para 29%, o resultado foi pior; para 20%, foi melhor.

Entre os varejistas que perceberam piora, o cenário econômico foi a razão mais citada, com 46%, seguido por medidas políticas, com 42%, custos, com 17%, concorrência, com 9%, e eventos específicos, com 7%.

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Entre as lojas que perceberam melhora no faturamento, as ações realizadas pelo próprio negócio lideraram as justificativas, com 29% das respostas. Na sequência, aparecem o aumento do número de obras, reformas e construções, com 25%, e a política de preços, com 19%.

A mudança no comportamento do consumidor também segue transformando a operação das lojas. A Pesquisa Anamaco 2026, realizada com 2.007 varejistas das cinco regiões do país, indicou, por exemplo, que quase a totalidade das lojas atende clientes pelo WhatsApp.

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Novo perfil de consumidor vai além do Zap

O desenvolvimento de novas tecnologias, que permite ao consumidor ter maior acesso a informações antes mesmo da realização da compra, tem beneficiado o varejo de forma geral — e não seria diferente no mercado de materiais de construção.

Priscila Freitas, gerente de marketing da Marluvas, empresa especializada em equipamentos profissionais, chama a atenção para o fato de que o consumidor está cada vez mais atento a aspectos como o custo-benefício, estimulando o constante desenvolvimento das companhias do setor, que naturalmente investem mais em tecnologia e em produtos voltados para o longo prazo.

“Se eu vou à loja e vejo um produto que custa R$ 28 e vai durar seis meses e o outro custa R$ 50, mas vai durar dois anos, uma conta de longo prazo mostra que vale mais a pena pagar o dobro para ter um custo-benefício maior”, calcula.

Para a executiva, que também participa do Summit Americas e ExpoShow, a conscientização e o novo perfil do consumidor ajudam a melhorar o posicionamento do segmento de materiais de construção no Brasil e a fortalecer o setor, com fabricantes que oferecem qualidade e desempenho.

O Summit Americas e ExpoShow, que vai até quinta-feira (17), no Panamá, reúne mais de 600 empresários do setor de material de construção de 28 países, entre CEO’s, diretores, importadores, distribuidores, grandes varejistas e altos executivos de grandes marcas da indústria fornecedora do segmento de materiais de construção.

Desenvolvido para conectar os grandes players da indústria aos principais distribuidores, importadores e redes varejistas aos grandes distribuidores e redes varejistas, o encontro promete debates estratégicos para a alta liderança e geração imediata de negócios.

“Criamos um ambiente em que a alta gestão encontra conteúdo estratégico altamente qualificado e atualizado para a tomada de decisões de longo prazo e, no mesmo espaço, mesas de negociação direta entre indústrias líderes fornecedoras e importantes players de importação, distribuição e varejo do segmento de materiais de construção em todo o continente” destaca Márcio Atz, diretor-geral da Atlas, organizadora do evento.

As conferências do Summit Americas contam com a curadoria acadêmica do ISE Business School – associado à IESE Business School, a terceira melhor escola de negócios do mundo no ranking do Financial Times. Em formato de debates, os painéis vão focar nos principais desafios transnacionais do setor, com os seguintes temas:

  • Estratégias de varejo: Escalabilidade, defesa de margem e diferenciação no ambiente omnicanal;
  • Transformação digital & IA: Aplicação prática de inteligência artificial e automação na cadeia de suprimentos;
  • Gestão de talentos: Cultura corporativa e atração de novas lideranças em mercados competitivos;
  • Governança familiar: Profissionalização, perpetuidade do negócio e transição geracional.

* O repórter Wellington Carvalho viajou para o evento Summit Américas a convite dos organizadores.



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Queda no IBC-Br reforça tese de estagnação do PIB no 3º tri e de mais cortes de juros


O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,22% em julho na comparação mensal com ajuste sazonal, confirmando a perda de fôlego da economia. Para economistas, a retração disseminada dá mais combustível para o Comitê de Política Monetária (Copom) dar continuidade ao ciclo de corte de juros, em vez de pausa após a decisão desta quarta-feira (16).

Para Alexandre Maluf, economista da XP, a abertura setorial mostra que o setor de serviços teve estabilidade (0,0%), o único componente a não recuar no mês. Já a indústria (-0,4%), o indicador de impostos (-0,2%) e a agropecuária (-1,2%) registraram perdas.

A XP avalia que o indicador reforça a visão de desaceleração da atividade doméstica e projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) deve estagnar no terceiro trimestre, mantendo a estimativa de crescimento em 1,7% para o ano de 2026. Para a XP, o Copom deve continuar cortando juros neste ano, levando a Selic a 13,25% até dezembro.

Leia também: Super 4ª: Com Copom e Fed em direções opostas, o que esperar para mercado brasileiro?

Paula Sauer, professora da FIA Business School, destaca que, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o IBC-Br avançou 3,8%, e que o dado merece ser olhado com cautela. Ela aponta que houve uma alta disseminada entre os três compoentes do índice, devido ao impacto de fatores internacionais.

Impacto dos juros na economia

A leitura negativa do mês fortalece a percepção de um cenário mais desafiador. Segundo relatório do Goldman Sachs, o recuo deixou um carregamento estatístico (carry-over) negativo de 0,7% para o terceiro trimestre.

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A instituição avalia que, daqui para frente, a atividade continuará a ser sustentada por transferências fiscais e um mercado de trabalho forte, mas esses fatores positivos serão mitigados pelas condições financeiras apertadas e pelo alto nível de endividamento das famílias.

Na avaliação da Suno Research, a retração do IBC-Br reflete os impactos defasados dos juros elevados sobre a demanda da indústria, somados à desaceleração do setor extrativo. Rafael Perez, economista da casa, aponta que o setor de serviços também sofre limitações em seu ritmo de expansão devido à perda de confiança das famílias e ao custo mais elevado do crédito.

Na agropecuária, a queda já era esperada após o pico de colheita no início do ano, mas o desempenho pode seguir moderado por conta do Super El Niño. A Suno projeta crescimento de 0,2% para o PIB no terceiro trimestre e avanço de 1,9% no consolidado do ano.

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A Mag Investimentos projeta desaceleração da economia no 3º trimestre, com PIB próximo da estabilidade no período.

Decisão sobre juros do Copom

A consolidação desse quadro de desaceleração na leitura mensal pode dar mais subsídios para a condução da política monetária. 

Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa, afirma que o IBC-Br reforça a percepção de que os efeitos da política monetária restritiva começam a se refletir “de forma mais clara” na atividade econômica.

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Para a decisão do Copom, o mercado já precifica uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 13,75% ao ano. No entanto, para Pastorello, o Banco Central deverá manter uma “comunicação cautelosa”, reforçando a “dependência dos próximos dados”, com atenção às expectativas inflacionárias, política fiscal e incertezas externas.

Já André Valério, economista sênior do Inter, diz que o dado abre espaço para a continuidade do ciclo de afrouxamento, avaliando que a moderação da atividade, afetada pelo esgotamento da renda e do crédito, deve persistir. “Esperamos que a trajetória de moderação da atividade permita com que o Copom continue cortando a Selic além da reunião de hoje”, afirma Valério, projetando a taxa básica em 13,25% até dezembro.

A Genial Investimentos pondera que o descasamento histórico entre as políticas fiscal e monetária tem limitado parcialmente os efeitos contracionistas, e projeta um avanço sutil de 0,1% no PIB do terceiro trimestre. Yihao Lin, economista da corretora, avalia que o enfraquecimento amplia o espaço para discutir cortes adicionais, mas não torna sua continuidade automática.

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O cenário-base da Genial prevê que o corte para 13,75% será o último do ano, embora a instituição enxergue “um risco considerável de que a Selic seja afrouxada novamente na reunião de novembro” caso os dados de inflação sigam benignos.

Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, também destaca a perda de velocidade na atividade, mas diz que ela não reverteu completamente o crescimento, acumulando alta de 1,5% no ano.

Para ele, o mercado prestará mais atenção ao comunicado do Banco Central do que ao corte propriamente dito. “A grande questão é saber se 13,75% será uma pausa no ciclo ou apenas mais uma etapa da queda dos juros”, pontua.

Os analistas alertam que os efeitos positivos da redução dos juros levarão tempo para chegar à ponta final. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, explica que a transmissão da política monetária acontece primeiro nos mercados financeiros e depois chega à economia real. 

Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, avalia que os juros altos ainda afetam decisões passadas e projeta que a melhora mais perceptível em linhas mais amplas de crédito e capital de giro deve aparecer somente ao longo de 2027.

Super Quarta

O cenário de juros locais divide as atenções com o ambiente externo durante a chamada “Super Quarta”, que alinha as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. 

Leia também: Inflação e petróleo pressionam Fed para mais uma alta de juros nos EUA

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, projeta que as instituições seguirão direções opostas, com o Federal Reserve (Fed) elevando os juros norte-americanos em 0,25 ponto percentual devido à persistência da inflação. Segundo ele, “um Fed mais duro pode fortalecer o dólar e pressionar os juros globais, limitando o espaço para cortes mais rápidos no Brasil”.



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Helicóptero desaparece com cantor Rick: buscas ocorrem “no meio da mata”


As equipes que trabalham nas buscas pelo helicóptero desaparecido em Santa Catarina concentram os esforços em um ponto de mata, apesar do mau tempo. Inicialmente, a Defesa Civil informou que as buscas ficariam suspensas pela madrugada, mas retificou a informação com o prosseguimento dos trabalhos. Dentro da aeronave estariam o cantor Rick, da dupla com Renner, e o empresário Bruno Avelar, do projeto “O Poder do Network”.

“As buscas agora ficarão num ponto no meio da mata. As buscas seguem na madrugada”, informou o Corpo de Bombeiros à CNN Brasil.

Os esforços inicialmente se concentram na região de Urubici. No entanto, a área foi ampliada para uma distância de cerca de 30 quilômetros após o registro do o último sinal de celular de um dos tripulantes.

A região entrou em alerta vermelho nesta segunda-feira (21) por conta de temporais e chuvas fortes. O alerta foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia.

As equipes enfrentam dificuldades para chegar aos pontos, com algumas pontes submersas e árvores caídas, tendo de retornar à cidade para procurar outra rota. A Força Aérea Brasileira (FAB) enviou helicópteros para ajudar.

Nas redes sociais, Rick postou pela manhã chegando em um avião de pequeno porte e caminhando ao lado do empresário Bruno Avelar até um helicóptero, sem dizer em que cidade estavam.

“‘A única informação que temos é que o helicóptero perdeu comunicação”, informou a equipe do cantor.

O CBMSC em Urubici foi inicialmente à localidade de Vacas Gordas, apontada como provável local da queda, mas não encontraram vestígios da aeronave. As equipes seguiram agora para a área do último sinal registrado, próximo a São Joaquim-SC. O helicóptero teria decolado da costa esmeralda em Porto Belo, indo para São Joaquim.

Em nota, Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), confirmou que procura por um helicóptero que perdeu comunicação.

Quem é Bruno Avelar

Bruno Avelar é um empresário e fundador do “Poder do Network”, reconhecido por sua experiência em conexões profissionais e por compartilhar nas redes sociais sua rotina de palestras sobre o tema.

Além de sua atuação no mercado corporativo, o empresário apareceu ao lado de personalidades como Neymar Jr., registrando momentos como o leilão do instituto do jogador em 2025 e uma viagem.

Quem é Rick

Rick Sollo, da dupla sertaneja Rick & Renner, tem 59 anos e e é pai de seis filhos. Até a última semana, estava realizando shows na região Centro-Oeste do país junto à sua parceria de dupla.

Além de cantor, Rick é compositor de grandes sucessos gravados por outros duetos, como “Página de Amigos”, famosa na voz de Chitãozinho & Xororó; “Só Dá Você na Minha Vida”, João Paulo & Daniel; “Agenda Rabiscada”, Cleiton & Camargo; “Bebo pa Carai”, Gino & Gino; entre outras.

Nota da FAB

A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), informa que foi acionada na tarde desta segunda-feira (21/09), para realizar buscas por uma aeronave que decolou de Porto Belo (SC) e não chegou ao destino previsto.

O Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba (ARCC-CW), o Salvaero Curitiba, responsável pela coordenação das ações de Busca e Salvamento na região, iniciou as ações de investigação e planejamento necessárias para delimitar a área de maior probabilidade de localização da aeronave.

Em pronta resposta à ocorrência, foram empregadas duas aeronaves Black Hawk (H-60) e SC-105 Amazonas, especializadas em missões de Busca e Salvamento que possuem capacidade para realizar buscas em diversos tipos de terreno, condições ambientais e períodos do dia.

A prioridade da operação é localizar a aeronave e seus ocupantes no menor tempo possível, concentrando os esforços de busca nas áreas de maior probabilidade e ajustando continuamente o planejamento à medida que novas informações são obtidas.



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Com pessimismo recorde, fundos cortam projeção de PIB e mudam posições no câmbio


A visão negativa sobre a economia brasileira atingiu 55%, o maior patamar histórico entre gestores de fundos multimercados macro, de acordo com uma pesquisa com gestoras da XP. O pessimismo impulsionou uma postura de cautela no câmbio, mas não se traduziu em apostas contra a bolsa de valores local. Pela primeira vez, os profissionais consultados zeraram as posições vendidas em ações brasileiras, ao mesmo tempo em que a parcela de fundos neutros em relação ao real atingiu o maior nível já registrado.

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 sofreu a maior revisão para baixo do histórico da pesquisa, passando de 2,0% para 1,8%. O patamar está abaixo da mediana do mercado capturada pelo boletim Focus, que aponta 1,93%.

O levantamento da XP, feito com 20 gestoras entre 4 e 11 de setembro, também aponta que a visão positiva da economia apresentou recuperação, passando de 8% para 20%. 

Perspectiva sobre a economia. (Fonte: Gestores, XP)

Cautela no câmbio e rotação na bolsa

Diante da leitura sobre a conjuntura, os gestores optaram por reduzir o risco nas moedas. A parcela de fundos com posicionamento neutro em relação ao real saltou de 21% para 60%. 

As posições vendidas na moeda brasileira caíram de 42% para 10%, enquanto a fatia de posições compradas também cedeu, passando de 38% para 30%. 

Posicções em relação ao câmbio. (Fonte: Gestores, XP)

Movimento semelhante ocorreu na moeda americana, com a posição comprada em dólar recuando de 46% para 20%, o menor patamar desde o mês de abril. As posições vendidas em dólar subiram de 21% para 35%, e a neutralidade avançou de 33% para 45%.

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Na bolsa de valores brasileira, o aumento do pessimismo convive com o avanço no posicionamento comprado, que subiu de 63% para 70%. A parcela com posições vendidas, que representava 17% no mês de agosto, foi zerada. 

No mercado internacional, os fundos realizaram um ajuste de portfólio. As posições compradas em ações dos Estados Unidos recuaram de 54% para 50%, e a exposição comprada em ações do restante do mundo avançou de 17% para 25%.

Juros locais e alívio externo

Em relação à política monetária, 95% projeta a redução da taxa Selic de 14% para 13,75% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), acompanhando a mediana do relatório Focus. 

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Para o final de 2026, as gestoras projetam a Selic a 13,5%, patamar inferior aos 13,75% esperados pelo mercado. 

A expectativa de inflação (IPCA) para o final de 2026 cedeu pela segunda vez consecutiva, passando de 5,01% para 4,97%, próximo aos 5% do Focus.

A perspectiva para a economia global apresentou melhora e contrasta com o cenário doméstico. 

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A visão positiva dos gestores sobre o mercado internacional avançou de 33% para 40%, e a percepção negativa encolheu de 21% para 10%, atingindo o patamar mais baixo desde março. 

Para o Federal Reserve, que decide os juros americanos na mesma data do Copom, 75% dos consultados aguardam a manutenção das taxas.

O documento assinado pela equipe de análise de fundos da XP com Clara Sodré, Luiz Felippo, Pedro Frota e José Pini ressalta que as estratégias multimercados possuem horizonte mínimo de avaliação superior a 36 meses, desenhadas para navegar em ambientes de incerteza em diferentes ciclos. 

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De acordo com os analistas, “mesmo diante de períodos de volatilidade no curto prazo, entendemos que os multimercados seguem como ferramenta relevante de diversificação e gestão ativa de risco na carteira dos investidores”.



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Helicóptero desaparecido com cantor Rick: novo sinal de celular muda área de busca


As equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil de Urubici seguem com as buscas pelo helicóptero que desapareceu na tarde desta segunda-feira (21), em Santa Catarina. Inicialmente, a operação se concentrou em dois pontos, distantes cerca de 30 quilômetros um do outro: o local onde a aeronave supostamente teria caído e o ponto onde foi registrado o último sinal de celular de um dos tripulantes.

Dentro da aeronave estavam o cantor Rick, da dupla com Renner, e o empresário Bruno Avelar, do projeto “O Poder do Network”.

Segundo informou o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina à CNN Brasil, os trabalhos continuam durante a madrugada.

As equipes enfrentam dificuldades para chegar aos pontos, com algumas pontes submersas e árvores caídas, tendo de retornar à cidade para procurar outra rota. A Força Aérea Brasileira (FAB) enviou helicópteros para ajudar, mas por conta do tempo ruim devem levantar voo nesta terça.

Quem é Bruno Avelar

Bruno Avelar é um empresário e fundador do “Poder do Network”, reconhecido por sua experiência em conexões profissionais e por compartilhar nas redes sociais sua rotina de palestras sobre o tema.

Além de sua atuação no mercado corporativo, o empresário apareceu ao lado de personalidades como Neymar Jr., registrando momentos como o leilão do instituto do jogador em 2025 e uma viagem.

Quem é Rick

Rick Sollo, da dupla sertaneja Rick & Renner, tem 59 anos e e é pai de seis filhos. Até a última semana, estava realizando shows na região Centro-Oeste do país junto à sua parceria de dupla.

Além de cantor, Rick é compositor de grandes sucessos gravados por outros duetos, como “Página de Amigos”, famosa na voz de Chitãozinho & Xororó; “Só Dá Você na Minha Vida”, João Paulo & Daniel; “Agenda Rabiscada”, Cleiton & Camargo; “Bebo pa Carai”, Gino & Gino; entre outras.



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Fed eleva taxas de juro pela 1ª vez desde 2023 e sinaliza mais uma alta neste ano







O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou o patamar da taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual (p.p.) na faixa entre 3,75% e 4% em decisão nesta quarta-feira (16). A decisão foi unânime.

É a primeira alta das taxas de juros nos EUA desde 2023, enquanto crescem as dúvidas sobre se a inflação poderá continuar se moderando sem um novo ajuste na política monetária. O Fed mantinha sua taxa de referência na faixa de 3,5% a 3,75% desde dezembro, enquanto a maioria de seus dirigentes considerava que o aumento da inflação havia sido freado por fatores temporários.

No entanto, essas dúvidas aumentaram este ano e um dado recente de inflação acima do esperado inclinou a balança para um possível aumento das taxas.

Novas projeções de política monetária ainda mostraram que 16 das 18 autoridades preveem pelo menos mais um aumento de um quarto de ponto percentual até o final deste ano, com apenas duas delas esperando que as taxas permaneçam estáveis ​​a partir de agora. Aparentemente, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, novamente não apresentou uma projeção de taxa.

Essa é a primeira mudança de política sob a gestão do novo presidente do Fed, que assumiu o cargo no final de maio após ser escolhido por Trump sob a expectativa de que cortaria os juros.

O novo comunicado de política monetária e as projeções econômicas do Fed mostram, ao contrário, um banco central abrindo caminho para uma política monetária mais restritiva ao longo do próximo ano, com a taxa de juros subindo para a faixa de 4,00% a 4,25% até o final deste ano e encerrando 2027 no mesmo patamar. “A medida de política de hoje apoiará um retorno mais célere à meta de 2% do Comitê”, afirmou o banco central em seu comunicado de política monetária após o término de uma reunião de dois dias.

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Embora o comunicado não tenha trazido orientações futuras (forward guidance) sobre decisões de política monetária vindouras — conforme a preferência de Warsh —, a decisão provavelmente dissipará dúvidas de que o chefe do Fed adiaria uma política mais restritiva por deferência a Trump, uma questão que persistiu durante seus primeiros meses no cargo.

O comunicado omitiu uma referência anterior que atribuía a atual inflação elevada a “choques de oferta”, particularmente no setor de energia; isso sinaliza as preocupações das autoridades — incluindo Warsh — de que as pressões sobre os preços eram amplas demais para serem consideradas confortáveis.

Alta antes das eleições

O aumento da taxa de juros foi anunciado menos de dois meses antes das eleições de meio de mandato, que definirão se os Republicanos de Trump manterão o controle do Congresso durante os dois anos finais de sua presidência. Os Republicanos enfrentam um cenário difícil com eleitores insatisfeitos devido aos preços da gasolina — cerca de um terço mais altos do que há um ano — e às taxas de juros de financiamentos imobiliários, que vêm subindo de forma constante neste ano. A taxa média para financiamentos imobiliários de 30 anos com taxa fixa está se aproximando de 7%.

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As novas projeções econômicas trimestrais das autoridades elevaram as estimativas de inflação — medida pelo Índice de Preços de Gastos de Consumo Pessoal (PCE) — para 3,7%, ante os 3,6% projetados na reunião de junho do Fed. A previsão é que a inflação só retorne à meta de 2% em 2029, um ano mais tarde do que o esperado anteriormente.

A projeção de crescimento econômico foi levemente elevada de 2,2% para 2,3%, enquanto a taxa de desemprego deve encerrar o ano em 4,1%, contra os 4,3% projetados em junho.

A forma como Warsh explicar, em sua coletiva de imprensa às 15h30 (horário de Brasília), a lógica por trás do aumento da taxa e a probabilidade de novas medidas será fundamental para moldar a reação dos mercados financeiros, que vinham elevando os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo. O aumento da taxa na quarta-feira era amplamente esperado, mas os investidores buscarão mais informações do chefe do Fed sobre o que poderia levar a novos aumentos nos custos de empréstimo. Warsh comprometeu-se a reduzir a inflação de volta para 2% “de forma clara e com velocidade suficiente”, elevando as taxas de juros conforme necessário.

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Repercussão no mercado

A reação inicial do mercado à decisão do Fed foi tímida, com o índice mantendo leves perdas. Contudo, o Ibovespa passou a acelerar baixas, para cerca de 0,7%, em meio às falas em coletiva de Kevin Warsh.

O chair do Fed afirmou que a economia dos EUA se fortaleceu desde a última reunião dos formuladores de política monetária do Fed, em junho, com o mercado de trabalho praticamente em pleno emprego, enquanto as tendências da inflação mostraram pouca melhora.

“Mesmo nas últimas semanas, acho que agora temos dados, em termos gerais, que indicam que a economia de fato se fortaleceu”, disse Warsh em uma coletiva de imprensa após o Fed ter aumentado as taxas de juros. “O crescimento subjacente está mais alto. A inflação é o problema. A estabilidade dos preços vem sendo o problema há mais de cinco anos e meio.”

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“Em sua coletiva, Kevin Warsh manteve um tom semelhante ao adotado em Jackson Hole, demonstrando preocupação com a persistência da inflação e reafirmando o compromisso de reconduzi-la à meta de 2%. Ao mesmo tempo, avaliou que o mercado de trabalho permanece estável e que a atividade econômica segue aquecida. Diante desse cenário, esperamos uma nova elevação de 0,25 p.p. em dezembro, com a retomada dos cortes apenas em 2028”, avalia Gustavo Rostelato, economista da Armor capital sobre o Fed.

Na mesma linha, Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, ressaltou que Warsh manteve o tom hawk na coletiva, parecido com o de seu discurso em Jackson Hole. “Segundo ele, desde o início de seu mandato, a atividade econômica se fortaleceu, a inflação não caminhou para meta como esperado e os riscos geopolíticos aumentaram. Como a economia está forte, o FOMC pode se concentrar mais na inflação e ajustar a política monetária para conduzi-la mais rapidamente à meta de 2%, reduzindo um pouco o grau de acomodação monetária. Como esperado, Warsh evitou dar qualquer forward guidance”, apontou.

(com Reuters e Bloomberg)



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vendas de materiais de construção recuam até 20%; pior já passou?







O segmento de materiais de construção costuma ter na resiliência uma poderosa arma para atenuar as consequências de períodos adversos. Como nem sempre é possível adiar o fim de uma obra ou a manutenção da casa, a demanda pelos produtos do setor tende a se manter permanente. A característica, no entanto, não foi suficiente — por enquanto — para frear a desaceleração das vendas na Argentina.

“Nós tivemos uma redução — não em faturamento, mas em [número de] unidades — entre 18% e 20% desde que medidas mais restritivas foram adotadas”, revela Juan Nazabal, presidente da Bulonfer, empresa com 40 anos de história e considerada uma das principais do setor de ferragens no país vizinho.

O executivo está entre os mais de 600 empresários do mercado de materiais de construção de 28 países reunidos no Summit Americas e ExpoShow, evento internacional realizado pela Atlas, no Panamá.

Apesar da desaceleração nos negócios, Nazabal manifesta otimismo e acredita que, em breve, haverá uma inversão da tendência.

Leia também: IA e varejo entram no debate sobre futuro do setor de materiais de construção

Pior já passou?

De acordo com especialistas, a economia da Argentina segue apresentando sinais mistos de recuperação, combinando a melhora recente de alguns indicadores com fraqueza persistente na demanda doméstica, no mercado de trabalho e no consumo.

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Leia mais: O que falta para crescimento da Argentina? Para analistas, recuperação segue frágil

“A retração do consumo era uma consequência da tentativa de controlar a inflação com uma política monetária um pouco restritiva que foi levada adiante [pelo governo de Javier Milei]”, explica o empresário argentino.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec), o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Argentina teve alta de 1,7% em agosto ante julho. O resultado sinaliza desaceleração após a alta mensal de 2,1% em julho. Na comparação anual, o indicador avançou 33,5%.

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“As medidas mais drásticas já foram tomadas ao longo destes anos. Alguns indicadores se normalizaram, e isso é muito bom em termos macroeconômicos”, reflete Nazabal. “Os números, felizmente, estão se ajustando, e o que resta agora é que o consumo se reative um pouco, o que, para nós e para nossas empresas, é vital”, projeta o empresário, que faz questão de demonstrar otimismo com o futuro.

Leia também: Panamá-Mercosul: acordo pode ampliar mercado para brasileiros, diz embaixador

Segundo o Itaú BBA, a atividade econômica argentina registrou alta de 0,8% em junho ante maio, considerando dados com ajuste sazonal. O resultado medido pelo EMAE, indicador mensal que funciona como uma prévia do PIB, interrompeu duas quedas consecutivas observadas anteriormente.

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Apesar do avanço mensal, a economia encolheu 0,9% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre imediatamente anterior. O resultado representa uma reversão da expansão de 0,7% registrada nos três primeiros meses do ano.

* O repórter Wellington Carvalho viajou para o evento Summit Américas a convite dos organizadores.



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Warsh diz que inflação está alta demais e cita 3 razões para alta de yield de títulos


O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, sinalizou nesta quarta-feira (16) que o banco central americano segue longe de declarar vitória no combate à inflação.

Durante coletiva após a decisão de política monetária, Warsh afirmou que a inflação continua em nível elevado e ressaltou que o foco predominante do Fed permanece na estabilidade de preços. Segundo ele, os integrantes do Federal Open Market Committee (FOMC) concluíram que ainda não há confiança suficiente de que a inflação subjacente esteja convergindo para a meta de 2% em um prazo adequado.

“A inflação está alta demais e tem estado assim por tempo demais”, afirmou o dirigente.

Nesta quarta, o Federal Reserve elevou as taxas de juros nesta quarta-feira e sinalizou novos aumentos nos custos dos empréstimos nos próximos meses, com Warsh aderindo a uma decisão unânime que reconhece, na prática, a incapacidade do governo Trump, até o momento, de controlar a inflação.

Embora o presidente Donald Trump tivesse prometido reduzir os preços durante seu mandato, o impacto combinado de suas tarifas sobre importações globais, um choque energético após o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã e os gastos de capital decorrentes do boom da inteligência artificial mantiveram as pressões sobre os preços intensas o suficiente para que o Fed sentisse a necessidade de elevar sua taxa básica de juros overnight em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

“A economia dos EUA parece estar se fortalecendo”, disse Warsh na coletiva após a decisão. Ele acrescentou que indicadores importantes melhoraram nos últimos meses e que, nas sete semanas desde a última reunião do Fed, os dados econômicos mostraram uma economia mais robusta.

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Segundo Warsh, justamente por causa dessa força subjacente da atividade, o banco central pode concentrar seus esforços no combate à inflação sem preocupação imediata com um enfraquecimento econômico.

O presidente do Fed também revelou que houve concordância dentro do comitê sobre a avaliação de que as condições financeiras atuais não são suficientemente restritivas para garantir o retorno da inflação à meta. De acordo com ele, essa visão foi amplamente compartilhada pelos membros do FOMC.

“As tendências importam; dados pontuais são ruídos”, afirmou.

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O dirigente lembrou ainda que, na reunião de julho, o comitê havia manifestado disposição para agir caso as condições justificassem uma mudança de rumo na política monetária. No entanto, a avaliação atual é que as evidências acumuladas desde então não foram suficientes para garantir que a inflação caminha de forma consistente para 2%.

Próximos passos

Questionado sobre os próximos passos da política monetária, Warsh evitou oferecer pistas específicas e afirmou que não pretende pré-julgar futuras decisões do banco central.

“Não vou prejulgar nenhuma futura decisão que possamos tomar”, disse.

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O presidente do Fed também procurou reforçar a independência da instituição em meio ao ambiente político americano. Sem comentar eventuais conversas com o presidente dos Estados Unidos, Warsh afirmou que a independência do banco central é “uma rua de mão dupla” e que o Fed precisa permanecer fiel ao seu mandato.

Outro ponto relevante da coletiva foi a explicação de Warsh para o movimento recente de alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

Segundo o presidente do Fed, existem três fatores principais por trás da elevação das taxas de longo prazo.

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O primeiro é a própria força da economia americana. “Vejo três razões para a alta dos rendimentos dos títulos. A primeira é a força da economia”, afirmou.

A segunda razão seria a crescente competição global por capital, impulsionada pelo aumento dos investimentos corporativos. “A disparada do capex é real”, disse, ao destacar a expansão dos gastos de investimento das empresas.

Já o terceiro fator apontado por Warsh é a geopolítica, que continua influenciando a formação de preços nos mercados globais e elevando os prêmios exigidos pelos investidores.



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Economistas destacam compromisso do Fed no “retorno mais tempestivo” à meta de 2%


O Federal Reserve entregou nesta quarta-feira (16), como esperado, uma alta de 0,25 p.p. nas taxas de juros dos Estados Unidos, e o mundo financeiro passou a buscar dados e pistas sobre as decisões futuras, uma vez que o chairman Kevin Warsh cumpriu o prometido e se negou fornecer qualquer guidance em seu discurso e na coletiva de imprensa. Mas a soma do teor do comunicado com a divulgação das projeções dos diretores aponta na direção de pelo menos mais uma alta neste ano, dizem os economistas

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, comentou que as projeções vieram na mesma direção, com uma revisão é integralmente altista para este ano, e em todas as variáveis ao mesmo tempo. “Crescimento maior, desemprego menor, inflação mais alta e juros mais altos por mais tempo”, listou.

Sung disse que um número resume a mensagem: a mediana da taxa de juros de 4,1% para o fim de 2026, acima do ponto médio do intervalo aprovado hoje, de 3,8%. “Ou seja, o Comitê projeta mais uma elevação de 0,25 p.p. ainda neste ano, cenário reafirmado pelo dot plot”.

O economista da Suno também destacou que o comunicado foi aprovado por 12 votos a zero, especialmente pelo contraste em relação a julho, quando três diretores divergiram da manutenção aprovada por preferirem exatamente o movimento entregue hoje. “A unanimidade, a nosso ver, comunica mais do que a taxa em si: o cenário econômico não registrou melhora e não há no Comitê uma ala disposta a defender a estabilidade dos juros”, explicou.

Sobre o comunicado, Sung disse que a mudança mais significativa está no parágrafo da inflação, trecho que que torna o comunicado mais duro que o divulgado em julho. Naquela reunião, o Comitê afirmava que os preços permaneciam elevados frente à meta de 2%, em parte por choques de oferta que pressionaram setores como energia. Hoje, a autoridade monetária reduziu o diagnóstico a uma frase seca, de que a inflação segue elevada, e acrescentou que a medida de política monetária de hoje apoiará um retorno mais célere rápida à meta de 2% do Comitê”, destacou.

Essa leitura é corroborada por uma das respostas que Warsh deu aos jornalistas nesta tarde. “A inflação é o problema. Preços instáveis têm sido o problema por mais de 5 anos e meio. Então, o que o Comitê decidiu fazer hoje foi tomar uma ação para garantir um retorno mais tempestivo ao nosso objetivo de estabilidade de preços”, afirmou Warsh.

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Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, também deu destaque para unanimidade do Comitê após o placar dividido em 9 a 3 de julho, sinalizando convergência em relação à necessidade de elevar a taxa de juros para combater a persistência inflacionária. “O comunicado destacou que a economia expande a ritmo sólido e reafirmou o compromisso com a estabilidade de preços.”

Ela citou também a reação do mercado de renda fixa, que refletiu uma dinâmica de alguma perda de inclinação da curva de juros. A ponta curta respondeu à decisão e as projeções do colegiado, com o rendimento do título de 2 anos do Tesouro dos EUA avançando 9 bps para 4,69%, enquanto o título de 10 anos sobe 5bps para 5,00.

“O movimento atesta o ganho de credibilidade da autoridade monetária. Contudo, a parte mais longa da curva segue sustentando uma elevação acumulada de 80bps no ano, pressionada pela combinação de inflação de energia, volume elevado de emissões de dívida corporativa e ampliação dos déficits orçamentários nos EUA.”

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Busca por credibilidade

Em sua análise, André Valério, economista sênior do Inter, lembrou a declaração de Warsh no Simpósio de Jackson Hole de que, caso a inflação de agosto não indicasse que o processo de desinflação tivesse perdido força, ele votaria por manter a taxa de juros.

“Entretanto, os dados de agosto não foram favoráveis a essa visão, com os gastos com energia voltando a pressionar o índice, acompanhado de um núcleo da inflação mais forte que o esperado. Soma-se a isso uma economia americana bastante robusta, com um mercado de trabalho que não dá sinais de que precisa do apoio da política monetária, o Fed se colocou em uma posição em que era obrigado a aumentar os juros hoje. Do contrário, o custo de não aumentar em termos de credibilidade seria excessivamente alto”, opinou

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Sobre a divulgação das projeções pelos membros do Comitê, Valério afirmou que elas indicam uma visão de que a economia americana está aquecida, com revisão para cima as projeções de PIB e inflação, enquanto as projeções de desemprego foram reduzidas.

“Além disso, o comitê enxerga o núcleo da inflação para 2026 levemente acima do que projetavam em junho, mas reduziram a projeção do núcleo para 2027 frente as projeções feitas em junho.”

“A despeito dessa revisão, os membros antecipam apenas mais uma alta de 25bps esse ano, possivelmente em dezembro, com os juros sendo mantidos nesse patamar ao longo de 2027”, completou.

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Para o economista do Inter, dado o pessimismo nos juros americanos, é possível que o mercado leia isso como sendo “dovish” e pressione ainda mais os juros nas próximas sessões.

“De toda forma, a capacidade do Fed em entregar apenas mais essa alta dependerá da dinâmica do preço do petróleo. Caso haja alguma resolução mais duradoura em relação ao estreito de Ormuz que permita que o preço do barril retorne ao patamar de US$70 dólares observado após a assinatura do memorando de entendimento em junho, apenas mais uma alta de 25 bps é plausível. Caso contrário, o choque inflacionário de energia pode persistir por mais tempo, forçando o Fed a estender o ciclo de alta além do planejado hoje.”

Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital Nova York, é de que o tom do comunicado do Fomc foi direto.

A decisão do Fed veio dentro do esperado. Diante dos dados de inflação da semana passada, que não foram suficientes para acalmar o mercado, e com o petróleo voltando a superar os US$ 100 por barril, o Fed optou por elevar as taxas em 25 bps a fim de preservar sua credibilidade.

Na minha visão, o tom foi direto e que o uso da expressão “retorno mais tempestivo à meta de 2% do Comitê”, junto com uma projeção de juros mais alta para 2027, indica um tom mais “hawkish” que o de julho, sinalizando o que pode ser o início de ciclo de aumentos na taxa de juros americana.

“O Fed com certeza começou o seu esforço máximo contra a inflação. Optou por elevar a taxa a fim de evitar um choque de credibilidade no mercado de renda fixa americano”, disse

Para Flores, no entanto, esse movimento me parece precipitado, uma vez que a inflação implícita de 5 e 10 anos está ancorada, o PCE (índice de inflação alvo do Fed) passará por uma revisão metodológica do Bureau of Economic Analysis em 30 de setembro que pode reduzir a leitura da inflação em cerca de 20 bp e as forças-tarefa lideradas por Warsh já vêm promovendo mudanças estruturais relevantes.

Mateus Hammes, head de investimento da Ludo Capital, por sua vez, disse que o principal argumento do Fed para sua decisão é a inflação persistente, turbinada pelo choque de petróleo. Ele citou em sua análise que o barril de Brent ultrapassou os US$ 100 e chegou a US$ 107 nesta semana, após ataques ao oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e a escalada de tensões envolvendo houthis, Irã e o Estreito de Ormuz — uma rota que responde por cerca de 4% do abastecimento global.

“Kevin Warsh já havia sinalizado o caminho no discurso de Jackson Hole, em agosto, ao afirmar que a inflação segue distante da meta de 2%. Desde então, dados de preços ao consumidor vieram consistentemente acima do esperado, reforçando a leitura de que a pressão inflacionária não é passageira”, lembrou.

A opinião de Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, também é de que o comunicado veio “hawkish”. “O principal ponto, na minha visão, não é nem a alta em si, mas o fato de o Fed elevar a projeção de juros para o fim de 2026 de 3,8% para 4,1%, sinalizando que pode haver mais uma alta ainda este ano. É um tom de comitê que não está satisfeito com o processo desinflacionário e prefere apertar um pouco mais os juros, do que ceder a cortes ou mantimento”, explicou.

Bassani disse acreditar que a decisão se justifica pelos próprios fundamentos citados no comunicado: atividade econômica em ritmo sólido, gastos domésticos resilientes (mesmo com a incerteza geopolítica do Oriente Médio), produtividade forte, investimentos robustos e mercado de trabalho ainda equilibrado, sem sinais de deterioração.

“Ou seja, a economia americana está aguentando juros altos sem travar e isso provavelmente deve dar ao Fed conforto para continuar priorizando o combate à inflação em vez de se preocupar somente com crescimento ou emprego”, afirmou.



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Porta-voz da Casa Branca chama aumento de juros pelo Fed de ‘decisão infeliz’


O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, criticou nesta quarta-feira, 16, a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) desta mesma data, de aumentar as taxas de juros em 25 pontos-base, elevando-as para a faixa de 3,75%-4,00% ao ano.

“Hoje, a decisão bastante infeliz do Fed de aumentar as taxas de juros não foi respaldada por um caso econômico convincente”, disse ele à Fox News.

“O presidente Donald Trump quer que o Fed faça a coisa certa e reduza os juros para um dos níveis mais baixos do mundo, em vez de aumentá-las.”

Segundo Desai, taxas mais altas vão apenas impedir um progresso econômico significativo, aumentar as taxas de hipoteca e punir empresas.

Apesar disso, ele reiterou que Trump continua acreditando na independência do Fed.



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